Poster comemorativo dos 50 anos dos X-Men, por David Finch.
Poster comemorativo dos 50 anos dos X-Men, por David Finch.

Durante décadas, a equipe de heróis mutantes da Marvel Comics, os X-Men, foram um dos produtos de maior sucesso no mercado editorial das histórias em quadrinhos. Agora, sucesso também nos cinemas – com o recente X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, sequência de X-Men – Primeira Classe, levado aos cinemas pela 20th Century Fox. Aproveitando a deixa, o HQRock traz uma seleção das Melhores Histórias da equipe em sua mídia original.

Capa de X-Men : Gold por  Olivier Coipel.
Capa de X-Men : Gold por Olivier Coipel.

Percebe-se, de antemão, que os mutantes sempre renderam boas histórias, especialmente em tempos idos. A lista procura equilibrar posições a partir de temporalidades distintas, clássicos e contemporâneos; mas não se pretende definitiva. Afinal, são mais de 50 anos de HQs de muita qualidade.

Contudo, o HQRock não se exime de afirmar que a qualidade das histórias dos X-Men decaiu demais nas últimas décadas e que seus personagens – e criadores – permanecem rodando em círculos; reciclando conceitos antigos. Mesmo que a fase Marvel Now tenha inovado em algumas coisas, nas mãos de Brian Michael Bendis, ainda é algo muito aquém do que os mutantes foram no passado.

Mas vamos celebrar o que é bom. Por isso, pegue seu visor de lentes de quartzo de rubi, afie suas garras de adamantium, faça um polimento na sua pele de aço orgânico e se teletransporte para o parágrafo seguinte, contemplando as Melhores Histórias dos X-Men nos quadrinhos.

01 – A SAGA DA FÊNIX NEGRA

A Saga da Fênix Negra: maior clássico dos X-Men.
A Saga da Fênix Negra: maior clássico dos X-Men.

Por Chris Claremont (texto) e John Byne (argumento e desenhos), em X-Men 129 a 138, de 1980.

Ponto máximo das aventuras dos X-Men, A Saga da Fênix Negra definiu a equipe nos anos 1980 e é ainda hoje uma referência importante ao universo mutante. Sua trama básica já foi usada no cinema – em X-Men – O Confronto Final e nos anteriores – mas foi desperdiçada pela falta de visão dos roteiristas e do medo do estúdio em arriscar. Nos quadrinhos, é dinamite pura.

É preciso entender uma prévia: a transformação de Jean Grey, a Garota Marvel, na Fênix, que ocorreu no arco Feliz Natal, X-Men (leia abaixo), na qual a garota telepática e telecinética ganha poderes cósmicos quase infinitos, muito além da compreensão humana. A personagem, porém, ficou um tempo sem muita utilidade até A Saga da Fênix Negra começar.

Ciclope tenta salvar sua amada.
Ciclope tenta salvar sua amada.

Na trama, Jean Grey começa a ser assombrada por inexplicáveis memórias do século XVIII, como de uma antepassada dela. Essa Jean Grey “do passado” é seduzida por um belo nobre chamado Jason Wyndgare e começa a se apaixonar. Na verdade, Wyndgare é ninguém menos do que o Mestre Mental – velho membro da Irmandade de Mutantes – que está manipulando a mente da heroína para despertar o lado negro dela. E dá certo! As maquinações dele, apoiadas pelo misterioso Clube do Inferno, fazem emergir a Fênix Negra, uma versão completamente maligna e amoral de Jean Grey. E revestida dos poderes infinitos da Fênix.

Como os X-Men podem confrontar a sua colega de equipe? Como Ciclope pode lidar com o fato do amor de sua vida se transformar no pior inimigo que os X-Men já combateram?

O clássico fim da Fênix: imposição editorial.
O clássico fim da Fênix: imposição editorial.

A Saga da Fênix Negra se desenvolve cheia de nuances e termina de forma trágica, marcando um importante momento dos X-Men nos quadrinhos, mas também, criando um dos eventos mais dramáticos da Marvel.

No plano editorial, a saga também foi marcante. Claremont e Byrne produziram a história, mas o Editor-Chefe da Marvel na época, o polêmico Jim Shooter, os obrigou a reescrever o final. Afinal, a Fênix havia matado 6 bilhões de pessoas ao explodir um planeta apenas para demonstrar o seu poder. Na visão de Shooter, isso era imperdoável e ela tinha que ser punida.

A Fênix no cinema: arremedo.
A Fênix no cinema: arremedo.

Assim, Claremont e Byrne escreveram a dramática cena em que Jean Grey se sacrifica para impedir a ela mesma. Contudo, o estresse causado pelo fim da história e uma série de discordâncias entre os dois autores terminou por abalar profundamente a parceria que criou os melhores momentos dos X-Men nos quadrinhos.

Fênix Negra é leitura obrigatória de qualquer fã dos mutantes (ou de HQs): perfeita combinação das tramas intricadas e cheias de mudanças de Claremont com a belíssima arte de Byrne, um mestre.

Tudo muito diferente do arremedo de A Saga da Fênix que aparece em X-Men – O Confronto Final, que usa os elementos básicos da trama (quer dizer, apenas o descontrole de Jean Grey perante seus poderes), mas sem nenhum tipo de gravidade, emoção ou profundidade. O fato do filme praticamente não utilizar Ciclope e tentar transferir o drama inteiramente para Wolverine fazem qualquer fã das HQs se contorcer. Um desperdício…

02 – DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO

Dias de um Futuro Esquecido: clássico imortal.
Dias de um Futuro Esquecido: clássico imortal.

Por Chris Claremont (texto) e John Byrne (argumento e desenhos), em Uncanny X-Men 141 e 142, de 1981.

Neste clássico arco sobre futuros possíveis, a dupla genial Chris Claremont e John Byrne produz seu derradeiro trabalho. É uma das melhores aventuras dos X-Men em todos os tempos! Na trama, vemos um futuro devastador, na qual os mutantes foram impiedosamente caçados e exterminados pelos Sentinelas e apenas alguns sobreviventes estão em um campo de concentração. Wolverine é o único dos antigos X-Men ainda livre e ajuda seus companheiros em um plano suicida: lançar a consciência de Kitty Pryde ao passado, mudar os eventos e evitar aquela tragédia de ocorrer.

O plano dá certo e a velha Kitty encarna na versão adolescente dela mesma, no momento em que está ingressando nos X-Men. Agora, os X-Men do presente precisam impedir uma nova encarnação da Irmandade de Mutantes, liderada por Mística, de assassinar o Senador Robert Kelly e, com isso, dar início a toda uma cadeia de eventos que resultará no futuro mostrado.

A história se desenvolve em dois planos, mostrando os X-Men do presente e os do futuro. Estes últimos, infelizmente, não se dão tão bem e vemos-nos sendo destruídos pelos Sentinelas, inclusive, Wolverine. Ninguém deu muita importância à época, porém, vemos a morte de Logan!

Noturno e Mística: segredos...
Noturno e Mística: segredos…

No presente, a história de Kitty Pryde sequer é contestada (Xavier e Wolverine podem aferir que ela diz a verdade ao vir do futuro); mas ainda assim é preciso correr contra o tempo para impedir que Mística e Sina cumpram sua missão. A trama também deixa algumas pontas soltas para o futuro, como a ligação entre Mística e Noturno.

Dias de Um Futuro Esquecido nos cinemas.
Dias de Um Futuro Esquecido nos cinemas.

