Os Vingadores: Conheça o Hulk!

O Hulk do filme, com o rosto de Mark Ruffalo.

Prosseguindo com as minibiografias comemorativas de Os Vingadores, o épico do Marvel Studios que reunirá nos cinemas pela primeira vez a equipe formada por Capitão América, Thor, Homem de Ferro e Hulk.

Já apresentamos os capítulos de Viúva Negra, Gavião Arqueiro e do Homem de Ferro. Agora é a vez do golias verde!

De monstro a herói

O Hulk na arte pintada de Alex Ross.

O Nome Hulk já havia sido usado outras vezes por Stan Lee e Jack Kirby quando a dupla decidiu criar a história de um monstro cinza (isso mesmo, cinza!) extremamente forte na qual se transforma acidentalmente o genial cientista Bruce Banner. Mas uma vez que The Incredible Hulk foi lançado, em 1962, o sucesso do monstro levou a se consolidar como um dos mais populares da Marvel.

Apesar de ser um monstro antissocial, o Hulk, curiosamente, terminou sendo membro-fundador não apenas dos Vingadores, mas também dos Defesores, outro supergrupo dos anos 1970.

Quando ganhou uma série de TV com atores nos anos 1970, o antiherói se tornou o mais popular personagem da Marvel Comics depois do Homem-Aranha e sua revista viveu alguns anos de altas vendas. Depois, a febre passou, mas o golias esmeralda continuou querido no coração dos fãs e bastante conhecido mundo afora.

Seus filmes-solo não emplacaram, mas sua popularidade garante a presença do Hulk em Os Vingadores. E uma nova série de TV vem aí…

Subproduto da Guerra Fria

O Hulk na coloração cinza de "The Incredible Hulk 01", de 1962, por Stan Lee e Jack Kirby.

Com o fim da II Guerra Mundial, o gênero de quadrinhos de super-heróis caiu rapidamente em declínio até ser praticamente extinto na década de 1950. Apenas os heróis mais populares da DC Comics continuaram a ser publicados regularmente, como Superman e Batman.

A Marvel foi uma das mais poderosas editoras do início dos anos 1940, mas declinou com o gênero sobrevivia como um pequeno selo chamado Atlas em meados dos anos 1950. Até o Editor-Chefe Stan Lee mudar o nome da editora para Marvel Comics e lançar o Quarteto Fantástico, em 1961, inaugurando uma nova fase pautada em super-heróis. E reforçando o início da Era de Prata dado lá pela Distinta Concorrente.

Após o Quarteto Fantástico, o novo projeto de Lee e Kirby para a nova linha da Marvel foi justamente O Incrível Huk. Assim, como a “primeira família”, o monstro raivoso também estreou em sua própria revista, em 1962. A trama não era o típico conto de super-herói, reforçando o caráter “diferente” da Marvel no mercado. Carregada de drama, a história mostrava o tímido e franzino Dr. Bruce Banner prestes a testar sua maior invenção: a bomba de raios gama. Vemos-lo apaixonado por Betty Ross, a filha de seu patrão, o colérico General Thadeus Ross, do Exército dos EUA, que irá empregar a bomba quando pronta.

O Hulk na arte de Jack Kirby e Steve Ditko.

Na hora do teste da bomba, Banner percebe que há um garoto na área proibida e pede para que a contagem regressiva cesse, indo tirar o menino de lá. Porém, um espião infiltrado mantém a contagem. Lá fora, Banner percebe que a contagem não parou e leva o garoto, Rick Jones, até uma vala de proteção, mas enquanto salva o menino, é atingido pela explosão!

Mas Banner não morre! Levado para uma casamata, enquanto se recupera, se transforma em uma monstro quando anoitece e sai enlouquecido. Rick Jones presencia o momento e tenta ajudar o seu salvador. Batizado de Hulk por um soldado do exército, o monstro sai destruindo tudo em seu caminho e até sequestra Betty Ross.

A trama se desenvolve, com o Hulk sendo enviado à União Soviética, descobrindo um cientista deformado e genial chamado O Gárgula e, após algum confronto, Banner descobre uma maneira de curar o inimigo. Como gratidão, o Gárgula reenvia Banner e Jones de volta para os EUA.

Essa trama brincava com elementos essenciais da época: o medo de uma hecatombe nuclear, o que pode explicar o seu sucesso inicial.

Bruce Banner se transforma em Hulk pela primeira vez: texto de Stan Lee e arte de Jack Kirby.

Outro detalhe interessante sobre as origens do Hulk está em sua cor. Lee e Kirby pensaram num monstro da cor cinza, mas um problema de colorização na edição 01 fez com que, em alguns quadrinhos, o personagem terminasse saindo em variações de cinza claro e escuro e até preto. Em outros quadrinhos, sua cor chegou a ficar vermelha e verde. Tendo em vista isso, para a edição 02, Stan Lee definiu que o Hulk seria verde, que era uma cor mais fácil de conseguir no arcáico processo de coloração da época.

Nas reedições seguintes dessa história, o Hulk foi repintado como verde e virou o golias verde ou o gigante esmeralda, mas em 1985, o escritor e desenhista John Byrne criaria uma história em que definia que o Hulk tinha sido originalmente cinza e se tornou verde pouco a pouco. Esta característica é a oficial nos dias de hoje, embora não tenha sido adotada nos cinemas.

Monstro sem revista

Capa de "Hulk 06", última edição da primeira fase. Capa de Jack Kirby, arte interna de Steve Ditko.

As edições seguintes de The Incredible Hulk seguiram o padrão mais convencional dos novos heróis realistas e dramáticos da Marvel, mas enquanto Lee continou nos roteiros, Jack Kirby foi lentamente passando a arte para Steve Ditko, pois assumia vários outros compromissos, como as criações de Thor e Homem de Ferro e a feitura da maioria das capas das revistas da editora.

E apesar do sucesso da primeira edição, as vendas da revista caíram bastante nos meses seguintes, apesar de Stan Lee simplesmente amar o personagem, sua força descomunal e seu descontrole. Ao mesmo tempo, Lee também criou o Homem-Aranha, que apareceu em uma história secundária da revista Amazing Fantasy 15. A Marvel ainda era uma editora pequena e sua distribuição era controlada por outra empresa, de modo que tinha um limite de quantas revistas poderia lançar mensalmente.

