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Belo poster de Logan.

Após 17 anos, encerra-se um ciclo: Hugh Jackman se despede em grande estilo de Wolverine, o personagem que lhe fez fama e agradou os fãs desde o início. Após oito filmes, ainda havia a insatisfação do público com relação a vários aspectos (envolvendo os filmes dos X-Men em geral), mas um específico a Wolverine em especial: o cinema nunca viu o personagem tal qual nos quadrinhos. No papel, Logan é um notório cabeça quente, que quando fica com raiva sai matando todo mundo. E lembrem-se: o cara é armado com um par de garras com três lâminas, o que resulta em membros decepados e decapitações. Pois bem, estimado fã, este momento chegou. É isso o que Logan entrega. E muito mais.

Hugh Jackman vem defendendo o filme com unhas e dentes e pudemos ver seu entusiasmo na coletiva de imprensa que ocorreu no Brasil há alguns dias atrás. De fato, Logan é um filme totalmente diferencial dentro da extensa franquia dos X-Men: é mais sério, mais adulto, mais realista e tem um “quê” de filme “de arte”, com sua fotografia pastel e cenas que tentam passar a ideia de situações cotidianas, inclusive, bastante banais e tocantes, como uma ida ao banheiro, dificuldades com locomoção ou a delícia de uma boa refeição.

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Um Wolverine debilitado.

Isto é muito bom e funciona bastante para um personagem como Wolverine e a história que Hugh Jackman e o diretor James Mangold decidiram contar.

Aproveitando, vamos à trama, sem spoilers: em um futuro próximo, no ano de 2024, os mutantes desapareceram, os X-Men também, Charles Xavier passou dos 90 anos de idade e está doente, e Logan está em um estado pior ainda – seu fator de cura não funciona mais como antigamente, o que lhe deixa cheio de dor. Mas a chegada da jovem Laura, uma jovem mutante, muda completamente a rotina de Logan e Xavier, que agora precisam fugir de uma misteriosa corporação e de seus planos malignos.

Neste sentido, Logan tem muito de um filme de estrada e em vários aspectos procura se distanciar de um filme tradicional dos X-Men, seja pelo realismo que adota, seja pela violência. Wolverine usou suas garras e matou em todos os filmes que apareceu, porém, era algo sempre dissimulado, para não restringir o acesso do grande público. O mais parecido com o herói violento das HQs foi visto no distante X-Men 2, de 2003, em uma breve cena de luta contra um exército. Para dizer a verdade, houve um outro pequeno vislumbre no recente X-Men – Apocalipse, no qual Wolverine faz uma aparição especial e tem uma cena de luta um pouco mais intensa do que o de costume. Foi um tipo de treino para Logan.

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Mais violento dessa vez.

A violência do novo filme faz sentido dentro da história e da jornada que o personagem precisa atravessar na trama, de modo que não é gratuita. De fato, é bom ver o que Wolverine pode fazer com suas garras, porém, às vezes, James Mangold pesa um pouco demais na mão e há alguns exageros que poderiam ser evitados.

Logan constrói uma boa história e é um filme tenso, que deixa o telespectador grudado na cadeira. Também há várias surpresas e uma ou outra reviravolta que você com certeza não esperava, o que torna ainda mais interessante. Outro ponto bastante positivo é não sofrer do mal de um “terceiro ato grandioso“, que vitima muitos dos filmes baseados em HQs e praticamente estragou o anterior Wolverine – Imortal. Em Logan, o terço final do filme mantém a pegada e flui como um desenvolvimento natural da obra, deixando um final forte e recompensador.

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Os vilões.

Um defeito de Logan, contudo, é remeter demais a um passado criado exclusivamente para a trama, o que exige do telespectador atenção aos mínimos detalhes e aceitar o que dizem os personagens. Não contar tudo e deixar que o público tire suas conclusões é ótimo, mas muitas vezes, a ausência de maiores esclarecimentos atrapalha a compreensão de subtramas ou referências, o que pode prejudicar um pouco a fruição do filme.

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O trio de atores: ótimos!

É importante, claro, falar dos atores. Hugh Jackman dá tudo de si e entrega a melhor interpretação de Wolverine que já realizou. Logan sempre foi atormentado, raivoso, teimoso e com tendência a se isolar, porém, em nenhum outro filme, esse comportamento faz melhor sentido e extrai do ator as expressões e a dor que entrega na tela. O mesmo pode ser dito do Charles Xavier de Patrick Stewart – que também afirmou recentemente que este é seu último filme na franquia – e que faz jus a toda a sua formação nos teatros londrinos, com um Professor X muito idoso e debilitado, mas ainda carregado da bondade e compaixão que preenchem seu personagem. É realmente uma pena os filmes dos X-Men, em geral, terem explorado tão pouco o lado humano de Xavier, quando se tem um ator do quilate de Stewart sentado na cadeira de rodas. (Neste ponto, temos que admitir, a franquia “do passado” fez melhor, com o Xavier de James McAvoy).

E, ainda, há a grande surpresa que é Dafne Keen, que entrega uma Laura incrível, uma menina marrenta que surpreende várias vezes ao longo do filme.

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Laura em ação!

Sempre houve crítica aos filmes dos X-Men da Fox – não eram fiéis aos quadrinhos, personagens era descaracterizados sem necessidade, não havia uniformes, a cronologia é uma bagunça – mas também havia certa unanimidade sobre o Wolverine de Hugh Jackman. O personagem virou o centro da franquia, mas após o péssimo X-Men Origens – Wolverine, o apenas regular Wolverine – Imortal, precisava mesmo de Logan para se redimir.

É uma pena que  veio tão tarde. Não dá para assistir ao filme e pensar: por que não fizeram isso antes?

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