No ponto de vista editorial, além de lançar um tema (viagens no tempo) que voltaria a ser extremamente explorado no futuro; de inspirar o filme O Exterminador do Futuro (que claramente se usa de ideias, cenas e trama desta história); Dias de Um Futuro Esquecido também é o marco final da elogiadíssima fase de Chris Claremont e John Byrne à frente dos X-Men. A dupla que já vinha com as relações estremecidas desde A Saga da Fênix Negra, publicada pouco tempo antes, cedeu à pressão e se desfez. Byrne deixou os X-Men e se tornou uma das maiores estrelas do mundo dos quadrinhos dos anos 1980, com passagens marcantes em dezenas de personagens; enquanto Claremont permaneceria por mais dez anos à frente das histórias dos mutantes.

Porém, os X-Men nunca mais seriam tão grandes quanto nas mãos de Claremont e Byrne juntos.

Também não custa lembrar que Dias de Um Futuro Esquecido acabou de ser adaptado aos cinemas, em um filme muito interessante e de grande sucesso. Mesmo que utilize apenas os elementos básicos da trama e os adapte à realidade dos X-Men nos cinemas, o filme é bem-sucedido (leia a resenha do HQRock aqui). Também é curioso notar que alguns elementos da trama da HQ foram usados em outros filmes dos mutantes, como o ataque ao Senador Kelly, que está presente em X-Men – O Filme.

03 – DAS CINZAS

O espirituoso convite de casamento de Logan e Mariko, na capa de "Uncanny X-Men 172".
O espirituoso convite de casamento de Logan e Mariko, na capa de “Uncanny X-Men 172”.

Por Chris Claremont (texto), Paul Smith e John Romita Jr. (desenhos), em Uncanny X-Men 170 a 175, de 1983.

Esta história é praticamente uma sequência da Saga da Fênix Negra e também inclui dentro de si o arco Glória Escarlate (Uncanny X-Men 170 a 173) focado em Wolverine. Na trama, enquanto vemos Wolverine voltando ao Japão para finalmente se casar com Mariko Yashida; Scott Summers, o Ciclope, também está afastado da equipe, indo conhecer os avós no Alasca. Na companhia aérea deles, termina conhecendo a piloto Madelyne Pyror, uma garota ruiva muito semelhante a Jean Grey. Tendo em vista sua perda recente, é compreensível que Summers sinta-se atraído por ela. E ela corresponde.

Os X-Men na fase de Claremont e Smith: Vampira, Tempestade, Ciclope, Colossus, Noturno, Ninfa (Kitty Pryde) e Wolverine.
Os X-Men na fase de Claremont e Smith: Vampira, Tempestade, Ciclope, Colossus, Noturno, Ninfa (Kitty Pryde) e Wolverine.

Enquanto Wolverine e os X-Men combatem Víbora (a Madame Hidra) e o Samurai de Prata no Japão; Scott e Madelyne vão se conhecendo e se enamorando. Quando Wolverine é dispensado por Mariko no altar, os X-Men retornam à Mansão X e as duas tramas se chocam. Os X-Men já vinham experimentando situações estranhasTempestade viu o pássaro de fogo da Fênix no Japão! – e todos ficam assustados com a semelhança entre Madelyne e a falecida Jean Grey. Para piorar, Madelyne era a única sobrevivente de um acidente aéreo que ocorreu na mesma hora em que a Fênix Negra morreu na Lua.

E qual não é a surpresa dos X-Men ao retornarem para casa e se depararem com um novo ataque da Fênix? Como é possível, se Jean Grey morreu na Lua meses antes?

Uma história fantástica da longa fase de Chris Claremont à frente dos mutantes, marcando ainda o final da temporada desenhada por Paul Smith, e dando passagem a John Romita Jr., que também seria um artista marcante na carreira do grupo.

A trama de Madelyne Pryor, contudo, apenas se inicia neste arco. A trama continuaria a se desenvolver pelos anos seguintes e renderia ainda muitos outros atos, só se encerrando no arco Inferno, em 1988 (veja abaixo).

04 – MASSACRE DE MUTANTES

"O Massacre de Mutantes": clássico brutal.
“O Massacre de Mutantes”: clássico brutal.

Por Chris Claremont (texto), John Romita Jr., Rick Leonardi, Alan Davis (arte), em Uncanny X-Men 210 a 213, de 1986. [Prossegue também em X-Factor 09 a 11, por Louise Simonson e Walt Simonson]

Um misterioso grupo de assassinos começa sem aviso uma matança sem tamanho, praticamente eliminando os Morlocks, mutantes deformados que vivem secretamente no subsolo de Nova York. Atendendo a um pedido de socorro – além do fato de Tempestade ser a “líder honorária” dos Morlocks – os X-Men chegam tarde demais para impedir o pior, mas usam todas as suas habilidades para deter os Carrascos que realizaram o ataque e descobrir quem é o misterioso líder do grupo, um novo vilão que irá se tornar fundamental para os títulos mutantes.

Não é uma trama genial, mas uma grande matança que não exclui os membros importantes dos X-Men, como Kitty Pryde, Noturno e Colossus que são seriamente feridos (e o Anjo do X-Factor, também) e chegam a sair da equipe por causa disso. Massacre de Mutantes também teria sérias consequências à cronologia dos X-Men, inclusive, com a introdução do Sr. Sinistro e, não menos importante, a adesão de Dentes de Sabre no cânone de vilões da equipe e, mais ainda, de Wolverine.

Recortes do segundo round de Wolverine contra Dentes de Sabre, agora com arte de Alan Davis.
Recortes do segundo round de Wolverine contra Dentes de Sabre, agora com arte de Alan Davis.

As duas batalhes entre Wolverine e Dentes de Sabre (desenhadas por Rick Leonardi e Alan Davis, respectivamente) são dois clássicos da época.

De bônus, o leitor ainda pode ler as boas histórias do X-Factor – um grupo derivado dos X-Men, formado pelos membros originais da equipe (Ciclope, Garota Marvel, Fera, Homem de Gelo e Anjo – que estão vinculados à saga e são muito interessantes. Além disso, a saga Massacre de Mutantes teve efeitos (menores, é claro) em vários outros títulos da Marvel, como Daredevil (Demolidor), Powerpack (Quarteto Futuro) e até Thor.

A belíssima capa de O Conflito de uma Raça.
A belíssima capa de O Conflito de uma Raça.

05 – DEUS SALVA, O HOMEM MATA (Conflito de uma Raça)

Por Chris Claremont (texto) e Brent Anderson (arte), em Marvel Graphic Novel 05: God Loves Man Kills, de 1982.

Uma das mais belas histórias dos X-Men, O Conflito de uma Raça (como ficou conhecido no Brasil) está meio esquecida nos dias de hoje e foi pouco republicada desde sua edição original, em 1982. Na época, o editor-chefe da Marvel, Jim Shooter, havia encampado uma série de graphhic novels, grandes revistas em formato magazine, com edição mais caprichada, arte especial (muitas das quais pintadas como quadros) e roteiro acima da média. Deus Salva, O Homem Mata foi a contribuição dos X-Men ao pacote.

X-Men lutando contra inimigos comuns: batalha de ideias, não de punhos.
X-Men lutando contra inimigos comuns: batalha de ideias, não de punhos.

