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A primeira imagem dos sets de Mulher-Maravilha trazia Said Taghmaoui e Chris Pine.

Chegando perto de sua estreia, o filme da Mulher-Maravilha começa a ter alguns de seus mistérios solucionados. Um deles era a identidade do personagem de Said Taghmaoui, que logo quando as filmagens iniciaram, teve uma foto divulgada ao lado de Chris Pine e, depois, em uma entrevista, afirmou que interpretava um super-herói no longa. Mas quem?

Hoje, o próprio ator revelou o segredo ao postar no Twitter uma imagem de um dos membros dos Blackhawks (os Falcões Negros, no Brasil): André Blanc-Dumont.

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A imagem do Twiter mostra André Blanc-Dumont e o ator.

Nos quadrinhos, os Falcões Negros são um grupo de aviadores militares de várias etnias distintas que atuavam como uma força independente na luta contra o Eixo, durante a II Guerra Mundial. O grupo é formado por: Falcão Negro (Bart Hawk, primeiro retratado como polonês, mas depois, transformado em americano); Stanislaus (polonês), André (francês), Chuck (americano do Texas ou do Brooklyn, dependendo da época); Hendrickson (alemão), Olaf (sueco) e Chop-Chop (chinês, primeiramente retratado como um cozinheiro com todas as representações racistas sobre os orientais, mas depois, “normalizado” e transformado em um mestre de artes maciais). Outra personagem bastante conhecida foi Lady Blackhawk. Comumente nas histórias, os personagens eram chamados apenas por um único nome ou sobrenome e somente as histórias posteriores foram atribuindo biografias mais completas.

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Os Falcões Negros: Blackhawk, André, Stanilaus, Hendrickson, Chop-Chop, Olaf e Chuck.

Os personagens foram criados pelo desenhista Chuck Cuidera, com assistência da dupla Bob Powell e Will Eisneir. Publicados inicialmente pela editora Quality Comics, a partir de Military Comics 01, de 1941, o grupo conseguiu muito sucesso na época, se tornando a segunda revista em quadrinhos mais vendida da época, perdendo apenas para o Superman da DC Comics.

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Capa de Military Comics 01, com a estreia do grupo.

Cuidera fazia os roteiros junto com Powell, mas também desenhava o título até ser convocado, ele próprio, para servir na Guerra, em 1942, no que a arte passou às mãos do excelente Reed Crandall. Depois que voltou da Guerra, Cuidera continuou supervisionando as histórias, mas deixou a arte para Crandall, enquanto fazia apenas a arte-final. Com o sucesso, os Falcões Negros ganharam uma revista própria, Blackhawk, em 1944, no que foram incorporados vários grandes artistas, como Bill Finger (cocriador do Batman), Dick Dillin (futuro desenhista da Liga da Justiça) e Mainly Wade Wellman.

Com sérias dívidas, a Quality Comics fechou as portas, com Blackhawk 107, de 1956, sendo seu último número, mas a DC Comics garantiu os direitos de publicação dos personagens e, depois, comprou a marca, continuando a publicar os aviadores destemidos. Por causa disso, os Falcões Negros são os únicos personagens dos anos 1940 que continuaram a ser publicados até os anos 1960, ao lado apenas de Superman, Batman e Mulher-Maravilha, todos da DC.

Já foi na DC, com desenhos de Dick Dillin, que os Falcões Negros ganharam a adesão de Lady Blackhawk, em 1958, mas a primeira tentativa de incluir uma figura feminina entre os aviadores não se completou e ela terminou se transformando em coadjuvante, temporariamente numa vilã, e apenas nos anos 1970 passou a ser efetivamente uma heroína. A nova editora, porém, não conseguiu aumentar as vendas e as mudanças no título (com os aviadores virando super-heróis uniformizados) não foi bem aceito pelo público, de modo que Blackhawk finalmente foi cancelada no número 243, de 1968.

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O sucesso os fez ter revista própria.

A revista foi reativada e voltou às bancas, seguindo a numeração original, a partir da edição 244, em 1976, mas não conseguiu emplacar, sendo logo cancelada no número 250, de 1977. Uma nova tentativa veio em 1982, de novo retomando a numeração, mas agora numa célebre fase, escrita por Mark Evanier e desenhada por Dan Spiegle, mas as vendas baixas levaram ao cancelamento de novo, na edição 273, de 1984.

Após o reboot cronológico da DC Comics, com Crise nas Infinitas Terras, os Falcões Negros foram oficializados no cânone da editora e passaram ao “passado” dos grandes heróis da DC, ganhando uma aclamada minissérie com textos e desenhos de Howard Chaykin, que trazia tramas mais adultas e violentas, em 1988. A boa recepção motivou a publicação dos heróis em histórias secundárias em Action Comics (nas edições semanais de 601 a 635, com intervalos) e, em seguida, em uma nova revista mensal Blackhawk, que durou 16 edições, entre 1989 e 1990.

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Lady Blackhawk. Arte de Dick Dillin.

Desde então, os Falcões Negros fizeram apenas aparições casuais na DC Comics, embora ainda tenham sido vistos em histórias como (a não-canônica) Liga da Justiça: A Nova Fronteira e desenhos animados como Justice League Unlimited e Batman – The Brave & the Bold.

Em Mulher-Maravilha, André será um dos militares convocados por Steve Trevor (o personagem de Chris Pine) para a missão secreta de deter a bomba de gás criada pela Doutora Veneno e o general alemão Erich Ludendorff, que deve ser revelado ao fim como sendo Ares, o deus da guerra. Diana, Trevor e André buscarão o caderno com as anotações científicas da fórmula, que pode ser um grande risco à humanidade.

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