Demolidor: A trajetória do homem sem medo nos quadrinhos

Demolidor.

Demolidor.

Fazendo sucesso em sua própria série de TV e com 50 anos de histórias publicadas, ainda assim, o Demolidor está longe de ser o personagem mais famoso da editora Marvel Comics. Ainda assim, o personagem Matt Murdock já rendeu algumas das melhores histórias em quadrinhos já publicadas em todos os tempos. Com a ambientação sombria e suspense tenso, a vida de Murdock já foi virada de cabeça para baixo diversas vezes, fazendo do homem sem medo um dos caras que mais apanhou da vida nas HQs, o que rende grande diversão e prazer ao leitor.

Apesar da qualidade de suas histórias, o Demolidor ainda é majoritariamente pouco lido por aqueles que não são fãs de quadrinhos. Portanto, se quer saber mais sobre a trajetória do demônio atrevido da Marvel, siga em frente e conheça a trajetória editorial do personagem.

O sucesso demora, mas quando vem…

O Demolidor da TV.

O Demolidor da TV.

Muitas vezes, personagens fictícios estreiam com sucesso ou o alcançam em pouco tempo, fazendo com que suas aventuras mais antigas sejam mais clássicas. Este, definitivamente, não é o caso do Demolidor. O personagem surgiu na aurora da Marvel, em 1964, mas demorou mais de uma década e meia para encontrar sua real identidade. Foi somente quando o escritor e desenhista Frank Miller assumiu a revista do homem sem medo em 1981 que Matt Murdock encontrou sua vocação maior como personagem. A partir daí, se tornou um personagem denso, sombrio e protagonista de histórias sensacionais.

Por isso, muitas das clássicas aventuras do personagem advêm dos anos 1980 e 90. Mas tal classificação nem é justa, já que o Demolidor teve histórias simplesmente excepcionais nos anos 2000 e continua hoje em uma ótima fase nas mãos do escritor Mark Waid.

Vamos entender essa história toda.

Em meio à festa…

A capa de Daredevil 01, por Jack Kirby.

A capa de Daredevil 01, por Jack Kirby.

O Demolidor estreou em uma revista própria em 1964, numa história assinada por Stan Lee e Bill Everett. O personagem, assim, nasceu em meio ao boom inicial da Marvel Comics, na construção de seu universo ficcional. Embora tecnicamente existisse desde 1939 – sob os nomes Timely Comics primeiro e depois Atlas Comics – a Marvel só se “encontrou” de verdade com o lançamento do Quarteto Fantástico em 1961. A partir daí, o escritor Stan Lee começou a construir – juntamente aos desenhistas Jack Kirby, Don Heck, Steve Ditko e outros – um universo de novos personagens bastante diferentes da concorrente DC Comics (que publicava Superman, Batman, Mulher-Maravilha etc.).

Entre 1961 e 1963, Lee e seus colaboradores criaram uma impressionante quantidade de bons personagens, como Homem-Aranha, Thor, Hulk, Dr. Estranho, Homem de Ferro, os Vingadores e os X-Men. Levando isso em consideração, o Demolidor chega até tarde, em 1964. Mas o fluxo ainda continuaria: os Inumanos, Pantera Negra, Surfista Prateado, ainda chegariam nos anos seguintes.

Os Vingadores de Stan Lee e Jack Kirby: criando o Universo Marvel.

Os Vingadores de Stan Lee e Jack Kirby: criando o Universo Marvel.

O posicionamento cronológico do Demolidor ainda levanta uma questão curiosa: na época, a Marvel ainda se reerguia de uma grave crise vivenciada na década anterior. Assim, não possuía mais uma distribuidora de revistas, de modo que este serviço era realizado, de modo irônico, pela DC Comics. Por isso, a DC impunha um limite de oito revistas mensais de super-heróis à Marvel. Stan Lee – que também era o Editor-Chefe da Marvel, além de seu principal escritor – criou uma estratégia para burlar a regra mantendo 16 revistas bimestrais nas bancas, mas ainda assim, era um número bem limitado.

Por isso, é curioso que o Demolidor tenha estreado em uma revista própria. Veja: o Homem-Aranha surgiu numa aventura na revista Amazing Fantasy 15, em 1962, revista que foi cancelada para dar lugar a outra. Quando a Marvel percebeu que aquela aventura era um sucesso imenso de vendas decidiu dar uma revista própria para o personagem. Mas para isso, precisava sacrificar outra revista e manter o limite imposto pela DC. Assim, sobrou para o Hulk, cuja The Incredible Hulk não vinha vendendo tão bem. O gigante verde ficou sem ser publicado por um tempo e, depois, terminou alocado como uma das histórias publicadas em Tales to Astonish, enquanto estreava a nova The Amazing Spider-Man no lugar daquela.

Então, porque um personagem novo como o Demolidor estreava em uma revista própria em um cenário desses? É uma questão sem resposta. Porque não dar uma revista própria para o Homem de Ferro (que era publicado em Tales of Suspense) ou devolver um número ao Hulk? Talvez, fosse uma aposta de Stan Lee nesse novo e incomum personagem. Mas quem sabe?

Origem Duvidosa

O Demolidor na arte de Bill Everett.

O Demolidor na arte de Bill Everett.

A criação do Demolidor ainda é permeada por uma série de curiosidades ou mistérios. A começar pelo visual do personagem. Até hoje não está claro quem criou a primeira versão do personagem, em seu uniforme amarelo. Apesar de Bill Everett ganhar o crédito de cocriador – porque desenha Daredevil 01 – muitas fontes afirmam que quem criou o visual foi Jack Kirby. É fato que Kirby desenhou a capa de Daredevil 01, pois era o principal capista da editora. E muitas vezes, as capas eram feitas antes mesmo das histórias e serviam de base para o desenhista do interior do número.

Além disso, muitas fontes também dizem que Bill Everett sequer chegou a terminar os desenhos de Daredevil 01 e que Steve Ditko (que desenhava as histórias do Homem-Aranha, Dr. Estranho e do Homem de Ferro) foi quem finalizou a revista, dando um trato no visual na história inteira.

Bill Everett, o primeiro artista.

Bill Everett, o primeiro artista.

Então, porque Bill Everett ganhou os créditos? Segundo muitos, foi uma pura cortesia de Stan Lee. É fato que Everett foi um desenhista célebre no passado – ele criou Namor, o Príncipe Submarino, em 1939, que foi um dos maiores sucessos dos anos iniciais da Marvel – e, nos anos 1960, sofria de alcoolismo. Talvez, o crédito fosse uma maneira de dar algum orgulho e incentivo a Everett, um tipo de atitude típica de Lee.

Também é fato que, em 1964, Everett trabalhava na Eton Paper Corporation, em Massachussets, em um emprego de período integral, por isso, não tinha como manter uma revista mensal. De qualquer modo, Everett voltou a colaborar com a Marvel dois anos depois, desenhando de modo ocasional aventuras dos Vingadores, X-Men, Dr. Estranho e Hulk. Em 1968, ele voltou à ativa de modo mais contínuo retornando a sua maior criação: Namor, quando este ganhou uma revista própria com roteiros do próprio Lee e outros ajudantes. Por fim, Everett terminaria se reestabelecendo na carreira, assumindo a revista Namor, the submariner, entre os números 50 e 61, a partir de 1972, fazendo desenhos e roteiros, embora tenha falecido de forma precoce em 1973.

Um herói incomum

O acidente de Murdock por Lee e Everett.

O acidente de Murdock por Lee e Everett.

