Cazuza: grande nome da música brasileira.
Cazuza: grande nome da música brasileira.

O cantor e compositor Cazuza foi um dos maiores nomes da música brasileira, um dos grande poetas da geração dos anos 1980, líder da banda Barão Vermelho e grande sucesso como artista solo. Suas composições também ganharam vida por outros artistas e até hoje embalam o Brasil, seja pelo romantismo, seja pela crítica social e política.

Para homenagear esse grande artista e a pedido de leitores, o HQRock traz a Discografia Completa do ídolo.

Burguesia

Cazuza e o pai, João Araújo: fundador da gravadora Som Livre.
Cazuza e o pai, João Araújo: fundador da gravadora Som Livre.

Cazuza não veio de “berço de ouro“, mas nasceu numa família de classe média alta do Rio de Janeiro, filho de João Araújo e Lucinha Araújo. Seu pai havia feito uma carreira de sucesso nas gravadoras de discos do Brasil, começando aos 14 anos na Copacabana, seguindo para a Odeon (a EMI brasileira) chegando em meados dos anos 1960 à Phillips (mais tarde Universal). Caçador de talentos nato, João Araújo descobriu inúmeros artistas de renome (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Nara Leão e muitos outros). Por sua ação, a Phillips se tornou a principal gravadora do país na época.

Em 1969, João Araújo foi convidado pelas Organizações Globo para fundar a gravadora Som Livre, o braço musical daquela que se tornaria a principal emissora de TV do Brasil. João Araújo comandou a Som Livre por 38 anos.

Cazuza criança. Agenor, não.
Cazuza criança. Agenor, não.

Nascido Agenor de Miranda Araújo Neto, em 04 de abril de 1958, Cazuza ganhou esse nome por insistência da avó paterna, algo que sempre foi motivo de mal estar na família. Talvez por isso, já era chamado de Cazuza (um apelido antigo brasileiro) antes mesmo de nascer. Quando criança, o futuro compositor sequer percebia que seu nome era Agenor e só quando começou a estudar e a ter que responder a Chamada, é que atentou para o fato. Desde então, odiou o nome Agenor e só muito mais tarde – na adolescência – passou a aceitá-lo, quando descobriu que o compositor Cartola se chamava Angenor.

De qualquer modo, Cazuza cresceu como filho único e mimado em uma família de confortável situação financeira na Zona Sul do Rio de Janeiro e, por volta dos 10 anos de idade, vivenciou o auge da carreira do pai, vivendo ainda melhor a partir de então.

Ideologia

Cazuza: pobre menino rico.
Cazuza: pobre menino rico.

Como é comum nas “pobres meninas ricas“, Cazuza terminou por desenvolver certa repulsa pela vida tradicional e rica a que tinha acesso, tornando-se, assim, um adolescente rebelde ao longo dos anos 1970. Para piorar, cresceu em torno das grandes estrelas da música brasileira, com artistas como Caetano Veloso e Elis Regina frequentando a sua casa! Isso o direcionou para a boemia muito cedo, passando a frequentar o Baixo Leblon, uma zona boêmia (e rica) da cidade.

Cazuza também era um leitor voraz e o gosto pela literatura o direcionou à poesia. Consta que começou a escrever poemas em 1965, aos sete anos de idade!

Precoce e rico, conheceu o rock da Era Woodstock (Janis Joplin e Rolling Stones foram dois dos que mais lhe influenciaram) quando saiu do conservador colégio Santo Inácio para o Anglicano, que tocava rock na hora do recreio. Isso o influenciou bastante, somando à paixão que já sentia pela MPB e pelo samba. Em 1972, viajou de férias para Londres, onde pôde buscar o rock no berço. Em 1976, passou para o vestibular de Comunicação, porque seu pai lhe prometera um carro, mas não cursou, abandonando a faculdade muito no começo.

Ney Matogrosso e Cazuza: romance explosivo.
Ney Matogrosso e Cazuza: romance explosivo.

