Resenha de Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida: ousado e divertido.

Esquadrão Suicida: ousado e divertido.

Um misto de curiosidade e perplexidade atinge o público em meio à estreia de Esquadrão Suicida, filme que adaptará as aventuras do grupo de vilões forçados a trabalhar para o Governo dos EUA em troca da redução de pena, publicado nas revistas da DC Comics e levado aos cinemas pela Warner Bros. dentro do mesmo universo ficcional de Batman e Superman. O que esperar de um filme desses? Leia a Resenha Crítica do HQRock! Desde que foi anunciado, Esquadrão Suicida é uma grande ousadia: um filme estrelado por vilões. Sem mocinhos. E não só isso: em seu corpo de membros, um único personagem é mais ou menos conhecido do grande público (embora amado pelos fãs de quadrinhos): a Arlequina. Para balancear, outro personagem do filme é um dos vilões mais icônicos de nossos tempos: o Coringa! Que resultado tem isso?

Esquadrão Suicida é um filme divertido e engraçado (no bom sentido), mas também carece de qualquer tipo de profundidade ou relevância. Então, se você busca diversão, terá. Se quer refletir sobre a natureza humana, o que nos faz malvados ou se há algum tipo de redenção… Bem, o longametragem só arranha a superfície. Todavia, a seu favor, não parece ser o tipo de filme em que a ausência de “conteúdo” atrapalha seu desfrute.

Pistoleiro e Arlequina: protagonistas.

Pistoleiro e Arlequina: protagonistas.

Nisso é diferente – para o melhor – do que Vingadores – Era de Ultron, por exemplo (leia nossa Resenha sobre este aqui). Ali, a ausência de uma “história” prejudicava a qualidade do filme. Talvez por sua natureza, novidade ou conjunto de personagens, isso não acontece com Esquadrão Suicida: o filme é diversão e aventura do início ao fim e pronto! Isso basta.

Entre seus pontos positivos, o filme consegue fazer com que o espectador se importe com os personagens e seja mesmo cativado por alguns deles. A história usa o típico artifício cinematográfico de “vamos ler os arquivos deles” para informar logo quem é quem dentre aquele mar de personagens, produzindo uma série de informações econômicas que dão um panorama do time antes dele ser formado. Aos mais importantes, é dada a oportunidade de estrelar um curto flashback, mostrando, geralmente, como esse criminoso foi capturado.

Rick Flag, o mocinho.

Rick Flag, o mocinho.

E é aí – e isso não é spoiler, pois está nos trailers – em que entram nossos heróis queridos: o Flash faz uma aparição rápida (desculpe o trocadilho) e o Batman tem um pouco mais de tempo de tela e algumas falas.

Depois, a trama vai aprofundar alguns deles e veremos mais detalhes sobre quem são e porque agem daquele jeito. Com isso, não há tempo de respirar e mergulhamos logo na ação, sem muitas delongas.

Ah, sim, abramos um parêntese para a trama (sem spoilers!): Amanda Waller (nunca sabemos exatamente qual é o seu cargo, mas parece ser a Secretária de Estado Maior, aquele que foi de Hillary Clinton há pouco tempo) consegue convencer o Conselho de Segurança a implantar um velho projeto chamado Força-Tarefa X, formado por grande criminosos para combater ameaças que as forças humanas comuns podem não conseguir dar conta. Num mundo povoado de metahumanos, pensa Amanda, vamos jogá-los uns contra os outros. Nesses criminosos são injetados miniexplosivos em seus pescoços, que explodirão caso desobedeçam qualquer ordem ou tentem fugir. Amanda controla esses explosivos, assim como o coronel Rick Flag, que será o líder de campo da equipe. Os criminosos escolhidos:

A Força-Tarefa X:

A Força-Tarefa X: Bumerangue, Arlequina, Pistoleiro, Katana. Rick Flag, Crocodilo e El Diablo.

  • Floyd Lawson, o Pistoleiro (Deadshot): o mais letal dos assassinos de aluguel do mundo. Nunca erra um tiro.
  • Harley Quinn, a Arlequina: nome verdadeiro, Dra. Harley Quinzel, ex-psiquiatra do Asilo de Arkham, que se apaixonou pelo Coringa e foi convertida em uma criminosa insana, assassina e extremamente perigosa.
  • George Harkness, o Capitão Bumerangue: ladrão australiano que usa bumerangues como arma e é um troglodita.
  • Chato Santana, El Diablo: capaz de gerar flamas e fogo.
  • Waylon Jones, o Crocodilo: criminoso que sofreu uma mutação e parece um crocodilo falante.
  • June Moon, a Magia: uma arqueóloga que foi possuída por uma velha deusa-bruxa extremamente poderosa.
  • Christopher Weiss, Slipknot: mestre em escaladas.

