DC Comics: Saga Rebirth muda (outra vez) o status quo do Universo DC e traz revelações chocantes

Banner de Rebirth por Jim Lee.

Banner de Rebirth por Jim Lee.

A editora DC Comics lançou esta semana a edição especial DC Rebirth 01, que dá a largada da nova fase do universo ficcional de Superman, Batman, Mulher-Maravilha e companhia, encerrando a etapa Os Novos 52 que transcorre desde 2011. A edição, escrita por Geoff Johns (famoso escritor que também é o Diretor Criativo da DC Entertainment, a empresa guarda-chuva da editora; e agora também é o chefão da DC Films, responsável pelos filmes desses heróis) muda o status quo do Universo DC e traz grandes e chocantes revelações sobre aquele mundo.

Atenção! O post a seguir está repleto de GRANDES SPOILERS! Se não quer saber sobre eventos que irão demorar para ser publicados no Brasil não leia. Você foi avisado!

(Aviso aos iniciantes: A cronologia da DC Comics vem sendo alterada por reboots [reinícios] de seu Universo Ficcional. A primeira grande mudança foi a saga Crise nas Infinitas Terras, de 1985, que criou um universo coeso para a DC e seus muitos personagens, com as versões mais famosas de Batman, Superman & cia. Mas várias outras mudanças – maiores ou menores – ocorreram ao longo do tempo, como Zero Hora e Crise Infinita. Por fim, após a saga Flashpoint [Ponto de Ignição, no Brasil], surgiu um novo grande reboot: Os Novos 52, onde os personagens da DC rejuvenesceram à idade de 20 e poucos anos, ganharam novos visuais e novas origens).

Listamos a seguir algumas das muitas mudanças explicadas (?) pela edição:

Capa oficial de Rebirth 01. De quem é essa mão?

Capa oficial de Rebirth 01. De quem é essa mão?

Embora os envolvidos, como Johns e o editor Dan Diddio, tenham afirmado que Rebirth não se trata de um reboot, na prática o é, pois muda a realidade do Universo DC (sim, outra vez) e coloca um status quo diferente. Não sabemos exatamente o quanto diferente, mas já temos pistas.

O universo ficcional de Watchmen, a aclamada maxissérie escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons, que foi lançada em 1986 e é classificada como uma das maiores obras-primas já produzidas nas histórias em quadrinhos, está sendo amalgamando ao Universo DC tradicional. Até então, os personagens de Watchmen sempre estiveram resguardados ao seu próprio mundo específico, nunca interagindo com outros personagens. Na verdade, até poucos anos atrás, era uma obra autocontida, restrita às suas 12 edições, até ganhar uma adaptação cinematográfica em 2009 e, pouco depois, ter pela primeira vez histórias inéditas com seus personagens, em meio ao avento Before Watchmen (Antes de Watchmen) que narrava de modo detalhado as origens dos personagens que eram rapidamente descritas na obra original.

Agora, Rebirth dá a entender que o Universo DC, especificamente o universo de Os Novos 52, foi criado pelo Dr. Manhattan, um ser hiperpoderoso que pode manipular as moléculas da realidade. Em Watchmen, o personagem percebe que, por causa de seu poder, não há lugar para ele na Terra e abandona o planeta disposto a viver em Marte e até mesmo tentar criar novas formas de vida. Pois, parece que ele fez isso. Muito provavelmente, é dele a misteriosa mão que aparece na capa de Rebirth 01.

O "velho" Superman está vivo e encontra... o Sr. Oz.

O “velho” Superman está vivo e encontra… o Sr. Oz.

A trama de Rebirth 01 também dá a entender que o Universo DC pré e pós-Os Novos 52 ou estão se fundindo ou não são exatamente duas realidades separadas. Um dos personagens (quem é revelaremos abaixo) chega a afirmar que 10 anos daquela realidade primeira foram “roubados” (por isso os heróis da DC são mais jovens em Os Novos 52?). Por isso, a história mostra o Superman pré-Os Novos 52 (mais velho do que sua contraparte atual) de volta, usando barba e vivendo escondido com Lois Lane enquanto tenta entender esse novo mundo. O jovem Superman de Os Novos 52 está morto (!) – aparentemente como consequência da saga The Darkseid Wars que sequer terminou de ser publicada – e esse “velho” Superman tenta entender o que está acontecendo.

O “velho” Superman também se encontra com um ser misterioso que está espionando tudo e se apresenta como Mr. Oz e pode apostar que é Ozmandias, um dos personagens de Watchmen. Também aparece um outro indivíduo ruivo e sem rosto que é muito provavelmente o vigilante Rorschach, muito embora este termine morto na história de Watchmen.

Batman e os três Coringas. Heim?

Batman e os três Coringas. Heim?

Outra revelação bombástica (e não explicada) é que agora existem três Coringas. Isso mesmo, o palhaço do crime é, na verdade, três indivíduos diferentes. Meses atrás, em uma aventura da Liga da Justiça, Batman ocupou a Poltrona Moebius, usada por Metron, um artefato que dá ao usuário acesso a todo o conhecimento existente no Universo. A primeira coisa que o homem-morcego fez foi perguntar qual o nome verdadeiro do Coringa e se surpreender com a resposta. Agora, Rebirth revela que são três pessoas diferentes e os quadros revelam, aparentemente, estes sendo o Coringa original dos anos 1940 (criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson); a versão mais psicótica de A Piada Mortal (uma graphic novel escrita por Alan Moore e desenhada por Brian Bolland, que está sendo adaptada como um longametragem em desenho animado com Censura 18 anos – saiba mais aqui); e a versão de Os Novos 52, desenvolvida por Scott Snyder e Greg Capullo.

