Resenha de Capitão América – Guerra Civil

Guerra Civil: espetacular!

Guerra Civil: espetacular!

Carregado de expectativas, chega aos cinemas Capitão América – Guerra Civil, sequência de Capitão América 2 – O Soldado Invernal e fecho da trilogia das aventuras-solo do herói criado pela Marvel Comics, levado aos cinemas pelo Marvel Studios e Disney Company. E o que dizer do filme? Veja a Resenha Crítica do HQRock!

Para começo de conversa: Guerra Civil é espetacular! Talvez, o melhor filme da Marvel até agora, sem exageros. É incrível como o estúdio consegue equilibrar ação e drama de um modo tão convincente. Além disso, a grande quantidade de personagens é um grande desafio, mas o longametragem sabe usar isso também.

Guerra Civil guarda muito daquele clima sério e duro de O Soldado Invernal com cenas de ação espetacular e lutas muito duras, rápidas e cheias de movimentos de encher os olhos. É importante ressaltar este último aspecto, pois parece que ninguém mais consegue cenas de lutas melhores nos filmes de HQ do que os diretores Joe e Anthony Russo. É como ver uma história em quadrinhos em movimento de verdade.

Mais íntimo.

Mais íntimo.

Outro ponto interessante é que Guerra Civil é ainda menos espetaculoso do que O Soldado Invernal. Não há um terceiro ato carregadíssimo de explosões, prédios caindo, naves em chamas e população caindo e morrendo. É um final mais íntimo, com uma luta mano a mano, mas com um impacto muito maior e duradouro, porque tem drama de verdade. E funciona muito melhor, acredite.

Esta talvez seja a chave do sucesso do filme. Ao contrário de Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, a oposição entre Capitão América e Homem de Ferro é muito mais eficaz e tem mais apelo ao público. E sabe por quê? Porque o público conhece esses personagens há anos, vivencia suas desventuras e se importa com eles. Para completar, Guerra Civil constrói uma trama muito bem amarrada que vincula de modo emocional o conflito entre os dois heróis.

Soldado Invernal: uma das molas da trama.

Soldado Invernal: uma das molas da trama.

Desde Os Vingadores, a Marvel explora as diferenças nítidas entre Steve Rogers e Tony Stark. Os dois discutem ali e também em Vingadores – Era de Ultron, e vamos percebendo como são diferentes. Isso torna muito mais crível quando os dois passam a discordar sobre O Tratado de Sokovia, organizado pela ONU e assinado por 117 países, que impõe sanções aos Vingadores, restringindo suas ações à obediência das agências internacionais.

O time do Capitão.

O time do Capitão.

Contudo, enquanto a trama de Guerra Civil em sua versão original nas HQs é essencialmente política, movida por ideologias, nos cinemas, a disputa é também pessoal. E o motivo desagregador é o Soldado Invernal, ou seja, Bucky Barnes, o amigo de infância de Steve Rogers que sofreu lavagem cerebral e virou um frio assassino nas mãos da União Soviética e, depois, da HIDRA.

Como os trailers já deixam claro, há um novo incidente internacional envolvendo os Vingadores e isso volta a opinião pública contra eles. Já piora bastante o fato de Tony Stark ter sido o criador de Ultron, que causou a grande destruição de Vingadores – Era de Ultron, culminando no país de Sokovia ser arrasado.

Neste sentido, muito mais do que nos filmes anteriores do Capitão América, Guerra Civil é uma sequência direta de Era de Ultron, pois aquele lida com as consequências deste de um modo muito direto e humano.

Zemo, o vilão.

Zemo, o vilão.

Claro, há uma mente criminosa por trás de tudo e não é spoiler dizer que o responsável é Helmut Zemo, que tem ligações estreitas com o incidente de Sokovia. O roteiro constrói um personagem surpreendente para Zemo, com uma motivação muito clara, um plano genial, mas ao mesmo tempo, uma construção muito humana e íntima do personagem. É muito interessante.

O apelo à humanidade, à intimidade e a uma trama menos fantasiosa do que a maioria dos filmes da Marvel é muito bem-vinda e funciona maravilhosamente.

Pantera Negra: destaque.

Pantera Negra: destaque.

Claro que os fãs querem ver o conflito estabelecido entre os Vingadores e não ficarão desapontados. A batalha do Aeroporto, que já vimos um vislumbre nos trailers é sensacional e explora bem os poderes e potencialidades de cada um dos personagens e as oposições entre eles. A trama também guarda várias referências à HQ em que se inspira e reprisa algumas situações adaptando-as à realidade do filme.

