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A Marvel mais diversificada.

Nos anos passados, a editora Marvel Comics, que reinou absoluta como a mais forte do mercado de HQs durante um bom tempo, teve que enfrentar de modo mais acirrado a concorrência com a DC Comics, especialmente após 2011 e o reboot cronológico e editorial desta. Uma das medidas na qual a Casa das Ideias investiu para revidar foi aumentar exponencialmente a diversidade étnica de seus personagens. Em uma ação ousada, nos anos imediatamente anteriores, a Marvel substituiu quase todos os seus personagens principais por versões diferentes, mais jovens e com maior diversidade.

Assim, Peter Parker passou a dividir o título de Homem-Aranha com o latino e negro Miles Morales; Tony Stark deixou de ser o Homem de Ferro e passou a armadura à jovem brilhante (e negra) Riki Willams; Steve Rogers deixou o posto de Capitão América nas mãos de seu amigo Sam Wilson (que é negro), o antigo Falcão; Bruce Banner morreu e o papel do Hulk foi ocupado pelo genial (e oriental) Amadeu Cho; Thor se tornou indigno de seu martelo encantado e Mjolnir foi parar nas mãos de Jane Foster (que é caucasiana, mas mulher, virando a Poderosa Thor); Carol Danvers assumiu a nova alcunha de Capitã Marvel (nome antes usado por um homem) e sua identidade de Miss Marvel passou à adolescente Kamala Khan (de origem árabe).

O resultado? As vendas da Marvel caíram drasticamente. Nos últimos meses, uma grande discussão envolve a imprensa especializada e os fãs sobre qual teria sido o motivo da queda das vendas nas revistas da editora. Eu até diria que o problema não é a diversidade – isto é sempre bem-vindo – mas o modo como a Marvel fez as mudanças e o cansaço que anos do esquema “evento muda tudo, novo status quo, outro evento muda tudo, novíssimo status quo, mais um evento muda tudo, o novo de novo status quo etc.”.

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Arte de Generations, por Alex Ross.

Substituir o Homem-Aranha (Peter Parker) pelo vilão Dr. Octopus (que ocupou sua mente e controlou seu corpo por um ano inteiro de histórias) e a novíssima estratégia de “revelar” o Capitão América como um “vilão”, um agente infiltrado da HIDRA, alterando completamente o status quo de um dos heróis favoritos da editora, parecem ser estratégias equivocadas demais e afastam os velhos leitores.

E essa parece ser a estratégia da Marvel: mirar em um público mais jovem; porém, do jeito que fazem as histórias, terminam afastando os mais antigos (e fieis).

De qualquer modo, parece que a editora já está revidando a queda das vendas e parece saber qual é o problema, pois está investindo na volta das versões clássicas dos heróis. Primeiro, por meio do evento Generations, da qual já falamos aqui, e vai reunir os heróis clássicos e seus substitutos.

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Arte de Marvel Legacy, por Joe Quesada.

Agora, a Marvel anunciou o evento Marvel Legacy, que a partir do outono no hemisfério norte irá trazer de volta as versões clássicas de seus personagens e voltar à numeração original de suas revistas. A primeira imagem promocional, com arte de Joe Quesada – o Diretor Criativo da Marvel Entertainment – mostra justamente isso: muitos dos heróis citados acima em versões reconhecíveis.

O novo empreendimento começa com uma edição especial de 50 páginas, com roteiro de Jason Aaron e a arte fantástica de Esad Ribic. Depois, devem vir outras revistas, como especiais e minisséries. Não há uma data exata, mas é bem provável que tudo comece em setembro próximo.

Não está claro se isto será uma consequência da atual saga Império Secreto – a tal que mostra o Capitão América da HIDRA – e que envolve o Cubo Cósmico, um conhecido transformador da realidade.

A Marvel também adianta que os novos personagens não serão descontinuados, mas seguirão adiante como parte do Universo Marvel.

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