Stan Lee gostava de criar personagens singulares. E o Demolidor não seria diferente. O escritor imprimia personalidades fortes em seus personagens e os dotava de limites e fraquezas, além de lhes dar profissões e vidas pessoais bem definidas, de forma totalmente diferente dos heróis da concorrente DC Comics. O Homem de Ferro era um empresário mulherengo e com falhas de caráter; o Homem-Aranha era um adolescente problemático, sem dinheiro, nerd, sem sorte com as garotas e que tinha que cuidar de uma tia idosa e doente, conciliando os estudos com um trabalho de fotógrafo free-lancer; Thor passava seu tempo na Terra como um médico manco de uma das pernas; o Tocha Humana era um adolescente egocêntrico, rico e deslumbrado etc.

Assim, o Demolidor era Matt Murdock, um advogado que ficou cego em um acidente quando adolescente, ao salvar um velhinho de ser atropelado por um caminhão desgovernado, terminou sendo atingido pela carga radioativa do veículo e ficou cego. Em compensação, a radiação fez seus outros sentidos se ampliarem a níveis sobre-humanos. Podia saber se as pessoas estavam mentindo ou não porque ouvia as batidas do coração das pessoas (e também identificá-las pelas batidas); podia determinar a cor de um objeto sentido a emissão de calor das tintas ao tocá-los com as mãos. E o melhor: era dotado de um tipo de radar sônico que lhe dava a localização dos objetos ao seu redor e o permitia ser extremamente ágil.

Capa da edição 04 por Jack Kirby.

Capa da edição 04 por Jack Kirby.

Mesmo com todos esses poderes sensoriais, o Demolidor não tinha nenhuma capacidade sobre-humana em termos físicos. Ou seja, era um homem comum extremamente bem treinado e que usava seus sentidos como vantagem adicional. Mas ainda assim tinha a limitação de ser cego e não poder ver o mundo e as pessoas.

O fato de Murdock ser um advogado e trabalhar numa firma em parceria com o sócio Franklin “Foggy” Nelson e isso servir à história também era interessante. E como não podia faltar drama, existia a secretária Karen Page, disputada pelos dois sócios. Mas Matt sentia que ela merecia mais do que um cego e tentava empurrá-la para os braços do amigo.

Filho de Lutador

Mesmo com esses elementos interessantes enquanto personagem, a origem do Demolidor apresentada em Daredevil 01 era bem banal: Murdock se torna um vigilante uniformizado depois que seu pai, um velho boxeador, é assassinado. O motivo do crime é que Jack “Batalhador” Murdock se negou a entregar a luta por propina relacionada às apostas. Vestido como o Demolidor, Murdock encurrala os criminosos, mas o mandante do crime sofre um ataque cardíaco e morre antes de ir à Justiça.

Início Difícil

O homem-Aranha de Stan Lee e Steve Ditko era uma grande influência.

O homem-Aranha de Stan Lee e Steve Ditko era uma grande influência.

Diferente do Homem-Aranha, que emplacou de cara uma série de histórias clássicas, o Demolidor não teve tanta “sorte” no início. Na verdade, parecia que Stan Lee não tinha muito tempo para escrevê-lo (estava ocupado fazendo o Homem-Aranha, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Dr. Estranho, Nick Fury etc.) e não conseguiu desenvolver bem um universo próprio para o personagem. Assim, muito da ambientação do Demolidor nos primeiros anos devia ao escalador de paredes: o homem sem medo muitas vezes lutava contra os vilões surgidos nas aventuras do cabeça de teia. E o fato de Murdock andar por aí se balançando entre prédios – usando uma corda e arpel fixados em seus bastões (que viravam a bengala de Murdock para disfarçar) – também não ajudava. A personalidade de Murdock como alguém sério, carrancudo e tímido que terminava se sacrificando o tempo inteiro pelos outros, mas sofria internamente por isso, também ecoava diretamente à personalidade de Peter Parker.

O Demoldior, Karen Page  e o Coruja na arte de Joe Orlando.

O Demoldior, Karen Page e o Coruja na arte de Joe Orlando.

A falta de direcionamento também se refletia na dificuldade da revista Daredevil ter uma equipe fixa de colaboradores. Apesar de Lee manter os créditos de escrita, vários desenhistas se alternaram na revista em seus primeiros anos. Se por um lado, isso permitiu ao personagem passar pela mão de vários grandes nomes, por outro, não criou uma marca consolidada como os outros heróis da editora. Stan Lee e Jack Kirby produziriam 102 edições do Quarteto Fantástico; Lee e Steve Ditko assinaram as primeiras 39 edições de Amazing Spider-Man; assim por diante.

Nada mais diferente do que Daredevil: literalmente dezenas de escritores e desenhistas trabalharam na revista entre 1984 e 1979. Como já dito, a dupla Stan Lee e Bill Everett produziu apenas Daredevil 01. Na edição 02, os desenhos foram assumidos por Joe Orlando e, como para reforçar seus laços como o Homem-Aranha, este número o Demolidor enfrenta um dos vilões daquele: Electro. O primeiro vilão próprio do homem sem medo surgiu no número 03, o Coruja. A edição 04 traz a estreia de Killgrave, o Homem-Púrpura, um vilão que teria importância para outros personagens da Marvel, como Jessica Jones no futuro distante.

Capa de Wally Wood já muda o símbolo do peito do herói para dois Ds.

Capa de Wally Wood já muda o símbolo do peito do herói para dois Ds.

Quando parecia que a revista Daredevil tinha ganho um desenhista fixo, Orlando já é substituído a partir do número 05, quando Wally Wood chega à revista. Wood era um dos mais célebres artistas advindos da E.C. Comics, editora que se notabilizou pelas revistas violentas e de terror nos anos 1950.

De cara, Wood já cria uma pequena modificação visual no personagem, trocando o simples D do peito por um duplo D, que viraria, a partir dali, a marca visual do herói.

Capa de Daredevil 07 traz a estreia do novo (e definitivo) uniforme do herói.

Capa de Daredevil 07 traz a estreia do novo (e definitivo) uniforme do herói.

Além disso, Wally Wood parecia mesmo insatisfeito com o visual do Demolidor – que convenhamos era ruim mesmo – e, por isso, propôs um novo visual, aceito por Stan Lee e que estreou em Daredevil 07, de 1965: um uniforme inteiramente vermelho-escuro, que dava um visual mais sombrio e moderno. Este uniforme se tornou o padrão do herói a partir dali.

Uma curiosidade da edição 07 é que Namor era a mais famosa criação de Bill Everett.

Além das mudanças visuais, a pequena temporada de Lee e Wood produziu alguns vilões importantes ao cânone do personagem, como o Sr. Medo (edição 06), o Stiltman (edição 08) e os Homens-Animais (edição 10).

Daredevil 11 fechou um pequeno arco iniciado na edição anterior, na qual Foggy Nelson é eleito Promotor Público de Nova York, o que faz Matt Murdock desistir de seu amor por Karen Page e deixá-la livre para se envolver com seu sócio. A revista, contudo, já teve esta edição desenhada por outro artista: Bob Powell. Este na verdade foi só um tapa buraco até Stan Lee encontrar um substituto, que veio na figura do lendário John Romita.

Pequena Estabilidade

Auto retrato de John Romita: um dos maiores nomes da Marvel.

Auto retrato de John Romita: um dos maiores nomes da Marvel.

John Romita é um dos nomes mais importantes da história da Marvel! Famoso por sua temporada no Homem-Aranha (entre 1966 e 1973), o artista também colaborou com outras revistas, como Capitão América, Hulk e Vingadores, e se tornou o Diretor de Arte da Marvel em 1972, a partir do qual assumiu a responsabilidade de dar um caráter próprio ao visual da editora. Por isso, ao longo dos anos 1970 seria o principal capista da Marvel (ao lado de Gil Kane e John Buscema) e criaria o visual de dezenas de personagens, inclusive do Justiceiro e de Wolverine.

