Rolling Stones: volta triunfal após 10 anos.
Rolling Stones: volta triunfal após 10 anos.

Após 10 anos de sua última estada no Brasil, a lendária banda britânica The Rolling Stones, uma das mais importantes da história do Rock, voltou a se apresentar ontem em terras tupiniquins. E quem foi ao Maracanã assistiu a um espetáculo digno dos deuses do rock.

Há muito tempo a banda de Mick Jagger e Keith Richards se autoproclama a maior banda de rock do mundo, e seu show de ontem veio confirmar as bravatas. O show do Maracanã foi o primeiro da perna brasileira da Olé Tour na América Latina, vindo pela frente concertos em São Paulo e Porto Alegre; depois de passagens por Chile, Argentina e Uruguai.

A comissão de trás, com Ron Wood, Keith Richards e Charles Watts.
A comissão de trás, com Ron Wood, Keith Richards e Charles Watts.

Os Stones tocaram 19 faixas em pouco mais de duas horas de show, recheados de clássicos e algumas surpresas.

O concerto começou com 20 minutos de atraso, algo totalmente incomum às bandas britânicas que passam por aqui (gente como Paul McCartney e David Gilmour foram pontualmente britânicos e o show dos próprios Stones em Copacabana, em 2006, começou com meros 5 minutos de atraso), mas neste caso podemos culpar a grande chuva que caiu anteriormente.

Os Stones foram precedidos pela banda Ultraje a Rigor, que fez um show catastrófico, com som ruim e insultos trocados entre o cantor Roger e a platéia.

Set list.
Set list.

A chuva danificou os telões laterais do palco e alguém da produção veio ao palco informar o atraso e pedir desculpas, embora o público tenha vaiado a iniciativa. Porém, tudo foi esquecido alguns minutos depois, quando a atração da noite entrou enquanto o telão (já funcionando) exibiu a bandeira brasileira após uma vinheta em animação que resumia a longa carreira do grupo. Os primeiros acordes de Start me up mandaram o estádio abaixo.

É bem verdade que, apesar de soarem pesados e impressionantes, os Stones começaram o show um pouco desencontrados, demorando alguns minutos para realmente funcionarem como uma banda. De qualquer modo, a energia e a simpatia do vocalista compensaram tudo.

Jagger à frente: mestre de cerimônias.
Jagger à frente: mestre de cerimônias.

Falando nisso, Jagger se comunicou com a platéia em português durante a maior parte do tempo, curiosamente soando bem natural, sem parecer ensaiado. E dizia frases completas e complexas, bem além de “obrigados”. Começando com: ” faz exatamente 10 anos que estivemos aqui pela última vez, em Copacabana. Quem foi?”, com parte do público respondendo e o cantor saudando: “bem vindos de volta”.

A primeira surpresa foi a inclusão da pouco conhecida Out of control, do álbum Bridge to Babylon, de 1997, como quarta canção do repertório. Em seguida, outra surpresa: a quinta canção foi a escolhida pelo público em uma enquete no site da banda (dentre quatro opções): Like a rolling stone, composição de Bob Dylan de 1965, gravada pelo grupo no álbum ao vivo Striped, de 30 anos depois. 

Em seguida, outra surpresa: a canção Doom and Gloom, uma das mais recentes do grupo, gravada em 2012 especialmente para a coletânea Grrrrr!, que comemorou os 50 anos de carreira da banda. Depois, a faixa Angie teve o mérito de ser praticamente a única balada do show inteiro. 

Jagger e Richards: compositores do grupo.
Jagger e Richards: compositores do grupo.

Mas o grupo não deixou a peteca cair, retornando o agito com uma versão elétrica de Paint it black, cujo original de 1966 trazia o riff principal tocado em uma cítara indiana, substituída agora por uma guitarra especial de Ron Wood. Aliás, Wood foi um dos heróis da noite, pois sua guitarra era a principal na maioria das canções, enquanto Keith Richards servia como líder instrumental e responsável pelos riffs de abertura das canções. Entretanto, os calejados dedos de Richards o impedem de ser tão ativo quanto fora no passado. 

Alheio a isso tudo, o público reverenciou merecidamente o guitarrista: ao ser apresentado por Jagger, foi ovacionado por dois minutos, ficando claramente emocionado. Richards ainda tentou se comunicar com platéia, agradecendo a gentileza, contando que tinham ido à praia e que tinha sentido falta daquele público. Em seguida, Richards cantou as duas canções que lhes são reservadas a cada show: na primeira, a tradicional You got The silver, do álbum Let it Bleed, de 1969, que apresentou por seu nome em português; depois, surpreendeu com a pouco conhecida Before they make me Run, do disco Some Girls de 1978.

Mick Jagger voltou ao palco e os Stones lembraram o público de que também são uma banda de Blues, numa versão endiabrada de Midnight rumbler que durou 15 minutos. Então, foi a vez de Richards se ausentar do palco por alguns instantes, enquanto Jagger empunhava uma guitarra e fazia a base de Miss You até o meio da canção, quando Richards voltou e Jagger saiu puxando o corinho da faixa.  

Empolgação total.
Empolgação total.

Depois de mais alguns clássicos, os Stones trouxeram um show de luzes nos telões para acompanhar Sympathy for The devil, que ganhou uma versão mais roqueira e um Jagger com capa de plumas vermelhas. Ensaiaram uma finalização com uma versão explosiva de Jumpin’ Jack flash.

Contudo, todos sabiam que o grupo voltaria para o bis e não demoraram quase nada, só o tempo do Coral da PUC-Rio – anunciado em português por Jagger – se instalar à direita do palco.

Banda e coral executaram You can’t always get what You want, tentando mimetizar o arranjo original, o que é muito difícil em um concerto aberto de estádio.

Como não podia deixar de ser, a banda encerrou com Satisfaction, fazendo o público pular e cantar junto.

Como apurado, temos um concerto espetacular, .longe de ser musicalmente perfeito, mas rock and roll como poucos outros. A energia e elegância da banda mostram claramente porque os Stones estão em alta a 55 anos. Claro que não podemos esperar que lancem outra Satisfaction no álbum que devem gravar ainda este ano, após o fim da turnê, nem que tenham 20 e tantos anos (época de seu auge criativo), mas permanecem relevantes ao encampar um grande espetáculo sonoro e lembrarem o mundo a cada show de como este já dançou ou namorou ao som da maior banda de rock do planeta.

Os Rolling Stones se formaram em Londres em 1962, dentro do circuito de R&B da cidade. Lançaram seus primeiros discos no ano seguinte e em 1964 alçaram o sucesso nacional. Em seguida, em 1965, veio o superhit (I can’t get no) Satisfaction e a aclamação mundial. Desde então, é uma das principais e mais influentes bandas de rock ainda em atividade.

Formado originalmente por Mick Jagger(vocais), Keith Richards (guitarra), Brian Jones (guitarra), Bill Wyman (baixo) e Charles Watts (bateria), a banda perdeu Jones em1969, que foi substituído por Mick Taylor;que por sua vez deixou o grupo em 1975, cedendo lugar a Ron Wood. Com a saída de Wyman em 1993, desde então, os Stones mantém-se como um quarteto com Jagger, Richards, Wood e Watts.

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