Capa de Justice League 45, a ser lançada em outubro.
Capa de Justice League 45, a ser lançada em outubro.

Como é tradição nos últimos anos, o fim do verão no hemisfério norte marca o momento em que as editoras de quadrinhos fazem a renovação de suas linhas editoriais. Este ano, a DC Comics, que publica Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash e a Liga da Justiça está lançando a iniciativa DC You, empreitada que, aparentemente, dá fim à fase Os Novos 52, que guia a linha editorial da empresa desde 2011, quando a cronologia de seus personagens foi zerada e todos sofreram algumas modificações, tiveram seus passados alterados, alguns ganharam novas origens e todos ficaram mais jovens. Tendo em vista que a DC publica mais de 50 revistas mensais com seus personagens criando um universo ficcional pretensamente coeso, é de imaginar que o momento de recriar tudo isso é marcado por um controle editorial muito grande. A editora parece, agora, querer mudar isso e DC You vem para flexibilizar a cronologia e dar mais liberdade aos artistas.

Segundo Geoff Johns, o Diretor Criativo da DC Entertainment, a empresa guarda-chuva que cuida da produção de conteúdo dos personagens do Universo DC, em entrevista ao site Newsarama, a ideia é agora focar em histórias e tramas e menos na amarração cronológica disso tudo. Segundo ele, ainda há um Universo DC, mas será papel dos escritores num futuro próximo dar algum tipo de coesão ou ligação entre os eventos que estão ocorrendo como parte de um mesmo fluxo de biografias ou cronologias.

Desse modo, o que ocorre com Batman em suas revistas mensais – Batman, Detective Comics etc. – não está necessariamente casado com aquilo que acontece em Justice League, com as aventuras da Liga da Justiça, da qual o personagem faz parte.

Jim Gordon como Batman: sem ecoar diretamente em Liga da Justiça.
Jim Gordon como Batman: sem ecoar diretamente em Liga da Justiça.

Neste caso, enquanto o homem-morcego foi dado como morto em Batman e está, de algum modo, voltando à vida agora, no momento em que o ex-comissário de polícia, Jim Gordon o substitui como Batman, usando uma armadura tecnológica, na série da Liga da Justiça, Batman está envolvido em uma trama com os Novos Deuses e tomou posse da Cadeira Mobius, antes pertencente a Metron. Com isso, Bruce Wayne tem acesso a toda a informação que existe no universo e precisa lidar com isso.

Geoff Johns, que também é o roteirista da revista Justice League, explica:

Tudo se passa naquele mundo [o Universo DC] e tudo fará sentido depois. (…) Se passa no Universo DC agora. Só que um monte das outras revistas – você sabe, o que acontece na [revista] Ciborgue [do personagem anônimo] não está alinhado exatamente onde [a revista] Liga da Justiça está, mas tudo está alinhado. Mas eu gosto que eles estão sacudindo as coisas e não estão forçando ninguém [os escritores] a terminar uma história e mudar as coisas, apenas para manter a continuidade. Eles [o corpo editorial da DC Comics] nos encorajam a fazer isso, mas também nos encorajam a não ser um escravo disso, há escrever grandes histórias.

A parte final da fala de Johns é importante, porque uma das grandes reclamações dos escritores das grandes editoras (DC e Marvel) é justamente o controle editorial excessivo gerado pela necessidade de manter uma cronologia coerente, o que obriga aos escritores não raramente terem que mudar seus planos, mudar o final de histórias ou simplesmente não contá-las, porque precisam manter a cronologia. O HQRock já escreveu alguns posts sobre isso no passado, com queixas de escritores que chegaram a pedir demissão por esse tipo de interferência.

É muito cedo para analisar, mas uma iniciativa dessas da DC Comics pode gerar grandes frutos, se ao menos permitir aos escritores produzirem melhores histórias do que as que estamos lendo atualmente.

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