O primeiro confronto entre Hulk e Coisa ocorreu em "Fantastic Four 12", de 1963. Arte de Jack Kirby e texto de Stan Lee.

A maioria dos títulos da Marvel eram bimestrais justamente para poder sorver o mercado com mais revistas. E o sucesso daquele primeira história do Homem-Aranha deixava claro que o “cavaleiro das teias” precisava de uma revista própria, Assim, enquanto The Amazing Spider-Man 01, estreava nas bancas em março de 1963, ao mesmo tempo, a revista The Incridible Hulk era cancelada no número 06.

Mas Lee logo arranjou uma ocupação para o Hulk e colocou o monstro em uma batalha contra o Quarteto Fantástico, em Fantastic Four 12, o que foi um de seus primeiros crossover de personagens e fez muito sucesso.

Capa de "Avengers 01" com a estreia dos Vingadores: o Hulk é um dos membros fundadores! Arte de Jack Kirby.

Em seguida, os mesmos Lee e Kirby criaram Os Vingadores em Avengers 01 e lá estava o Hulk de novo, desta vez, como o mote da reunião do grupo que envolvia também Thor, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa. Na trama, o vilão Loki usa o Hulk como arma contra Thor, mas a batalha termina unindo os outros heróis e formando o grupo contra o vilão.

Mas desde o início, a intenção de Lee era tornar o Hulk um fator instável à revista dos Vingadores. Assim, ao mesmo tempo em que a equipe encontrava o Capitão América (congelado desde a II Guerra Mundial), o Hulk era tido como traidor e saia na porrada com os velhos companheiros, como pode ser visto nos números 03, 04 e 05 de Avengers, em 1964.

Mais uma vez contra o Quarteto Fantástico, por Lee e Kirby.

Em seguida, o golias verde reencontrou com o Quarteto Fantástico, desta vez em uma ensandecida batalha no meio de Nova York, sendo o primeiro encontro daquela equipe com os Vingadores, que vão ajudar, como pode ser visto nas clássicas Fantastic Four 24 e 25.

Ainda em 1964, a revista Amazing Spider-Man 14, escrita por Stan Lee e desenhada por Steve Ditko, trouxe a primeira aparição do vilão Duende Verde e, na mesma história, enquanto lutam entre si em um deserto na Califórnia, os oponentes entram em uma caverna e encontram o Hulk. Era mais uma estratégia de Lee para chamar a atenção do personagem e lançar novamente histórias inéditas dele.

Nova casa, nova fase

Capa de "Tales to Astonish 60" de 1966 por Jack Kirby: volta de histórias próprias.

O Hulk apareceu em novas aventuras na revista Tales to Astonish, a partir do número 60, justamente pela dupla Lee e Ditko. A revista já publicava aventuras da dupla Gigante (Hank Pym) e Vespa e tal qual Tales of Suspense (que trazia histórias do Homem de Ferro e do Capitão América), passou a trazer duas histórias mensais com aqueles personagens.

Nessa nova fase, Stan Lee aprofundou o universo do Hulk, estreitando as relações com Rick Jones, tornando a relação com Betty Ross mais turbulenta, aumentando o ódio do General Ross pelo monstro e criando alguns vilões importantes, especialmente o Líder, que se tornaria o principal oponente do “herói” nos anos seguintes e que foi cocriado por Steve Ditko, que desenhou as primeiras nove edições da nova fase.

Primeira aparição do Líder na arte de Steve Ditko.

Nessa fase, Bruce Banner também deixou de se transformar no Hulk ao anoitecer e passou a fazer isso quando ficava em uma situação de grande estresse, perigo ou raiva, o que definiu a imagem do personagem como ligado ao descontrole emocional.

Além de Ditko, a arte das histórias em Tales to Astonish também contaram com a arte de Jack Kirby (que voltou para os números 68 a 84) e dois novatos (e futuros lendários) artistas para a Marvel fizeram trabalhos na revista: Gil Kane (edição 76) e John Buscema, que se tornou o artista oficial do título.

Capa de "Tales to Astonish 87", por Gil Kane. A arte interna era de John Buscema.

Ainda com textos de Lee, desenhos de Kirby e arte-fnal de Bill Everett, Tales to Astonish 77, de 1966, trouxe a história em que o mundo descobre que o Hulk é o cientista Bruce Banner, que passa a ser perseguido pelas autoridades. Nessa época, a revista não trazia mais histórias do Gigante, mas sim, de Namor, o Príncipe Submarino, que dividia a publicação com o golias verde.

Após a saída de Kirby, John Buscema cuidou das histórias entre as edições 85 e 87, para em seguida, Gil Kane se tornar o artista fixo por um número maior de edições.

Foi nessa temporada em que surgiram personagens como o major Glenn Talbolt, que passaria a auxiliar o Gen. Ross na perseguição ao Hulk e também quando surgiu o principal oponente físico do herói: o Abominável, em um arco de histórias publicadas em Tales to Astonish 90 e 91,de 1967, por Stan Lee e Gil Kane. O vilão seria levado aos cinemas em O Incrível Hulk de 2008, o segundo filme do Marvel Studios.

O Abominável aparece na capa de "Tales to Astonish 91", por Gil Kane.

A partir de Tales to Astonish 92, as histórias do Hulk passaram a ser desenhadas por Marie Severin, uma das primeiras mulheres a ter destaque na indústria de quadrinhos dos EUA.

Nascida em 1929, Severin já havia desenhado a revista do Dr. Estranho e, além do Hulk, também trabalharia com vários outros personagens, como Conan e o Demolidor.

Bela capa de "Tales to Astonish 100" por Marie Severin.

Lee e Severin produziram a história em que, entre os números 99 e 101, reuniu Hulk e Namor um contra o outro na mesma aventura. Esta foi a última edição da revista que, no mês seguinte, mudou de título para The Incredible Hulk (vol 2), embora estranhamente tenha mantido a numeração original com o número 102.

Os loucos anos 1970

A capa forte de "Incredible Hulk 102" por Marie Severin.

