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Guardiões: humor e drama.

Após o sucesso inesperado do primeiro filme, a Marvel conseguiu transformar uma trupe de alienígenas (e um terráqueo) desajustados e desconhecidos até daqueles que leem quadrinhos em alguns dos mais queridos e amados personagens do cinema recente. O desafio de repetir a dose era imenso, mas não se preocupe, a Marvel e o diretor e roteirista James Gunn acertaram na mosca. De novo! Guardiões da Galáxia Vol. 2 é simplesmente sensacional!

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Yondu e Rocket: mais profundo.

Tendo a vantagem de não precisar apresentar seus personagens principais, Vol. 2 vai – literalmente – direto ao ponto e apresenta um produto que vai no core do que o Marvel Studios faz melhor: um filme divertido, engraçado e colorido. Como diferencial em relação ao primeiro longa do “bando de cuzões” (como eles se autodenominam) está o fato de, apesar de manter o humor intacto, o novo filme é muito mais dramático do que o anterior, o que é um diferencial e muito bem-vindo.

O primeiro Guardiões fez a plateia rir histericamente. Vol. 2 não tem esse mesmo efeito, o humor continua lá e há muitas cenas realmente engraçadas demais (no bom sentido), especialmente, claro, aquelas envolvendo o Baby Groot, como os trailers já anteveram. Porém, os momentos histéricos são em menor número dessa vez, porque é preciso abrir espaço para o drama. 

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Ego escancara o tema familiar do filme…

Diferentemente do longa anterior, Vol. 2 faz a plateia chorar, também. E mais de uma vez. Os arcos dramáticos estão muito bem construídos e o tema família – nas vertentes “pai e filho” e “irmãos” – se aplicam a vários personagens, funcionando muito bem na trama geral, aprofundando as relações e a psiquê dos personagens e, obviamente, rendendo ainda melhores interpretações de seus atores. A carga dramática faz de Vol. 2 um filme mais denso e melhor do que o Guardiões original.

A trama geral do filme é bem simples e não é spoiler: os Guardiões da Galáxia ficaram famosos no universo depois de impedir o ataque de Ronan a Xandar no primeiro filme, o que os leva a ser contratados para vários serviços. Vol. 2 começa poucos meses depois do anterior, com a trupe indo até o planeta da raça dourada autoproclamada Os Soberanos, para impedir que uma besta interdimensional devore as valiosas baterias de energia deles. Como pagamento pelo serviço, o grupo recebe a foragida Nebula, a irmã de criação de Gamora e que esteve aliada aos vilões no filme anterior. Os Guardiões partem rumo a Xandar para entregá-la à prisão, mas são perseguidos pelos Soberanos porque Rocket roubou (só de mal) uma das baterias, ao mesmo tempo em que são interceptados por Ego, o Planeta Vivo, o pai de Peter Quilll, o Star-Lord. Ao mesmo tempo, Yondu precisa lidar com a insatisfação de seus subordinados, liderados por Taserface, que discordam da indulgência de seu líder para com as traições de Star-Lord. O que se torna uma grande oportunidade quando os Soberanos vão atrás dos Saqueadores para que esses capturem os Guardiões da Galáxia para puni-los pelo roubo.

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…assim como (surpreendentemente) Nebula.

Tal qual no primeiro filme, o diretor James Gunn se mostra incrivelmente hábil para desenvolver arcos para cada um dos membros da equipe, o que agora está ampliado para Nebula, Yondu e a novata Mantis. Desse modo, nenhum deles têm participação gratuita no filme, crescendo como personagens e tendo algo com o que se relacionar e o que dizer. Como não precisa mais apresentar o núcleo principal, a trama se beneficia disso e usa esse espaço para trabalhar as histórias, motivações, traumas e sentimentos de todos eles. E tudo se encaixa e funciona muito bem.

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Drax e Mantis: novas interações e ótimas interpretações.

Como já dito, isso beneficia os atores: Chris Pratt (Star-Lord), Michael Rooker (Yondu), Dave Bautista (Drax), Karen Gillan (Nebula), Kurt Russell (Ego) e até Sean Gunn (Kraglin, o braço direito de Yondu) entregam ótimas interpretações, oscilando entre o humor e o muito dramático com facilidade e fazem Vol. 2 ser mais complexo emocionalmente do que o primeiro filme.

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Ayesha, a líder dos Soberanos.

Assim, o Marvel Studios acerta outra vez e entrega um de seus grandes filmes de novo, sem decepcionar os fãs, apresentando algumas surpresinhas que vão fazer os fãs de HQ gritarem no cinema e indo mais longe, surpreendendo o fã casual com um filme ao mesmo tempo em que mantém a pegada e o estilo do anterior, também surpreende com lágrimas em sua metade final.

No que, claro, a trilha sonora espetacular mais uma vez colabora demais!

Ah, e não se esqueça: Vol. 2 torna a espera da cena pós-créditos menos angustiante ao simplesmente apresentar cinco (!) delas!

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Baby Groot: fofo.
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