Escrita pelo mesmo Chris Claremont das revistas mensais, a graphic novel se destaca por trazer um conto mais humano (e menos super-heroístico) e explicitar de maneira quase doméstica o clima de “ódio e temor aos mutantes”, que por vezes era apenas implícito nas revistas. Na trama, o reverendo William Stryker dá início a uma feroz campanha anti-mutante, revestida de religiosidade. Logo descobrimos que Stryker não é nada santo e lidera uma milícia anti-mutante que vem assassinando mutantes, inclusive, crianças.

Isso motiva os X-Men a se aliarem a Magneto para combatê-lo, o que foi crucial para o processo de arrependimento do vilão que, em breve, se tornaria um aliado da equipe. A história, com uma bela arte de Brent Anderson, então, mostra um conflito moral forte e um final surpreendente humano, sendo um dos grande momentos de Claremont em sua longeva passagem pela equipe.

Como se pode notar, parte da trama serviu de base para o filme X-Men 2, que entretanto, transformou William Stryker em um militar, em vez de pastor. O personagem, então, apareceu em X-Men Origens – Wolverine e no novo X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido; estando no cinema intrinsecamente ligado às origens de Logan.

06 – FELIZ NATAL, X-MEN! (Ou Surge a Fênix!)

Capa de X-Men 101 coma estreia da Fênix.
Capa de X-Men 101 coma estreia da Fênix.

Por Chris Claremont (texto)  e Dave Crockum (arte) em Uncanny X-Men 98 a 101, de 1976.

Embora tenha sido o escritor Len Wein quem criou os Novos X-Men – a segunda encarnação do grupo (com Tempestade, Wolverine, Noturno e Colossus), que liderada por Ciclope, passa a substituir os velhos X-Men dos anos 1960; coube a Chris Claremont desenvolver a equipe e transformá-la nos X-Men que conhecemos hoje. E Feliz Natal, X-Men é o primeiro grande clássico de Claremont à frente dos mutantes.

Na trama, enquanto comemoram o Natal (o primeiro desde que a nova equipe se reuniu), os X-Men são atacados por uma nova geração de Sentinelas. Parte da equipe é sequestrada e levada a uma base espacial, submetida a exames comandados pelo cientista Stephen Lang (mais tarde revelado como um dos membros do ciclo interno do Clube do Inferno). Os membros da equipe que permaneceram na Terra precisam encontrar uma maneira de entrar em órbita, invadir a estação espacial de Lang e ainda trazer seus companheiros com vida.

Os X-Men prisioneiros de Stephen Lang.
Os X-Men prisioneiros de Stephen Lang.

Uma aventura eletrizante, beneficiada pela arte interessante de Dave Crockum, que criou a maior parte visual desse novo universo.

Não menos importante é a ressalva de que a maior consequência da trama é a transformação de Jean Grey na Fênix: a moça é bombardeada por raios cósmicos em uma tempestade solar e termina ganhando poderes inimagináveis. Depois de arco, as coisas jamais seriam as mesmas para os X-Men e a grande consequência viria bem mais tarde com A Saga da Fênix Negra.

As capas da minissérie de 1987.
As capas da minissérie de 1987.

07 – X-MEN VERSUS VINGADORES: O JULGAMENTO DE MAGNETO

Por Roger Stern e Tom DeFalco (texto) e Marc Silvestri (arte) em X-Men Vs. Avengers 01-04, de 1987.

Em 1986, a Marvel Comics comemorou 25 anos de sua fase “moderna”, ou seja, da criação do Universo Marvel que todos conhecemos. Para celebrar, a editora passou um ano publicando minisséries e edições especiais de seus personagens, a maioria delas reunindo personagens que, normalmente, não tinham interação nenhuma. Apesar de serem os principais grupos de heróis da Marvel, X-Men e Vingadores interagiram pouco ao longo da história, daí que esse encontro foi bastante explosivo na época. E apesar da história ser meio esquecida nos dias de hoje, é um grande conto saído das mãos de Roger Stern, escritor que fez sucesso com Homem-Aranha e Vingadores; mas foi durante algum tempo o editor das revistas dos X-Men, ainda no fim dos anos 1970. Por algum motivo – provavelmente problemas de bastidores editoriais – Stern não assina o último capítulo da mini, que cabe a Tom DeFalco, que na época assumia o posto de Editor-Chefe da Marvel.

X-Men, Vingadores e Sovietes Supremos em batalha na bela arte de Marc Silvestri.
X-Men, Vingadores e Sovietes Supremos em batalha na bela arte de Marc Silvestri.

O melhor de X-Men Versus Vingadores é que Stern encontrou um motivo justo e verossímil para colocar as duas equipes em choque: o vilão Magneto. Aqui cabe um parêntese: na época, na revista dos X-Men (escrita então por Chris Claremont) mostrava Magneto se arrependendo de seus crimes do passado e tentando se aproximar de seu velho amigo Charles Xavier. Em Uncanny X-Men 200, de 1986, Magneto aceita ser julgado de seus crimes por uma Corte Internacional, mas o julgamento é interrompido pelo ataque de dois vilões e não se concluí. Esse é o gancho para a minissérie: um novo julgamento.

Por causa de sua nova condição, agora Magneto anda com os X-Men, com todos tentando deixar as mágoas do passado de lado e lutarem por um bem comum. Há um clima de camaradagem na equipe. Mas o mesmo não pode ser dito dos Vingadores, que só conheceram Magneto como o terrível vilão que foi no passado. Os Vingadores decidem ir atrás dos X-Men para Magneto se entregar e ser julgado. Os mutantes estão relutantes em aceitar porque pensam que, com o ódio crescente da humanidade contra os mutantes, o julgamento será um jogo de “cartas marcadas”.

Para piorar, entram em cena os Sovietes Supremos, uma equipe de super-heróis da então União Soviética (atual Rússia), que querem trazer Magneto à julgamento a todo custo, pois um dos maiores crimes do vilão foi ter submergido um submarino soviético cheio de soldados. Stern constrói uma trama interessante e desenvolve bem os personagens, trazendo não apenas os heróis questionando as ações, como também os membros da corte. No centro de tudo, o próprio Magneto, que fica na dúvida entre interferir ou não no julgamento.

O conto tensiona as opiniões da corte, dos jurados, do público, dos Vingadores, dos X-Men, dos Sovietes Supremos e até do próprio Magneto, trazendo uma boa reflexão sobre moral, culpa e arrependimento. Mais um texto ágil de Roger Stern. E também a bela arte de Marc Silvestri que, com este trabalho, abriu as portas para uma temporada importante na revista dos mutantes.

Um pequeno clássico esquecido no tempo.

08 – E DE EXTINÇÃO

Por Grant Morrison (texto) e Frank Quitelly (arte) em New X-Men 114-120, de 2000.

Os Novos X-Men de Grant Morrison: polêmicas, muitas polêmicas.
Os Novos X-Men de Grant Morrison: polêmicas, muitas polêmicas.

Os X-Men foram um dos maiores sucessos editoriais da história nos anos 1990, mas uma década de excessos gerou frutos e os mutantes começaram os anos 2000 com a moral baixíssima. Para sacudir as coisas, o novo Editor-Chefe da Marvel, Joe Quesada, trouxe o aclamado, louco e polêmico escritor escocês Grant Morrison para comandar uma virada nos X-Men. E foi isso o que ele fez!

Morrison é um radical e trouxe uma enxurrada de mudanças: tirou os uniformes coloridos e os trocou por sombrias roupas de couro; carregou a caracterização dos personagens, deixando Ciclope ainda mais “fodão” e Wolverine ainda mais escroto; trouxe uma tonelada de novos personagens (entre heróis e vilões); contou uma nova Saga da Fênix; e fez a Escola do Professor Xavier para Alunos Superdotados ser isso mesmo, uma escola, com alunos, turmas etc., conceito incrivelmente pouquíssimo explorado nos mais de 30 anos dos X-Men até ali.