The Incredible Hulk 102 dava início a uma fase na qual os roteiros passaram para as mãos de Gary Friedrich, um dos principais escritores da época, enquanto a arte permaneceu com Marie Severin.

Contudo, a maior característica dos anos 1970 foi a instabilidade nas equipes criativas. Stan Lee logo voltou aos roteiros, enquanto Marie Severin deu lugar a Herb Trimpe, o artista que cuidaria da maior parte da arte da revista durante a primeira metade da década. Contudo, escritores como Archie Goodwyn e Roy Thomas também escreveram o título.

A famosa "Incredible Hulk 140": clássica história de Jarella.

A história mais marcante dessa época foi “The Brute that Shouted Love at the Heart of the Atom”, publicada em The Incredible Hulk 140, de 1971, que teve a sinopse criada pelo escritor de ficção científica Harlan Ellison, roteiro adaptado por Roy Thomas e arte de Herb Trimpe.

Na trama, um vilão alienígena chamado Psyklop usa sua tecnologia para encolher o Hulk até o tamanho milhares de vezes menor do que um átomo. Só que o golias verde termina caindo em um tipo de dimensão subatômica, um mundo estranho onde todos os seres são verdes como ele. Dotado do intelecto de Bruce Banner, o Hulk se encanta com esse mundo que guarda características medievais e decide viver lá, feliz. E se apaixona pela princesa Jarella.

A introdução de Leonard Samson em "Incredible Hulk 141".

A partir de Incredible Hulk 141, Thomas e Trimpe iniciaram o arco de histórias que introduziu o Dr. Leonard Samson (ou Doc Samson), um psiquiatra de cabelos longos que termina sendo exposto à radiação gama e se tornando quase tão forte quanto o Hulk. E ainda um importante personagem coadjuvante pelos próximos 20 anos.

Roy Thomas e Herb Trimpe ficariam um bom tempo no título juntos, mas enquanto o artista permaneceu mais ainda, Thomas – que se tornou o Editor-Chefe da Marvel em 1972 – deixou o título nas mãos de Archie Goodwyn. Em seguida, em 1973, Steve Englehart escreveu alguns números, enquanto cuidava também dos Vingadores e outras revistas.

Até o então novato Chris Claremont (que faria fama nos X-Men anos depois) escreveu alguns números da revista, que também passou às mãos de Gerry Conway em 1974, por pouco tempo, de modo que a revista passou às mãos de Len Wein.

A estreia de Wolverine em "Incredible Hulk 181", de 1974. Arte de John Romita.

A principal marca do período de Wein à frente do Hulk foi a criação de Wolverine, junto ao desenhista John Romita, que fez sua primeira aparição no arco publicado entre The Incredible Hulk 180 e 182, de 1974, como um agente secreto do Canadá que interfere em uma luta do golias verde com o Wendigo.

Na época, Wein já trabalhava na ideia de uma nova geração dos X-Men na qual incluiria Wolverine e lançaria pouco tempo depois.

"Incredible Hulk 203" traz a saga de Jarella. Arte de John Romita.

Pouco depois, em 1975, Herb Trimpe, o principal desenhista do Hulk nos últimos cinco anos, saiu do título e foi substituído por Sal Buscema, que se tornaria o principal ilustrador da revista pelos próximos 10 anos.

A principal história produzida pela dupla Len Wein e Sal Buscema foi a morte de Jarella, que ocorre em um arco inicado em Incredible Hulk 201 e se finda na edição 205.

Os Defensores

A estreia dos Defensores, em 1971. Capa de John Buscema e arte interna de Ross Andru.

Paralelamente à sua revista principal, o Hulk estrelou também outra revista ao longo de praticamente todo os anos 1970: os Defensores. Era um grupo meio incomum criado por Roy Thomas em Marvel Feature 01, de 1971, numa história desenhada por Ross Andru.

Na verdade, era a conclusão de um arco de histórias que havia sido deixado inacabado com o cancelamento da revista do Dr. Estranho. Assim, Thomas prolongou a trama para outras revistas que escrevia, como as de Namor e do Hulk, culminando naquela Marvel Feature.

Tendo em vista a popularidade do novo grupo frente aos leitores, Thomas, então como Editor-Chefe da Marvel em substituição a Stan Lee, decidiu criar uma revista própria para o grupo, estreando Defenders 01, menos de um ano depois, em 1972, com roteiros de Steve Englehart e arte de Sal Buscema.

Os Defensores originais tinham, além do Hulk, o Dr. Estranho e Namor, o Príncipe Submarino, mas logo ganharam outros membros, como o Surfista Prateado e Valquíria, quinteto que consistiu no núcleo da equipe ao longo dos anos.

Capa de "Defenders 02" por Sal Buscema.

Ainda assim, muitos outros membros passaram pelo grupo, mesmo que ocasionalmente, como Gavião Arqueiro, Felina (Hellcat) e até o ex-vilão Águia Noturna (Nighthawk), ex-membro do Esquadrão Sinistro, inimigos dos Vingadores vindos de outra dimensão.

Além de Steve Englehart, vários outros roteiristas contribuiram para a revista, como Chris Claremont, Len Wein, Steve Gerber e David Anthony Kraft até que, em 1983, o escritor J.M. DeMatteis e o desenhista Don Perlin mudaram o status da equipe a partir da edição 125, na qual Hulk, Dr. Estranho, Surfista Prateado e Namor deixam o time para dar lugar a uma nova formação, os Novos Defensores, com Fera, Anjo, Homem de Gelo (três ex-membros dos X-Men), Gárgula, Núvem, Serpente da Lua e a veterana Valquíria.

Sucesso na TV e nos quadrinhos

Hulk e Banner por Lou Ferrigno e Bill Bixby: grande sucesso na TV.

Len Wein, que enquanto escrevia a revista do golias verde foi o Editor-Chefe da Marvel, continuaria no título de 1974 até 1977, quando passou a bola para o estreante Roger Stern, a partir de The Incredible Hulk 219.

A fase de Roger Stern foi muito boa, mas o título se tornou um grande sucesso por uma ajuda externa: naquele mesmo ano, estreava a série de TV da CBS baseada no personagem, estrelada por Bill Bixby como David Banner (e não Bruce por motivos escusos) e Lou Ferrigno como o Hulk.

