Hendrix ao vivo em Woodstock: álbuns "novos".
Hendrix ao vivo em Woodstock: álbuns “novos”.

Aclamado como o mais importante e influente guitarrista da história, o roqueiro norteamericano Jimi Hendrix terá dois “novos” álbuns lançados no mercado: The Cry of Love e Rainbow Bridge.

Na verdade, ambos os discos foram lançados de modo pirata – à revelia da gravadora do artista e de seus herdeiros legais – em 1971, um ano após a morte do músico. Ganharam várias reedições nos anos 1970, mas sumiram do mercado em décadas mais recentes quando houve a organização do catálogo do artista e o fim das disputas legais em torno de seu legado.

Para explicar: Jimi Hendrix iniciou a carreira como músico de apoio de vários artistas de R&B e rock dos EUA e, por realizar gravações como sessionman, tinha contratos com algumas gravadoras. Em 1965, Hendrix abandonou essa atividade para tentar a sorte em Nova York e emplacar como artista solo ou líder de banda. Foi no Greenwitch Village que o guitarrista ficou conhecido (e apreciado) pelos roqueiros britânicos que visitavam a cidade, como os Beatles, os Rolling Stones e os The Animals. Coube ao baixista desta última banda, Chad Chandler, que estimulado pela ex-namorada do stone Keith Richards, Linda Keith, terminou pressionando o músico nascido em Seattle para ir à Inglaterra tentar a carreira lá.

The Cry of Love...
The Cry of Love…

A ideia deu certo. Em Londres, em 1966, Hendrix montou a banda The Jimi Hendrix Experience – com os britânicos Noel Reading no baixo e Mitch Mitchell na bateria – e emplacou uma série de shows de sucesso e a gravação de singles que explodiram nas paradas. O Experience lançou três álbuns – Are You Experienced?, Axis: Bold as Love e Electric Ladyland – entre 1967 e 1968 e, dissolvido, Hendrix prosseguiu montando outras bandas de curta duração.

Entre 1969 e 1970, Hendrix lançou oficialmente apenas o álbum ao vivo Band of Gypsies – em 1970, com a banda homônima que durou poucas semanas – mas apresentou um trabalho obsessivo de gravações em vários estúdios diferentes até morrer afogado pelo próprio vômito (vitimado pela overdose de álcool e drogas) em 18 de setembro de 1970, em Londres.

...e Rainbow Bridge: piratas de sucesso.
…e Rainbow Bridge: piratas de sucesso.

Aproveitando-se dos contratos prévios e mal formulados e a ausência de uma administração profissionalizada do legado do guitarristas, as gravadoras despejaram no mercado literalmente dezenas de álbuns póstumos de Hendrix, utilizando algumas das gravações que realizou antes da fama (entre 1962 e 1965), muitas faixas ao vivo (de todas as fases), mas principalmente aquelas sessões de estúdio em 1969-1970. The Cry of Love e Rainbow Bridge são apenas os casos mais célebres, já que foram editados pela gravadora do artista e tidos como oficiais.

No início dos anos 2000, a família de Hendrix conseguiu organizar o catálogo do artista e lançou a discografia do músico em versão oficial, criando um novo produto – o disco The First Rays of the New Rising Sun – “resumindo” e trazendo o “melhor” do material de 1969-1970.

Mas parece que o fundo do taxo ainda não foi atingido.

Apesar de terem circulado no mercado tradicional nos anos 1970, será a primeira vez que Rainbow Bridge ganhará uma versão em CD. Vale lembrar que, embora a capa original afirmasse ser a trilha sonora do filme homônimo (que traz uma apresentação do guitarrista no Rainbow Theatre em Londres, em 1970), o disco traz gravações de estúdio e apenas uma faixa ao vivo (e ainda assim realizada nos EUA).

The Cry of Love e Rainbow Bridge serão remasterizados e com áudios de alta resolução e estarão disponíveis nas lojas a partir de 16 de setembro.

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