Mas toda a sua história com a Marvel começa ali no ano de 1965 e seu envolvimento com o Demolidor.

Edição de estreia de John Romita traz arte de Jack Kirby.

Edição de estreia de John Romita traz arte de Jack Kirby.

Na verdade, Romita já tinha trabalhado na Marvel no início dos anos 1950 e tinha feito uma parceria com Stan Lee entre 1953 e 1954 numa tentativa frustrada de trazer o Capitão América de volta às bancas (depois do personagem ter sido cancelado quatro anos antes). Com a crise do mercado de quadrinhos de super-heróis dos anos 1960, Romita terminou na DC Comics desenhando histórias de romance, por onde ficou por 10 anos!

Capa de Daredevil 16 por John Romita.

Capa de Daredevil 16 por John Romita.

Frustrado e cansado daquilo, Romita decidiu se aposentar dos quadrinhos (aos 35 anos!). [É incrível que a DC não tenha aproveitado o imenso talento dele para usar em sua linha de super-heróis!] Ao saber disso, Stan Lee convidou Romita para trabalhar na Marvel, mas o desenhista só aceitou na condição de fazer apenas arte-final (ou seja, cobrir com nanquim os desenhos do artista principal) e não mais desenhar. Lee aceitou e colocou Romita para fazer a arte final de algumas edições da revista dos Vingadores. Mas claro que Lee queria Romita desenhando e o testou no Demolidor: mostrou a arte de um desenhista para a revista e pediu conselhos de Romita. No fim das contas, Romita terminou assumindo a revista Daredevil a partir da edição 12, de 1965.

A fantástica arte de JOhn Romita.

A fantástica arte de John Romita.

Com Romita ainda inseguro de retomar o trabalho com os super-heróis, Daredevil 12 e 13 tiveram os layouts criados por Jack Kirby (ou seja, ele definiu angulações e posicionamento dos quadros), enquanto Romita fez as ilustrações em cima deles. O arco de histórias mostrado em Daredevil 12 a 14 explorava as origens do personagem Ka-Zar, um tipo de versão do Tarzan da Marvel, que tinha aparecido em X-Men 10.

Outro encontro especial ocorreu em Daredevil 16, de 1966, na qual o Demolidor encontra o Homem-Aranha. Na verdade, era a segunda vez que os personagens se encontravam, pois a primeira tinha sido em Amazing Spider-Man 14, de 1964.

John Romita expõe seu talento para fisionomias comuns: J.J. Jameson, Peter Parker e Matt Murdock.

John Romita expõe seu talento para fisionomias comuns: J.J. Jameson, Peter Parker e Matt Murdock.

Outro vilão importante da galeria do Demolidor surgiu na edição 18: o Gladiador. Além de Lee e Romita, esta edição também foi cooescrita por Dennis O’Neil, um jovem escritor que estava iniciando a carreira e, logo mais, se tornaria um dos mais importantes da concorrente DC Comics (escrevendo Batman, Superman e Liga da Justiça). Bem mais tarde, O’Neil também teria um envolvimento mais profundo com homem sem medo.

O Gladiador.

O Gladiador.

Romita encerra sua passagem na revista na edição 19, de 1966, pulando para Amazing Spider-Man do Homem-Aranha, onde faria sua fama. Vendo em retrospecto, fica parecendo que Stan Lee planejou tudo e usou a revista Daredevil como um “treino” para Romita assumir o aracnídeo (até o fez aparecer na revista!), o que não é impossível, tendo em vista as grandes discordâncias que o escritor vinha tendo com o artista Steve Ditko que fazia o cabeça de teia. Ditko foi substituído por Romita em Amazing Spider-Man 39.

Romita continuaria envolvido com o Demolidor fazendo muitas capas para suas revistas nos anos seguintes. E, como o leitor irá perceber em breve, o filho dele, John Romita Jr., também seria um importantíssimo ilustrador do homem sem medo.

A chegada de Gene Colan

A dinâmica arte de Gene Colan.

A dinâmica arte de Gene Colan.

Após 19 edições ilustradas por seis artistas diferentes, a revista Daredevil finalmente encontrou um desenhista fixo: o número 20, de 1966, traz a estreia de Gene Colan, que se tornaria um dos mais importantes ilustradores do personagem, responsável pela arte de Daredevil até a edição 100, de 1973 (com a mera exceção de três números). Colan é um dos grandes artistas da história da Marvel – leia um post sobre ele aqui – e o Demolidor foi seu personagem “de assinatura”.

Assim como Romita, Colan tinha um grande talento para criar figuras em ação e desenvolveu isso à maestria no Demolidor, explorando diversos ângulos inusitados em seus quadrinhos e dando ainda mais agilidade ao homem sem medo. Menos musculoso do que as versões de Romita e Kirby, o Demolidor de Colan é magro e esguio, ágil como um atleta olímpico.

A fase com roteiros de Stan Lee e arte de Gene Colan é bastante querida pelos fãs de quadrinhos, porque permitiu um senso de continuidade e aprofundamento do universo próprio do Demolidor, lançando mão de ideias que, por mais que fossem estranhas, marcaram época.

Mike Murdock na arte de Gene Colan.

Mike Murdock na arte de Gene Colan.

Uma dessas ideias estranhas foi a criação do “irmão gêmeo” do Demolidor: Mike Murdock. Na trama exibida em Daredevil 25, de 1967, surgem evidências fortes de que Matt Murdock é o homem sem medo e, para impedir que Karen e Foggy descubram seu segredo, o herói cria a identidade de Mike Murdock, fingindo ser o irmão gêmeo dele mesmo. A intensão era fazê-los acreditar que Mike era o Demolidor, enquanto Matt não podia sê-lo, afinal, era cego!

Murdock ainda imprimiu uma personalidade própria para Mike, que era convencido, arrogante, expansivo, sempre de óculos escuros (afinal, não podia deixar que vissem seus olhos sem visão), numa postura bastante diferente do tímido e retraído Matt. O truque deu certo e Mike virou um personagem constante por algum tempo. Inclusive, logo, Lee e Colan começaram a explorar um problema de dupla (ou tripla?) identidade no homem sem medo, com Matt se questionando quem ele era de verdade: Matt ou Mike?, como ocorre em Daredevil 29.

O Demolidor na arte de Gene Colan.

O Demolidor na arte de Gene Colan.

Contra o Capitão América, numa capa de Jack Kirby.

Contra o Capitão América, numa capa de Jack Kirby.

De qualquer modo, o embuste se mostrou muito confuso para os leitores, por isso, no arco mostrado em Daredevil 40 e 41, de 1968, Matt finge a morte de Mike Murdock e dá a entender que ele havia treinado um outro Demolidor para substituí-lo. O arranjo “Matt-Mike”, contudo, não seria esquecido pelos leitores, nem pelos escritores, voltando à tona diversas vezes para explorar a complicada personalidade do herói.

Embora o Demolidor não fosse uma das principais ocupações de Stan Lee, isso não o impedia de se orgulhar ou divertir fazendo a revista. Em mais de uma entrevista, o escritor já afirmou que a história da qual mais sente orgulho de ter escrito foi aquela publicada em Daredevil 47, de 1969, na qual Matt Murdock defende um cego veterano de guerra que é falsamente acusado de um crime.

A Saída de Stan Lee

Capa de Barry Windsor-Smith.

Capa de Barry Windsor-Smith.