Na sessão em que assisti, o público ovacionou o filme várias vezes e duas delas foram direcionadas às primeiras aparições do Pantera Negra e do Homem-Aranha, as duas grandes novidades. O Pantera Negra, T’Challa, é o herdeiro do trono da nação de Wakanda, na África, a grande fonte de vibranium, o metal raríssimo do qual é feito o escudo do Capitão América. Jovem, impulsivo e resistente à política, T’Challa, tem uma caracterização forte na trama e uma agenda própria no filme, que torna sua vinculação ao time de Tony Stark muito fluida.

As cenas de luta do Pantera Negra são sempre impressionantes, pois exploram sua agilidade e os movimentos baseados nos animais que lhes são próprios.

Homem-Aranha.

Homem-Aranha.

Já o Homem-Aranha faz uma participação menor, mais concentrada, mas o filme encontra um motivo crível para seu envolvimento. Temos que ser honestos: o filme não precisa dele. E poderia muito bem passar sem sua inclusão. Mas a Marvel quis ser “justa” à HQ original e aproveitar a oportunidade para reinserir o personagem nos cinemas em uma nova abordagem, agora ao lado do universo ficcional dos Vingadores.

A representação de Peter Parker é excelente, embora curta, mas temos um preâmbulo de sua vida, de sua personalidade e de sua relação com a Tia May, esta numa abordagem incrivelmente jovem. “Há tias de todas as idades e formatos”, ela diz ao galanteador Tony Stark. A entrada do Homem-Aranha na história tem um motivo e termina funcionando.

E no fim das contas, a participação dele na luta termina sendo muito interessante ao mesmo tempo em que serve de alívio cômico, claro.

Vingadores: personagens com propósito.

Vingadores: personagens com propósito.

Falando nisso, é impressionante como os irmãos Russo e o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely conseguem dar um sentido a cada um dos muitos personagens. Cada um dos Vingadores do filme tem um momento seu para brilhar, seja por meio da ação, seja por meio de diálogos. Cada um tem um proposito, dilemas e dramas. Assim, vemos o Visão se adaptando ao mundo, a Feiticeira Escarlate lidando com seus poderes, a Viúva Negra encarando suas opiniões etc.

Tony Stark: drama profundo.

Tony Stark: drama profundo.

Com isso, o Tony Stark de Robert Downey Jr. tem espaço de sobra para se desenvolver e poderíamos dizer que – paralela à representação de Homem de Ferro – o ator nos entrega a melhor aparição de seu ilustre personagem. Desta vez, Stark tem um drama real com o qual lidar e, divido entre o sentimento de culpa por Ultron, a pressão política por cumprir o Tratado de Sokovia, a rivalidade-amizade com Steve Rogers e o drama pessoal envolvendo o Soldado Invernal, fazem sua interpretação ser profunda e brilhante.

Capitão e Soldado Invernal.

Capitão e Soldado Invernal.

Mas não se esqueça, este é um filme do Capitão América. E é mesmo. Não se engane com a trama baseada na Guerra Civil ou a presença da maioria dos Vingadores ativos. Steve Rogers é o centro e o coração da obra o tempo inteiro. Tudo é visto por seus olhos e é a partir dele que a trama se desenvolve.

Vemos os dilemas de Rogers, suas tentativas de se adaptar ao mundo e, principalmente, vemos o personagem ter que confrontar suas crenças e ideais em uma situação na qual quase todo mundo lhe diz que seu ponto de vista está errado. Mas ele acredita fielmente neste ponto de vista. O que fazer? Se render? Se entregar? Ou seguir lutando?

Steve Rogers: ótima interpretação.

Steve Rogers: ótima interpretação.

Chris Evans, como sempre, entrega uma ótima interpretação do personagem. Este ator é subvalorizado, infelizmente, mas faz um trabalho excelente criando um Steve Rogers na qual todas essas questões são transparentes e nítidas.

O filme também mostra o mundo ao redor de Steve Rogers, com sua relação de amizade com Bucky Barnes sendo posta em cheque como nunca; sua aliança com Sam Wilson, o Falcão, cada vez mais forte; sua afinidade com a Viúva Negra; e, também, o início de uma relação mais próxima com Sharon Carter, personagem que, nas HQs, é sua namorada principal.

Steve e Sharon: alguma chance.

Steve e Sharon: alguma chance.

Guerra Civil mostra que a Fase 3 do Marvel Studios veio para abalar estruturas e buscar novos rumos. A próxima parada dos maiores heróis da Terra será numa abordagem, aparentemente, totalmente diferente: saindo do realismo de Guerra Civil para a batalha cósmica contra Thanos em Vingadores – Guerra Infinita Parte 1 e 2. Como os irmãos Russo irão se sair nessa nova seara? É esperar para ver.

