Gerry Conway: de volta ao Homem-Aranha.
Gerry Conway: de volta ao Homem-Aranha.

Gerry Conway, um dos mais clássicos escritores do Homem-Aranha, irá voltar ao personagem. Ele publicou no Twitter ontem que escreve atualmente uma minissérie do personagem da Marvel Comics que será publicada no ano que vem, entre o fim do inverno e o início da primavera (ou seja, entre fevereiro ou março de 2015). Conway é famoso por ter escrito a clássica história A Noite em que Gwen Stacy Morreu, a mais importante (e provavelmente, a melhor) aventura do aracnídeo, publicada em duas partes nas edições Amazing Spider-Man 121 e 122, de 1973, com desenhos de Gil Kane e John Romita. A aventura foi, inclusive, parcialmente adaptada no filme O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro.

Não há qualquer detalhes sobre o que será a minissérie por enquanto.

Gerald F. “Gerry” Conway nasceu no Brooklyn, em Nova York, em 1952 e foi parte da geração de jovens escritores que dominou o mercado de quadrinhos no início dos anos 1970, estabelecendo a Era de Bronze dos quadrinhos. Precoce como muitos de sua geração, Conway iniciou a carreira aos 16 anos, publicando histórias de terror na DC Comics, que tinha uma popular linha de revistas nessa temática. Mas seu sonho era escrever para os super-heróis da Marvel Comics. Por isso, fez um “teste de escritores” junto ao Editor-Chefe Stan Lee e seu braço direito, o editor assistente Roy Thomas. Embora Lee não tenha se impressionado demais, Thomas apostou no talento do garoto, de modo que Conway fez sua estreia na Marvel em 1970, escrevendo uma aventura de Ka-Zar, um personagem que vivia em uma floresta repleta de dinossauros.

A trágica cena envolvendo o Homem-Aranha, Gwen Stacy e o Duende Verde.
A trágica cena envolvendo o Homem-Aranha, Gwen Stacy e o Duende Verde.

Logo em seguida, Conway passeou por vários títulos da Marvel, fazendo seu nome ser estampado em diversas revistas em 1971, com aventuras de Demolidor, Incrível Hulk, Homem de Ferro, Inumanos e Viúva Negra. Também nesse período, foi cocriador do Homem-Coisa, ao lado de Stan Lee e Roy Thomas; e cocriador do Warenwolf by the night, junto a Thomas, Jean Thomas e o desenhista Mike Ploog. Conway ainda escreveu a primeira edição da revista The Tomb of Dracula, que trazia para as HQs da Marvel o famoso vampiro da literatura.

Ser bem sucedido em todo esse teste permitiu que Conway, aos 19 anos (!), assumisse a revista de maior sucesso da Marvel: Amazing Spider-Man. Era o próprio Stan Lee quem escrevia as aventuras do aracnídeo desdo o início do personagem dez anos antes, contudo, quando Lee foi promovido a Publisher da Marvel Comics, ficou sem tempo para escrever as histórias; indicou Roy Thomas como o novo Editor-Chefe e Conway como seu substituto para a revista do Homem-Aranha, na qual estreou na edição 111, de 1972.

O maior drama do Homem-Aranha.
O maior drama do Homem-Aranha.

Gerry Conway comandou Amazing Spider-Man por três anos, ficando entre a edição 111 e a 149, de 1975. Nessa temporada (inicialmente com John Romita e Gil Kane como desenhistas, mas depois com Ross Andru na maior parte do tempo) produziu algumas das mais clássicas e famosas aventuras do cabeça de teia, a começar pelo trágico destino de Gwen Stacy, que se tornou um dos eventos mais traumáticos e importantes da indústria das HQs dos EUA em todos os tempos.

O Justiceiro em sua primeira aparição.
O Justiceiro em sua primeira aparição.

Além disso, Conway também trouxe várias adesões importantes, como a criação do Justiceiro (que depois se tornaria um dos personagens mais famosos da Marvel) e de vilões como Chacal e Homem-Lobo. Sua temporada equilibrou um humor hilariante com drama e ação. Foi em suas histórias, por exemplo, em que ocorreu a aproximação entre Peter Parker e Mary Jane Watson. Também foi quando Harry Osborn assumiu o legado do pai e se tornou o segundo Duende Verde.

Mesmo com a responsabilidade de liderar a revista mais vendida do mercado de quadrinhos dos EUA no início dos anos 1970, Conway continuou contribuindo para outras revistas, notadamente, para Fantastic Four, com as histórias do Quarteto Fantástico, que escreveu entre 1973 e 1974. Ele também escreveu a revista The Mighty Thor entre 1972 e 1975.