A trupe é liderada por Rick Flag, mas também conta com a ajuda de Katana, uma heroína japonesa que usa espadas como arma.

Os membros do Esquadrão Suicida não são, claro, tratados de modos iguais. Alguns são mera decoração (Slipknot, Bumerangue, Katana), outros crescem um pouco na trama (Crocodilo), e outros são vistos em maior profundidade.

O Pistoleiro em ação: eixo central do filme.

O Pistoleiro em ação: eixo central do filme.

Dentre os últimos, claro, o Pistoleiro de Will Smith tem bastante espaço, fazendo um assassino de aluguel que gosta do que faz, e não tem peso na consciência, mas tem algo que o prende à realidade na figura de sua filha. Isso é o mote para seu arco, que envolve ponderar sobre se vale à pena se submeter às condições da Força-Tarefa X. Smith é um bom ator e tem carisma, de modo que seu personagem funciona bem e é o grande eixo central do filme inteiro.

Arlequina: a melhor coisa do filme!

Arlequina: a melhor coisa do filme!

Mas quem vai cativar mesmo a audiência é, sem sombra de dúvidas, a Arlequina. Representada com naturalidade por Margot Robbie, a atriz dá um show, como uma criminosa totalmente maluca e engraçada, ao mesmo tempo em que é uma assassina mortal. Seu humor corta o filme inteiro, sendo sempre aquele alívio de tensão, mas sempre nas horas certas, sempre funcionando. Parece um daqueles papeis de “virada de carreira” e será muito justo. É a melhor coisa do filme.

Sua origem é mostrada ao longo do filme, em recortes de flashback, e várias vezes entramos em sua cabeça para ver “seu mundo”, enquanto sua paixão pelo Coringa é algo fascinante de ver.

Surpreendendo as expectativas, o personagem El Diablo também tem um bom peso na trama, especialmente no terço final, e se sai muito bem.

Amanda Waller (ao centro): pior do que os vilões?

Amanda Waller (ao centro): pior do que os vilões?

A dinâmica entre os personagens explora a temática da “honra entre ladrões” e isso é bem interessante, embora só se desenvolva efetivamente na parte final do longa. Se há algum tipo de mensagem no filme, seria esta e é importante: até que ponto as ações “legítimas”, legais, operadas pelas instâncias de poder (no caso, especialmente, de Amanda Waller) são realmente diferentes daquelas perpetradas por criminosos que agem “contra o sistema“, como Pistoleiro e Arlequina? É torno disso que gira, por exemplo, o arco dramático de Rick Flag, que é um “pau mandado” de Waller e se põe com um ar de superioridade perante os “vilões malditos” que lidera, mas vai precisar relativizar sua postura ao longo da trama.

A assustadora Magia.

A assustadora Magia.

Entre os problemas de Esquadrão Suicida, estão a velocidade e o desenvolvimento. A edição do filme é rápida demais, o que deixa várias cenas meio confusas. As origens dos personagens dão uma ideia de quem são, mas também ocorrem velozmente, deixando passar várias coisas. O tom escuro nos cenários e roupas enquanto vários personagens se movimentam ao mesmo tempo em cenas de ação deixam tudo um pouco difícil de acompanhar. Embora não exista uma “trama” propriamente para acompanhar, algumas cenas (principalmente de ação) ficam sem resolução clara aos olhos do espectador.

Quanto ao desenvolvimento, embora o filme se beneficie da velocidade para mascarar a ausência de “peso”, por outro lado, os motivos que fazem a trama andar são os pontos mais fracos de tudo. A ameaça contra a qual o Esquadrão Suicida se lança é algo que só funciona se não pensarmos nela. O lance de magia muitas vezes é uma “saída rápida” para resolver determinados problemas de roteiro ou desenvolvimento, mas não ficamos satisfeitos com isso. Talvez um outro tipo de ameaça funcionasse melhor para a história e os personagens.

O Coringa : desperdício?

O Coringa : desperdício?