Apesar de toda a passagem de Morrison ser célebre, destacamos aqui o primeiro arco, E de Extinção, que monta tudo e traz um dos conceitos mais estranhos de Morrison: a vilã Cassandra Nova, que é revelada como uma irmã gêmea de Charles Xavier que foi abortada e jogada no esgoto, mas sobreviveu assim mesmo (!). Brilhante cientista, ela cria uma nova geração de Sentinelas e põe um grande desafio à equipe.

Foi um passo ousado em uma época ousada da Marvel. Infelizmente, vista à distância, a empreitada foi quase isolada em termos de qualidade quanto às revistas dos X-Men nos anos 2000, na qual a outra exceção seria a fase de Joss Whedon (veja mais abaixo).

09 – ASTONISHING X-MEN

Por Joss Whedon (texto) e John Cassaday (arte) em Astonishing X-Men 01-12, de 2004 e 2005.

Astonishing X-Men: obra-prima de Joss Whedon e John Cassaday.
Astonishing X-Men: obra-prima de Joss Whedon e John Cassaday.

Hoje, todos conhecem Joss Whedon como o diretor do filme Os Vingadores. Mas o criador de Buffy – A Caça Vampiros também escreveu histórias em quadrinhos e o seu melhor trabalho neste campo foi com os X-Men. Após a saída de Grant Morrison dos mutantes, era preciso outro nome de peso para levar as coisas adiantes e a Marvel trouxe Whedon para uma nova revista chamada Astonishing X-Men. A ideia era isso mesmo: criar uma história supreendente da equipe. E ele fez.

Embora a saga tenha 40 capítulos, vale destacar os dois primeiros arcos, Surpreendentes (caps 1 a 6) e Perigoso (caps 7 a 12), que mostram os X-Men em um dos seus melhores momentos: ótima caracterização de personagens (sem excessos), diálogos afiados, tramas interessantes, personagens novos… tudo isso emoldurado na arte incrível e realista de John Cassaday. Algo lindo de se ver: Ciclope como o líder nato da equipe; a melancolia filosófica do Fera; a cabeça esquentada de Wolverine; a sagacidade de Kitty Pryde; as contradições de Emma Frost; a tensão entre Ciclope e Wolverine, devido às suas diferenças e, claro, ao amor por Jean Grey (morta no final da fase de Morrison).

Um membro dos Ords enfrenta os X-Men na história escrita por Joss Whedon e com a bala arte de John Cassaday.
Um membro dos Ords enfrenta os X-Men na história escrita por Joss Whedon e com a bala arte de John Cassaday.

A trama mostra o surgimento de uma “cura” para o gene mutante e o impacto que isso causa nos X-Men, além da ameaça de um alienígena chamado Ord que clama uma profecia na qual um mutante da Terra irá destruir seu planeta. Em seguida, descobrimos que Colossus – morto em uma história dos anos 1990 – está vivo e de volta, sendo usado como cobaia para a busca da tal cura. Isso permite Whedon trabalhar com uma das melhores formações dos X-Men em todos os tempos: Ciclope, Wolverine, Emma Frost, Fera, Lince Negra e Colossus.

Ah, e não custa lembrar: o plot com a cura mutante foi usado nos cinemas como a subtrama de X-Men – O Confronto Final.

10 – A SAGA DA TERRA SELVAGEM

Por Roy Thomas (texto) e Neal Adams (arte), em X-Men 56 a 63, de 1968 e 1969.

A bela arte de Neal Adams: um confronto com Sauron e sua origem ao mesmo tempo.
A bela arte de Neal Adams: um confronto com Sauron e sua origem ao mesmo tempo.

Após criados em 1963, os X-Men simplesmente não conseguiram emplacar nos quadrinhos. Stan Lee e Jack Kirby não conseguiram se empolgar suficientemente com aquela criação e não produziram uma grande obra com os mutantes. Assim, entregaram o papel a outros escritores e desenhistas. Foram anos patinando em busca de um tom certo. E apenas em 1968 é que uma equipe criativa acertou mesmo o alvo: o escritor Roy Thomas e o desenhista Neal Adams deram aos X-Men a sua melhor fase nos anos 1960.

O roteiro esperto de Thomas, cheio de referências à época, e a arte dinâmica, fotográfica e belíssima de Adams promoveram um desbunde numa fase curta, mas essencial. A trama coloca os X-Men envoltos em novos personagens – como o irmão de Ciclope, Destrutor, e a bela Polaris – juntamente a uma sequência impressionante de novos vilões: o Monólito Vivo, Sauron e os Metamorfos, culminando numa aventura na Terra Selvagem – um bolsão tropical cheio de dinossauros escondido na Antártida (!) – na qual deparam com o bom e velho Magneto.

Uma sequência eletrizante de aventuras que demorou a se repetir com os mutantes, pelo menos até a chegada no futuro de Chris Claremont.

11 – SURGEM OS SENTINELAS

Por Stan Lee (texto) e Jack Kirby (arte) em X-Men 14 e 15, de 1965.

Ciclope enfrenta os Sentinelas por Lee e Kirby.
Ciclope enfrenta os Sentinelas por Lee e Kirby.

Stan Lee e Jack Kirby criaram os X-Men e montaram todo o seu universo básico, mas não conseguiam criar realmente grandes histórias para eles. Estavam ocupados fazendo Thor, Quarteto Fantástico e Vingadores para se preocupar em demasia com aqueles adolescentes estranhos vestindo farda. Ainda assim, produziram uma boa aventura no final de sua temporada à frente dos mutantes: o surgimento dos Sentinelas. Após enfrentarem o Fanático e quase serem derrotados, os X-Men tentam tirar um descanso, mas são surpreendidos pela campanha anti-mutante encampada pelo antropólogo Bolivar Trask, que conceitua que no futuro, os mutantes irão escravizar a humanidade.

Não bastasse o pânico, Trask também apresenta os Sentinelas: robôs programados para identificar e eliminar mutantes. Contudo, os robôs saem do controle e decidem agir por conta própria, obrigando os X-Men a combaterem uma arma criada para destruí-los. É uma boa aventura e foi a última que Lee e Kirby produziram com esses heróis, passando o bastão para outros criadores no número seguinte.

Além disso, a história tem a importância fundamental de ter lançado o conceito dos Sentinelas, que gerou algumas das melhores aventuras da equipe no futuro, como Feliz Natal, X-Men e Dias de Um Futuro Esquecido. Falando nisso, a essência dessa história de Lee e Kirby também é apresentada ao grande público diluída no novo filme dos heróis mutantes, X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido.

12 – GÊNESE MORTAL

Por Jim Lee (argumento e arte) e Chris Claremont (texto), em X-Men 01 a 03, de 1991.

Capa tripla de "X-Men 01" por Claremont e Lee: recorde imbatível de vendas.
Capa tripla de “X-Men 01” por Claremont e Lee: recorde imbatível de vendas.