O seriado foi o único dos vários que a Marvel tentou lançar – Homem-Aranha, Capitão América e Dr. Estranho também tiveram suas tentativas e Mulher-Hulk e Demolidor & Viúva Negra chegaram a ser planejados – que deu certo. Fez muito sucesso e tornou o Hulk um dos personagens mais populares da Marvel. E sua revista se beneficiou disso.

A bela arte de Ernie Chan em "Incredible Hulk 220".

Além das histórias de Stern e Buscema, a revista também tinha as belíssimas capas de Ernie Chan.

Quanto ao seriado, mesmo após o fim, ainda rendeu três longametragens para a TV ao longo dos anos 1980.

Uma nova fase de ouro

A longa parceria entre Bill Mantlo e Sal Buscema é um dos períodos mais clássicos do Hulk.

Curiosamente, mais ou menos ao mesmo tempo em que a série de TV do Hulk se encerrava, também terminava a temporada de Roger Stern na revista, no número 244, de 1980. A edição seguinte já trouxe o substituto Bill Mantlo, que ficaria os cinco anos seguintes à frente do título, a maior parte ainda com Sal Buscema na arte.

A longa temporada de Bill Mantlo durou das edições 245 à 313, em 1985, e teve dois marcos importantes. O primeiro foi uma série de histórias em que o Hulk sai viajando pelo mundo, o que o coloca nos cenários mais improváveis. Nesse percurso, o autor e Sal Buscema também criaram muitos personagens, como a heroína israelense Sabra e o grupo de vilões Alienígenas (U-Foes, no original).

"Incredible Hulk 300" dá início à saga da Encruzilhada: psicologia, psicodelismo e tramas oníricas.

O outro ponto foi o arco da Encruzilhada, publicado entre Incredible Hulk 300 e 313, de 1984 e 1985, na qual o Hulk se torna uma ameaça grande demais para a Humanidade e, após uma selvagem batalha com os Vingadores, o Dr. Estranho resolve transportar o monstro verde para uma outra dimensão, ou melhor, o encontro impreciso de várias dimensões, a Encruzilhada da Eternidade, na qual terá que combater as ameaças mais estranhas possível. Mantlo usou esse recurso como uma viagem de autoconhecimento, que resultou na revelação de que Bruce Banner tinha sofrido violências físicas constantes de seu pai, Brian Banner, algo que se tornou fundamental ao personagem dali em diante.

A expressiva arte de Mike Mignola à serviço do Hulk em "Incredible Hulk 311".

Também durante o arco, o artista Sal Buscema encerrou sua longa participação no título, na edição 309, sendo até hoje o desenhista que mais tempo trabalhou ininterruptamente com o personagem. As edições finais do arco trouxeram a arte de Bret Blevins e, principalmente, do aclamado Mike Mignola, que anos mais tarde faria fama com a criação de Hellboy para a Dark Horse Comics.

Àquela altura, depois de cinco anos, Bill Mantlo queria novos desafios e aceitou a proposta do escritor e desenhista John Byrne de trocar seu lugar com a revista da Tropa Alfa, os super-heróis canadenses. Assim, Mantlo foi para aquele título e Byrne assumiu o golias verde a partir de Incredible Hulk 314, de 1985.

John Byrne

Hulk vs. Doc Samson na arte exuberante de John Byrne.

John Byrne era então a maior estrela da Marvel, com passagens vigorosas como desenhista dos Vingadores e Capitão América e com grande sucesso escrevendo e desenhando o Quarteto Fantástico. Além disso, Byrne e o escritor Chris Claremont tinham criado a melhor de todas as fases dos X-Men.

A temporada de Bryne no Hulk foi curta, apenas seis edições, mas o artista mostrou ao que veio. Colocou Leonard Samson à caça do golias verde para que este fosse alvo de um experimento científico que separasse o Hulk de Bruce Banner. O experimento dá certo e Banner tenta viver uma vida tranquila, finalmente se casando com sua velha amada Betty Ross, numa história que traz de volta dois velhos coadjuvantes há muito desaparecidos do título: o Gen. Ross (em desgraça por sua falha em deter o Hulk no passado) e Rick Jones.

O Hulk encara as duas equipes de Vingadores... e ganha! A arte de Byrne em seu auge.

Mas ao perceber que o Hulk vai ser simplesmente exterminado pelo Governo dos EUA, Leonard Samson decide libertar a criatura. Só que, sem a mente de Banner em seu corpo, o Hulk é apenas uma besta furiosa e sem limites que saí destruindo tudo em seu caminho, restando ao Dr. Samson caçá-lo.

O próprio Bruce Banner cria, então, uma equipe especial treinada pela SHIELD para ir atrás de sua cara-metade: os Caça-Hulks, liderados por Samuel LaRoquette. Mas no fim das contas, os cientistas percebem que Banner e Hulk estão morrendo longe um do outro e é preciso uni-los, mas para isso, é preciso parar o Hulk, o que leva a uma batalha selvagem contra os Vingadores e um golias verde irrefreável.

Nesse meio tempo, Byrne também oficializou que o Hulk nascera cinza e só se tornou verde depois. Inclusive, afirmando que o primeiro Hulk era menor, mais fraco e mais inteligente do que o que veio depois, o selvagem Hulk verde.

Porém, Byrne não terminou sua temporada, por causa de divergências criativas com o Editor-Chefe da Marvel, Jim Shooter, saindo da editora para escrever o Superman na DC Comics.

O Hulk Cinza

Al Migron traz o Hulk Cinza de volta!

O lugar dele foi ocupado pelo desenhista Al Migrom, que já havia sido editor da revista no passado. Mas os textos e a arte de Migrom era muito inferiores aos seus predecessores, o que fez as vendas da revista despencarem.

Ainda assim, foi Migrom quem fez com que o Hulk voltasse a ser cinza – num experimento para eliminá-lo que dá errado. O novo Hulk Cinza, porém, não era o monstro acéfalo de outrora, mas um monstro incrivelmente inteligente e sacana, que quer se livrar de Banner a todo custo, embora menor e mais fraco do que antes.

Capa de "Incredible Hulk 329", por Al Migrom, traz o Hulk Jones. Nova versão do monstro não pegou...