Por fim, também ligado ao desenvolvimento está o tratamento de um personagem em específico: o Coringa. O palhaço do crime faz a trama andar em vários momentos – seja na origem e nas memórias da Arlequina, que a fazem se formar como personagem propriamente dito; seja em sua busca de resgatá-la das mãos do Governo – porém, jamais tem um momento seu. Assim, o Coringa é uma mera escada para a trama e não é aprofundado em nenhum momento.

Muito embora do ponto de vista social seja interessante ver o Coringa só servindo (num filme) como escada para a Arlequina, dando mais destaque à personagem feminina do que à masculina; por outro lado, ter um personagem icônico como ele – o maior vilão da história do cinema, tendo apenas, talvez, Darth Vader como equivalente – e um ator do quilate de Jared Leto interpretando-o, é até certo ponto de vista, um desperdício não lhe dar mais espaço, mais tempo de tela, mais história. Talvez, seja apenas uma espiada pela fechadura para vermos o Coringa com mais fôlego nos filmes solo do Batman? Tomara que sim. Se não for, que pena…

Pistoleiro e Arlequina: saldo positivo.

Pistoleiro e Arlequina: saldo positivo.

Mas para finalizar com um tom positivo, Esquadrão Suicida é um bom filme, é bastante divertido e entrega personagens muito interessantes – com total destaque à Arlequina – fazendo um longametragem que, em sua estrutura e trama, realmente, parece demais com uma história em quadrinhos.

Se seu tom escuro, sombrio, de humor negro, personagens disfuncionais (e desconhecidos em sua maioria) irá cativar o grande público, ainda é um mistério. Mas veremos nas próximas semanas.

E dois recados: 1) o filme não tem uma cena pós-créditos, mas tem uma daquelas cenas “no meio dos créditos”, que aponta para o futuro do Universo DC e vale à pena; 2) um dos prédios com importância na trama se chama algo como The John Ostrander Financial Building, que traz o nome do criador do Esquadrão Suicida nas HQs.

***

Em Esquadrão Suicida, após os eventos de Superman – O Homem de Aço e Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, o Governo dos EUA decide criar a Força-Tarefa X, uma operação secreta que envolve colocar supercriminosos em missões suicidas, em troca de diminuições de penas, contra ameaças impossíveis de combater. A ideia é da durona Amanda Waller, que põe como líder de campo o coronel Rick Flag, que seleciona um time com alguns dos mais habilidosos criminosos: Pistoleiro, Arlequina, Capitão Bumerangue, El Diablo, Crocodilo, Slipknot, e a heroína Katana. Aparentemente, a primeira missão do Esquadrão Suicida será deter a ameaça da arqueóloga June Moon, que foi possuída por uma força mística maligna, conhecida apenas como Magia. Enquanto isso, o Coringa elabora um plano de retomar o controle sobre Arlequina, sua ex-amante. Batman e Flash fazem participações especiais.

Suicide Squad, o filme, é escrito e dirigido por David Ayer e o elenco traz: Will Smith (Floyd Lawson/Pistoleiro), Margot Robbie (Harleen Quinzel/ Arlequina), Jared Leto (Coringa), Viola Davis (Amanda Waller), Joel Kinnaman (coronel Rick Flag), Cara Delevingne (June Moon/Magia),  Jai Courtney (George “Digger” Harkness/Bumerangue), Jay Hernandez (Chato Santana/ El Diablo), Karen Fukuhara (Tatsu Yamashiro/ Katana), Adewale Akinnuoye-Agbaje (Waylon Jones/ Crocodilo), Scott Eastwood (Tenente GQ Edwards), Adam Beach (Christopher Weiss/ Slipknot), Jim Parrak (Frost), Common (Monster T), Ike Barinholtz (Griggs), com participação especial de Ben Aflleck (Batman/ Bruce Wayne) e Ezra Miller (The Flash). As gravações ocorreram em Toronto, no Canadá. A estreia no Brasil foi em 03 de agosto de 2016, dois dias antes dos EUA.

Chegou a existir um time com o nome de Esquadrão Suicida na DC Comics em 1959, contudo, a encarnação mais famosa da equipe foi criada pelo roteirista John Ostrander (com desenhos de John Byrne) para a edição 03 da minissérie Legends, em 1987. Em seguida, o grupo ganhou até revista própria, sendo desde então, uma parte importante do Universo DC. Em live action, o grupo já apareceu nas séries de TV SmallvilleArrow.

 

 

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 04/08/2016, in DC Comics, Esquadrão Suicida, Filmes, Resenhas. Bookmark the permalink. 1 Comentário.

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