Logo oficial do filme.
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O escritor de histórias em quadrinhos Mark Millar, deu uma grande entrevista ao site IGN e falou bastante sobre a adaptação das HQs ao cinema. Atualmente, Consultor Criativo da 20th Century Fox (que leva os X-Men e o Quarteto Fantástico aos cinemas), Millar falou sobre as diferenças entre sua história original e Capitão América – Guerra Civil, sequência de Capitão América 2 – O Soldado Invernal e fecho da trilogia das aventuras-solo do herói criado pela Marvel Comics, levado aos cinemas pelo Marvel Studios e Disney Company.

Mark Millar: criador de Guerra Civil nas HQs.
Mark Millar: criador de Guerra Civil nas HQs.

Embora a maioria dos fãs de quadrinhos esteja empolgado com Guerra Civil, algumas preocupações rondam os comentários e fóruns na internet. Em primeiro lugar, a natureza da história. A HQ Guerra Civil é uma história sobre o Universo Marvel, com foco destacado aos Vingadores e protagonizada por Capitão América e Homem de Ferro, que se tornam rivais em uma disputa ideológico sobra a Lei de Registro de Superseres, que obriga os heróis a revelar suas identidades secretas e passarem a trabalhar para o Governo dos EUA.

Nos cinemas, Guerra Civil é um filme do Capitão América, que será coprotagonizado pelo Homem de Ferro e terá participações especiais dos Vingadores.

Além disso, como é um filme e uma sequência de O Soldado Invernal, Guerra Civil terá que lidar com as consequências e desenvolvimento da trama de Bucky Barnes, algo totalmente ausente da HQ. Vários atores envolvidos no longametragem já afirmaram categoricamente que, apesar do grande elenco, Guerra Civil é um filme do Capitão América e tudo gira em torno dele. E há outras tramas pendentes, como por exemplo, sua relação com a idosa Peggy Carter e a sobrinha-neta dela, Sharon Carter.

Homem-Aranha dividido na Guerra Civil original em quadrinhos.
Homem-Aranha dividido na Guerra Civil original em quadrinhos.

Outro ponto importante é que a HQ gira em torno das identidades secretas dos heróis, algo que praticamente não existe no Universo Marvel dos Cinemas, pois nenhum dos Vingadores têm uma identidade secreta. Este é um dos pontos abordados por Mark Millar na entrevista ao IGN.

A coisa realmente importante é a Lei de Registro de Super-heróis, essencialmente. Não tem nada a ver com identidades secretas. Estranhamente, as pessoas realmente deram importância demais a esse negócio de identidade secreta. Quando eu estava escrevendo o livro [Guerra Civil], estava pensando que os super-heróis tinham que expor suas identidades e se submeter à legislação do Governo, e então, perguntei à Marvel: “Quem tem uma identidade secreta?”, e eles disseram: “Ninguém!”. Havia praticamente apenas o Homem-Aranha [com uma identidade secreta]. Todo mundo, até o Demolidor, tinham abandonado suas identidades secretas naquele ponto [da cronologia da Marvel]. E eu fiquei, tudo bem, então, vamos fazer sobre outra coisa.

Homem de Ferro versus Capitão América. Arte de Steve McNiven.
Homem de Ferro versus Capitão América. Arte de Steve McNiven.

Por fim, é preciso lembrar o radicalismo – típico de Millar – que está na HQ Guerra Civil, com o Homem-Aranha revelando sua identidade secreta ao mundo; Tony Stark (e Reed Richards e Hank Pym) tomando atitudes extremas e antiéticas para defender seu ponto de vista, no que chegam a tentar clonar Thor (na época, nas HQs, dado como morto), o que resulta na morte de um herói de quinto escalão, o Golias Negro; chegando à acirrada batalha entre o Capitão América e o Homem de Ferro, na qual os ex-amigos se destroçam um ao outro, o primeiro vence e chega a pensar em matar seu antigo aliado, mas se contém.

O Homem-Aranha e Homem de Ferro. Arte de Joe Quesada.
O Homem-Aranha e Homem de Ferro. Arte de Steve McNiven.

