Resenha de Batman vs Superman – A Origem da Justiça

Batman vs Superman: sensacional.

Batman vs Superman: sensacional.

Após décadas acalentando os sonhos dos fãs de quadrinhos, finalmente é realidade. Estreou Batman vs Superman – A Origem da Justiça, sequência de Superman – O Homem de Aço, o reinício da franquia cinematográfica da Warner Bros. sobre o personagem da DC Comics, que colocará o homem-morcego contra o último filho de Krypton, resultando no primeiro encontro cinematográfico dos dois mais icônicos de todos os super-heróis. E o que dizer do filme? Numa palavra? Sensacional! Finalmente a DC Comics acertou a mão!

Confesso que fui ao cinema cheio de preocupações, a maioria já exposta aqui no blog em posts anteriores: são muitos personagens, um universo DC inteiro para apresentar, fazer ser convincente o homem-morcego se bater contra o homem de aço… Mas o roteiro de Chris Terrio e a direção de Zack Snyder conseguiram. A Origem da Justiça não é desprovido de problemas, mas é um bom filme, sim. Até superou minhas expectativas.

Henry Cavill como Clark Kent: mundo real?

Henry Cavill como Clark Kent: mundo real?

O filme começa lento pelos bons motivos. A trama é embasada nas consequências da Batalha de Metrópolis, entre o Superman e o General Zod. Bruce Wayne estava em Metrópolis e viu de perto toda a destruição. A ideia da existência de um alien superpoderoso, capaz de reduzir uma cidade às cinzas, passa a consumir Wayne, que passou os últimos 20 anos combatendo o crime em Gotham City como Batman. Quando o filme começa de verdade, 18 meses após O Homem de Aço, o cavaleiro das trevas está mais descrente na humanidade, mais cínico e violento do que nunca.

E parentese: o filme herda uma velha característica dos quadrinhos: Gotham e Metrópolis são cidades vizinhas, separadas por uma baía.

Lex Luthor entre Clark Kent e Bruce Wayne.

Lex Luthor entre Clark Kent e Bruce Wayne.

O primeiro terço do filme também apresenta os outros personagens: Lex Luthor é mostrado e logo chama a atenção do espectador, com a versão maníaca, alucinada, psicótica e louca do vilão nas mãos de Jesse Eisenberg. É uma grande interpretação. A melhor do filme, diga-se de passagem. Não é o Luthor galhofeiro de Gene Hackman (em Superman – O Filme), muito menos o manipulador frio e charmoso de Michael Rosenbaum (de Smallville), mas uma interpretação nova. Se por uma lado, há lampejos de Coringa nesse Luthor, por outro, poderíamos pensar em uma versão maligna do Doc Brown de De Volta para o Futuro.

Também somos apresentados à redação do Planeta Diário, com seus jornalistas, Clark Kent (vejam só!), Lois Lane, Jenny e o editor Perry White, com Laurence Fishburne bem mais à vontade e com mais espaço para compor um personagem crível, engraçado e que cutuca o casal Kent-Lane o tempo todo, especialmente o primeiro. A relação Kent-Lane também é uma das tramas do filme, embora é preciso adiantar que se mantém a irritante figura de Lane como “donzela em perigo” (mesmo que ela tenha seus momentos de heroísmo), bem ao contrário da concorrente Marvel, na qual as mulheres não ocupam esse papel.

Superman se apresenta no Congresso: estopim.

Superman se apresenta no Congresso: estopim.

A trama inicia lenta, mostrando as peças no xadrez, mas logo acelera, quando a Senadora June Finch entra em ação e questiona as ações do Superman, dando a Luthor a chance de por em prática o seu plano louco de livrar o mundo do último filho de Krypton.

Esse princípio mais calmo tem a vantagem de construir os personagens e um cenário no qual os heróis irão se confrontar. Uma das preocupações era um motivo crível para Batman e Superman saírem nos tapas e o filme dá isso. Os trailers deixam claro os motivos do cavaleiro das trevas: o ódio ao homem de aço. Mas porque o Superman revida com tanta fúria? O filme explica. Dá para deduzir também pelos trailers, mas você verá no filme.