O criador Stan Lee se despede da revista Daredevil na edição 50, de 1969, abrindo espaço para Roy Thomas o substituí-lo. Na época, a Marvel Comics crescia a passos largos e começava a disputar em igualdade o mercado de quadrinhos com a gigante DC Comics. Assim, as capacidades de Lee como Editor-Chefe (cargo que ocupava ininterruptamente desde 1946) eram cada vez mais exigidas. Além disso, com as altas vendas, as antigas revistas bimestrais se tornaram mensais a partir de 1965 e, com o dinheiro entrando, a Marvel comprou sua própria distribuidora e ampliou seu leque de revistas em 1968, dando mais trabalho ao The Man para coordenar tudo. Assim, Lee abandonou a escrita de várias revistas, como Daredevil, Hulk, Iron-Man, Avengers etc. e permanecendo apenas com seus títulos preferidos: Fantastic Four, Amazing Spider-Man, The Mighty Thor e Captain America.

O seu principal substituto foi Roy Thomas, um jovem de 29 anos, em 1969, que ele vinha treinando há quatro anos sob sua batuta. Thomas assumiu primeiro títulos secundários da Marvel, como os X-Men, em 1965, mas logo pôs as mãos nos Vingadores, em 1967, e não parou mais, tornando-se o escritor principal da Marvel no fim dos anos 1960.

Curiosamente, a chegada de Thomas à revista coincidiu com um breve período de três edições nas quais Gene Colan foi substituído pelo artista britânico Barry Windsor-Smith, um grande artista advindo da “escola” de Jack Kirby. Isso porque, na época, Colan estava ocupado fazendo outros trabalhos para a Marvel, como algumas aventuras dos Vingadores e do Capitão Marvel. Mas logo o artista conseguiu endireitar a agenda e retornou a Daredevil, sua casa principal.

Roy Thomas e Gerry Conway

Karen Page descobre a identidade secreta do Demolidor.

Karen Page descobre a identidade secreta do Demolidor.

Roy Thomas ficou por pouco tempo na revista, afinal, tinha várias outras para escrever. Assim, só manteve o ritmo das tramas já criadas por Lee. A maior contribuição de Thomas para o personagem foi encerrar o irritante “triângulo” entre Matt Murdock, Karen Page e Foggy Nelson. Definitivamente, Thomas aproxima Matt e Karen, o que leva o herói a revelar sua identidade secreta para ela na bombástica Daredevil 57, de 1969. Porém, a revelação é demais para a cabeça da moça e Karen decide ir embora e deixar aquela vida para trás.

Este elemento cronológico terá muita importância no futuro do personagem.

Karen vai para a Califórnia e inicia uma carreira como atriz, mas logo, termina voltando à vida do Demolidor, embora nas edições seguintes, ela fica bastante hesitante em relação a Matt e começa, lentamente, a ser afastada da revista. Outro ponto de Thomas foi deixar mais clara a posição de Murdock como advogado: já que Foggy Nelson era o Promotor Público de Nova York, Murdock assume o cargo de Assessor Especial da Promotoria Pública.

O crossover com o Homem de Ferro.

O crossover com o Homem de Ferro.

No mais, Thomas passou a revista para as mãos do jovem Gerry Conway, de apenas 19 anos, a partir de Daredevil  72, de 1971. Conway era um garoto genial na qual Stan Lee e Thomas viram tanto potencial que decidiram investir pesado nele para assumir a principal revista da Marvel: o Homem-Aranha. Mas antes disso, o jovem foi posto na condição de “teste” em outras revistas, como Captain America e Daredevil.

Karen Page e o Demolidor: mudança na dinâmica. Arte de Gene Colan.

Karen Page e o Demolidor: mudança na dinâmica. Arte de Gene Colan.

A entrada de  Conway no título já coincidiu com um crossover entre o Demolidor e o Homem de Ferro, numa trama de espionagem envolvendo Nick Fury, a SHIELD, o Zodíaco e a Madame Máscara, que transcorreu em Daredevil 72 a 74 e em The Invencible Iron-Man 34 a 36. Esse período também coincidiu com um momento em que Gene Colan deixou de fazer as capas da revista, por causa de seus outros afazeres na editora, e a artista Marie Severin assume a função. Mas Colan permanecia fazendo a arte das histórias normalmente.

Como o plano era projetar Conway para assumir Amazing Spider-Man, nada mais justo do que repetir a estratégia que Stan Lee usou com John Romita: fazendo o Homem-Aranha fazer uma participação especial em Daredevil 77, que contou também com a participação especial do Namor. Foi uma oportunidade para Conway “brincar” um pouco com o universo de Peter Parker, envolvendo até Mary Jane Watson e Gwen Stacy.

A sequência de histórias de Conway mostra Foggy Nelson despontando como um natural candidato ao Governo do Estado de Nova York ao mesmo tempo em que passa a ser chantageado pelo vilanesco Sr. Klein.

A Viúva Negra chega à revista. Note o novo layout.

A Viúva Negra chega à revista. Note o novo layout. Arte de Gil Kane.

Outro ponto importante é em Daredevil 81, quando a Viúva Negra é introduzida à revista. Hoje mundialmente famosa pela interpretação de Scarlett Johansson nos filmes dos Vingadores, a personagem havia sido criada por Stan Lee, Don Rico e Don Heck em Tales of Suspense 52, de 1964, numa aventura do Homem de Ferro. Inicialmente, uma vilã à serviço da União Sovética, ela termina se arrependendo de seus crimes e deserdando, tornando-se namorada do vingador Gavião Arqueiro e virando membro não-oficial dos Vingadores por um tempo.

Em 1970, a Viúva Negra ganhou um visual totalmente repaginado criado por John Romita e estreando na revista Amazing Spider-Man 86. Era uma maneira de reintroduzi-la ao grande público para que ela tivesse suas aventuras próprias publicadas na revista Amazing Adventures durante um tempo. Esta aparição em Daredevil se daria logo após o fim de suas aventuras solo.

A Viúva Negra dos cinemas por Scarlett Johansson.

A Viúva Negra dos cinemas por Scarlett Johansson.

O motivo da inclusão da Viúva Negra era dar uma renovada no título. Desde a saída de Stan Lee da revista, Daredevil vendia cada vez menos. Por um tempo, Stan Lee cogitou voltar à velha tática de unir heróis que vendiam pouco em uma mesma revista e foi por isso que ocorreu aquele crossover entre o Homem de Ferro e o Demolidor. Era um teste para ver como os dois heróis funcionavam na mesma revista, já que se planejava uni-los no mesmo título (com histórias separadas). A mudança chegou mesmo a ser anunciada nas revistas, mas nunca ocorreu. A introdução da Viúva Negra aumentou mesmo o interesse do público e Daredevil voltou a crescer nas vendas.

Na trama de Conway e Colan, enquanto luta contra o Coruja, o Demolidor despenca de um helicóptero nos céus de Nova York e cai no rio Hudson. Desacordado pelo impacto, ele é salvo pela Viúva Negra, que presenciou sua queda e se une a ele na luta contra o vilão. Um detalhe para aqueles que gostam: nesta ocasião, o homem sem medo perde seus bastões originais, que usava desde o começo de sua carreira como combatente ao crime. A arma termina perdida no fundo da baía de Hudson e, na edição 82, o herói constrói um novo dispositivo para ele.

A primeira aparição do novo visual criado por John Romita, em 1970.

A primeira aparição do novo visual criado por John Romita, em 1970.

Além disso, Daredevil 81 marca o momento em que o artista Gil Kane assume as capas do Demolidor, função que exercerá na maior parte dos anos 1970. Como já escrito, naquele tempo, na Marvel, apenas um pequeno punhado de ilustradores faziam as capas das revistas, como Kane, John Romita, John Bsucema e alguns outros.