Quanto ao Homem-Aranha, que será introduzido ao Universo Marvel nos Cinemas justamente em Guerra Civil, obviamente, o herói não irá revelar sua identidade secreta ao público como na HQ. No máximo, o Peter Parker adolescente do filme irá tirar sua máscara na frente do Homem de Ferro e do Capitão América. O tópico do filme, já ficou muito claro, será sobre a quem os Vingadores devem se reportar e como se dá essa submissão.

Isso num contexto em que a equipe estava de algum modo interconectada à SHIELD (uma organização global ligada à ONU) em Os Vingadores, mas depois de descobrirem que a SHIELD tinha sido controlada pela organização terrorista HIDRA em Capitão América – O Soldado Invernal, os Vingadores passam a agir de maneira independente, como visto em Vingadores – Era de Ultron.

A inserção do Homem-Aranha neste contexto, portanto, não terá nada a ver com identidades secretas, mas ao fato de termos um adolescente superpoderoso agindo como um vigilante independente nas ruas de Nova York, o que fará os Vingadores irem ao seu encalço e agregarem-no para seu lado.

Mark Millar também acha que um Homem-Aranha desmascarado não é algo essencial à história como um todo:

As pessoas lembram disso [o Homem-Aranha revelando sua identidade secreta] porque foi uma boa sacada. É uma minissérie em sete episódios, o que dá 150 páginas mais ou menos, e o Homem-Aranha está lá por três páginas, uma das quais um quadro de página inteira. Foi uma parte muito pequena daquilo [da saga Guerra Civil]. Para ser honesto, foi algo como um meio de incrementar nossas vendas. Nós estávamos apenas sentados e pensando, o que podemos fazer com o Homem-Aranha em três páginas? E aquilo funcionou.

Os Novos Vingadores, pós-Guerra Civil nos quadrinhos.
Os Novos Vingadores, pós-Guerra Civil nos quadrinhos.

E ainda têm as grandes consequências da saga: após Guerra Civil, a equipe do Capitão América (que na HQ reúne nomes como Luke Cage, Wolverine e o Gavião Arqueiro então sob a identidade de Ronin) passa a agir como fora da lei, perseguidos pela equipe oficial de Vingadores ligada ao Homem de Ferro (com Miss Marvel e Viúva Negra entre seus membros). Será que teremos algo parecido no cinema? Parece que não!

A própria rivalidade entre Capitão América e Homem de Ferro, extremamente forte na HQ, deve ser amenizada no filme. É o que Mark Millar também pensa: ambos tem que ser vistos como heróis no cinema.

[O tema de Guerra Civil] é sobre o Homem de Ferro sentir que qualquer um que ande por aí com um reator nuclear nas coisas ou algo parecido deveria estar sob o controle governamental de algum modo. Eles deveriam estar trabalhando para o governo do mesmo modo que os policiais trabalham para o governo local [estadual]. E isto faz sentido quando você pensa sobre isso. Faz todo o sentido. Você tem uma licença, tem certeza de que aquele cara está ok, que ele não tem uma ficha criminal e todo aquele tipo de coisa. E faz sentido que o Capitão América se volte contra aquilo, porque ele vem de tempos mais simples e sente que os super-heróis deveriam ser autônomos e não estarem envolvidos com política. É uma disputa ideológica entre os dois, o que é tudo o que importa. É isto o que Guerra Civil é: Homem de Ferro versus Capitão América, e os dois estão certos, ambos são mocinhos. Porque no momento em que você demoniza um deles, a história perde força.Você tem que ter esse dois caras, ambos corretos, e isto é por que os caras que gostamos vão aderir ao lado deles.

Imagem promocional de Guerra Civil: rivalidade amenizada?
Imagem promocional de Guerra Civil: rivalidade amenizada?