Outra criação de Migrom foi o Hulk Jones, ou seja, Rick Jones se torna um novo Hulk – verde – por ter caído acidentalmente no tanque de químicos que possibilitou a experiência na qual Banner deixou de ser o Hulk (por um tempo) e voltou a ser cinza.

Inicialmente, Migrom também desenhava, mas depois passou a arte para outros artistas não-fixos, como Dwayne Turner e Todd McFarlane.

A última história de Migrom, Incredible Hulk 330, desenhada por McFarlane, trouxe a morte do Gen. Ross, algo que seria revertido anos depois.

A Era Peter David

A estreia de Peter David nos roteiros em "Incredible Hulk 331": seriam 12 anos à frente do título.

Coube ao escritor Peter David reformular a revista e transformá-la em um sucesso de vendas como nos velhos tempos. O HQRock já tem um post específico para detalhar a obra do escritor à frente do Hulk – leia aqui - mas convém lembrar pelo menos os fatos principais.

A fase inicial. Iniciando em Incredible Hulk 331, de 1987, Peter David e Todd McFarlane logo se livraram do Hulk Jones, numa trama em que a energia gama do novo monstro é transferida para o Líder, o velho vilão que tinha perdido os seus poderes. O novo Líder emerge como um manipulador nos bastidores de grande importante para toda a fase da dupla.

Desde já, David impõe algumas mudanças, tratando de maneira ousada os problemas do casamento de Bruce Banner com Betty Ross (imagine ser casada com um cientista frio que vira o Hulk escondido dela!) e dando uma personalidade forte e avançada para a garota, inclusive revelando que além do casamento com Glenn Talbot (personagem dos anos 1970, há muito falecido), a garota teria tido outro casamento com um hispânico chamado Ramon.

Na edição 332, Peter David explica a ligação do Hulk com a lua e define a psiquê do Hulk Cinza. (E um confronto entre os dois hulks também).

A abordagem psicológica do Hulk também foi outra grande adesão, monstrando o monstro cinza como alguém extremamente inteligente, que busca várias maneiras de neutralizar sua contraparte, Bruce Banner.

E por fim, o escritor explica, por meio do Líder, o mecanismo de transformação de Bruce Banner no Hulk, usando os raios solares como inibidores da energia gama, o que explica porque inicialmente a transformação só ocorria à noite – como passou a ser então, de novo – e como as fases da lua influenciavam a personalidade do monstro, pois o astro reflete a luz solar. Assim, o Hulk é mais calmo na lua cheia e mais selvagem na lua nova.

Hulk, Clay Quarterman e Rick Jones: a arte cheia de linhas de Todd McFarlane agradou demais o público.

Nesta parte inicial, a SHIELD descobre que Banner voltou a se transformar no Hulk e passa a caçá-lo. Quando o agente da SHIELD, Clay Quartermain descobre que os planos da agência são de eliminar o monstro e Banner, decide ajudá-lo e explode a Base Gama.

Fugitivos. O segundo arco de David e McFarlane mostra Hulk, Quartermain e Rick Jones fugindo pelo interior dos EUA e perseguidos pela SHIELD, enquanto passam a tentar localizar as novas bombas gamas que o Governo dos EUA está produzindo. Foi um dos melhores momentos da revista.

Selvagem confronto entre Hulk e Wolverine por Todd McFarlane.

Houve um interessante encontro com o X-Factor – equipe derivada dos X-Men – e, mais importante ainda, um épico confronto entre o Hulk e Wolverine, retomando a rivalidade dos dois personagens. Para muitos leitores, este encontro, ocorrido em Incredible Hulk 340, é o melhor já produzido. O texto de Peter David brinca com Logan tentando segurar os seus impulsos, enquanto a arte de Todd McFarlane esbanja selvageria.

O reencontro do Hulk com Betty Ross: abordagem madura e ousada do relacionamento por Peter David. Arte de Todd McFarlane.

No fim das contas, o trio reencontra Betty Ross – que havia desaparecido após Bruce Banner se transformar no Hulk durante um ato sexual (isso mesmo!) – e o fato dela estar grávida obriga a uma conversa/confrontação com o Hulk.

Mas o Líder está de volta e cerca uma cidade com um campo de força para testar uma nova bomba gama. Quartermain, Jones e Betty ficam do lado de fora, mas o Hulk é apanhado pela explosão e é dado como morto. É o fim da estada de Todd McFarlane na revista, que se transfere para fazer um enorme sucesso mundial no Homem-Aranha.

O conceito de Joe Tira-Teima era interessante, mas a arte de Jeff Purves desagradou demais.

Joe Tira-Teima. O tempo avança vários meses e descobrimos que o Hulk está vivendo escondido em Las Vegas, fazendo trabalhos como guarda-costas de um gangster local e usando o nome de Joe Tira-Teima, além de namorando (!) a bela ruiva Marlo Chandler.

Era a vida que o Hulk pediu a deus, ainda livre de Bruce Banner, mas tudo isso acaba quando as transformações voltam a ocorrer de modo inconstante. O relacionamento com Marlo é prejudicado e uma série de eventos termina acabando com a vida idílica do Hulk em Vegas, de modo que é forçado a fugir para o deserto.

A bela Marlo Chandler já na arte de Gary Frank.

Esta fase trouxe argumento interessantes, mas a arte de Jeff Purves desagradou demais os fãs. Por isso, foi um alívio quando o canadense Dale Keown assumiu a revista, com uma arte mais clássica, remetendo a John Byrne.

Após uma grande busca, Bruce Banner localiza Betty, apenas para descobrir que ela não apenas perdeu o bebê, como tenta viver como freira em um convento. Os dois tentam se reconciliar, mas por algum motivo inesplicável, Bruce começa a sofrer transformações descontroladas em Hulk, nas quais sua pele é rasgada, além de alternar entre o Hulk Cinza e o velho Hulk Verde.

Para ajudá-lo, chega o Dr. Leonard Sanson.

Problemas com múltiplas identidades

Peter David explorou três personalidades distintas de Bruce Banner/ Hulk. Arte de Dale Keown.