Com a introdução da Viúva Negra no título, cada vez mais há uma aproximação entre ela e o Demolidor, de modo que Karen Page é deixada cada vez mais de lado. Daredevil 85 marca um ponto de virada, quando a Viúva Negra é acusada de assassinato e Matt Murdock parte para defendê-la. Isso cria uma grande tensão entre ele e Foggy Nelson – o encarregado de acusá-la, como Promotor Público – de modo que Murdock abdica de seu cargo de Assessor Especial da PP para defendê-la.

Um pequeno desentendimento da dupla, na arte de Gene Colan.

Um pequeno desentendimento da dupla, na arte de Gene Colan.

No número seguinte, Natasha Romanov é inocentada, mas o estrago está feito. Foggy Nelson pede demissão do cargo de PP por causa da chantagem que recebeu. Matt e Karen anunciam o seu noivado (para tristeza de Natasha), mas antes do fim da edição eles já rompem. Assim, enquanto Karen se muda definitivamente para a Califórnia, Matt decide ir embora de Nova York e se instalar em San Francisco (também na Califórnia), levando a Viúva Negra com ele.

A Fase em San Francisco

Fase de San Francisco (veja a Goldengate ao fundo) na arte de Gil Kane.

Fase de San Francisco (veja a Goldengate ao fundo) na arte de Gil Kane.

Foi de Gerry Conway a ideia de mudar o Demolidor para San Francisco, depois de passar férias na cidade. A mudança tinha bons efeitos de vários tipos: aproximava (um pouquinho) os heróis da Marvel da Costa Oeste (já que todos eles estavam baseados em Nova York) e também servia para descentralizar o papel de NY nas revistas. Além disso, San Francico era o lar-maior do movimento hippie e da contracultura dos EUA (sexo, drogas e rock and roll) e jovens como Conway e Roy Thomas (que na prática servia como editor da revista) eram bastante afeitos à ideia.

A chegada de Matt Murdock e Natasha Romanov (juntamente a Ivan Petrovitch, o “guardião” dela) em San Francisco abriu o leque para uma série de situações inusitadas na vida do Demolidor e, também, à introdução de uma série de personagens coadjuvantes novos, como o Comissário de Polícia O’Harra e Danny French.

No campo das ameaças, contudo, a mudança de costa não resultou em novos vilões: nos primeiros números pós-Daredevil 87, Conway e Colan fazem o homem sem medo enfrentar os mesmos inimigos de sempre: Electro, Killgrave, o Homem-Púrpura e o Sr. Medo.

A revista muda o nome para Daredevil & Black Widow.

A revista muda o nome para Daredevil & Black Widow. Arte de John Romita.

Uma mudança que realmente ocorreu foi no título da revista, que se tornou oficialmente Daredevil & Black Widow a partir do número 92, de 1972.

Nesta altura, Gerry Conway já estava efetivamente escrevendo Amazing Spider-Man (com desenhos de John Romita) e, logo, também assumiria o Quarteto Fantástico, se tornando um dos principais escritores da Marvel. Assim, seu tempo numa revista secundária como Daredevil estava acabando. Não custa lembrar, foi Conway quem criou a clássica história A Noite em Que Gwen Stacy Morreu, a melhor de todas do Homem-Aranha, que cumpre a promessa de eliminar a namorada do herói.

A Viúva Negra na bela arte de Gene Colan.

A Viúva Negra na bela arte de Gene Colan.

Além disso, o editor de Daredevil, Roy Thomas assumiu o cargo de Editor-Chefe no mesmo período, enquanto Stan Lee era promovido a Publisher da Marvel. John Romita foi oficializado como Diretor de Arte. A partir daqui, a Marvel teria uma vida editorial mais organizada e definida. No caso de Daredevil, Thomas continuou sendo o editor responsável e Gil Kane passou a fazer quase todas as capas dali para frente, independente de quem fosse o artista da história em seu interior.

Capa de Daredevil 100, por Marie Severin.

Capa de Daredevil 100, por Marie Severin.

Conway começou a passar o bastão para Steve Gerber em Daredevil 97, de 1973, quando o primeiro passa a escrever apenas a premissa da história e o segundo assume a finalização e os diálogos. Gerber se tornaria o escritor oficial da revista a partir do número 100.

Antes disso, Daredevil 99 faz uma importante conexão com Avengers 111 (escrita por Steve Englehart e desenhada por Don Heck) na qual o Demolidor e a Viúva Negra se aliam aos Vingadores. No fim da trama desta última, a Viúva Negra decide se tornar membro fixo da equipe, para mostrar que tem uma vida independente do Demolidor. O estopim é porque, em Daredevil 99, o Gavião Arqueiro (ex-namorado da moça) vai a San Francisco tirar satisfações e termina se envolvendo numa briga com o homem sem medo.

Daredevil 100 termina sendo um fechamento de ciclo já que, com Steve Gerber assumindo os roteiros, o desenhista Gene Colan decide sair da revista. Até ali, Colan tinha vivenciado uma temrporada praticamente ininterrupta no Demolidor por sete anos! O artista estava cansado do personagem e queria novos desafios. Além disso, ele já tinha começado a trabalhar em The Tomb of Dracula, uma revista de terror da Marvel protagonizada pelo príncipe dos vampiros. Este trabalho seria outro dos mais importantes da década e outra “assinatura” de Colan.

Ainda assim, Colan desenharia outras 10 edições de Daredevil até 1979, mas sempre de modo apenas casual, substituindo outros artistas.

Quase na TV

Black Widow and Daredevil TV Angela Bowie

Viúva Negra e Demolidor: Quase na TV em 1975.

Em meio aos anos 1970, Stan Lee era o Publisher da Marvel e uma de suas funções eram conseguir o licenciamento dos personagens para outras mídias. O criador do Universo Marvel inclusive montou um escritório em Los Angeles para ficar mais próximo de Hollywood e de onde as coisas aconteciam. A iniciativa gerou frutos: seriam produzidas séries de TV do Homem-Aranha e do Hulk em 1977, e enquanto a primeira não conseguiu emplacar mais do que duas temporadas recebidas de modo frio; o segundo fez um grande sucesso de público e crítica e teria quatro temporadas produzidas até 1983.

Nesse meio do caminho, várias outras personagens da Marvel foram cogitadas a ganhar vida na telinha e o Demolidor foi uma delas. Aliás, a ideia dos produtores de Hollywood era fazer uma série chamada Daredevil & Black Widow, ou seja, Demolidor e Viúva Negra, tal e qual a revista da época.

Black Widow and Daredevil TV Angela Bowie 03

Angela Bowie e Benny Carruthers teriam sido a primeira encarnação live action do casal. Que tal?

Não seria o último projeto do homem sem medo em live action, mas isso é assunto para o futuro.

Troca de cadeiras

A edição 124 traz a chegada de Marv Wolfman e o fim da parceria com a Viúva Negra.

A edição 124 traz a chegada de Marv Wolfman e o fim da parceria com a Viúva Negra. Arte de Gil Kane.

O restante dos anos 1970 não foram muito promissores para o Demolidor na maior parte do tempo. A ligeira subida nas vendas da fase Conway não se manteve e começou a decair de modo ininterrupto ao longo dos anos. Para piorar, os artistas e escritores seguintes não conseguiram imprimir muita vontade no Demolidor.