Aproveitando a deixa de Millar, este fim de semana ocorreu uma Comic-Con em Salt Lake City, nos EUA, e houve um painel inteiramente dedicado à Guerra Civil, com participações dos atores Chris Evans, Sebastian Stan e Anthony Mackie. E o astro Evans também comentou sobre os posicionamentos dos heróis na história:

Tony [Stark] acredita de verdade que nós deveríamos assinar os acordos e nos reportarmos a alguém. E o Capitão, que sempre foi um cara da lei e sempre foi um soldado, na verdade, não confia mais em ninguém. Dado o que aconteceu em Capitão América 2 [com a revelação de que a SHIELD era dominada pela HIDRA], eu penso que ele acha que a melhor coisa é ele mesmo cuidar das coisas. (…) O Capitão tem seus motivos (…), e ele é um homem bom e sua bússola moral é provavelmente a mais elevada. (…) É isto o que faz tudo tão interessante (…): ninguém está errado. Não há claramente um vilão aí. Nós dois [Steve Rogers and Tony Stark] temos pontos de vista que são o estopim para mais desentendimentos na vida e na política.

Stark tem seus motivos.
Stark tem seus motivos.

É interessante que a fala de Evans evoca os “acordos“, o mesmo termo usado na cena pós-créditos de Homem-Formiga, na qual o Capitão e Falcão encontram o Soldado Invernal aprisionado. Assim, no filme, não será um Lei de Registro de Superseres, como na HQ, mas uma série de acordos firmados entre os Vingadores e alguma força política, que pode até ser o Governo dos EUA, mas muito provavelmente, será a ONU.

Steve Rogers também tem sua razão.
Steve Rogers também tem sua razão.

Retomando a discussão, outra consequência importante da saga nos quadrinhos é a morte do Capitão América. Embora vencedor da Guerra Civil em termos físicos, Steve Rogers decide se entregar às autoridades e ser processado, para lutar pelos direitos civis mediante sistema legal. Assim termina a HQ Guerra Civil. Sua continuação na revista mensal do Capitão América, contudo, se dá na saga A Morte do Sonho: ao ser encaminhado pelas escadarias do tribunal, o Capitão América é alvejado por uma saraivada de tiros orquestrada pelo Caveira Vermelha e Ossos Cruzados, morrendo antes de chegar ao hospital.

Capitão América é assassinado no fim de Guerra Civil.
Capitão América é assassinado no fim de Guerra Civil. Arte de Steve Epting.

Terá a Marvel coragem de matar o Capitão América no cinema? Duvidamos disso. (Chris Evans tem contrato para mais um filme com o Marvel Studios, portanto, deve aparecer pelo menos em Vingadores – Guerra Infinita Parte 2, em 2019).

Talvez no máximo, Steve Rogers termine o filme preso. Não é impossível que Bucky Barnes – assim como nas HQs – termine assumindo o papel de novo Capitão América (e assim apareça em Vingadores – Guerra Infinita Parte 1).

O novo Capitão América: Bucky Barnes.
O novo Capitão América: Bucky Barnes. Arte de Steve Epting.

Essa questão veio à tona na Comic Con e Anthony Mackie e Sebastian Stan se pronunciaram sobre isso. É importante frisar que, no último ano de HQs da Marvel, o Steve Rogers mais uma vez deixou o manto do Capitão América de lado e este foi assumido pelo Falcão. Assim, o cinema tem, agora, duas opções para substituir Rogers caso ele morra, seja preso ou simplesmente decida pendurar o escudo após Guerra Civil: o Soldado Invernal e o Falcão.

O intérprete deste último não parece muito convencido da ideia de que seu personagem deveria assumir o manto, numa entrevista para o The Salt Lake Tribune:

Não acho que precisamos de um novo Capitão. Não acho que o Capitão precise mudar. Acho que Sebastian [Stan, que faz o Bucky Barnes] seria um grande Capitão, mas assim, ficaríamos sem Bucky. Acho que eu seria um grande Capitão, mas então, ficaríamos sem um Falcão.

O Falcão como o novo Capitão América.
O Falcão como o novo Capitão América.

Questionado se Sam Wilson virar o Capitão América seria inspirador para as crianças negras, o ator surpreendeu com um discurso étnico interessante:

Sinto que as crianças não tem raça. Nós pregamos muito para as crianças que elas pode ser o que elas quiserem, mas então, seguimos com um “exceto”, e devíamos deixar para lá esse “exceto”.

