Os Beatles ao vivo em 1964: documentário sobre turnês.
Os Beatles ao vivo em 1964: documentário sobre turnês.

Ontem, foi anunciado oficialmente que o ainda sem título documentário sobre as turnês da banda britânica The Beatles, a mais importante da história do rock, terá sua estreia no Festival de Cannes, informa a revista Variety. O longametragem é dirigido por Ron Howard, cineasta famoso por filmes como Apollo 13, Uma Mente Brilhante, Código Da Vinci, Frost/Nixon e Rush – No Limite da Emoção, através da White Horse Pictures, StudioCanal, Imagine Entertainment e Apple Corps.

O filme aborda os anos em que os Beatles passaram em turnês, entre 1962 (ainda nos inferninhos de Hamburgo, na Alemanha, e no The Cavern Club, em Liverpool) e 1966. A banda fez um total de três turnês mundiais, realizando, segundo o press release, 166 concertos em 15 países e 90 cidades. Em meio à loucura descontrolada da beatlemania, na impossibilidade de fazerem bons concertos (a tecnologia precária da época não conseguia fazer frente ao barulho ensurdecedor da própria plateia gritando ensandecidamente) e com a banda interessada em gravar uma música mais complexa, cheia de recursos tecnológicos e efeitos de áudio difíceis ou impossíveis (então) de reproduzir no palco, o grupo decidiu abandonar os shows e as turnês definitivamente em 1966.

Os Beatles no The Cavern Club, em 1962.
Os Beatles no The Cavern Club, em 1962.

Os Beatles ainda permaneceram outros três anos ativos, apenas gravando em estúdio, e suas apresentações posteriores se reduziram a meia dúzia de performances curtas na TV e o famoso (e abortado) concerto no telhado do prédio da Apple, em 1969.

O filme foi montado a partir material de arquivo da própria banda, mas também através do resultado da iniciativa One Voice One World, na qual a Apple Corps. – a empresa pertencente à banda (e não a gigante homônima dos computadores) – solicitou aos fãs dos Beatles do mundo inteiro que enviassem ao site oficial qualquer material que tivessem sobre os shows do grupo. Com isso, Ron Howard foi capaz de preencher uma série de lacunas na filmografia da banda.

A banda no Star Club, em Hamburgo, em 1962.
A banda no Star Club, em Hamburgo, em 1962.

Assim, o documentário terá desde apresentações no lendário The Cavern Club, em Liverpool, a casa residente dos Beatles pré-fama; passando por Hamburgo (do qual não se conhecia até agora nenhum vídeo, embora exista um disco pirata com um show gravado – veja aqui); indo até a celebração mundial dos Beatles – que passa por momentos célebres como as apresentações no The Ed Sullivan Show, na CBS dos Estados Unidos; e os concertos no Japão, em 1966 – e chega a seu capítulo final no último show oficial do grupo, no Candlestick Park, em San Francisco, em 1966, que também aparecerá no filme.

Com o que se apresenta, o filme cumprirá um papel fundamental apresentando aos fãs (velhos e novos) do mundo inteiro pedaços importantes da história da banda (e da música do século XX) que nunca foram vistos. Sabe-se, por exemplo, que o show no Candlestick Park foi filmado e gravado em áudio, mas nunca foi exibido em lugar algum. (No documentário The Beatles Anthology, de 1995, aparecem enxertos do show, mas não música; e a versão em CD com as músicas do Anthology trazem apenas duas faixas do concerto, mas com má qualidade de áudio).

Segundo a Variety, além das restaurações de vídeo de praxe quando se trata de vídeos antigos, o áudio está sendo restaurado pelo produtor musical Giles Martin, especialista em Beatles e, também filho do produtor George Martin, que fez as gravações originais da banda.

Segundo Nigel Sinclair, produtor da White Horse e do filme, o documentário explora o aspecto íntimo das turnês dos Beatles, mostrando como tudo aquilo funcionava a partir da perspectiva da banda. à Variety ele diz:

Os Beatles ao vivo em 1966.
Os Beatles ao vivo em 1966.

[O diretor] Ron [Howard] está providenciando um acesso total VIP aos bastidores dos Beatles, dando aos fãs um fascinante olhar para dentro da banda, além da capacidade de experimentar o que era estar dentro daquilo tudo.

O filme mostrará, garante, como a banda tomava suas decisões, como se relacionavam entre si, além de exibir suas habilidades musicais e o modo como suas personalidades se complementavam.

Beatles no ED Shullivan Show: escassez ao vivo?
Beatles no ED Shullivan Show: escassez ao vivo?

A esperança é que o filme preencha a lacuna considerável de material ao vivo dos Beatles no mercado. Em termos oficiais, tudo o que existe é o que está no citado The Beatles Anthology (em vídeo e áudio). Embora exista um mercado exuberante de material pirata da banda, inclusive coisas ao vivo (apesar de raramente com boa qualidade sonora), não há nenhum CD ou DVD oficial da banda fazendo concertos, o que é alarmante no mundo imagético em que vivemos.

Quem sabe a empreitada não se encerre no documentário em si – que sairá em DVD – mas se materialize em um disco ao vivo (oficial) dos Beatles no mercado? Já seria lucro.

Dá até para sonhar que performances inteiras possam vir no futuro, como Live in Washington-DC (1964), Live at the Shea Stadium (1965) e Live at Budocan, Japan (1966) sejam lançados em DVDs separados, numa iniciativa similar a que os Rolling Stones estão fazendo com shows mais antigos.

O Documentário sem título é elaborado com a total participação da Apple Corps. e de Paul McCartney e Ringo Starr (os dois únicos membros da banda vivos), juntamente a Yoko Ono e Olivia Harrison (viúvas e responsáveis legais pelos falecidos John Lennon e George Harrison), além de Nigel Sinclair pela White Horse Pictures, Scott Pascucci e Brian Grazer da Imagine Entertainment. A direção é de Ron Howard.

Os Beatles surgiram em 1962, advindos da cidade britânica de Liverpool, e alçaram sucesso imediato na Inglaterra, que rapidamente se espalhou para a Europa, para os Estados Unidos e daí para o resto do mundo. Formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, foram a banda pioneira do movimento da Invasão Britânica que fundou o rock clássico e criou as bases modernas do gênero. Lançaram 13 álbuns e são recordistas até hoje em canções de sucesso. Encerraram as atividades em 1970, quando cada um dos membros saiu em carreira individual, todos com sucesso em níveis variados.

 

Anúncios