Mulher-Maravilha: Escritor Greg Rucka afirma que Diana é lésbica nos quadrinhos

Mulher-Maravilha: lésbica.

Mulher-Maravilha: lésbica.

A questão não é nova, mas agora toma importância porque é dita pelo próprio escritor responsável pelas revistas da Princesa Amazona: em entrevista ao site Comicosity, Greg Rucka afirma que a Mulher-Maravilha, a mais icônica das heroínas, criada pela editora DC Comics, é lésbica (ou queer no termo original em inglês, que é um pouco mais abrangente).

Na entrevista, Rucka é franco sobre seu pensamento sobre a personagem, e trata a questão com muito respeito. Ao mesmo tempo, quem lê as aventuras de Diana nos quadrinhos atuais percebe que lesbiandade da Ilha Paraíso está posta o tempo todo, apenas de modo delicado, discreto e não muito incisivo.

O Comicosity pergunta: “A Mulher-Maravilha é queer?”, que poderíamos traduzir como lésbica (ou LGBTT), e o escritor replica: “o que é ser lésbica?”. O site esclarece:

Para o propósito dessa conversa, eu definiria lésbica (queer) como estar envolvida, embora não necessariamente exclusivamente, de modo romântico e/ou sexual com pessoas do mesmo gênero. Não é o conceito em sua totalidade, mas é parte do que está nele.

Uma vez definida a questão, então, Greg Rucka responde diretamente:

Então, sim [ela é lésbica]. Acho que é mais complexo, contudo. (…) Quando você começa a pensar no conceito de Themyscira (a Ilha Paraíso, onde vivem as Amazonas, o povo de Diana) a questão é clara: “como elas não podem ter relacionamentos dentro do mesmo sexo?”. Está certo? Não faz o menor sentido não ser assim.

Cena da HQ de Rucka e Nicola Scott.

Cena da HQ de Rucka e Nicola Scott.

Supostamente, é o paraíso. Você supostamente tem que ser hábil a viver feliz. Supostamente, você tem que ser hábil a – no contexto onde, para ser feliz, você precisa ter o que, individualmente, precisamos para a felicidade, que é ter um parceiro – ter um relacionamento completo, com envolvimento romântico e sexual. E a única opção que há [em Themyscira] são mulheres. Mas uma Amazona não olha para outra Amazona e diz: “Você é gay”. Elas não são. O conceito não existe.

Agora, você está perguntando se Diana esteve envolvida amorosamente e teve relacionamentos com outras mulheres? Como Nicola [Scott, o desenhista da série] e eu a abordamos, a resposta é: absolutamente sim!

(…) Para as Amazonas, apenas não há uma palavra ativa em seu vocabulário [para ser gay ou lésbica]. É a mesma coisa quando Diana tem que pesquisar pela palavra “irmão” para descrever o relacionamento dos soldados colegas dele, e Hipólita [sua mãe] diz: ” A palavra é ‘irmão’. Nós não a usamos muito. Provavelmente, é por isso que você não lembra dela”.

Rucka e Scott dão pistas do elemento lésbico na HQ.

Rucka e Scott dão pistas do elemento lésbico na HQ.

Isto não vai acontecer na [história] Ano Um, mas você sabe: tipo, dez minutos depois da hsitória acabar, Lois Lane realiza a entrevista com a Mulher-Maravilha e pergunta de onde ela é. Diana dirá que vem de Themyscira, uma ilha onde todas são mulheres. Agora, não estou certo se Lois perguntaria “Isto significa que você todas dormem juntas?”, porque não me parece combinar com a personalidade de Lois.

Mas quando alguém coloca a questão, Diana diria algo como “É claro que nós amamos umas às outras. Algumas Amazonas estão juntas há centenas de anos. Outras estiveram juntas por apenas um curto período de tempo. E às vezes, elas têm várias parceiras ao mesmo tempo. Algumas vezes elas terminam os relacionamentos. Mas nós todas vivemos juntas e tentamos fazer funcionar.

A questão das Amazonas terem relacionamentos entre si é bastante antiga, remetendo mesmo à década de 1940 e ao fato da personagem ter sido perseguida pelo autor Fredic Werthan, que escreveu o livro A Sedução do Inocente, onde acusa os quadrinhos de corromperem a juventude norteamericana. Mas o tema é tratado com discrição pela DC Comics. E mesmo nas histórias de Rucka, a questão aparece de modo discreto.

Steve Trevor e a Mulher-Maravilha na arte de Jim Lee.

Steve Trevor e a Mulher-Maravilha na arte de Jim Lee.

Na entrevista, o autor ainda reforça que não é por amor a Steve Trevor que Diana deixa Themyscira, destacando que os personagens têm muito em comum e se apaixonam, mas o fator determinante é a curiosidade e necessidade da Princesa Amazona de conhecer o mundo exterior ou mundo do patriarcado.

Para Rucka, dizer que era por amor iria enfraquecer Diana como personagem.

Os sites estão comentando o tema e questionando se tal elemento terá implicações no filme solo da heroína.

A Mulher-Maravilha foi criada pelo psicólogo norteamericano William Moulton Marston e o desenhista H. G. Peters, aparecendo na revista All-American Comics 08, em 1941. A ideia de Marston era apresentar um arquétipo do força do feminino e, em segredo, explorar tendências sexuais não tradicionais à sociedade da época (como bigamia, lesbianismo e sadomasoquismo). A personagem fez bastante sucesso e se manteve sendo publicada até hoje pela DC Comics. Ela foi uma dos membros-fundadores da Liga da Justiça em 1960. A Mulher-Maravilha continua representando um símbolo da força das mulheres no mundo atual, sendo a mais icônica das super-heroínas.

 

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 01/10/2016, in DC Comics, Escritores, Mulher-Maravilha, Revistas. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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