Tentando dar um sentido à vida boêmia do filho, João Araújo terminou empregando-o na Som Livre. Primeiro, foi para a seção de Artistas e Repertório, ajudando a selecionar novos artistas; em seguida, passou à comunicação – desde sempre tinha o dom de escrever – e fazia releases de discos e textos. Por fim, por causa da paixão pela fotografia, terminou tornando-se fotógrafo da gravadora.

Em 1979, Cazuza conheceu o cantor Ney Matogrosso, que já era um dos cantores mais famosos do Brasil desde 1973, quando estreou na banda Secos & Molhados. Já vivendo sua bem sucedida carreira solo, Ney ficou completamente apaixonado pelo “menino” (o cantor tinha 39 anos!) e foi recíproco. Segundo o próprio Matogrosso em várias entrevistas, o romance foi curto, durando apenas quatro meses, mas foi muito intenso. O fim se deu por causa do descontrole de Cazuza em relação às drogas, especialmente, a cocaína.

Maior Abandonado

Cazuza também foi ator de teatro.
Cazuza também foi ator de teatro.

Para se recuperar do fim do romance, Cazuza resolveu estudar fotografia nos Estados Unidos, na Universidade da Califórnia em Berkeley, palco das grandes manifestações dos anos 1960. Na faculdade, tomou contato com a literatura da Geração Beat, o que mudou completamente sua escrita e contribuiu para sua personalidade.

De volta ao Rio, em 1980, Cazuza decidiu investir no teatro em entrou para o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, fundado por Regina Casé e Luís Fernando Guimarães, revelando ainda nomes como Evandro Mesquita, Patrícia Pillar e Patrícia Travassos. Foi nos espetáculos da trupe que Cazuza se descobriu cantor, habilidade que foi aperfeiçoando ao longo do tempo.

Em 1981, o cantor Léo Jaime foi convidado para ingressar em uma nova banda de rock formada por jovens do bairro do Rio Comprido. Como o rock pesado da banda não era muito a praia de Léo Jaime – que faria bastante sucesso em alguns anos com canções pop como Gatinha manhosa, A vida não presta, As sete vampiras – o jovem cantor indicou Cazuza para a banda, por tê-lo visto cantando no Circo Voador junto ao Asdrúbal Trouxe o Trombone.

Barão Vermelho: rock pesado no Rio de Janeiro.
Barão Vermelho: rock pesado no Rio de Janeiro.

Cazuza compareceu ao teste da bandinha e foi aprovado, nascendo ali o Barão Vermelho, com: Cazuza (vocais), Roberto Frejat (guitarra), Dé Palmeira (baixo), Maurício Barros (teclados) e Guto Goffi (bateria). Não demoraria nada para Cazuza começar a mostrar suas poesias à banda, cabendo a Frejat musicá-las. Assim, nasceria uma das principais parcerias do rock brasileiro e o Barão Vermelho se transformaria em uma banda autoral e diferencial dentro do cenário musical do Rio de Janeiro, com seu rock pesado e as letras incríveis de Cazuza.

O rock começava a despontar no Brasil, mais ainda no Rio de Janeiro (que tinha um anteparo de mídia maior do que São Paulo), mas a principal vertente era um rock calmo e dócil, quase pop, por meio de bandas como Blitz (que também adveio do Asdrúbal Trouxe o Trombone) e Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, que não demorariam a fazer sucesso nas rádios.

Cazuza e Frejat: parceria dourada do BRock.
Cazuza e Frejat: parceria dourada do BRock.

Mesmo correndo por fora, com seu rock pesado, o Barão Vermelho começou a chamar a atenção do público, especialmente daquele mais antenado em rock mesmo. Um dos que se encantou pela banda foi o produtor Ezequiel Neves, que correu a sua gravadora e fez de tudo para convencer o Diretor Artístico Guto Graça Mello a contratar a banda. Só havia um problema: a gravadora era a Som Livre, do pai do Cazuza!