Lex Luthor: versão maníaca. E fabulosa.

Lex Luthor: versão maníaca. E fabulosa.

Uma das maiores desvantagens de O Homem de Aço foi o desequilíbrio. O filme tinha uma história excelente, ótima fotografia, atores afiados, mas estragou um pouco tudo com uma sucessão de lutas meio sem sentido. Espetaculares visualmente, mas carentes de significado. A batalha entre Superman e Zod – o estopim para o filme atual – era longa demais e já vinha muito tarde na obra, quando já estávamos cansados de ver o homem de aço se bater contra os kryptonianos.

Superman vs Batman: batalha bem situada.

Superman vs Batman: batalha bem situada.

Ainda bem, este erro não é repetido em A Origem da Justiça: a luta que dá título ao longametragem cai bem na história e é muito bem executada. Snyder é um diretor muito visual e sabe tirar proveito disso. A luta não só é espetacular, como surpreendente em alguns momentos e, para o fã dos quadrinhos, um deleite de referências quadrinisticas, com cenas saltando do papel à tela de modo incrível. E você pergunta: há um vencedor na luta? Sim, há. Qual a sua aposta?

E não é spoiler nenhum – afinal os trailers mostram – que a batalha entre os heróis é só a entrada do prato principal: o ataque de Apocalipse (Doomsday) que força não apenas a união dos dois heróis, bem como a entrada em ação da Mulher-Maravilha. Neste ponto do filme, a plateia já está absorta e ganha pelo filme.

A sessão a que assisti estava absolutamente lotada e o público vibrou totalmente com o filme. A frase – já famosa pelos trailers – “me diga, você sangra? Você irá sangrar”, gerou a primeira ovação. E houve outras três: o início da luta dos dois heróis, a entrada da Mulher-Maravilha e o fim com aplausos entusiasmados. Será um sucesso anote aí.

Falamos de entrada e prato principal, mas também há uma sobremesa inesperada, que não iremos revelar, claro, mas dá um acento mais dramático e interessante ao fim do filme.

Ben Affleck como Batman: ótimo.

Ben Affleck como Batman: ótimo.

A Origem da Justiça é bem sucedido em apresentar um Universo DC e preparar o terreno para os filmes futuros desses heróis, inclusive, a Liga da Justiça. Os produtores não foram comedidos em apresentar o que vem por aí. E parece bem interessante. Aliás, um desses lampejos gerou outra ovação não citada.

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Batman e e uma sequência de sonho.

Dentre os problemas do longametragem, eu diria que guardar segredo sobre Apocalipse teria feito bem ao filme, em vez de revelá-lo no segundo trailer. Outro ponto são as sequências sonhos que povoam a trama (três do Batman e uma do Superman). São metáforas cinematográficas interessantes, mas no caso específico do Batman, as duas últimas só fazem sentido ao leitor de quadrinhos.

O fã casual que vai ao cinema curtir um bom filme não entenderá de verdade o que significam o segundo e o terceiro sonhos do homem-morcego. E isso pode atrapalhar o desfrute do longa. É provável que ele simplesmente esqueça essa informação, tendo em vista a sequência que vem a seguir e o que precisa depurar. Mas ela tem uma importância para a história e para um dos últimos diálogos do filme.

Como filme, Batman vs. Superman é muito melhor do que O Homem de Aço, mas mantém o tom sombrio e acelerado do primeiro, embora seja (para o bem) mais lento. A história tem peso e é usada de modo melhor do que no outro. Os atores estão muito bem. Henry Cavill mostra-se à vontade com Clark Kent, mas seu personagem é o mais prejudicado na conjunção do elenco, pois cede espaço para o cavaleiro das trevas e até a Mulher-Maravilha se desenvolverem um pouco. Mas ainda assim, quando tem a oportunidade, Cavill entrega uma interpretação sanguínea e esperamos que tenha mais espaço no futuro para mostrar seus bons dotes.

