Alan Moore: Escritor anuncia aposentadoria dos quadrinhos

Alan Moore: aposentadoria dos quadrinhos, mas continua produzindo.

Alan Moore: aposentadoria dos quadrinhos, mas continua produzindo.

Na verdade, não é nenhuma surpresa, mas a notícia está bombando na internet: o escritor Alan Moore (de Watchmen e V de Vingança) anunciou que está se aposentado dos quadrinhos. Segundo ele, seu foco será cada vez mais livros e cinema.

Ao jornal britânico The Guardian, Moore falou:

Tenho umas 250 páginas restantes de quadrinhos [a fazer]. E elas provavelmente serão muito agradáveis. Existem algumas coisas do press book de Avatar que estou fazendo no momento, e parte de um trabalho recente de HP Lovecraft. Kevin [O’Neill] e eu estamos terminando Cinema Purgatorio, e temos mais um livro, o final de A Liga Extraordinária, para completar. Depois disso, apesar de eu poder fazer pedaços de algum quadrinho no futuro, realmente terminei com os quadrinhos.

Moore é um dos escritores mais marcantes dos quadrinhos e sua saída de cena, claro, é algo a lamentar. Ele nasceu em 1953 em Northampton, na Inglaterra, e despontou no início dos anos 1980, no circuito de quadrinhos do Reino Unido, em revistas como Doctor Who Weekly e a famosa alternativa 2000 A.D. Em 1982, começou a escrever para a revista Warrior, na qual publicou duas séries que lhe rendeu seus primeiros prêmios e notoriedade: V de Vingança e Miracleman.

V de Vingança: obra bastante influente.

V de Vingança: obra bastante influente.

A primeira era um conto de ficção científica sobre um futuro não muito distante, na qual o Reino Unido era tomado por um regime fascista e controlado por um Estado com mão de ferro, sobre a qual se revolta um misterioso mascarado conhecido apenas como V. De bastante sucesso nos anos seguintes, a obra chegaria também ao cinema. Já Miracleman era um velho super-herói britânico, criado à imagem do Capitão Marvel (ou Shazam) da Fawcett Comics (e mais tarde, adquirido pela DC Comics). Miracleman foi a primeira obra de Moore no campo dos super-heróis e o escritor levou tudo para outro nível, com histórias complexas, adultas e perturbadoras. 

John Constantine foi criado por Moore.

John Constantine foi criado por Moore.

O autor chamou a atenção da DC Comics e deu início à chamada Invasão Britânica, quando esta editora trouxe vários talentos do Reino Unido para trabalhar em suas revistas, como Grant Morrison, Alan Grant e outros. A DC publicou V de Vingança nos EUA e Moore assumiu a revista do Monstro do Pântano, em 1984, dando origem a uma série bastante aclamada, focada nos dilemas existencialistas da criatura que é meio humana (será mesmo?) e meio planta. Foi nessa revista que criou o detetive sobrenatural John Constantine (em The Saga of The Swang Thing 37, de 1985), um personagem que faria bastante sucesso e seguiria na década seguinte como um dos mais cultuados da facção adulta da editora.

O Superman versus Mongul: conflito existencial por Alan Moore.

O Superman versus Mongul: conflito existencial por Alan Moore.

A DC explorou o talento do escritor em uma série de edições especiais de super-heróis, especialmente as edições Anuais, publicadas no verão, de personagens como Batman, Superman e Lanterna Verde. Com o último filho de Krypton, Moore escreveu duas de suas mais célebres aventuras: Ao Homem que Tem Tudo (Superman Annual 11, de 1985) e O Que Aconteceu com o Homem de Aço? (Superman 423; Action Comics 583, de 1986), esta última marcando a despedida do personagem da cronologia pré-Crise nas Infinitas Terras.

Os Watchmen na obra original. Arte de Dave Gibbons.

Os Watchmen na obra original. Arte de Dave Gibbons.

Em 1986, Moore começou a publicação de sua obra mais seminal nos quadrinhos: Watchmen, ao lado do desenhista Dave Gibbons, com 12 capítulos mensais. Na obra, que pode ser traduzida como Vigilantes, o escritor explora (tal qual já havia feito em Miracleman) qual seria o real impacto dos super-heróis no mundo real. A ideia da DC com a série era inserir os heróis da Charlton Comics (Capitão Átomo, Questão, Besouro Azul etc.) dentro do Universo DC (pois tinham comprado aquela editora), mas com a trama ousada e extrema de Moore, ficou acertado que ele usaria seus próprios personagens, deixando os da Charlton para outra oportunidade, criando assim Dr. Manhattan, Rorscharch, Coruja, Comediante, Ozzymandias, Espectral etc.

Watchmen foi um grande sucesso de público e crítica e foi a primeira obra de quadrinhos a ser realmente tomada à sério pela imprensa, chegando a ser listada desde então no ranking das mais vendidas do The New York Times. A maxissérie foi adaptada ao cinema em um filme sensacional e bastante fiel (embora, claro, mais conciso) lançado em 2009 e dirigido por Zack Snyder (de Batman vs. Superman – A Origem da Justiça).

A brutal cena com Barbara Gordon em A Piada Mortal.

A brutal cena com Barbara Gordon em A Piada Mortal. Arte de Brian Bolland. 

Em seguida, Moore lançou a graphic novel Batman: A Piada Mortal, em 1987, explorando a relação do cavaleiro das trevas com seu pior inimigo, o Coringa, numa das histórias mais chocantes do personagem. A obra foi bastante aclamada e serviu de inspiração (mais temática do que narrativa) ao filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan, de 2008, mas foi adaptada de modo mais literal como um desenho animado em longametragem com Censura 18 anos este ano.

Neste ponto, conflitos acerca dos royallities de Watchmen fizeram Moore romper definitivamente com a editora. Então, Moore deixou os super-heróis tradicionais definitivamente e passou a colaborar com editoras menores e independentes, produzindo ainda uma grande obra, como Do Inferno, Lost Girls, Promethea, Tom Strong e A Liga Extraordinária, esta última com aventuras de personagens famosos da literatura britânica e que também foi adaptada ao cinema, embora com um filme de pouquíssima qualidade. Do Inferno (um conto sobre a investigação contra Jack, o Estripador) também virou filme, estrelado por Johnny Depp.

Moore também investiu na literatura, com A Voz do Fogo, de 1996, e deve lançar seu segundo romance em breve: Jerusalém.

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 11/09/2016, in Biografias: Quadrinhos, DC Comics, Watchmen. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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