Exatamente no início dos anos 1990, os X-Men se tornam o maior sucesso da Marvel, graças à combinação explosiva dos textos de Chris Claremont e dos desenhos arrojados de Jim Lee, que se tornava um dos artistas mais quentes do mercado. A Marvel que não é besta, decidiu criar uma nova revista dos mutantes, paralela à longeva Uncanny X-Men, justamente para dar mais brilho à estrela de Lee. Assim, no verão de 1991, foi lançada X-Men 01, uma nova revista comandada por Jim Lee, na qual cabia a Chris Claremont o papel apenas de “colaborador”.

A Marvel não estava errada: X-Men 01 vendeu 8 milhões de unidades (!) e é até hoje o recorde absoluto de revista em quadrinhos mais vendida da história (para se ter uma ideia, um sucesso absurdo hoje em dia vende 200 mil cópias). Contudo, a situação não era nada confortável para Claremont, que estava acostumado a comandar os X-Men há 16 anos (desde 1975!). A perda de poder e controle sobre “seus” personagens terminou por ocasionar a saída do escritor – após finalizar X-Men 03, justamente o fim do arco aqui apresentado – e sua substituição por outros, como John Byrne, Scott Lobdell e Fabian Nicieza.

A arte espataculosa de Jim Lee: sucesso inédito.
A arte espataculosa de Jim Lee: sucesso inédito.

Apesar da turbulência editorial, Gênese Mortal, a última história produzida pela dupla Claremont e Lee é uma grande obra. Poucas vezes o desenho de Lee foi melhor do que nessa obra (ele livrou-se de vários compromissos para ter mais tempo para fazê-la) e o roteiro traz uma trama interessante: o retorno de Magneto ao lado dos vilões, depois de um período relativamente longo do lado dos mocinhos. Mas a história consegue isso sem grandes maniqueísmos.

Na trama, cansado do clima anti-mutante cada vez pior e achando os X-Men muito permissivos em sua atuação, Magneto é seduzido pelo surgimento de um grupo poderoso de mutantes terroristas chamados Acólitos, que clamam para que o mestre do magnetismo os lidere. Isso tensiona as relações entre os então aliados, mas Magneto termina reunindo-se aos Acólitos e reconstruindo o Asteroide M, uma base espacial que usara no passado, pensando em destiná-la como abrigo para qualquer mutante que queira deixar a vida de perseguições na Terra.

Ao mesmo tempo, o líder dos Acólitos manipula os bastidores para tornar Magneto um ídolo (matando-o) e tomar-lhe o poder; enquanto as tensões levam a brigas e o rancor emerge descontrolado: numa briga Wolverine quase mata Magneto com suas garras, criando uma ruptura definitiva entre os dois.

Gênese Mortal também apresentou a divisão dos X-Men em duas equipes táticas, divididas a partir das revistas: a equipe azul  (de X-Men), com Ciclope, Wolverine, Gambit, Fera, Vampira, Psylocke e Jubileu; e a equipe dourada (de Uncanny X-Men), com Tempestade, Jean Grey, Colossus, Homem de Gelo e Arcanjo.

Apesar do sucesso inominável, em médio prazo a Marvel perdeu. Claremont saiu da editora (e nunca mais produziu um trabalho relevante, diga-se de passagem; nem mesmo quando retornou aos X-Men nove anos depois) e Jim Lee não permaneceu muito tempo à frente dos X-Men, já que insatisfeito com as políticas trabalhistas e de direitos autorais com a empresa, terminou pedindo demissão e (juntamente com outros grandes desenhistas, como Todd McFarlane, Rob Liefeld e Erik Larsen) fundou a Image Comics, que se tornou uma das maiores editoras de quadrinhos daquela década.

13 – INFERNO

Por Chris Claremont (texto) e Marc Silvestri (arte) em Uncanny X-Men 240 a 242, em 1988.

Capa de "Uncanny X-Men 242" com o primeiro encontro entre os X-Men e o X-Factor, na arte sombria de Marc Silvestri.
Capa de “Uncanny X-Men 242” com o primeiro encontro entre os X-Men e o X-Factor, na arte sombria de Marc Silvestri.

Logo no início da era dos crossovers da Marvel, no fim dos anos 1980, os X-Men passaram a ter suas histórias guiadas por grandes sagas interconectadas a várias revistas. Inferno foi uma dessas tramas, que se pautavam mais por grandes acontecimentos do que realmente por grandes histórias. O grande trunfo da saga foi o primeiro encontro entre a equipe oficial dos X-Men (Tempestade, Wolverine, Colossus, Vampira, Psylocke, Destrutor, Cristal, Longshot) e os dissidentes do X-Factor (efetivamente, os membros originais da equipe: Ciclope, Jean Grey, Fera, Arcanjo e Homem de Gelo).

A trama é confusa e fantasiosa: Madelyne Pryor (a ex-esposa de Ciclope e, na época, já revelada como um clone de Jean Grey produzida pelo vilão Sr. Sinistro) faz um pacto com um demônio intradimensional e se torna a Rainha dos Duendes. Com isso, em troca, facilita a invasão de uma horda de demônios a Nova York em busca de crianças para serem sacrificadas e aumentarem seus poderes. O trunfo maior seria sacrificar o seu próprio filho, Nathan Christopher. Enquanto os X-Men tem Madelyne como aliada e não sabem de seus planos malignos, o X-Factor sabe de tudo e tenta impedi-la. Claro que o pano de fundo para um conflito eminente entre as duas equipes está montado.

Madelyne Pryor encontra seu "criador", o Sr. Sinistro.
Madelyne Pryor encontra seu “criador”, o Sr. Sinistro.

Os mutantes estão cheios de ressentimentos: os X-Men pensam que os X-Factor são traidores da raça mutante (por causa da difamação anterior de outro vilão), e não conseguem entender porque, após a ressurreição de Jean Grey, Ciclope e os outros se isolaram; os membros originais, por sua vez, não conseguem entender porque seus velhos companheiros se aliaram a Magneto, porque fingiam estar mortos (desde uma saga anterior, A Queda dos Mutantes) e tinham atitudes tão agressivas e sombrias. (Para se ter uma ideia, após reencontrar Jean Grey pela primeira vez após sua “morte”, Wolverine (que sempre foi apaixonado por ela) dá-lhe um beijo à força e, depois, fica tirando sarro disso. Um comportamento totalmente canalha não digo dos heróis que os X-Men eram ou foram.

O melhor mesmo da saga é o confronto entre as equipes e, claro, como é padrão na Marvel, a união final para combater os inimigos comuns: a Rainha dos Duendes e o Sr. Sinistro. O resto da saga não tem tanta graça. Mas Claremont e Silvestri conseguiram captar as diferenças entre as equipes e retratá-las diferentemente, dando motivos críveis para o conflito.

14 -VINGADORES VERSUS X-MEN

Por Brian Michael Bendis (texto) e John Romita Jr. (arte), em AvX 01 a 12, de 2012 e 2013.

Capitão América vs. Ciclope: guerra entre heróis.
Capitão América vs. Ciclope: guerra entre heróis.

Às vezes, reciclar ideias do passado dá certo. E é isso o que a Marvel vem fazendo nos últimos anos à profusão. Pegar temas ou tramas do passado e lhes dar uma nova cara no século XXI. O escritor Brian Michael Bendis, por exemplo, é o “mestre” dessa tática, que o levou a ter oito anos consecutivos de sucesso de vendas nas revistas dos Vingadores, transformando-os na maior franquia da editora. Estabelecida esta, a Marvel decidiu levar Bendias para resgatar do buraco a franquia dos X-Men que, desde o início do novo século, penam para manter o velho status e, cada vez mais, têm histórias ruins e desinteressantes, além da inevitável queda nas vendas. A transição de Bendis para os X-Men se deu nessa grande saga, que ocupou boa parte dos anos de 2012 e 2013 para se desenrolar e bebe na fonte de outras sagas do passado, inclusive em outra desta lista.