Ao longo desse tempo, Peter David explorou a psiquê do Hulk como nenhum outro autor antes, deixando claro que Bruce Banner já tinha problemas sérios antes de se tornar o monstro e que este é, na verdade, a manifestação inconsciente de traumas, raivas e frustrações na turbulenta infância do cientista.

Em Incredible Hulk 377, de 1991, já com desenhos de Dale Keown, David promove uma virada completa, quando o Dr. Leonard Samson localiza Banner e o convence a se tratar. Uma sessão de hipnose analisa os traumas do cientista e mostra que o selvagem Hulk verde pouco inteligente, é na verdade, a manifestação de Bruce criança, irritado pelos abusos físicos do pai e as surras que via a mãe sofrer; enquanto o sacana Hulk cinza bastante inteligente é a manifestação do Bruce adolescente que não conseguia controlar as próprias emoções e agia como um maníaco.

Os esforços de Samson terminam unindo as três personalidades (Banner-verde-cinza) em uma só, que seria apelidade de Professor Hulk: poderosíssimo como o Hulk verde, sacana como o Hulk cinza e inteligente como Bruce Banner. Com a integração das três personalidades, o Hulk deixa de se converter fisicamente à aparência de Banner e se mantém como “Hulk” o tempo todo.

A Saga do Panteão

O Professor Hulk: Hulk Verde, do Hulk Cinza e de Bruce Banner integrados em um só! Arte de Dale Keown.

Essa grande transformação ocorre já no começo de uma nova fase do personagem, quando David e Keown o envolvem com uma organização secreta chamada Panteão, formado por superagentes que usam os nomes dos deuses e heróis da Grécia Antiga.

O líder Agamenon convoca o Hulk para ser o líder da organização em sua ausência, pois a inteligência e a força descomunal combinadas criam o candidato perfeito. Banner, então, tenta se impor como alguém a ser admirável e fazer um bem à humanidade que compense os problemas que causou no passado.

Mas ao mesmo tempo, seu relacionamento com Betty fica abalado, pois agora, ele é o Hulk em tempo integral. E Peter David passa a usar um recurso na qual se tornaria mestre – e que explorou bastante na revista X-Factor, um dos derivados dos X-Men, que começou a escrever ao mesmo tempo – o humor.

Assim, Rick Jones reaparece e – para surpresa de Banner (e horror de Betty), o jovem está namorando justamente Marlo Chandler. Mas o choque inicial logo passaria e Marlo se tornaria a melhor amiga de Betty e a ruiva casaria com Jones em seguida.

O Hulk combate o Maestro, uma versão envelhecida e malígna de si mesmo. Arte de George Perez.

Enquanto isso, Peter David também lançou a minissérie Futuro Imperfeito para comemorar os 30 anos do Hulk, em 1993. Na história, desenhada por George Perez, vemos o Professor Hulk ser levado a um futuro caótico na qual ele mesmo é um tirano conhecido como Maestro, que matou todos os super-heróis e reina sobre a Terra. Apenas uma pequena resistência age liderada por um velhíssimo Rick Jones.

O Hulk de Gary Frank: traços simples e dinâmicos.

A Saga do Panteão, contudo, terminou em tragédia, quando é revelado que Agamenon é um vilão, o que resulta em uma guerra entre seus filhos. À esta altura, Dale Keown já tinha partido e substituído pelo também ótimo Gary Frank.

O Fim

Após o fim daquele longo arco, o Hulk passa a viver escondido, dando início a uma fase de menor fôlego do personagem, quando os anos aos quais Peter David vinha escrevendo começaram a pesar em seus ombros. Não ajudou a instabilidade e qualidade ligeiramente inferior dos novos desenhistas, como Liam Sharp e Angel Medina.

A arte do brasileiro Mike Deodato Jr.

Uma boa exceção à regra foi a arte fantástica do brasileiro Mike Deodato Jr., que desenhou a revista entre os números 447 e 453, de 1996 e 1997.

A última fase do Hulk por Peter David melhorou os roteiros, ajudado, talvez, pela arte de Adam Kubert. Nas tramas, o Gen. Ross está de volta e reinicía sua guerra contra o Hulk. O Maestro também chega ao presente.

Capa de "Incredible Hulk 460" por Adam Kubert.

É dessa época uma das melhores histórias do Hulk: Incredible Hulk 460, 1998, na qual Bruce Banner trava uma batalha mental contra si mesmo e, no caminho, revisita sua vida familiar e, principalmente, sua relação com seu pai, Brian Banner. Já sabíamos que Brian Banner havia matado sua esposa, Rebecca, e forçado o pequeno Bruce, ainda criança, a testemunhar ao seu favor no tribunal. Mas esta história avança no tempo e mostra o que houve depois. Fica implícito que Bruce matou o pai sem querer em uma briga! A arte de Adam Kubert deixa tudo ainda melhor.

Peter David deu novo status à rivalidade entre o HUlk e o Gen. Ross, acrescentando respeito, humor e ironia.

Em seguida, Bruce e o Gen. Ross descobrem que Betty Ross está envenenada pela radiação gama do marido e, apesar dos esforços de ambos, termina morrendo.

Esta história terminou levando ao fim da longuíssima temporada de Peter David à frente do título, porque a editoria da Marvel – nas mãos de Bob Harras – decidiu usar aquela tragédia para trazer o Hulk selvagem e irracional de volta, algo que David discordava.

Peter David deixou a revista Incredible Hulk na edição 467, de 1998, após 12 anos e 137 edições! Um recorde imbatível.

Intermédio

A fase de John Byrne e Ron Garney não foi bem recebida.

Após a partida de Peter David, demorou um tempo para o Hulk entrar novamente nos eixos como um personagem relevante. Joe Casey assumiu a revista, mas a Marvel decidiu cancelar Incredible Hulk na edição 474, de 1999.

No mês seguinte, estreou Hulk (vol 2) 01, com textos de John Byrne (de volta depois de 13 anos!) e arte de Ron Garney, mas esse arco não foi bem recebido pelo público e pela crítica, durando apenas oito edições. Outros escritores como Erik Larsen e Jerry Ordway também não conseguiram levantar a moral da revista.

Fase Cult

O início da fase de Paul Jenkins, ainda com Ron Garney nos desenhos.

