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Mason, Gilmour, Wright e Waters: o Pink Floyd clássico reunido pela última vez, em 2005.

Seguindo uma (boa) tendência dos últimos tempos, a lendária banda britânica Pink Floyd, uma das mais importantes e de sucesso da história do rock, também inaugurará uma exposição temática sobre sua carreira. David Bowie foi pioneiro na ação e, desde então, outras lendas como Rolling Stones e até o ex-membro do Pink Floyd, Syd Barrett, ganharam suas próprias exposições. Mas agora, a banda encantou milhões com álbuns como Darkside of the Moon e The Wall vai ter uma mostra para chamar de sua. E melhor: no lançamento oficial da iniciativa, os ex-membros Roger Waters e Nick Mason até falaram em uma reunião do grupo no futuro!

Waters (baixo) e Mason (bateria) foram cofundadores do Pink Floyd – ao lado do tecladista Richard Wright e do guitarrista Syd Barrett, ambos já falecidos – em 1965, e viraram heróis da cena alternativa e psicodélica de Londres, mas o grupo só chegou às gravações profissionais em 1967, com o compacto Arnold Layne, que foi um grande sucesso e expôs o colorido underground londrino ao mainstream.

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Waters e Mason falam em reunião!

A exposição do grupo, chamada Pink Floyd – Their Mortals Remains (em referência à letra de One of my turns, de The Wall), celebrará justamente isso, com sua abertura coincidindo com o 50º aniversário daquele single. Na coletiva à imprensa que apresentou a mostra, que estará em breve aberta ao público no The Victoria and Albert Museum, Waters e Mason foram interpelados pelo jornal The London Telgraph se estariam dispostos a seu reunirem para mais um evento especial, como o Festival de Glastonbury, que é o maior e mais tradicional da Inglaterra. (Em tempo: a última vez que o Pink Floyd se reuniu foi em 2005 em um evento especial, o Live 8). A dupla deu uma resposta surpreendente!

Mason disse:

Seria legal adicionar algo à lista de coisas. Eu nunca toquei em Glastonbury. Seria divertido fazer isso. 

E Waters emendou:

Eu toquei em Glastonbury uma vez, eu acho. Estava realmente muito frio, mas havia um monte de gente lá e estavam realmente muito felizes e eu gostei. Sim, eu faria de novo. 

Mas os dois músicos logo encararam a realidade, com Waters memorando:

O que eu soube é que David [Gilmour] está aposentado.

Enquanto Mason emendou com uma pequena luz de esperança:

Eu ouvi que ele tava aposentado, mas parece que ele “desaposentou”.

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O Pink Floyd em seu início, com Barrett, Mason, Wright e Waters.

Ambos sabem que David Gilmour é o grande obstáculo de uma reunião do grupo. E explicamos: quando Syd Barrett simplesmente enlouqueceu de tanto tomar LSD, os membros do Pink Floyd tiveram a difícil decisão de afastá-lo do grupo; e para que o evento fosse o menos traumático possível, Roger Waters convidou David Gilmour para substituí-lo, que era um velho amigo deles de Cambridge cidade natal de Barrett, Waters e Gilmour. A transição se deu já no segundo álbum do Pink Floyd, A Saucerful of Secrets, de 1968, que possui gravações com os dois guitarristas, o velho e o novo. (Barrett tentou seguir uma carreira solo, mas seus problemas mentais permitiram que tivesse apenas dois álbuns lançados e, depois, seguisse uma vida reclusa em Cambridge, longe da música).

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Pink Floyd em tempos áureos: Wright, Waters, Mason e Gilmour.

Dali em diante, David Gilmour cumpriu a importante posição de guitarrista e principal vocalista do Pink Floyd, enquanto Roger Waters era, de certo modo, o líder do grupo, pois era o principal compositor e quem bolava a maior parte dos conceitos aos quais envolviam os discos da banda. Porém, na medida em que o tempo foi passando, o ego de Waters foi aumentando cada vez mais e sua música ficando cada vez mais pessoal, o que gerou atritos no grupo, resultando na demissão do tecladista Richard Wright, em 1980, após as gravações de The Wall. Depois de um álbum como trio, Waters decidiu encerrar o grupo, em 1985, mas Gilmour e Mason entraram com um processo judicial contra o ex-parceiro pelos direitos de controle do nome e da marca Pink Floyd. A dupla ganhou o processo e Gilmour, Mason e Wright se reagruparam e continuaram a ser o Pink Floyd ao longo dos anos 1980 e 1990. Waters seguiu em carreira solo.

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Mason, Gilmour e Wright em 1994.

O Pink Floyd encerrou oficialmente as atividades em 1996, mas houve alguns capítulos posteriores. Em 2005, por ocasião do Live 8 – um megaconcerto beneficente contra a Reunião do G8 e a favor de que os países ricos perdoem as dívidas dos países pobres – Gilmour e Waters concordaram em reunir o grupo uma única vez. Então, Waters, Gilmour, Wright e Mason realizaram o último concerto do Pink Floyd.

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A banda reunida pela última vez, em 2005, no Live 8.

Em 2006, Syd Barrett morreu vítima de um câncer e dois anos depois foi a vez de Rick Wright ter o mesmo destino. Na ocasião, Gilmour foi enfático de que nunca haveria um Pink Floyd sem Wright. Em 2013, a banda até lançou um álbum inédito, The Endless River, composto, contudo, com gravações realizadas 20 anos antes ainda na presença do tecladista.

Nesse meio tempo, Gilmour lançou dois álbuns solo de sucesso, On an Island (2006) e Rattle That Lock (2015), inclusive, realizando uma grande turnê mundial com este último e tocando pela primeira vez no Brasil.

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David Gilmour estaria disposto?

Maiores opositores na época do litígio legal, Gilmour e Waters nunca resolveram de verdade seus problemas. Em uma entrevista de 2015, citada pelo The Consequence of Sound, Gilmour falava sobre o fim da banda:

Eu estive 48 anos no Pink Floyd, um pouco desses anos no comecinho, com Roger [Waters]. E naqueles anos que agora são considerados o nosso apogeu, estávamos 95% musicalmente preenchidos e divertidos e cheios de alegria e risadas. Eu certamente não quero deixar que os outros 5% embotem minha visão do que é um longo e fantástico tempo juntos.(…). Roger e eu não nos damos bem, particularmente falando. Ainda nos falamos. É melhor do que já foi [no passado, pós-processo]. Mas não funcionaria [trabalharmos juntos]. As pessoas mudam. Roger e eu superamos um ao outro e seria impossível, para nós, trabalharmos juntos em qualquer base realista.

O que enche os fãs de alguma esperança é o fato de que, apesar dessa fala dura, Gilmour e Waters já tocaram juntos duas vezes desde o Live 8. A primeira, em 2011, numa participação especial na abertura da The Wall Tour de Roger Waters (em que o compositor apresentou o homônimo disco do Pink Floyd ao vivo em apresentações solo); a segunda, no ano posterior, em um evento beneficente.

Tomando a fala de Gilmour, talvez seja impossível – e mesmo desnecessário – o Pink Floyd sair em uma grande turnê mundial. Porém, não seria possível uma outra reunião especial, tal qual o Live 8, no Festival de Glastonbury? Só uma última vez com Gilmour, Waters e Mason, a mesma formação que gravou o álbum The Final Cut, de 1983?

Sabe qual é o maior sonho do organizador do Festival de Glastonbury? Ter o Pink Floyd no headline do evento!

Cruze os dedos!

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