Se são três indivíduos agindo ao mesmo tempo ou três pessoas que se sucederam nesse papel não está claro. Também não sabemos qual a implicação disso e, principalmente, como Batman sendo o maior detetive do mundo nunca percebeu isso.

O novo Wally West.

O novo Wally West.

Por fim, outra grande mudança de Rebirth é trazer de volta Wally West, o jovem que já ocupou a identidade de Flash e é um dos personagens mais queridos do Universo DC especialmente entre os leitores da geração 1980-90. (Rápida explicação: originalmente, Wally era o Kid Flash, o parceiro mirim do Flash [Barry Allen], mas no primeiro grande reboot da DC, Crise nas Infinitas Terras, o Flash morre para salvar a realidade; e Wally ocupa o seu lugar como o novo Flash. Ele passou alguns anos no “cargo” e fez bastante sucesso até o desgaste da fórmula, já nos anos 2000. É esta versão que está, por exemplo na famosa Liga da Justiça – A Série Animada. Depois, os escritores trouxeram Barry Allen de volta dos mortos e ele voltou a ser o Flash, sendo um expoente de Os Novos 52 e tendo sua série de TV).

Desde o início, Os Novos 52 excluiu Wally West de seu rol de personagens. Ele não deu as caras até muito recentemente, quando foi apresentada uma versão afrodescendente do jovem herói (que já ganhou também uma versão na série de TV na mesma linha). Contudo, os fãs ficaram bastante decepcionados, porque apesar do nome, o novo Wally West, que virou o Kid Flash, não é nada similar à sua versão anterior. Então, para tornar tudo ainda mais confuso (e pior?), Rebirth reapresenta Wally West em sua versão original, ruiva e caucasiana, usando o uniforme amarelo que detinha antes de se tornar o Flash e era membro da equipe Os Novos Titãs, de bastante sucesso nos anos 1980. Wally vem da Terra pré-Os Novos 52 e é ele quem fala dos tais “10 anos roubados”.

Ao longo da edição especial, Wally passa a usar um novo uniforme vermelho e é reconhecido por Barry Allen. De algum modo, os dois Wally Wests continuarão existindo concomitantemente. As explicações que circulam é que eles não são o mesmo personagem, apenas dois primos distantes (isso mesmo: primos distantes!) que detêm o mesmo nome (em homenagem ao avô comum ou algo assim). É, é tão ruim quanto parece.

Várias outras mudanças estão acontecendo, a personagem Jessica Cruz se torna uma nova Lanterna Verde, ampliando para seis (!) o número de membros da Tropa dos Lanternas Verdes representativos da Terra. Os outros são o principal Hal Jordan e seus companheiros: John Stewart, Guy Gardner, Kyle Rayner e o novato (criado em 2011) Simon Baz. Claro que a DC quer aumentar a diversidade étnica de seus heróis – Cruz é latina, Baz é muçulmano – mas seis Lanternas Verdes na Terra?!

Mais uma vez, a DC alterna a sua “realidade” e causa frustração e raiva em seus leitores. O que eles pretendem com isso? Essas empreitadas agregam mesmo valor aos personagens? Os novos leitores que surgem no estardalhaço das notícias iniciais se mantêm como consumidores das revistas? É uma ação inteligente ficar fazendo reboots a cada cinco anos?

Respondam o que acham, leitores.

Poster de Rebirth.

Poster de Rebirth.

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 26/05/2016, in Batman, DC Comics, Dossiês de Personagens, Escritores, Flash, Lanterna Verde, Revistas, Superman, Watchmen. Bookmark the permalink. 5 comentários.

  1. Acho que é um caminho sem volta para a DC, Irapuan. Eles criaram um ótimo conceito nos 50s, o multiverso, que era coerente e elástico o suficiente para acomodar crossovers e sagas a bel-prazer sem comprometer desnecessariamente nenhuma linha narrativa, mas resolveram que isso não funcionava mais e fizeram um excelente reboot diga-se de passagem, a primeira Crise. O universo DC tornou-se coeso porém mais engessado, e as tentativas de modificar esse status quo foram sucessivamente cada vez menos relevantes. Agora parece que só resta robootar periodicamente e ficar por mais tempo possível com as narrativas que derem mais certo, caso do Batman até pouco tempo, e trocar periodicamente as outras que não funcionam, caso do Superman. Ao contrario do universo Marvel que cresceu organicamente a partir da mente de Stan Lee, o universo DC aparentemente sempre foi uma colcha de retalhos costurados à medida da necessidade…

    • Você tem razão, Jorge. Mas é muito chato esse negócio de reboot a cada cinco anos. O Universo DC é tão rico… Poderiam focar menos na obsessão com cronologia e contar melhores histórias. Porque com reboot lá vem novas origens e contar de novo as mesmas velhas histórias. Queremos algo novo.

      Um abração!

  2. PS: acabei de ler Rebirth e gostei – fora a arte estupenda que ficou nas mãos dos melhores da DC (Gary Frank, Phil Gimenez, Ivan Reis) – Geoff Johns consegue resumir 50+ anos de (des)continuidade da DC em poucas páginas com coerência e a estória flui bem, qdo menos se percebe já se está no gancho final, que pode mesmo não agradar a todos…

  1. Pingback: Flash: Grant Gustin revela o título do primeiro episódio da terceira temporada e traz uma grande história | hqrock

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