A Marvel decidiu dar um novo direcionamento para o Hulk e convidou o escritor Paul Jenkins para assumir o título em 2000. O nome da revista mudou para Incredible Hulk (vol 3), mas se manteve a numeração baixa, de modo que a estreia da nova fase foi no número 12.

A bela arte de John Romita Jr.

Conhecido por suas abordagens psicológicas dos personagens, Jenkins produziu uma série em que Bruce Banner se esforça para conter suas quatro personalidades (o Hulk Verde selvagem, o sacana Hulk Cinza, o Professor Hulk e ele mesmo) sob controle. Cada uma delas podia controlar o corpo durante algum tempo e se uniram para combater uma quinta personalidade, uma versão sádica do Hulk – talvez o início do caminho rumo ao Maestro. Os desenhos ficaram a cargo de Ron Garney e, depois, por John Romita Jr. e Kyle Hotz.

O Hulk combate o Homem de Ferro na arte selvagem de Mike Deodato Jr.

Em 2002, foi a vez do escritor Bruce Jones assumir a revista, iniciando uma trama bastante complexa e apreciada pela crítica na qual Bruce Banner usa a ioga para controlar o Hulk, enquanto é perseguido por uma misteriosa agência secreta em meio a uma teoria da conspiração. 

Esta fase durou até 2005 e a arte ficou primeiro com Lee Weeks e, depois, com o brasileiro Mike Deodato Jr. Na visão do artista, o Hulk ganhou um visual selvagem como poucas vezes foi retratado, sendo uma das imagens modernas favoritas do golias verde.

Depois, Jae Lee também desenhou a revista.

Peter David ainda voltou ao Hulk uma vez mais, em seguida, para escrever o arco Tempest Fugit, na qual “revela” que o vilão Pesadelo era o responsável por muitos dos infortúnios do personagem nos últimos anos, arco que não agradou ao público.

Nos Cinemas

O Hulk de Ang Lee, em 2003.

Enquanto sua revista fazia sucesso entre os críticos, o Hulk chegou pela primeira vez aos cinemas. Em 2003, o estúdio Universal lançou o filme Hulk, dirigido pelo conceituado diretor chinês Ang Lee (O Tigre e o Dragão, O Segredo de Brokeback Montain, Aconteceu em Woodstock) e estrelado por Eric Bana como Bruce Banner e Jennifer Connely como Betty Ross.

Jennifer Connelly (Betty Ross) e Eric Bana (Bruce Banner): abordagem psicológica.

É uma boa história à princípio, com uma abordagem bastante psicológica de Banner e centrada na figura de seu pai, mas que falhou em convencer o público por meio da versão digital do golias verde e no terceiro ato do filme, que se torna confuso, chato e desequilibrado em relação ao início.

De qualquer modo, Hulk não foi bem nas bilheterias, num ano que teve como concorrentes filmes como Demolidor, também da Marvel. E embora tenha se iniciado a escrita do roteiro de Hulk 2, o filme jamais aconteceu e a Universal desistiu dos direitos do personagem que voltaram para à Marvel.

O Hulk de 2008: mais selvagem.

Assim, a Marvel aproveitou a emergência do Marvel Studios, sua própria produtora cinematográfica, para lançar um novo filme do golias verde. O Incrível Hulk estreou em 2008 (apenas cinco anos depois do primeiro), numa mistura de reinício e sequência, com um elenco totalmente novo: Edward Norton como Bruce Banner e Liv Tayler como Betty Ross, mas agora com um vilão físico à altura de sua força física: o Abominável, interpretado por Tim Roth.

Edward Norton (Bruce Banner) e Liv Tyler (Betty Ross): busca por uma cura.

Novamente, o filme não foi bem nas bilheterias, mas foi o suficiente para ingressar o personagem no Universo Marvel dos Cinemas, que foi lançado naquele mesmo ano com Homem de Ferro e prosseguiu com Homem de Ferro 2, Thor e Capitão América – O Primeiro Vingador, todos preparando o terreno para o grande iencontro antes inimaginável: Os Vingadores, que estreia em abril de 2012.

Mark Ruffalo como Bruce Banner (esq.), junto a Tony Stark (robert Downey Jr.) em Os Vingadores.

Em Os Vingadores – que funciona como uma sequência de O Incrível Hulk – Bruce Banner é interpretado por Mark Ruffalo, que está fugitivo, aparentemente na Índia e é recrutado pela SHIELD para a equipe de super-heróis que vai enfrentar Loki.

Além do filme da equipe, está em desenvolvimento uma nova série de TV do Hulk, comandada por ninguém menos do que Guilhermo Del Toro (O Labirinto do Fausto, Hellboy) e que é possível estrear ainda em 2012 dentro dos projetos da nova Marvel TV, que também planeja séries do Justiceiro, Harpia, Manto e Adaga e Jessica Jones.

Novos Tempos

Planeta Hulk foi adaptado como um desenho animado em longametragem pela própria Marvel.

O status do Hulk foi totalmente modificado em 2006 com o arco Planeta Hulk, lançado a partir de Incredible Hulk (vol 3) 92 e foi até a edição 105, na qual o escritor Greg Pak e o desenhista Carlos Pagulayan criam uma história totalmente não-ortodoxa: o grupo secreto dos Illumiati (Homem de Ferro, Namor, Dr. Estranho, Charles Xavier, Reed Richards e Raio Negro, dos Inumanos) decide banir o Hulk da Terra por causa de seus problemas.

O gigante verde termina em um planeta chamado Sakaar, onde é obrigado a lutar como um gladiador contra outras criaturas alienígenas tão poderosas quanto ele. Mas o Hulk termina se tornando um campeão e líder de uma rebelião que tira do poder o Rei Vermelho que governava o local.

Estabelecido como o novo rei, o Hulk começa a perceber que nunca teve uma vida melhor, mas a nave em que chegou explode e destrói o planeta, matando inclusive sua esposa, Caiera, que estava grávida de seu filho.

Painel de World War Hulk por John Romita Jr.: vingança contra os heróis Marvel.

Enlouquecido de ódio e vingança, o Hulk decide voltar à Terra para se vingar dos Illumiati, o que dá a origem à minissérie Hulk Contra o Mundo (World War Hulk, no original), escrita por Pak e desenhada por John Romita Jr.