A trama geral é boa: Os Vingadores descobrem que a Força Fênix – aquela que dominou Jean Grey no passado – está voltando à Terra e se preparam com toda a força para impedi-la. Contudo, no lado dos X-Men, Ciclope enxerga esta vinda como uma “oportunidade”, já que poderia usar Esperança Summers como hospedeira, controlá-la e transformar totalmente a vida mutante na Terra.

Poster de Avengers vs. X-Men.
Poster de Avengers vs. X-Men.

Para entender mais a trama, é preciso estar por dentro das grandes transformações pelas quais passaram os X-Men nos anos 2000: a ação explosiva dos poderes descontrolados da Feiticeira Escarlate (em Dinastia M) eliminaram o fator X do DNA humano, de modo que a população de mutantes no planeta se reduziu de bilhões para poucos milhares; com isso a raça mutante ficou mais vulnerável e o líder Ciclope começa a ter uma postura mais dura em suas ações; na saga O Segundo Advento nasce uma menina ruiva chamada Esperança (Hope, no original), a primeira mutante depois daqueles eventos, o que a transformou em um tipo de messias; depois de muitas idas e vindas, os X-Men conseguem abrigar Esperança – agora uma adolescente, porque passou alguns anos no futuro com Cable – e ela passa a ser uma protegida pessoal de Ciclope; na saga Cisma as ações radicais de Ciclope causam um racha nos X-Men, com Wolverine criando uma facção dissidente menos militarizada e passando a existir, então, dois lados da causa mutante e dois grupos distintos (e rivais) de X-Men. (Saiba mais da cronologia dos X-Men clicando aqui).

Chegamos então em AvX. Enquanto membros dos Vingadores (que incluem Wolverine também) saem em batalhas monumentais contra outros dos X-Men (a Marvel chegou a criar minisséries paralelas só para mostrar essas batalhas em detalhes, com mais porrada do que esta trama principal), vemos a Força Fênix avançar e terminar por dominar Ciclope e seu grupo. Como resultado, são todos transformados em poderosos vilões que precisam de esforços monumentais dos Vingadores para detê-los. Uma das principais consequências é que o professor Charles Xavier é morto por Ciclope dominado pela Fênix.

No fim, os Vingadores vencem, a Força Fênix é banida e – apesar de não ter sido o responsável por seus atos – Ciclope é preso como um criminoso e terrorista, abrindo o caminho para toda uma nova fase na vida dos X-Men dentro da iniciativa Marvel Now.

Enquanto obra, AvX é uma boa história, repleta de discursos e longos diálogos – como é o estilo de Bendis – e a arte magnífica de John Romita Jr., um veterano dos X-Men. Grandes painéis e batalhas também engrandecem o título, mesmo que não se compare aos velhos clássicos mutantes.

15 – A ERA DE APOCALIPSE

Por Scott Lobdell, Fabian Nicieza, Mark Waid, Larry Hama, Howard Mackie, Warren Ellis e outros (textos); Roger Cruz, Steve Epting, Joe Madureira, Andy Kubert, Adam Kubert, Joe Bennett e outros (arte), em mais de uma dezena de revistas e minisséries ao longo dos anos de 1995 e 1996, dentre as quais, X-Men: Alpha, Astonishing X-Men, Generation Next, X-Man, X-Calibre, Amazing X-Men e outras.

As versões da Era de Apocalipse: boa premissa, mas desvirtuamento. Arte de Joe Madureira.
As versões da Era de Apocalipse: boa premissa, mas desvirtuamento. Arte de Joe Madureira.

Os anos 1990 foram marcados por uma longa sequência de “megaeventos“: histórias “bombásticas” que se desenvolviam ao longo de literalmente dezenas de revistas e meses, obrigando (e irritando) os leitores a ler muito mais do que queriam para um resultado raramente satisfatório. No fim, se percebia que algumas histórias poderiam até ser boas se fossem mais concisas, mas terminavam estragadas por serem esticadas para a Marvel lucrar mais. Dentre os arcos dessa fase o mais famoso de todos é A Era de Apocalipse.

Em termos restritos, é a fama quem segura a saga, mais do que sua qualidade implícita. É um bom conceito, mas sofre pelo excesso de diluição em revistas com times criadores diferentes. Contudo, a saga encerra esta lista das melhores histórias dos X-Men por sua fama e importância. Foi um grande marco nos meados dos anos 1990 e um sucesso lembrado por leitores até hoje. Também seu lançamento coincidiu com o auge do sucesso dos mutantes na TV, com seu famoso desenho animado, de modo que foi a história “no momento certo”. E não custa lembrar: vai influenciar (provavelmente, bem de leve) o próximo filme da franquia mutante na 20th Century Fox, X-Men – Apocalipse, previsto para chegar aos cinemas em 2016.

A trama geral é interessante: Legião, o poderoso e louco filho de Charles Xavier, viaja ao passado para matar Magneto, pensando em mudar para melhor a realidade mutante; contudo, o plano dá errado e quem termina morrendo, no passado, é o próprio Xavier. Com isso, não há a fundação dos X-Men. Sem os X-Men, não há ninguém para impedir a ascensão do vilão Apocalipse (que o grupo já tinha enfrentado algumas vezes), dando início ao que se chama de Era de Apocalipse, quando o vilão domina o mundo inteiro.

O que mais cativou os fãs foram as novas versões dos personagens que compõem esta realidade alterada, já que sem a existência de Xavier, todos tomam rumos muito diferentes: Magneto lidera um grupo de mutantes contra Apocalipse, naquilo que é o mais próximo dos X-Men dessa realidade; Wolverine e Jean Grey formam um casal infernal de terroristas “do bem”; e alguns dos mutantes mais famosos se transformam em vilões, como Ciclope (que é um dos braços direitos de Apocalipse, embora no fim da saga se vire para o lado dos “mocinhos”) e o Fera (Negro) é um cientista absolutamente maligno e amoral. Também ocorreu o contrário: o vilão Dentes de Sabre, por exemplo, é um herói nessa realidade. E há um personagem novo importante: Nate Grey, criado em laboratório a partir da combinação do DNA de Ciclope com o de Jean Grey, nascendo o mutante mais poderoso do mundo.

No fim das contas, os X-Men encontram uma maneira de reinstalar a “nossa” realidade tradicional, mas o sucesso dessa saga foi tão grande que vários personagens do “lado de lá” também migraram para as revistas dos X-Men depois, como o vilão Fera Negro e Nate Grey, o X-Man, que até ganhou uma revista solo. A Marvel também continuou publicando histórias baseadas na realidade de A Era de Apocalipse nos anos seguintes.

***

Além dessa lista restritas das 15 melhores histórias dos X-Men, podemos adicionar alguns bônus merecedores de destaques pontuais. Vamos a eles…

Bônus:

ATRAÇÃO FATAL

Capa de Wolverine 75, parte de Atração Fatal.
Capa de Wolverine 75, parte de Atração Fatal.

Por Scott Lobdell, Fabian Nicieza e Larry Hama (texto) e Andy Kubert e Adam Kubert (arte). Originalmente publicada em Uncanny X-Men 304, X-Men (vol 2) 25 e  Wolverine 75, de 1993.

