O álbum de 1969: clássico imortal agora em box set.
O álbum de 1969: clássico imortal agora em box set.

Em março de 1969, portanto, há 45 anos, a lendária banda alternativa dos EUA, The Velvet Underground, lançava seu terceiro álbum, homônimo, que se não é o mais clássico (posto que cabe à estreia do conjunto), é por muitos considerado o melhor álbum da curta carreira do grupo. The Velvet Underground, o disco, trouxe algumas das melhores faixas da banda liderada por Lou Reed, como Candy Says, What goes on e Pale blue eyes.

Para celebrar a data, a gravadora Pollydor irá lançar um box set comemorativo com seis CDs (!), que trarão o álbum original mais versões mono, novas mixagens, um show ao vivo da época (no The Matrix, de San Francisco, nos dias 26 e 27 de outubro de 1969) e um álbum inteiramente novo: para encerrar seu contrato com a gravadora MGM, o Velvet Underground registrou um álbum totalmente novo em outubro de 1969 no Record Plant de Nova York, composto por 10 faixas, que terminaram não sendo lançadas pela gravadora. Entre as faixas do álbum não lançado, estão Lisa says, Andy’s chest e Ocean.

Nada de todo esse material é realmente inédito. A pirataria ou mesmo o mercado tradicional já se ocuparam ao longo das décadas de lançar tais faixas, mas de qualquer forma, esta é a oportunidade de ter todo o material reunido em um único pacote, com boa qualidade de áudio.

Velvet Underground: beleza para poucos.
Velvet Underground: beleza para poucos.

De qualquer modo, os 45 anos de The Velvet Underground precisam ser considerados. Se por um lado o disco é uma ruptura com o passado da banda – cujos os dois primeiros álbuns (Velvet Underground & Nico, de 1967; e White Light/ White Heat, de 1968) são marcados pelo experimentalismo; por outro lado, a pegada mais “pop” (se é que se pode falar assim de um disco com letras que tratam de travestis e drogas pesadas) do álbum de 1969 permitiu apreciar as fortíssimas composições de Lou Reed sem distrações. Sua poesia rascante, a sonoridade simples e (neste caso) tocada de forma direta rende belezas raras.

Por sua beleza (dura, seca, mas ainda assim, beleza) The Velvet Underground até poderia ter escalado as paradas de sucesso e ir brigar o topo dos rankings com a linha dura de discos daquele ano: Crosby, Stills and Nash, da banda homônima; Abbey Road, dos Beatles, Led Zeppelin II; Let it Bleed, dos Rolling Stones, dentre outros.

Lou Reed: poeta maldito e underground.
Lou Reed: poeta maldito e underground.

O líder da banda, Lou Reed, faleceu há quase um ano atrás e talvez nem concordasse com o caráter algo oportunista do lançamento; entretanto, esta é a faceta do novo mercado fonográfico, na qual as gravadoras procuram criar lançamentos mirabolantes – e grandes pacotes de vários discos – visando vender um pouco de CD numa realidade em que este objeto se torna cada vez menos valorizado.

O Velvet Underground se formou em Nova York em 1965, a partir da reunião de Lou Reed (vocais e guitarra), John Cale (baixo, piano, violino), Sterling Morrison (guitarra) e Maureen Tucker (bateria e percussão). A banda despontou no cenário alternativo norteamericano e foi “apadrinhada” pelo famoso artista plástico Andy Warhol, que patrocinou o primeiro álbum da banda, sob a condição de incluírem no grupo a vocalista Nico, resultando no lendário álbum Velvet Underground & Nico, de 1967. Sem Nico, a banda seguiu em frente em seguida, ganhando notoriedade entre os alternativos, mas nunca alçando as massas ou a popularidade. John Cale saiu do grupo em fins de 1968, sendo substituído por Doug Yule, sendo esta formação que gravou o álbum The Veltet Underground.

Lou Reed abandonou o Velvet Underground em 1970, que prosseguiu sem ele. Reed seguiria uma carreira solo em que conseguiu o reconhecimento merecido por seu trabalho genial e até algumas doses de sucesso popular. O compositor faleceu em 27 de outubro de 2013, vítima de problemas no fígado, aos 71 anos. (Veja mais aqui).

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