Cronologicamente, este evento revela ao mundo a existência dos Illumiati, que até então era o um grupo extremamente secreto que interferia nas questões sobrehumanas.

Ao fim da história, o Hulk se entrega e Bruce Banner é tomado sob custódia pela SHIELD.

Hulk Vermelho

Hulk Verde vs. Hulk Vermelho na arte de Ed McGuiness: sem comentários.

Neste ponto, o escritor Jeph Loeb e o desenhista Ed McGuinnes (que haviam produzido a revista Superman/Batman para a DC Comics) dão prosseguimento a uma fase na qual surge um misterioso novo Hulk: o Hulk Vermelho, que absorve a energia gama de Banner, que fica impedido de voltar a ser o Hulk.

A revista Incredible Hulk (vol 3) muda o título para Incredible Hercules, estrelada pelo semideus da mitologia grega que, no Universo Marvel, é um dos membros dos Vingadores. Paralelamente, sai a revista Hulk (vol 2) estrelada pelo novo Hulk Vermelho.

Na trama, Bruce Banner encontra seu filho, Skar, e começa a treiná-lo para matar o Hulk caso ele volte. Mais tarde, é revelado que o Hulk Vermelho é o Gen. Ross e que a Mulher-Hulk Vermelha é Betty Ross.

É, não é realmente o Hulk em seu melhor momento, não é mesmo?

O Presente

O Hulk de volta aos Vingadores. Arte de Mark Bagley.

Em 2011, o personagem ganhou uma “nova” revista Incredible Hulk (vol 4), com textos de Jason Aaron e arte de Marc Silvestri, numa trama em que Banner e Hulk estão novamente separados.

O golias verde irá retornar aos Vingadores em 2012, na nova revista Avengers Assemble, escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por Mark Bagley, na qual a equipe terá a mesma formação do filme (Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro), mas dentro da cronologia padrão do Universo Marvel.

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Já tocou em bandas, mas hoje só toca em casa.

Posted on 18/03/2012, in Desenhistas, Dossiês de Personagens, Escritores, Filmes, Hulk, Jack Kirby, Revistas, Stan Lee, Vingadores and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 10 Comentários.

  1. Meu caro me diga, essa sua sua capacidade de descrever eventos a muito tempo acontecidos se dão pelo fato de teres um acervo muito bem guardado ou és um incansavel pesquisador de terrenos terivelmente acidentados tambem conhecido como internet? Otima materia fiquei emocionado como vou ter trabalho de achar e puxar isso da net.

  2. Olá, Alrimar,

    Na verdade, o grosso disso tudo vem da minha própria coleção, mesmo. A internet ajuda, claro, principalmente com alguns detalhes, mas o grosso da informação vem de velhas leituras, revistas especializadas, matérias diversas e livros sobre o tema.

    Mas o principal é a leitura das histórias mesmo.

    Um abração!

  3. deu saudade dos bons tempos de peter david com o verdão

  4. Papa Emeritus

    Excelente resenha sobre toda a cronologia do gigante esmeralda.

    Só que tem uma coisa, apesar da maioria das pessoas sempre citarem a fase do Peter David (que foi a fase que eu cresci lendo, desde os anos 80), eu ainda acho a fase do Bill Mantlo a mais fantástica dentro das HQs do personagem.

    Primeiro porque tinha o Sal Buscema como desenhista, e fazendo uma comparação com o Superman, eu diria que Sal Buscema é para o Hulk a mesma coisa que Curt Swan foi para o Superman. Ou seja, o desenhista que definiu completamente os aspectos físicos do personagem como o conhecemos hoje! O Hulk do Kirby e até mesmo do Herb Trimpe tinham um visual muito mais próximo da versão Hollywoodiana do monstro de Frankenstein interpretado por Boris Karloff do que algo realmente peculiar. Já o Sal conseguiu dar ao Hulk em termos físicos uma identidade própria. E o Bill Mantlo fez histórias realmente cativantes, bem dramáticas e bem atmosféricas para a época. A fase da Encruzilhada foi uma viagem praticamente “psicodélica” nas aventuras do Hulk. E era interessante ver que, mesmo usando um Hulk sem a influência de Banner (o Mindless Hulk no inglês), há momentos muito “humanos” durante a saga da Encruzilhada envolvendo o personagem. E a forma que a cada edição essa humanidade crescia, fazia aos poucos o Banner ressurgir no subconsciente do monstro. A fase da Encruzilhada pra mim é o melhor exemplo de que o Hulk não é apenas força física ou uma força destruidora da natureza, é o melhor exemplo de uma trama psicológica com o personagem. O Peter David inclusive usou vários elementos criados pelo Bill Mantlo nessa fase e se aprofundou mais no assunto.

    O Hulk talvez seja o personagem mais trágico da Marvel, embora todos os personagens da editora tenham suas “tragédias particulares”… mas é incrível como o Banner praticamente nunca tem um final realmente feliz em suas sagas! E se tem algum final feliz, a saga seguinte trata logo de desfazer isso.

    Abraços!

  5. Hugo Amaral

    Prezado, excelente matéria, parabéns mesmo pelos serviços prestados a nós amantes de quadrinhos.
    Consegue me dizer por que o Hulk não participou nem sequer apareceu no arco de vingadores – a queda ?!

    • Olá, Hugo, que bom que você gostou!

      Respondendo à pergunta: apesar de ser um dos fundadores dos Vingadores, o Hulk raramente é visto como um membro da equipe, seja por editores, escritores ou mesmo fãs.

      Por algum motivo, são pouquíssimas as histórias da equipe que trazem o verdão e A Queda não é exceção.

      Para você ter uma ideia, apenas com o lançamento do filme Os Vingadores é que a Marvel reenvolveu o Hulk na equipe depois de décadas. A revista Avengers Assemble trouxe a mesma formação do filme, mas agindo dentro da continuidade normal do Universo Marvel.

      Acho que o Hulk sempre rende uma boa participação junto aos Vingadores e isso podia ser mais explorado. Mas infelizmente, a Marvel não faz isso.

      Um grande abraço!

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