De jeito nenhum a ética de trabalho de João Araújo permitiria contratar o próprio filho: ele já tinha cometido esse erro uma vez, quando lançou a esposa, Lucinha Araújo, como cantora nos anos 1970. Mas por outro lado, aquilo eram negócios e João Araújo confiava no taco de Ezequiel Neves e Guto Graça Mello. Este último lhe deu um ultimato: “Se você não contratar o Cazuza, uma outra gravadora vai fazê-lo”. Menosprezar o talento – e o possível sucesso – do próprio filho também não seria algo saudável à imagem da Som Livre, e João terminou cedendo.

Pro Dia Nascer Feliz

Barão Vermelho: sucesso aos poucos.
Barão Vermelho: sucesso aos poucos.

Gravado em apenas quatro dias, com um pequeno orçamento, o álbum Barão Vermelho foi lançado em 1982, mas não fez sucesso. Pelo menos não vendeu muito, contudo, foi agraciado pela crítica por seu som feroz e pelas letras contundentes de Cazuza. A banda ganhou uma segunda chance e Barão Vermelho 2 saiu em 1983, vendendo o dobro do primeiro, mas sem ser ainda um sucesso de público. Novamente a crítica continuou a elogiar a banda.

Dê, Cazuza e Frejat: ferocidade ao vivo.
Dé, Cazuza e Frejat: ferocidade ao vivo.

A cena musical do Rio de Janeiro começou a fazer uma “campanha” em favor da banda. Caetano Veloso passou a cantar Todo amor que houver nessa vida em seus shows e Ney Matogrosso (que continuava um dos melhores amigos de Cazuza) gravou Pro dia nascer feliz, que virou um grande sucesso. Em seguida, as canções da banda começaram a tocar na rádio também e o sucesso começou a chegar.

1984 foi o grande ano do Barão Vermelho: fizeram a trilha sonora do filme Bete Balanço, cuja faixa-título estourou nas rádios de todo o Brasil. A banda também se apresentou no especial infantil da TV Globo Plunct-Plat-Zum, cantando Subproduto de rock.

Por fim, veio o álbum Maior Abandonado, que se tornou um grande sucesso. O sucesso da banda também elevou a venda dos discos anteriores e o primeiro álbum chegou também a Disco de Ouro. Do dia para a noite, o Barão Vermelho se tornou a banda mais quente do Brasil.

Cazuza no Rock In Rio: coroamento.
Cazuza no Rock In Rio: coroamento.

O coroamento dessa boa fase da banda veio nos dias 16 e 20 de janeiro de 1985, com as duas apresentações do Barão Vermelho no Rock In Rio. A última apresentação ganhou ares históricos, porque coincidiu com a eleição (indireta) de Tancredo Neves como Presidente do Brasil, marco que findou oficialmente a Ditadura Militar (que perdurava desde 1964!). Cazuza anunciou o feito no palco e cantou Pro dia nascer feliz.

O show no Rock In Rio foi filmado e posteriormente seria lançado em disco e vídeo, sendo o registro definitivo dos primeiros tempos do Barão Vermelho.

Só se for a Dois

Exequiel Neves: mentor musical do artista.
Exequiel Neves: mentor musical do artista.

Infelizmente, tudo o que é bom dura pouco. Logo depois do Rock In Rio, Cazuza decide sair do Barão Vermelho e sair em carreira solo. Mesmo assim, o rompimento só se dá em julho de 1985, quando a banda já ensaiava para seu novo disco.

O último sucesso da banda foi Eu queria ter uma bomba, lançada como compacto e na trilha sonora do filme Trop Clip.

O principal motivo da saída de Cazuza do Barão Vermelho foi o ego, claro. O próprio compositor admitiu isso desde sempre, afirmando que não queria dividir o palco (e os louros) com a banda. Além disso, a figura de Cazuza brilhava e a banda começou a ser anunciada como “Cazuza e o Barão Vermelho”, o que causou muito ciúmes dentro do grupo.

Cazuza e o Barão Vermelho: caminhos de sucesso também em separados.
Cazuza e o Barão Vermelho: caminhos de sucesso também em separados.