O primeiro encontro Marvel-DC: Superman e Homem-Aranha.
O primeiro encontro Marvel-DC: Superman e Homem-Aranha.

Após toda essa intensidade, Conway terminou saindo da Marvel e voltando à DC Comics, dessa vez, ingressando no selo de super-heróis, onde na revista All Star Comics criou a personagem Poderosa (Power-Girl). Com seu histórico de sucessos, também assumiu as principais revistas da editora, colaborando em Superman, Batman e Detective Comics (esta também com aventuras do homem-morcego).

Tendo em vista o intenso trânsito entre a Marvel e a DC, Conway foi o escolhido para escrever o histórico encontro entre o Superman (da DC) e o Homem-Aranha (da Marvel), em uma revista especial de 96 páginas, desenhada por Ross Andru (com colaborações de Neal Adams e John Romita), que foi um estrondoso sucesso e um marco no mercado editorial dos quadrinhos, lançada em 1976.

O jovem Gerry Conway: sucesso aos 19 anos!
O jovem Gerry Conway: sucesso aos 19 anos!

Em seguida, Conway terminou voltando à Marvel por um breve período, na qual chegou até a assumir o cargo de Editor-Chefe, sucedendo Marv Wolfman. Contudo, o escritor não se adaptou à função administrativa e se demitiu em apenas um mês e meio, sendo sucedido por Archie Goodwin. Ainda assim, esse retorno à Marvel rendeu uma série de histórias, notadamente o lançamento da revista Peter Parker: The Spectacular Spider-Man, marcada por aventuras que focavam na vida estudantil de Peter Parker, na convivência com minorias étnicas e no pesado clima social dos anos 1970.

Bela capa de Jack Kirby para Avengers 156, escrita por Conway.
Bela capa de Jack Kirby para Avengers 156, escrita por Conway.

Também escreveu as revistas do Demolidor, Hulk, Capitão Marvel e os Vingadores, entre 1976 e 1977.

Mais uma vez, retornou à DC, onde assumiu a revista Justice League of America, com as histórias da Liga da Justiça, promovendo uma longuíssima temporada que se estendeu entre as edições 151 a 255, de 1978 até 1986! Paralelamente, ele continuou escrevendo aventuras do Superman e foi o responsável pela criação das edições gigantes comemorativas dos 50 anos do personagem, em 1978, que trouxeram Superman vs. Wonder-Woman e Superman vs. Shazam!

Capa de Justice League of America 184, escrita por Conway.
Capa de Justice League of America 184, escrita por Conway.

Conway também criou o personagem Firestorm (Nuclear no Brasil), em 1978, que fez bastante sucesso na época.

Em 1982, Conway e Roy Thomas foram encarregados de escrever o grande encontro dos Vingadores (da Marvel) com a Liga da Justiça (da DC), projeto que infelizmente não se concretizou por causa de disputas criativas e comerciais entre as duas editoras.

Entre 1982 e 1986, Conway também foi o principal escritor das duas revistas do Batman, criando inúmeros personagens, como Jason Todd (que se transformou no segundo Robin) e o vilão Crocodilo.

Nuclear.
Nuclear.

Com a reformulação editorial da DC Comics em 1986, Conway terminou perdendo espaço na editora e ficou um tempo sem trabalhos relevantes. Em 1988, terminou voltando à Marvel Comics, onde assumiu a revista Spectacular Spider-Man ao lado do desenhista Sal Buscema. Pouco tempo depois, terminou assumindo também outra revista do aracnídeo, Web of Spider-Man (com o desenhista Alex Saviuk), mantendo o comando das duas até 1991.

É particularmente lembrada sua fase em Spectacular, onde criou o vilão Lápide e uma sequência de histórias cheias de tensão. Em Web desenvolveu os personagens Irmãos Lobo e fechou o arco do vilão O Rosa.

Desde então, Gerry Conway se mantém meio afastado dos quadrinhos, contribuindo agora como escritor para a TV, notadamente nas séries de Law & Order.

Apesar de estar fora do mainstream das HQs de super-heróis há muito tempo, Gerry Conway é um nome que contribuiu de maneira impressionante para essa mídia e seus personagens. Será muito interessante poder vê-lo de volta a seu personagem mais famoso e ver o que a velha guarda ainda pode nos mostrar.

 

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