Darwyn Cooke: morte por câncer.
Darwyn Cooke: morte por câncer.

Notícia triste aos fãs dos quadrinhos. Morreu ontem o desenhista canadense Darwyn Cooke, famoso por sua arte de estilo retrô e grande talento para narração gráfica. Ele também escrevia suas histórias e produziu alguns clássicos recentes, como a minissérie A Última Fronteira, com uma aventura da Liga da Justiça da editora DC Comics. Cooke tinha apenas 53 anos e foi vítima de um tipo agressivo de câncer.

Nascido na cidade de Toronto, no Canadá, em 1962, Darwyn Cooke começou a carreira como design gráfico e trabalhando na imprensa canadense, até tentar ingressar no mercado de quadrinhos, sua grande paixão, em 1985, embora tenha produzido um mínimo de material, não achou oportunidades promissoras. Só voltaria às HQs anos depois e por uma outra via: as animações. Atendendo a uma chamada de emprego, terminou trabalhando como artista de storyboard para Batman – A Série Animada, comandada pelo artista Bruce Timm e levada à TV pela Warner Bros. e a DC Comics. Cooke permaneceu como um artista importante do estúdio, trabalhando também em Superman – A Série Animada e Batman Beyond, com a versão futura do homem-morcego, da qual também foi o animador da abertura.

A fantástica arte retrô de Cooke para a LIga da Justiça.
A fantástica arte retrô de Cooke para a LIga da Justiça.

Na ocasião, a arte de Cooke começou a chamar a atenção da DC Comics, que publicou a primeira história importante do artista: a graphic novel Batman: Ego, em 2000. Em seguida, o artista conseguiu algum trabalho na concorrente Marvel Comics, como em X-Factor e na revista “indie” do Homem-Aranha Spider-Man: Tangled Web, mas foi na DC onde realmente desenvolveu sua carreira. Em 2001, foi convidado pelo escritor Ed Brubaker para produzir uma série de aventuras secundárias da Mulher-Gato, publicadas na revista do Batman Detective Comics, entre os números 759 a 762, nas quais aparecia em destaque o personagem do detetive Slam Bradley (um antiquíssimo personagem, criado pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster para a DC Comics ainda antes do Superman). A arte de estilo retrô de Cooke casou perfeitamente com a narrativa detetivesca de Brubaker.

O sucesso daquelas histórias levou ao lançamento de uma nova revista da Mulher-Gato ainda em 2001, com Brubaker e Cooke, na qual o visual da anti-heroína foi reformulado. Infelizmente, Cooke ficou apenas os 04 primeiros números, partindo para fazer a graphic novel Selina’s Big Score, que era um tipo de prelúdio ao material que desenvolveu com Brubaker, que saiu em 2002.

A Última Fronteira: uma das melhores histórias da Liga da Justiça.
A Última Fronteira: uma das melhores histórias da Liga da Justiça.

Em seguida, fez seu grande trabalho para a editora em DC: A Última Fronteira, uma fabulosa minissérie em 06 partes publicadas em 2004, na qual situa o surgimento dos heróis da DC Comics nos anos 1950, tendo como pano de fundo a Guerra Fria e a corrida espacial. Era uma obra sensacional, com forte caracterização dos personagens, explorando novas dimensões e casando-os de modo impressionante ao contexto histórico e fazendo grandes referências aos aspectos editoriais da DC Comics: por exemplo, na trama, os heróis como Flash, Lanterna Verde e Caçador de Marte vão surgindo no mesmo tempo histórico em que foram criados nas HQs, ou seja, no fim dos anos 1950, até nos mesmos meses.

O Spirit por Cooke.
O Spirit por Cooke.

A obra lançou um espírito clássico e saudosista muito interessante à imagem da Liga da Justiça, reforçando seu aspecto icônico. A Última Fronteira seria mais tarde adaptada como um desenho animado em longametragem da Liga da Justiça muito bom, da qual Cooke também foi produtor e coroteirista ao lado de Stan Berkowitz, lançado no mercado doméstico em 2006.

Em 2005, Cooke ganhou o Prêmio Eisner de Melhor Histórica Única pelo número 05 do projeto Solo, no qual traz uma história de Slam Bradley. Em 2006, Cooke ganhou mais notoriedade pelo crossover entre Batman e o personagem de Will Eisner, The Spirit, que foi escrito por Jeph Loeb, o que serviu de ponto de partida para a produção de uma nova leva de histórias próprias do Spirit, com texto e arte de Cooke, pelo qual foi premiado pelo Prêmio Joe Shuster de melhor desenhista.

Em seguida, fez os seis primeiros números da revista Superman: Confidencial, focada em aventuras que se passavam nos primeiros anos de carreira do herói.

Os Minutemen na arte de Darwyn Cooke.
Os Minutemen na arte de Darwyn Cooke.

Entre 2009 e 2012, o artista trabalhou em várias graphic novels para a editora IDW, adaptando as histórias de Richard Stark’s Parker: The Hunter, e voltou à DC Comics para o projeto especial Before Watchmen, publicado entre 2011 e 2013, focado em criar prelúdios para a famosa e aclamada história de Alan Moore, Watchmen, lançada originalmente 1985. Cooke escreveu e desenhou a minissérie Antes de Watchmen: Minutemen, pautada nos Minutemen, o grupo de heróis que teria surgido em 1940, detalhando suas histórias. Ele também escreveu (mas não desenhou) a minissérie Antes de Watchmen: Espectral, com as aventuras da heroína que herda o “cargo” da mãe nos anos 1960.

No último dia 13 de maio, a esposa de Cooke publicou uma nota oficial à imprensa informando que o desenhista estava iniciando um “tratamento paliativo” contra um câncer muito agressivo, mas o artista veio a falecer já no dia seguinte.

Com Darwyn Cooke morre também uma parte do estilo retrô, clássico e icônico tão forte às HQs e, particularmente, aos heróis da DC Comics.

 

 

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