A fase de Steve Gerber iniciada na edição 100, em 1973, demorou sete edições para encontrar um desenhista fixo, na figura de Bob Brown (que já tinha cuidado da revista dos Defensores). Brown seria o artista da revista por quase 40 edições, uma temporada só mais curta do que a de Colan. Gerber por sua vez ficaria por 19 edições, dando lugar a Tony Isabella em Daredevil 119. Este escritor, contudo, sequer esquentou a cadeira, o editor Roy Thomas não aprovou a abordagem de Isabella ao personagem e o substituiu por Marv Wolfman a partir de Daredevil 124, de 1975.

Marv Wolfman era um dos editores da Marvel e, no futuro, seria um dos mais importantes escritores dos quadrinhos (principalmente na DC Comics). Mas naquele momento, ainda estava desenvolvendo suas habilidades. Ao mesmo tempo, não conseguia imprimir um ritmo próprio ao Demolidor, coisa que nenhum escritor conseguira desde Lee. Ainda assim, sua fase foi mais importante do que as imediatamente anteriores. Também é importante frisar que Roy Thomas deixou de ser o Editor-Chefe da Marvel nessa mesma época, deixando também a editoria da revista Daredevil que tinha desde por volta do número 90. Marv Wolfman seria não somente o escritor da revista, mas também seu editor.

O Mercenário faz sua estreia. Principal vilão.

O Mercenário faz sua estreia. Principal vilão. Arte de Rick Buckler e John Romita.

Em primeiro lugar, logo na primeira edição, Wolfman encerra de vez a parceria do Demolidor com a Viúva Negra. Desde a edição 108 a revista não tinha mais o subtítulo …& Black Widow, mas a personagem continuava como recorrente nas histórias (mesmo também fazendo parte dos Vingadores). Contudo, Wolfman tratou de afastá-la imediatamente e, não somente isso, trouxe Matt Murdock de volta para Nova York e a Cozinha do Inferno. Daredevil 124 foi, assim, a última edição a ter a figura da Viúva Negra no lado direito do logo. E por fim, mais uma curiosidade: o editor Len Wein, então Editor-Chefe da Marvel, coescreveu esta edição em parceira com Wolfman.

Outro importante movimento de Wolfman no título foi criar uma nova namorada para Matt Murdock: Heather Glenn, que estreou em Daredevil 126. Boa parte da temporada de 20 edições do escritor na revista girou em torno da dramática trama entre Matt e Heather: ela era uma socialite de NY e pôs Murdock em contato com um mundo com o qual só tinha flertado até então. O escritor dotou a personagem de uma personalidade cativante, embora fosse emocionalmente frágil. Heather financiaria, por um tempo, as atividades de Nelson e Murdock, ao mesmo tempo em que o pai dela, Maxwell Glenn, estava envolvido em um grande esquema de crimes.

A estreia de Heather Glenn, por Wolfman e Colan.

A estreia de Heather Glenn, por Wolfman e Brown.

Naquela mesma edição em que criou Heather, Wolfman também introduziu o Promotor Blake Tower, o sucessor de Foggy Nelson na PP. Tower seria um personagem coadjuvante de certo destaque na Marvel, aparecendo na revista de vários heróis, como Capitão América, Homem-Aranha e Mulher-Hulk.

Por fim, Wolfman também criou o vilão Mercenário (Bullseye, no original), que apareceu em Daredevil 131, de 1976, e no futuro breve se tornaria o principal inimigo físico do Demolidor, substituindo velhas figuras como Coruja, Sr. Medo e Gladiador. O visual do Mercenário foi criado por John Romita, embora as revistas continuassem a ser desenhadas por Bob Brown. O Mercenário teria constantes aparições na revista dali em diante.

O Demolidor na arte de Bob Brown.

O Demolidor na arte de Bob Brown.

A temporada de Wolfman e Brown se encerra na edição 143, de 1977. Os dois saíram juntos, mas por motivos diferentes. Wolfman estava insatisfeito com seu próprio trabalho, ao mesmo tempo em que se tornara o Editor-Chefe da Marvel no ano anterior, ficando sobrecarregado de trabalho. Por fim, Wolfman assumiu a revista Amazing Spider-Man do Homem-Aranha e decidiu abdicar do Demolidor. Já Bob Brown estava gravemente doente com leucemia e morreria naquele mesmo ano.

Quem assumiu Daredevil na edição 144 foi o escritor Jim Shooter, ao lado do desenhista Gil Kane. Shooter tinha apenas 25 anos, mas era um experiente escritor de quadrinhos: ele começou fazendo roteiros para a revista da Legião dos Super-Heróis, da DC Comics, aos 13 anos de idade! O menino enviava os roteiros pelos correios e demorou meses para a DC perceber a idade dele! Mesmo assim, a revista fez um sucesso enorme nas mãos dele no fim dos anos 1960. Depois, de formar no Ensino Médio, Shooter se afastou um pouco das revistas, mas retornou em meados dos anos 1970. Ele teria um grande futuro na Marvel, como veremos a seguir.

Capa com arte de Gil Kane: agora nas histórias também.

Capa com arte de Gil Kane: agora nas histórias também.

Gil Kane era um veterano artista da Era de Prata, cocriador do Lanterna Verde Hal Jordan na DC Comics. Depois de anos fazendo as revistas daquele herói, do Batman e do Superman, Kane migrou para a Marvel no fim dos anos 1960, trabalhando no Hulk e no Homem-Aranha. Na década de 1970, se tornou um dos célebre artistas que faziam as capas das revistas da Marvel. Curiosamente, Kane tinha desenhado a maioria das capas da revista Daredevil desde o número 80, mas nunca tinha desenhado uma história do personagem (!) até aquela edição 144.

Shooter era um escritor habilidoso e a fase dele com Kane se inicia dando sequência ao arco de histórias envolvendo os crimes de Maxwell Glenn, o pai de Heather. Em Daredevil 147, o empresário é preso, mas o Demolidor termina descobrindo que cometeu todos os seus crimes porque estava sob o controle mental de Killgrave, o Homem-Púrpura.

Heather Glenn culpa o Demolidor pela morte do pai.

Heather Glenn culpa o Demolidor pela morte do pai.

Na comemorativa Daredevil 150, de 1977, enquanto Shooter e o desenhista especialmente convidado Carmine Infantino introduzem o mercenário de aluguel Paladino, Maxwell Glenn não consegue lidar com a culpa pelos crimes que cometeu e termina por cometer suicídio. Antes de saber disso, Matt Murdock decide contar a Hearther que ele é o Demolidor e, por causa de seus poderes, sabe que o pai dela é inocente. Porém, na edição 151, (novamente com Kane na arte) ao saber de tudo, ela termina culpando o herói pelo destino do pai e desaparece.

Esses trágicos eventos encerram a curta temporada de Shooter na revista. O escritor também escrevia a revista dos Vingadores e, naquele ano, assumiu o cargo de Editor-Chefe da Marvel, ficando sem tempo para se dedicar ao Demolidor. Seu lugar na revista foi ocupado por Roger McKensie, a partir da edição 152.

Ao mesmo tempo, as vendas da revista Daredevil caíam vertiginosamente, mesmo que vivesse uma boa fase. Mas como é o mercado quem manda, Darevevil se tornou um título bimestral a partir da edição 147.

O Início de uma Era Sombria

Demolidor e Viúva Negra versus o Capitão América na arte de Gene Colan.

Demolidor versus Viúva Negra na arte de Gene Colan. Despedida.

Aproveitando a pegada de Jim Shooter, Roger McKensie – que também escrevia a revista do Capitão América – decidiu dar uma ambientação mais sombria à série do Demolidor. Embora tenha envolvido o personagem num arco com os Vingadores – ao longo das edições 153 e 156 (o que serviu para trazer a Viúva Negra de volta à revista por um breve momento) – a maior parte das tramas envolvia uma ambientação mais mundana, com o homem sem medo usando os criminosos comuns como informantes e combatendo um vilão assustador chamado Death-Stalker (que tinha sido criado lá atrás por Stan Lee e Gene Colan em Daredevil 39, mas nunca tinha sido tão bem usado).

