Capa de Earth One.
Capa de Earth One.

Já há muitos e muitos anos ouve-se falar em uma graphic novel do polêmico escritor escocês Grant Morrison sobre a Mulher-Maravilha, a mais icônica das super-heroínas, publicada nas revistas da DC Comics. Finalmente, o projeto se concretizou: a DC Comics anunciou oficialmente hoje o lançamento de Wonder-Woman: Earth One, com textos de Grant Morrison e desenhos de Yanick Paquette. Como o título deixa claro, a empreitad faz parte da série Earth One, destinada a graphic novels que tragam abordagens icônicas dos personagens da DC, sem estarem amarrados à cronologia oficial da editora. São, portanto, grandes histórias destinadas ao grande público. Batman e Superman têm dois volumes da coleção, cada um, enquanto os Novos Titãs têm um.

O anúncio oficial da DC Comics é o seguinte:

Por milênios, as Amazonas da Ilha Paraíso têm criado uma próspera  sociedade longe do contato com o homem. Uma residente, contudo, não está satisfeita com esta vida isolada: Diana, princesa das Amazonas, que sabe que há mais neste mundo e quer explorá-lo, só para ser frustrada por sua protetiva mãe, Hipólita. Diana encontra sua fuga quando o piloto da Força Aérea Steve Travor, o primeiro homem que ela já viu, cai em suas praias. Com sua vida em risco, Diana se aventura pelo esquecido mundo dos homens. As Amazonas vão atrás dela e a trazem de volta algemada à Ilha Paraíso para encarar um julgamento por quebrar a sua mais antiga lei: ficar separada do mundo que as enganou.

Portanto, assim como os primeiros volumes de Batman e Superman, Wonder-Woman: Earth One é uma história de origem da personagem, contada em uma abordagem moderna e destinada ao grande público que não acompanha os quadrinhos de modo sistemático.

Sendo Grant Morrison quem escreve, podemos esperar surpresas e polêmicas. Esta semana, o escritor disse em uma entrevista que  história é inteiramente construída sem nenhum objeto fálico (à exceção das típicas colunas gregas) para evidenciar o aspecto feminino da Ilha Paraíso. Acrescentou ainda que o primeiro homem na história só aparece na página 60 e que o avião invisível da heroína tem o formato de uma vagina, com uma abertura traseira e uma cabine que lembra o clitóris.

No passado, o escritor já tinha comentado, também, que queria trazer o sexo de volta para a Mulher-Maravilha (veja aqui), pois este elemento é essencial das origens da personagem.

Símbolo do poder feminino, a Mulher-Maravilha é um ícone para as mulheres no mundo todo e é interessante que uma abordagem madura e ousada pode lançar um olhar desafiador à personagem nos dias de hoje. Com seu histórico, Morrison é o homem certo para o papel. Mas teremos que ler o material para ter certeza de que conseguiu ir mais longe.

Na imagem divulgada – a capa – o artista Yanick Paquette (parceiro de Morrison em Batman, Inc.) entrega uma imagem mais robusta da heroína, com um olhar muito expressivo. A dúvida é se a história explora a sexualidade da Mulher-Maravilha num típico fetichismo masculino, ou respeita uma interpretação mais moderna e feminina da princesa amazona.

Nascido na Escócia, Morrison iniciou a carreira na Grã-Bretanha e depois fez sucesso nos EUA, com obras meio malucas como Homem-Animal, Batman: Asilo Arkham e passagens históricas por revistas da Liga da Justiça e dos X-Men: além das recentes temporadas em Batman, recontando a origem do Superman na Action Comics pós-reboot e a aclamadíssima maxissérie All-Star Superman,publicada entre 2008 e 2010.

Wonder-Woman: Earth One será lançado nas comics shops e livrarias dos EUA em abril de 2016.

A Mulher-Maravilha foi criada pelo psicólogo norteamericano William Moulton Marston e o desenhista H. G. Peters, aparecendo na revista All-American Comics 08, em 1941. A ideia de Marston era apresentar um arquétipo do força do feminino e, em segredo, explorar tendências sexuais não tradicionais à sociedade da época (como bigamia, lesbianismo e sadomasoquismo). A personagem fez bastante sucesso e se manteve sendo publicada até hoje pela DC Comics. Ela foi uma dos membros-fundadores da Liga da Justiça em 1960. A Mulher-Maravilha continua representando um símbolo da força das mulheres no mundo atual, sendo a mais icônica das super-heroínas.

Anúncios