Em termos de história em si, Atração Fatal não é nenhuma obra-prima da 9ª arte. Contudo, talvez por ter sido produzido ainda na aurora dos grandes crossovers da Marvel, no início dos anos 1990, ainda traz algumas coisas interessantes. O motivo desta história estar aqui é mais quanto ao impacto cronológico que teve. Magneto, ex-arquiinimigo e ex-aliado dos X-Men, volta à tona com fúria total (após os eventos de Gênese Mortal), ressentido do tratamento que teve por seus ex-colegas mutantes. Realizando um grande ataque ao planeta Terra por meio de um pulso eletromagnético, o vilão é confrontado violentamente por seu ex-amigo Charles Xavier, que não vê outra escolha senão simplesmente destruir a mente de Magneto. Antes disso, porém, Magneto quer se vingar de Wolverine por quase tê-lo matá-lo na ocasião anterior em que lutaram (em X-Men 02, de 1991) e, por isso, simplesmente arranca todo o adamantium dos ossos do herói. O processo quase mata Wolverine, que precisa aprender a viver sem o metal que o tornava praticamente indestrutível. Contudo, Logan termina descobrindo que suas garras permanecem, agora, feitas de osso, desfazendo a crença generalizada de que havia sido o Projeto Arma X quem havia implantado as garras nele. Não, as garras sempre estiveram lá.

Não é uma grande história, mas pelo menos traz algo de novo e algo ligeiramente ousado. Também vale pela arte dos irmãos Kubert, aqui no auge de sua popularidade.

O POVO DO AMANHÃ

A versão Ultimate de Wolverine.
A versão Ultimate de Wolverine.

Por Mark Millar (texto), Andy e Adam Kubert (arte), em The Ultimate X-Men 01 a 06, de 2000 e 2001.

No início do século XXI, sob o comando do Editor-Chefe Joe Quesada, a Marvel decidiu arriscar criando um novo universo ficcional para seus personagens, com versões mais “modernas” e “maduras” dos heróis mais famosos, o Universo Ultimate. Homem-Aranha foi o primeiro. E os X-Men vieram em seguida. Aos mutantes, coube a liderança do escritor Mark Millar, que ficaria bastante famoso com as histórias dos Vingadores Ultimates. Com sua abordagem radical e ousada, Millar cativou os leitores e a crítica, mostrando uma equipe jovem de X-Men (com Ciclope, Jean Grey e Tempestade) entrando em guerra com a Irmandade de Mutantes de Magneto. Todos os personagens ganham versões radicais, principalmente, Wolverine, mais durão, mortal e dúbio do que nunca.

Apesar de ter começado em alta, os X-Men Ultimate terminou não emplacando de verdade, embora ainda tivessem algumas boas histórias isoladas. Tendo em vista a abordagem, merecem um lugar neste bônus.

Bônus Wolverine

Logan se tornou o x-man mais popular dentre todos. Por isso, seu nome, hoje, é sinônimo de X-Men. O HQRock já tem uma lista das melhores aventuras de Wolverine (leia aqui), mas destacamos uma delas para integrar esta lista.

CÓDIGO DE HONRA

Por Chris Claremont (texto) e Frank Miller (arte). Originalmente publicada em Wolverine (minissérie) 01 a 04, de 1982.

Também chamada de "A Saga do Japão" ou "Dívida de Honra", "Eu, Wolverine" é a melhor das histórias da personagem.
Também chamada de “A Saga do Japão” ou “Dívida de Honra”, “Eu, Wolverine” é a melhor das histórias da personagem.

Melhor das histórias de Wolverine, esta trama também conhecida como A Saga do Japão ou simplesmente Eu, Wolverine, é um deleite ao leitor. A trama bem bolada de Claremont e a arte cinematográfica de ângulos inovadores de Miller transformam a aventura em adrenalina pura. Unindo os esforços de Claremont (que produziu as histórias dos X-Men por 16 anos!) e Miller (um escritor/desenhista que estourou na revista do Demolidor um pouco tempo antes e, logo, seria o responsável por grandes clássicos das HQs, como Demolidor: A Saga de Elektra, Demolidor: A Queda de Murdock, Batman: O Cavaleiro das Trevas e Batman: Ano Um), cada um fazendo o seu melhor.

Na minissérie também conhecida como Dívida de Honra, Logan vai ao Japão em busca de se casar com Mariko Yashida, uma jovem japonesa que conhecera em uma aventura anterior com os X-Men. Mas lá descobre que o pai dela, Lorde Shingen, é o maior chefe do crime japonês e líder do Tentáculo (uma seita de ninjas que Miller criara nas histórias do Demolidor). Assim, Logan precisa se mostrar digno do coração de Mariko, mas ao mesmo tempo confrontar o terrível submundo do crime comandado por seu possível sogro.

Um grande clássico dos quadrinhos e a melhor história de Wolverine em todos os tempos.

Bônus X-Factor

De todas as (literalmente) incontáveis equipes derivadas dos X-Men, apenas uma realmente atingiu um status ligeiramente similar à equipe original: o X-Factor. O primeiro X-Factor, aquele formado pelos membros originais dos X-Men: Ciclope, Garota Marvel, Homem de Gelo, Fera e Anjo. Essa fase, que durou entre 1986 e 1991, rendeu histórias maravilhosas, que poderiam mesmo compor as Melhores Histórias dos X-Men apesar de, oficialmente, não serem àquela equipe, mas outra, derivada.

Enfim, segue-se uma mini lista de histórias sensacionais dos X-Factor originais:

FANTASMAS

Ciclope versus o Molde Mestre: clássico esquecido.
Ciclope versus o Molde Mestre: clássico esquecido.

Por Louise Simonson (texto) e Walt Simonson (arte) em X-Factor 13 e 14, de 1987.

Antes um preâmbulo: A criação do X-Factor tem ares de golpe publicitário, com a Marvel criando uma pequena história que explica como Jean Grey pode estar viva no fundo da Baía da Jamaica, em Nova York, num casulo de contenção. A trama mostra – por meio dos Vingadores (com Roger Stern) e o Quarteto Fantástico (John Byrne) que a Fênix, na verdade, não era Jean Grey, mas uma entidade autônoma que se apossou das memórias e da forma da mutante para se fazer viva. Assim, quem morreu na Lua foi a Fênix, enquanto a Jean Grey verdadeira estava presa em um casulo curando-a de seus ferimentos. Com Jean Grey viva, os X-Men originais se reúnem. Contudo, as primeiras histórias do X-Factor – escritas por Bob Layton (histórico roteirista do Homem de Ferro) e desenhada por Jackson Guice (mais famoso por seu trabalho no Superman da DC) – careciam de personalidade e a revista sem função. Isso mudou com a chegada da escritora Louise Simonson, ex-editora das revistas mutantes.

Chegamos então a este pequeno arco que é uma verdadeira joia escondida. Em consequência ao Massacre de Mutantes (leia acima), o X-Factor está destroçado, com Fera e Anjo bastante feridos. O grupo também está quebrado por dentro: Jean Grey e Ciclope foram namorados no passado, mas agora ele está casado com Madelyne Pryor e tem um filho bebê, Nathan Christopher Summers. E para piorar, o Anjo está apaixonado por Jean. Arrasado com tudo o que está acontecendo a sua volta, Scott Summers, o Ciclope, decide se afastar um pouco do grupo e voltar ao Alasca para reencontrar sua esposa e filho. Contudo, o ex-líder dos X-Men está em meio a um surto de estresse pós-traumático, sofrendo de alucinações que lhe obrigam a repensar suas atitudes recentes e seu próprio caráter.

