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A bela capa do álbum Infinite. Último?

A lendária banda de hard rock britânica, Deep Purple, lançou há pouco tempo seu novo álbum, Infinite, produzido pelo famoso produtor Bob Ezrin (que trabalhou com Pink Floyd, Lou Reed, Rod Stewart, Peter Gabriel, Alice Cooper, Kiss, Julian Lennon, 30 Seconds to Mars e Jane’s Addictions) e sucessor do bem-sucedido What’s Now?, de 2012. Enquanto o disco vem sendo aclamado pelos fãs pelo frescor das gravações e boas canções, o grupo se prepara para sair em uma turnê de divulgação chamada The Long Goodbye Tour, que vai começar pela Grã-Bretanha e trará participação das também importantes e lendárias The Edgar Winter Band e Alice Cooper como bandas de abertura.

Enquanto a banda prepara a excursão, seu título já causa tumulto entre os fãs: será que os criadores do hard rock irão se aposentar depois dessa? Este é o tópico da entrevista que Mitch Lafon (do podcast talkingmetal.com/digital, traduzido ao português pelo Rockarama) com o baterista Ian Paice, que participou de todas as formações do grupo, desde sua fundação em 1967.

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O baterista Ian Paice: membro fundador do Deep Purple.

Ao ser perguntado se era o Último disco ou a Última turnê, Paice deu uma resposta dolorosa, mas sincera:

Durante a promoção para esse álbum e a próxima turnê, nenhum de nós usou a palavra último. Mas há alguns sinais de aviso. A turnê chama-se “The Long Goodbye” (N.T.: “O Longo Adeus”) o que deve te dar uma dica. Quanto tempo vai durar? O tempo que conseguirmos. Se for dois anos, ótimo, se for três, melhor ainda. Mas essa será a última grande turnê mundial e quando quer que acabe precisaremos de um descanso e umas férias longas. Depois disso, provavelmente ligaremos um para o outro para perguntar o que cada um quer fazer. Já deu? Quer parar? Ok. Fazer um novo álbum? Sim, por que não? Tocar por quatro ou cinco semanas no ano que vem? Por que não? Nós nunca usamos a palavra último, porque é algo bem assustador para os três de nós que estamos fazendo isso por quase cinquenta anos [no caso, Paice, o vocalista Ian Gillan e o baixista Roger Glover]. Não dá para fechar a porta nessa parte da sua vida assim. Sabemos que a porta está fechando, estamos mais perto do fim do que do começo, mas a porta ainda não está fechada. Não dá para sair em turnê da mesma forma que fazíamos no passado. Exige demais. Gosto de pensar que gravaremos mais um álbum em três ou quatro anos, enquanto ainda estamos em pé e aptos a fazer o que fazemos. Ou, no fim da turnê vou dizer: “Foi ótimo, mas já deu.” Mas todo esse lance de planejar o último show, no último dia, na última cidade, isso é assustador. Pode ser que a gente perca um cheque gordo [não fazendo um último show], mas emocionalmente não conseguiríamos lidar com isso. Todo o processo até uma última apresentação seria muito, muito difícil.

deep-purple infinite photo by jim-raketeO site também elogiou o novo álbum do Deep Purple, Infinite, por causa do frescor de sua gravação e Ian Paice elogia o trabalho de Bob Ezrin e revela que até trabalhar com ele, a banda não gostava de gravar álbuns.

Bem, quando nos reunimos com Bob Ezrin pela primeira vez há quatro anos (N.T.: para o álbum “Now, What?”) foi como uma injeção de ânimo para voltarmos a gostar de trabalhar no estúdio. Não posso dizer que entrar em estúdio foi algo que gostamos de fazer pelos últimos vinte anos [desde o álbum Perfect Strangers, de 1986]. Foi algo que tínhamos que fazer e não que gostaríamos de fazer, por isso os intervalos longos entre os álbuns. Mas quando nos reunimos com Bob, se tornou um trabalho feito com amor e não apenas um trabalho. Assim que finalizamos o “Now, What?”, em 2012, a primeira coisa que dissemos um para o outro foi que deveríamos fazer isso de novo. Então, quando o momento pareceu apropriado, nos juntamos e nos divertimos muito no estúdio. Como a maioria dos bons álbuns, ele foi rápido de fazer. As ideias estavam lá, assim como a inspiração para tocar e, ainda, uma ótima voz na sala de controle nos avisando quando as coisas estavam certas e quando estavam erradas. Tudo foi tão calmo e passou tão rápido que foi um grande prazer.

E detalhou também como se deu o envolvimento Ezrin e o que ele adicionou à banda em estúdio:

Há uns cinco anos, Bob [Ezrin] veio nos assistir ao vivo em Toronto (Canadá) e foi quando conversamos sobre trabalharmos juntos. Ele disse que o que precisávamos fazer era entrar no estúdio e tentar captar o que fazíamos ao vivo. Ele disse: “Olha, não adianta tentar gravar um “Sgt. Pepper’s” (The Beatles) ou um “Pet Sounds” (Beach Boys), porque isso não são vocês. Mas o que têm ao vivo é tão especial que temos que tentar captar isso.” Uma vez que pusemos isso na nossa cabeça, percebemos que ele sabia do que estava falando.

 

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O Deep Purple hoje: Glover, Gillan, Airey, Morse e Paice.

O Deep Purple se formou em 1967 e lançou seu primeiro álbum no ano seguinte, de sucesso apenas mediano no início, a banda virou um grande nome do rock quando abraçou definitivamente o hard rock com o disco In Rock, de 1970. O apogeu foi o álbum Machine Head, de 1972, mas o grupo experimentou um período de decadência e encerrou as atividades em 1976, com seus ex-membros se dividindo em bandas como Rainbow, Whitesnake e Ian Gillan Band. Depois de nove anos, o grupo se reuniu em 1986 com sua formação clássica e lançou o álbum Perfect Strangers, que foi um grande sucesso, mantendo-se na ativa desde então.

Apesar de manter membros sólidos e com longas durações no grupo, o Deep Purple é uma banda que passou por várias formações diferentes. Nos dias atuais, conta com três membros da “formação clássica – o vocalista Ian Gillan, o baixista Roger Glover e o baterista Ian Paice – mais outro que está com eles há mais de 20 anos – o guitarrista Steve Morse – e o mais “novato” tecladista Don Airey.

Mais recentemente, o Deep Purple esteve no Brasil em 2011 e em 2014.

 

 

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