Para piorar, Cazuza era diferente dos demais: era mais velho e mais rico; era boêmio, usava drogas e fazia loucuras. Esse descontrole começou a incomodar a banda e a criar tensão. Segundo o próprio Cazuza em uma entrevista, o estopim foi uma grande discussão que ocorreu no palco de um show da banda em Curitiba, em julho de 1985. Então, às portas de entrar em estúdio para gravar o quarto disco, Cazuza anunciou que sairia na banda. Achava que fazer isso impediria os músicos de se tornarem inimigos e continuarem um relacionamento. Estava certo: Frejat e Dé continuaram a compor com o poeta depois disso.

O Barão Vermelho hoje: 30 anos de sucesso.
O Barão Vermelho hoje: 30 anos de sucesso.

Cazuza saiu e coube a Roberto Frejat assumir os vocais – tornando-se o band leader a partir de então. O repertório foi dividido e algumas composições de Cazuza terminaram formando o disco Declare Guerra, como Que Deus Venha e Um Dia na Vida, que inclusive, a banda tocou no Rock In Rio com o poeta nos vocais.  (O disco não faria sucesso e a banda trocaria a Som Livre pela WEA para ter mais chance e não “concorrer” com Cazuza dentro de casa, o que deu certo). De qualquer modo, hoje o Barão Vermelho já completou 30 anos de carreira e continua na ativa como uma das principais bandas do país. E Frejat também já se lançou numa carreira solo paralela de sucesso.

Cazuza gostava do Barão Vermelho – especialmente de Frejat e Dé, seus parceiros de composição – mas queria mais liberdade artística. E foi isso que marcou sua carreira solo: uma mistura impressionante de rock e MPB que só aumentaria sua importância para a música brasileira.

Enquanto começava os preparativos de sua carreira solo, Cazuza também começou a sentir os primeiros efeitos da AIDS, sentindo febres diárias e uma crise de pneumonia que o levou ao hospital. Um exame de HIV é realizado, mas dá negativo.

Exagerado

Cazuza: sucesso maior ainda sozinho.
Cazuza: sucesso maior ainda sozinho.

Exagerado, o primeiro álbum individual do cantor foi lançado ainda em 1985 e foi um grande sucesso. A faixa-título (em parceria com Leoni, ex-membro do Kid Abelha) tornou-se uma de suas canções mais conhecidas e uma espécie de marca pessoal, por refletir sua personalidade. Contudo, a gravadora Som Livre, cada vez mais sofrendo interferências da Rede Globo – e privilegiando cada vez mais trilhas sonoras de novelas e artistas da própria TV – termina se tornando um ambiente pouco confortável.

Por isso, assim como o Barão Vermelho, Cazuza também troca de gravadora, indo para a Polygram (mais tarde Universal Music) em 1986 e lançado seu segundo álbum, Só Se for a Dois, que infelizmente, não teve a recepção calorosa do primeiro.

Cazuza com Renato Russo: poetas da geração.
Cazuza com Renato Russo: poetas da geração.

O ano de 1987 terminou sendo pouco produtivo, pois a saúde do cantor novamente sofreu um baque com outra grave crise de pneumonia. Não ajudava muito as farras de álcool e drogas Leblon abaixo com Bebel Gilberto, Lobão e outros nomes barra-pesada. Desta vez, o vírus HIV é confirmado e o músico vai aos Estados Unidos para tratamento no New England Hospital em Boston, um dos pioneiros no uso do AZT, o famoso coquetel contra a doença. Inicialmente, Cazuza responde bem ao tratamento e termina voltando ao Brasil.

Cazuza ao vivo no Canecão.
Cazuza ao vivo no Canecão.

Contudo, a descoberta da doença causa um grande efeito no compositor, que passa a escrever com ainda mais urgência. A crítica política e social torna-se mais evidente em sua obra, como uma maneira de buscar ser mais relevante. O fruto disso é o álbum Ideologia, lançado em 1988, que rendeu sucessos como a faixa-título, Brasil e a romântica Faz parte do meu show. A canção Brasil é regravada por Gal Costa e é usada como trilha de abertura da novela Vale Tudo, um grande marco da TV brasileira.