O que prejudicou parte da temporada de McKensie foi a ausência de um artista fixo. Vários desenhistas passaram na revista, inclusive o clássico Gene Colan, que fez algumas edições.

Foi McKensie e Colan quem criaram o repórter do Clarim Diário Ben Urich, em Daredevil 153, que se tornaria rapidamente um dos personagens coadjuvantes mais importantes do universo do Demolidor e que, como grande investigador, logo, deduziria a identidade secreta do herói, passando a agir como um forte aliado.

A chegada de Frank Miller

A estreia de Frank Miller, inclusive na capa!

A estreia de Frank Miller, inclusive na capa!

A grande virada na vida do Demolidor veio com a chegada de Frank Miller no título. Inicialmente apenas como desenhista, logo, assumiria os roteiros também e transformaria Daredevil não apenas em um fenômeno de vendas, mas numa revista cult, sombria, violenta e fascinante. Seria Miller quem definiria a personalidade conturbada e complexa de Matt Murdock e daria uma “cara” própria a todo o universo ao seu redor. Um verdadeira revolução nos quadrinhos.

Miller estreou na Marvel em pequenas participações e tirou a sorte grande ao desenhar uma edição de Spectacular Spider-Man 27, de 1979, apenas para cobrir as férias do artista regular. Aquele número trazia um encontro do Homem-Aranha com o Demolidor e o editor Dennis O’Neil, responsável pelo Demolidor, achou que ele faria um bom trabalho no homem sem medo. Ao mesmo tempo, apesar da pouca inexperiência, Miller sequer era uma aposta arriscada, já que a revista Daredevil tinha vendas cada vez mais baixas e a Marvel começava a considerar simplesmente cancelá-la.

A dinâmica arte de Miller na capa da edição 161.

A dinâmica arte de Miller na capa da edição 161.

Frank Miller estreou como desenhista em Daredevil 158, de 1979, com textos de Roger McKensie, e encerrando o arco do Death-Stalker, que morre nessa edição. Curiosamente, diferente das épocas passadas, o artista estreante também passa a fazer as capas da revista.

Em seguida, a dupla embarca em um longo arco no qual há mais uma batalha entre o Demolidor e o Mercenário, com a participação da Viúva Negra, passando entre as edições 159 e 162. Em Daredevil 164, de 1980, McKensie e Miller mostram o repórter Ben Urich descobrindo a identidade secreta do homem sem medo e, ao confrontá-lo, Murdock simplesmente lhe conta tudo, sendo uma oportunidade para revisitar a origem e a carreira do herói.

A despeito das vendas ainda baixas, a Marvel parecia querer investir em Daredevil, que ganhou um novo logotipo criado por Miller na edição 166. Nesta edição também ocorre o casamento de Foggy Nelson e Deborah Harris, sua namorada quase desde sempre. Esta também foi a última edição assinada por Roger McKensie. O número 167 trouxe David Michellinie (que vinha do Homem de Ferro e dos Vingadores), mas já na edição seguinte Frank Miller assume os roteiros e os desenhos e iniciaria uma das mais importantes temporadas da história dos quadrinhos e uma verdadeira revolução na nona arte.

Revolução nos Quadrinhos

Frank MIller assume os roteiros e revoluciona os quadrinhos.

Frank MIller assume os roteiros e revoluciona os quadrinhos.

Até então, apesar de algumas histórias muito legais, bons conceitos e incontáveis grandes artistas, o Demolidor e sua revista eram unidades secundárias da Marvel. Jamais conhecido ou querido como o Homem-Aranha, Hulk ou os Vingadores. Bom, talvez ainda hoje ele não seja tão mundialmente conhecido quanto estes, porém, a partir do momento em que Frank Miller assumiu a escrita e a arte da revista, sem dúvidas o homem sem medo se tornou tão importante quanto esses outros e liderou uma revolução nos quadrinhos, na medida em que suas histórias se tornaram sombrias, violentas, inteligentes, ousadas, radicais e incrivelmente boas. Seu trabalho pioneiro é a pedra fundamental sobre a qual se construiria a Era Sombria dos Quadrinhos, uma fase em que as HQ se tornaram mais adultas e que foram a tônica dos anos 1980 e 1990, principalmente.

Assumindo a partir de Daredevil 168, de 1981, Frank Miller provocou grandes mudanças na vida de Matt Murdock, de sua revista e da indústria de quadrinhos. Para começar, impôs um regime diferente a Daredevil e seu universo: afastou o personagem do fantasioso universo Marvel e criou uma abordagem mais realista. Assim, os velhos vilões (Sr. Medo, Homem-Púrpura, Coruja) desapareceram por completo (à exceção do Mercenário), assim como os refugos de vilões do Homem-Aranha (Elektro, Kraven, Dr. Octopus…). Até os personagem coadjuvantes da revista desapareceram, permanecendo praticamente apenas o repórter Ben Urich, com Foggy Nelson aparecendo apenas ocasionalmente.

A arte de Miller: cinematográfica.

A arte de Miller: cinematográfica.

Agora, o Demolidor combatia a escoria das ruas: pequenos bandidos, gangues, o crime organizado… E para dar um ar de HQ um novo grupo de ninjas chamado Tentáculo. Matt Murdock se tornou mais conturbado e o mundo ao seu redor fico mais sombrio e assustador. Também é preciso elogiar a arte de Miller. Embora não fosse um grande artista de fisionomias ou muito preciso quanto a anatomia, compensava isso com uma grande dinâmica, senso de movimento e uma abordagem cinematográfica, abusando de ângulos sensacionais, dividindo os quadros das páginas de maneira criativa e abolindo os balões de pensamento e utilizando os recordatórios como um modo do próprio personagem narrar a história.

Demolidor versus Justiceiro em Daredevil 183: coreografias de Miller.

Demolidor versus Justiceiro em Daredevil 183: coreografias de Miller.

Outro ponto a destacar são as incríveis cenas de luta que Miller criava na revista. Poucos desenhistas foram tão habilidosos neste quesito como ele. Toda a sua temporada como escritor/desenhista é recheada de batalhas coreografadas sensacionais.

A resposta do público foi exemplar: bastaram apenas três edições para que Daredevil voltasse a ser uma revista mensal e, em pouco tempo, já era uma das mais vendidas da Marvel, batendo frente à frente com Homem-Aranha e X-Men.

Elektra e o Demolidor: arte de Frank Miller.

Elektra e o Demolidor: arte de Frank Miller.

Já em Daredevil 168 Miller introduz uma personagem que abalaria as estruturas da revista: a mercenária assassina Elektra Natchios. Por meio de um longo flashback descobrimos que a moça grega, filha do Embaixador de seu país, foi um grande amor do passado de Matt Murdock, com os dois namorando na época da faculdade de Direito. Mas após o pai dela ser assassinado por bandidos, ela vai embora e desaparece. Agora, o Demolidor a encontra como a principal agente do submundo.

Mexer no passado do Demolidor virou uma regra para Miller: não apenas Elektra foi incluída retroativamente à sua vida, mas também inúmeros elementos novos de sua origem. Aproveitando que Stan Lee tinha contato que Murdock ganhou suas habilidades ainda adolescente e que só adulto – já como advogado atuante – é que se tornou o Demolidor, o escritor/artista tratou de preencher esse espaço com o seu treinamento. Assim, criou a figura de Stick, um misterioso cego que também tinha habilidades incríveis e treinou o herói nas artes marciais e no uso de seus poderes.