E para piorar tudo, o velho Molde Mestre, o robô matriz dos Sentinelas usado por Stephen Lang no passado (veja Feliz Natal, X-Men, acima) caí na Terra e sai em seu encalço. Sozinho, Ciclope precisa lidar com seus fantasmas, fugir da polícia e ainda confrontar o poderosíssimo Molde Mestre.

E uma curiosidade: nesta história é citada pela primeira vez o “grupo dos 12“, implicitamente a reunião de poderosos mutantes, um elemento que seria bastante explorado no futuro.

Um conto marcante produzido pelo casal Simonson, com a arte ágil e exuberante de Walt e o texto preciso de Louise mergulhando na psiquê do líder dos X-Men. Uma daquelas histórias que não é bombástica (e por isso não tão famosa), mas uma grata surpresa ao leitor. Um pequeno clássico dos anos 1980, escondido em meio às grandes sagas.

OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE

O vilão Apocalipse e seus Quatro Cavaleiros.
O vilão Apocalipse e seus Quatro Cavaleiros.

Por Louise Simonson (texto) e Walt Simonson (arte) em X-Factor 17 a 26, de 1987 e 1988.

Interligado ao evento maior chamado de A Queda dos Mutantes, esta é a maior de todas as aventuras do X-Factor original. Em consequência dos ferimentos do Massacre de Mutantes, o Anjo tem suas asas amputadas  e, aparentemente, comete o suicídio. Mas logo fica claro que ele é resgatado pelo vilão Apocalipse, que o transforma em Morte, um dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, junto a Fome, Guerra e Pestilência. Os membros restantes do X-Factor (Ciclope, Jean Grey, Fera e Homem de Gelo) precisam não somente confrontar um novo vilão terrível, como também lidar com o fato de seu ex-membro Anjo ser agora um mortífero vilão com asas metálicas que lançam lâminas cortantes e paralisantes.

É uma grande história que mostra ainda outros focos de traição: Cameron Hodge, o homem por trás do X-Factor como instituição (que secretamente ajudava mutantes a usar seus poderes) mostra-se um perigoso criminoso líder da organização conhecida como Direita, determinada a exterminar os mutantes.

Uma outra história surpreendente do casal Simonson.

FIM DE JOGO/ SACRIFÍCIO AMARGO

Ciclope diante de seu grande dilema.
Ciclope diante de seu grande dilema.

Por Jim Lee e Chris Claremont (texto) e Whilce Portatio (desenhos) em X-Factor 65 a 68, 1991.

A guerra do X-Factor com o vilão Apocalipse encontra seu capítulo final nesta grande aventura, que criou um dos episódios mais dramáticos da vida de Ciclope. Enquanto enfrentam as forças do vilão, o filho daquele, o bebê Nathan Summers, é infectado por um vírus tecnorgânico (que transforma tecidos vivos em circuitos e metais e leva à morte do usuário). A luta é interrompida pela chegada de Askani, uma entidade vinda do futuro que diz poder salvar a vida do bebê em seu tempo, mas não tem como trazê-lo de volta. Assim, Scott Summers tem que confrontar o duro desafio de deixar seu filho morrer ou entregá-lo a um desconhecido com uma mínima possibilidade de salvá-lo.

Este drama marca o último capítulo do X-Factor original, cujos os membros em seguida seriam reabsorvidos pelos X-Men (o que ocorre em Gênese Mortal, leia acima) e o X-Factor se tornaria uma nova equipe, com nova finalidade. A história também permite as bases explicativas que possibilitaram ser contatadas as origens do herói Cable.

Bônus Ocasionais:

Em um universo tão vasto de personagens (o universo mutante chega a “concorrer” com o próprio universo Marvel em termos de personagens e complexidade) várias e várias edições ou séries extras surgem de tempos em tempos e algumas merecem destaque. Vejamos algumas a seguir!

CABLE: SANGUE E METAL

Cable: primeira aventura solo.
Cable: primeira aventura solo.

Por Fabian Nicieza (texto) e John Romita Jr. (arte) em Cable: Blood and Metal 01 e 02, de 1992.

Surgido nas aventuras dos Novos Mutantes, o misterioso (e polêmico) Cable se tornou rapidamente um dos personagens mais queridos dos fãs dos X-Men nos anos 1990. Logo, com sua liderança, aquele time de mutantes adolescentes se tornou a X-Force e seu líder também ganhou aventuras solo. Esta minissérie em duas edições foi a primeira iniciativa do tipo, mostrando um pouco do passado do personagem que veio do futuro. A trama de Sangue e Metal mostra eventos do passado não tão distante, quando Cable chega ao nosso presente e se alia a um grupo paramilitar para impedir uma série de ameaças.

A trama corre à margem das revistas e do universo dos X-Men, embora apresente uma série de personagens que já haviam aparecido na revista da X-Force, agora, explicando quem eles eram. Mas talvez por isso mesmo, é uma trama interessante que funciona de modo independente do confuso universo mutante. Também sempre é válida a arte magnífica de John Romita Jr., aqui bastante livre por lidar com personagens fora do “primeiro escalão”, o que rende ótimos momentos.

A maior parte do mistério permanece e somente alguns anos mais tarde, em outra saga, é que seria revelado que Cable era na verdade Nathan Summers (isso mesmo, o filho de Ciclope enviado ao futuro), agora adulto.

AS AVENTURAS DE CICLOPE E FÊNIX

Por Scott Lobdell (texto) e Gene Ha (arte), em The Adventures of Cyclops and Phoenix 01 a 05, de 1994.

Um vez que a saga A Canção do Carrasco revelou (finalmente) que Cable era o bebê Natham Summers crescido, a Marvel produziu esta minissérie para preencher alguns “buracos” de sua cronologia a acrescentar um elemento improvável.

Na trama, logo após terem se casado, Scott Summers e Jean Grey são lançados ao futuro e terminam, surpreendentemente, tornando-se responsáveis pela criação do jovem Nathan Summers, o próprio filho de Ciclope. Assumindo os codinomes de Magrão e Ruiva (seus apelidos de adolescência), o casal passa 13 anos (!) no futuro criando o futuro Cable até a adolescência e tendo que confrontar também a versão futura de Apocalipse.

Apesar do nó na cabeça de ser uma trama de viagens no tempo, As Aventuras… tem alguns bons momentos e uma arte arrebatadora. A minissérie ganhou até uma sequência no ano seguinte.

***

Claro, uma listas dessas poderia continuar a se estender – mesmo nos bônus – mas vamos ficar por aqui. Mesmo não se pretendendo definitiva, a lista do HQRock contempla algumas das mais famosas sagas do grupo mutante e dá ao leitor um guia interessantíssimo de histórias a procurar. E fique ligado: a editora Panini Comics, que edita no Brasil o material original da Marvel, vem nos últimos tempos publicando sistematicamente algumas dessas grandes histórias. Procure nas livrarias as novas edições nacionais de Massacre de Mutantes, A Queda dos Mutantes, Gênese Mortal, A Era de Apocalipse e até Atração Fatal.

Boa caçada e boa leitura!

Os X-Men foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, mas só foram bem-sucedidos comercialmente nos anos 1970, a partir da reformulação idealizada pelo escritor Len Wein e tocada à frente por Chris Claremont, Dave Cockrum e John Byrne. Daí em diante, se tornaram uma das revistas de maior sucesso da Marvel Comics.

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