De qualquer modo, o expectador verá que ao fim de Guerra Civil algumas coisas mudaram e ficamos muito interessados em saber como esses desdobramentos irão dialogar com a trama cósmica de Thanos.

E por fim, não esqueça: o filme tem duas cenas pós-créditos, uma no início, outra no fim e vale à pena assistir-las.

Uma curiosidade: os créditos também informam que uma pequena parte do filme foi gravada no Brasil, mas não temos a mínima ideia de qual. Nem onde. [Atualizado: A cena no Brasil foi filmada nas Cataratas do Iguaçu e está presente em uma das cenas pós-créditos. Não diremos o que é para não cairmos em spoilers, mas é muito interessante pensar que nosso país pode voltar a ser locação dos filmes da Marvel, depois de ter abrigado uma parte considerável de O Incrível Hulk, de 2008. Fim da Atualização].

O Tratado de Sokovia.

O Tratado de Sokovia.

Captain America – Civil War tem direção dos irmãos Joe Anthony Russo e roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeelyO elenco tem Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Robert Downey Jr.(Tony Stark/ Homem de Ferro), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff/ Viúva Negra),  Sebastian Stan (Bucky Barnes/Soldado Invernal), Anthony Mackie (Sam Wilson/Falcão), Frank Grillo (Brock Rumlow/ Ossos Cruzados) Daniel Brühl (Barão Zemo), Emily VanCamp (Sharon Carter/ Agente 13), Jeremy Renner (Clint Barton/ Gavião Arqueiro), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff/ Feiticeira Escarlate), Paul Bettany (Visão), Paul Rudd (Scott Lang/ Homem-Formiga), Don Cheadle (Coronel Jim Rhodes/ Máquina de Combate), Chadwick Boseman (T’Challa/ Pantera Negra), William Hurt (General Thaddeus Ross), Martin Freeman (Everett K. Ross), com participação especial de Tom Holland (Peter Parker/ Homem-Aranha), Marisa Tomei (May Parker), John Slaterry (Howard Stark) e Hayley Atwell (Peggy Carter). O longametragem é o primeiro da Fase 3 do Universo Marvel nos Cinemas. A estreia no Brasil foi em 28 de abril de 2016, uma semana antes dos EUA em 06 de maio.

O Capitão América foi criado por Jack Kirby e Joe Simon em 1941 e foi o maior sucesso dos anos iniciais da Marvel Comics. Após muitos anos sem ser publicado, foi resgatado para as histórias modernas em Avengers 04, de 1964, por Stan Lee e Jack Kirby, numa história dos Vingadores, grupo que passou a liderar a partir de então.

 

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 29/04/2016, in Capitão América, Filmes, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Marvel Comics, Marvel Studios, Resenhas, Vingadores. Bookmark the permalink. 4 comentários.

  1. Olá Irapuan! Só pude ver Guerra Civil neste último fds, então mesmo atrasado segue o veredito: perfeito! Um dos 3 melhores filmes da Marvel, senão o melhor como muitos acham. Apesar da pletora de personagens, todos estão bem representados e evoluídos ao longo de uma trama densa porém coesa e fluida, e todas as cenas de ação são maravilhosas, com destaque óbvio para o aeroporto e a batalha final. O vilão é fraco mas serve ao propósito, até pq nem se trata essencialmente de um conflito com algum inimigo mas de outro mais grave, a cizânia entre amigos. Como vc bem disse, traduz perfeitamente para a telona o prazer de ler uma daquelas edições épicas cheias de diálogos espirituosos, tensões over dramáticas e ação desenfreada em splash pages de encher os olhos, cujos personagens realmente nos são importantes e íntimos – as quais só a Marvel era capaz de fazer. Um detalhe: diferentemente da sua impressão, para mim no fundo é mesmo um Vingadores 2.5 – e fiquei muito feliz com isso🙂

    • Que massa, Jorge.

      Pois é, acho mais ou menos o mesmo. A Marvel sabe fazer muito bem e consegue juntar aquele povo todo e ainda criar histórias interessantes e uma trama relevante. E apesar do Zemo não ter nada a ver com as HQs e poder ter qualquer nome que quisesse, até gostei da abordagem excessivamente humana com que ele é tratado: apenas um cara inteligente e obcecado em destruir os Vingadores por dentro, mas que nem é realmente alguém no último nível de maldade.

      E também apreciei bastante o fato dele terminar vivo e preso. Acho muito importante que os filmes façam isso, para mostrar que a Justiça, de algum modo, vale à pena. É mais ou menos como em 007 Contra Spectre: acho que o vilão tem que ser preso de vez em quando, em vez de explodir junto com uma montanha.

      Um abração!

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