Ao mesmo jornal, Sebastian Stan visivelmente brincou quando lhe perguntaram quem deveria ser o novo Capitão:

Eu mesmo!

Muitos fãs apostam/querem ver o Soldado Invernal como o novo Capitão América.
Muitos fãs apostam/querem ver o Soldado Invernal como o novo Capitão América.

Alguns dias antes o ator tinha afirmado em uma entrevista que não tinha interesse em seu personagem assumir o manto do Capitão América, já que Bucky Barnes é um personagem muito interessante. O ator reforçou este último aspecto:

Tudo sobre sua infância é extremamente inspirador. Eu não sabia que ele tinha uma irmã que terminou parando em um orfanato e que, depois, terminou morrendo de alzheimer. O fato de toda a história com seu pai, todas as coisa que são muito reais para mim e muito úteis na construção do personagem. [Gostei] do fato de que isso é porque ele terminou sendo usado pela HIDRA e pelos russos e mais, porque ele veio de um passado realmente problemático.

Não está claro, contudo, se essa biografia de Bucky Barnes é apenas uma orientação (ao estilo do diretor Michael Mann) para a construção do personagem, ou se esses elementos estarão no filme e veremos mais do passado de Barnes antes da Guerra e antes do Soldado Invernal.

Civil War foi publicada como um minissérie em sete partes, entre 2006 e 2007, com roteiro de Mark Millar e arte de Steve McNiven, sendo a história da Marvel mais importante daquela década, mudando o status quo dos personagens por anos.

O time do Homem de Ferro.
O time do Homem de Ferro.

No filme, uma tragédia fará o Governo dos EUA baixar uma lei que exige o controle dos superhumanos, abrindo um debate acirrado entre o Homem de Ferro (que defenderá a lei) e o Capitão América (que julgará que ela fere dos os direitos civis). O Homem-Aranha terá uma participação importante no filme como alguém que fica dividido entre as duas facções. Além de Tony Stark assumir um papel quase vilanesco, também teremos como vilões o Barão Zemo e Ossos Cruzados. Os personagens dos filmes do Capitão – Soldado Invernal, Falcão, Sharon Carter – e dos outros filmes da Marvel – Viúva Negra, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate, Visão, Máquina de Combate e o estreante Pantera Negra – participarão do filme e se dividirão entre as duas facções. Guerra Civil também servirá de “abre-alas” para Vingadores – Guerra Infinita Parte 1 e Parte 2, que estreiam em 2018 e 2019, respectivamente.

Captain America – Civil Wartem direção dos irmãos Joe Anthony Russo e roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeelyO elenco tem Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América), Robert Downey Jr.(Tony Stark/ Homem de Ferro), Scarlett Johansson (Natasha Romanoff/ Viúva Negra),  Sebastian Stan (Bucky Barnes/Soldado Invernal), Anthony Mackie (Sam Wilson/Falcão), Frank Grillo (Brock Rumlow/ Ossos Cruzados) Daniel Brühl (Barão Zemo), Emily VanCamp (Sharon Carter/ Agente 13), Jeremy Renner (Clint Barton/ Gavião Arqueiro), Elizabeth Olsen (Wanda Maximoff/ Feiticeira Escarlate), Paul Bettany (Visão), Paul Rudd (Scott Lang/ Homem-Formiga), Don Cheadle(Coronel Jim Rhodes/ Máquina de Combate), Chadwick Boseman (T’Challa/ Pantera Negra), Martin Freeman (papel não-revelado), com participação especial de Tom Holland (Peter Parker/ Homem-Aranha) e Hayley Atwell (Peggy Carter). O longametragem é o primeiro da Fase 3 do Universo Marvel nos Cinemas. As filmagens já encerraram e a estreia será em 06 de maio de 2016.

O Capitão América foi criado por Jack Kirby e Joe Simon em 1941 e foi o maior sucesso dos anos iniciais da Marvel Comics. Após décadas sem ser publicado, foi resgatado para as histórias modernas em Avengers 04, de 1964, por Stan Lee e Jack Kirby, numa história dos Vingadores, grupo que passou a liderar a partir de então.

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