Nem tudo são flores entre amantes...

Nem tudo são flores entre amantes…

E Miller quebrou a regra de não usar mais vilões do Homem-Aranha uma vez, mas de modo genial, transformando Wilson Fisk, o Rei do Crime, no maior de todos os oponentes do Demolidor. Ora, se agora o homem sem medo se volta contra o crime organizado, que melhor oponente do que aquele cara que comanda o submundo da Costa Leste?

O Rei do Crime tinha sido criado por Stan Lee e John Romita em Amazing Spider-Man 50, de 1967. Embora tenha sido um importante inimigo do Homem-Aranha no fim dos anos 1960, os roteiristas posteriores não souberam fazer uso do personagem e Wilson Fisk praticamente caiu no esquecimento. Apenas fez algumas aparições como oponente do Capitão América num arco de histórias de 1972. Ele chegou a aparecer algumas vezes na revista do teioso, mas nunca com o mesmo brilho de antes.

A clássica e chocante cena da morte de Elektra.

A clássica e chocante cena da morte de Elektra.

Frank Miller transformou Wilson Fisk no mais “fodão” dos chefes criminosos. Um sujeito frio e genial, que comandava o crime – e a cidade! – com mão de ferro. E quem melhor do que um advogado que combate o crime com as próprias mãos para ser seu oponente mais ferrenho?

Miller exigiu de todos os personagens: o Demolidor precisava lidar com seus demônios internos (seu pai é mostrado como alguém violento, que batia nele!) e tentar “salvar” Elektra, apresentada agora como seu grande amor. Elektra, por sua vez, ficou “tocada” ao descobrir que Matt agora era um combatente do crime e fica dividida entre ser uma má ou uma boa pessoa. E o Rei do Crime pensa seriamente em se aposentar de suas atividades criminosas e seus próprios comandados armam um plano para sequestrar a esposa dele, Vanessa, para forçá-lo a se manter no comando, o que traz sérias consequências à saúde mental dela.

A vingança do Demolidor contra o Mercenário.

A vingança do Demolidor contra o Mercenário.

Claro que tudo tinha que terminar em tragédia: em Daredevil 181, de 1982, Elektra é morta pelo Mercenário. Na trama, após se desligar da organização de Wilson Fisk, este para lhe dar uma lição, contrata o Mercenário para eliminá-la, o que ele faz. Um Demolidor ensandecido de ódio e vingança vai atrás do vilão e – para surpresa dos leitores – simplesmente joga o Mercenário de cima de um prédio! Edições seguintes mostrarão que ele não morre, mas fica paraplégico.

Como se isso não fosse o suficiente, em Daredevil 191, de 1983, o Demolidor “visita” o Mercenário no hospital e, num conto assustador, “brinca” de roleta russa com ele. A arma está totalmente descarregada, mas o vilão não sabe disso!

A temporada de Frank Miller, claro, transformou o artista em uma estrela e ele produziu, portanto, várias outras edições especiais para a Marvel, como do Homem-Aranha e do Capitão América. Destaque para a minissérie Wolverine, escrita por Chris Claremont e desenhada por Miller, com a primeira aventura do membro dos X-Men que se tornava cada vez mais popular. A história é até hoje uma das melhores do personagem. Talvez por causa desses outros trabalhos, Miller gradativamente foi passando a arte de Daredevil para o arte-finalista Klaus Janson. AS últimas seis edições daquela fase tiveram apenas o layout de Miller, na qual Janson produziu ele mesmo os desenhos.

Como tudo o que é bom acaba, Miller encerrou sua passagem na edição 191, após dois anos maravilhosos em Daredevil. Esta última edição, mostra que Elektra foi ressuscitada pelo Tentáculo, mas a ideia era deixá-la “escondida”, já que a ex-assassina embarca em uma jornada de autoconhecimento isolada no Himalaia.

Miller produziria nos anos seguintes duas histórias focadas nela, por meio da sensacional série de graphics novels publicadas pela Marvel na segunda metade dos anos 1980: Elektra Assassina e Elektra Vive.

***

Encerramos aqui a primeira parte de nosso especial sobre o Demolidor nos quadrinhos.

Em breve, o HQRock publicará a segunda parte, que trará a dark fase de Dennis O’Neil, o retorno de Frank Miller para a sua melhor história, a colaboração de Ann Nocenti e John Romita Jr., os anos 1990, Kevin Smith, Brian Michael Bendis, Ed Brubaker e a atual fase de Mark Waid, além das adaptações do personagem ao cinema à TV.

Não perca!

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 19/04/2015, in Demolidor, Desenhistas, Dossiês de Personagens, Escritores, Jack Kirby, Marvel Comics, Revistas, Stan Lee. Bookmark the permalink. 24 comentários.

  1. Thiago Stoianov

    Ótima postagem!
    Essas trajetórias, sejam de quadrinhos ou de música, são ótimas

  2. Parabéns pelo excelente artigo. Completo, instrutivo e opinativo!
    Acredito que a arte-final de Klaus Janson contribuiu muito para o sucesso de Frank Miller nos desenhos.
    Para mim, a fase de Roger McKenzie é muitas vezes subestimada ou ofuscada, pois às vezes, se mescla à de Frank Miller. Plots como a descoberta da identidade secreta do Demolidor por Ben Urich (da fase de McKenzie) gerou tanta influência e importância na vida do Homem Sem Medo, que é sentida até os dias de hoje, na fase de Waid. Comentei um pouco sobre esse assunto em meu blog.
    Espero pela segunda parte com certeza!

    • Obrigado, Roger.

      O legal do Demolidor é isso: mesmo algumas das fases menos apreciadas têm elementos muito legais. E, no caso específico de Roger McKensie, sem sombra de dúvidas, a fase dele é muito boa e abriu todo o leque de oportunidades para Frank Miller, já que foi o primeiro quem impôs um clima mais noir, sombrio e humano às tramas.

      E aproveito também para dizer que o seu blog é muito legal. Gosto bastante.

      Um grande abraço!

      • Opa, eu é que agradeço. Um elogio vindo de você, eu nem mereço. Considero seus textos analíticos e suas profundas pesquisas como algo de excelente qualidade, além de serem informativos, tanto em assuntos relacionados a HQs quanto a música.
        Obrigado e um abraço!

      • Obrigado, Roger. Um abração!

  3. Marcos Roque

    Sensacional! Ótima postagem, cronologia bem detalhada, texto impecável. Escrito de um fã para outros fãs. Eu sempre achei que o Demolidor merecia um tratamento mais adequado, e agora com a série produzida pela Netiflix vimos que, com um bom roteiro, ele pode ter a importância que merece. Parabéns pelo site!

  4. Ótima postagem, Irapuan. Eu, como super fã do personagem, fico muito feliz com um trabalho tão dedicado…
    Aguardando a segunda parte!
    Abraços

  5. Aguardando ansiosamente a segunda parte, esse tipo de matéria é demais !!

  6. tenpounder

    Sem palavras. Que artigo sensacional!

  7. Ótimo, mais um dossiê fantástico, muito obrigado por desvendar toda a carreira do Demônio da fase pré Frank Miller, que sempre foi uma fase que ficou bastante obscura pra maioria dos leitores…já no aguardo da segunda parte…

  8. so de ler a parte 01 ja posso afirmar que a p.02 vai ser de tirar o folego com os arcos:demonio da guarda e a queda de murdock arrebentando estou esperando anciosamente hein…abraços

  9. Excelente artigo, Irapuan! Você saberia me informar que personagem é aquele com aparência de caçador, presente no funeral de Karen Page em Diabo da guarda?

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