Mulher-Maravilha: rouba a cena!

Mulher-Maravilha: rouba a cena!

Ben Affleck também impressiona como Batman. Se você ainda tinha algum receio pelo ator, esqueça, ele está ótimo. Seu Bruce Wayne mais maduro, durão e obcecado é excelente. O ator dá um show e vemos o Batman de uma maneira nova nos cinemas, mimetizando sua versão das HQs com muita competência.

Por fim, Gal Gadot rouba a cena como a Mulher-Maravilha e sua participação enriquece o filme e traz um toque feminino benquisto. Será ela a mais comentada nas festas e barzinhos pós-filme.

Enfim, após quase uma década com a Marvel Comics dominando a construção de um universo de super-heróis no cinema, a Warner-DC reagiu à altura com uma ótima entrega. Tempos sombrios se apresentam à frente, mas não no cinema, mas na trama dos filmes da DC.😉

Um Batman assustador.

Um Batman assustador.

Batman v. Superman – Dawn of Justice  é produzido por Deborah Snyder e Charles Roven, com roteiro de Chris Terrio (de Argo) e David S. Goyer (dos filmes do Batman e O Homem de Aço); e dirigido por Zack Snyder (de 300 Watchmen), funcionando como uma sequência de Superman – O Homem de Aço. O elenco traz Ben Affleck (Batman/Bruce Wayne), Henry Cavill (Superman/Clark Kent), Amy Adams (Lois Lane),  Jesse Eisenberg (Lex Luthor), Diane Lane (Martha Kent), Laurence Fishburne (Perry White), Jeremy Irons (Alfred Pennyworth), Gal Gadot (Diana Prince/ Mulher-Maravilha), Tao Okamoto (Mercy Graves), Holly Hunter (senadora June Finch), Callan Mulvey (Anatoli Kanyazev, o KGBesta), Scoot McNairy (Wallace Keefe), Harry Lennix (general Swanwick), Christina Wren (major Ferris); e participação especial de Michael Shannon (General Zod), Jeffrey Dean Morgan (Thomas Wayne), Lauren Cohan (Martha Wayne), Jason Mamoa (Orin/ Aquaman),  Ezra Miller (Barry Allen/Flash) e Ray Fisher (Victor Stone/ Ciborgue). O lançamento no Brasil foi  em 24 de março de 2016, um dia antes dos EUA.

Superman foi criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938, estreando na revista Action Comics 01, e desde então é publicado pela DC Comics.

Batman foi criado pelo cartunista Bob Kane e o roteirista Bill Finger, estreando na revista Detective Comics 27, de 1939 e desde então é publicado pela DC Comics.

A Mulher-Maravilha foi criada pelo psicólogo norteamericano William Moulton Marston e o desenhista H. G. Peters, aparecendo na revista All-American Comics 08, em 1941. A ideia de Marston era apresentar um arquétipo do força do feminino e, em segredo, explorar tendências sexuais não tradicionais à sociedade da época (como bigamia, lesbianismo e sadomasoquismo). A personagem fez bastante sucesso e se manteve sendo publicada até hoje pela DC Comics. Ela foi uma dos membros-fundadores da Liga da Justiça em 1960. A Mulher-Maravilha continua representando um símbolo da força das mulheres no mundo atual, sendo a mais icônica das super-heroínas.

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 24/03/2016, in Batman, DC Comics, Filmes, Mulher-Maravilha, Resenhas, Superman. Bookmark the permalink. 9 comentários.

  1. Que bom Irapuan, parece que, Batman aparte, finalmente a Warner-DC faz juz no cinema ao panteão que tem nas mãos após um longo tempo, vou assistir mais tranquilo🙂

    • Legal, Jorge. O filme é controverso, pois alguns não gostaram – inclusive amigos meus de gostos parecidos – mas o que eu penso tá na resenha. Eu gostei e até superou as minhas expectativas, pois estava bem receoso. Quando assistir, volta aqui e comenta, tá? Pra gente debater.

      Um abração!

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