Cazuza vive, então, o auge de seu sucesso, embarcando na maior de todas as suas turnês. Um show é registrado no Canecão do Rio e vira o álbum ao vivo O Tempo Não Pára, lançado em 1989, e novamente um sucesso arrebatador.

Down em Mim

Capa da Veja: Martírio público.
Capa da Veja: Martírio público.

A saúde, contudo, se agravava cada vez mais. Mesmo no show do Canecão, Cazuza usava balões do oxigênio no intervalo entre as músicas ou nos solos das canções, para recuperar o fôlego. A vida boêmia não ajudava, mas neste ponto, o compositor teve que adotar uma vida mais caseira, simplesmente porque não conseguia mais se mexer como antes. Cazuza terminou em uma cadeira de rodas, fazendo tratamentos cada vez mais radicais para tentar deter o avanço da doença. Internou-se na Clínica São Vicente e passou a receber amigos lá.

Seu martírio foi público, pois logo, a notícia da doença se espalhou na imprensa, que passou a seguir seus passos e seu tratamento.

Capa da Manchete ilustra a morte do artista.
Capa da Manchete ilustra a morte do artista.

Percebendo o fim próximo, Cazuza compôs obsessivamente e convidou dezenas de outros músicos para completarem suas canções, de modo a conseguir completar seu projeto: Burguesia seria um álbum duplo com um disco de rock e outro de MPB. Cazuza compareceu às gravações de cadeira de rodas e com a voz nitidamente frágil, mas conseguiu completar o trabalho, que foi lançado em 1989.

Embora continuasse compondo, Cazuza passou o ano de 1990 mais dedicado a cuidar da sua saúde, mas terminou não resistindo. O compositor faleceu em 07 de julho de 1990.

Só as Mães são Felizes

Lucinha Araújo com o filho: legado.
Lucinha Araújo com o filho: legado.

Após a morte de Cazuza, João Araújo e Lucinha Araújo fundaram a Fundação Viva Cazuza, dedicada às pesquisas e acolhimento de crianças vítimas do vírus HIV, entidade sem fins lucrativos que prestou grandes serviços ao Rio de Janeiro. Lucinha Araújo emergiu como a voz da entidade, transformando-se em uma figura pública.

Daniel Oliveira como Cazuza em O Tempo Não Para.
Daniel Oliveira como Cazuza em O Tempo Não Para.

Ela se tornou a principal mantenedora da obra do artista, lançando livros como a biografia Só As Mães São Felizes e o livro com letras musicais Preciso Dizer que Te Amo. Lucinha também foi a principal catalizadora do filme Cazuza – O Tempo Não Pára, lançado em 2004, dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, estrelado por Daniel de Oliveira, que fez um grande sucesso nos cinemas brasileiros.

Faz Parte do meu Show

Cazuza: grande legado à música brasileira.
Cazuza: grande legado à música brasileira.

O reconhecimento à Cazuza continuou em seu pós-morte, na medida em que suas composições continuaram a ser amadas e gravadas por diversos artistas. Notoriamente, a cantora Cássia Eller se tornaria uma das mais famosas do Brasil nos anos 1990 tendo Cazuza como a base primordial de seu repertório e conseguindo sucesso em faixas como Todo amor que houver nessa vida, Preciso dizer que te amo e tendo seu maior sucesso na inédita Malandragem (que Cazuza e Frejat haviam feito para Ângela Rôro, que nunca a gravou). Também gravou o álbum Veneno Antimonotomia, em 1997,  inteiramente com composições de Cazuza, que ganhou uma “sequência” em um álbum ao vivo em Veneno Vivo.

Também fizeram sucesso com composições de Cazuza artistas como Ney Matogrosso (Poema), Marina Lima (Preciso dizer que te amo), Leila Pinheiro e Adriana Calcanhoto (ambas gravaram Mais feliz) e , e o próprio Barão Vermelho, que continuou mantendo as faixas do compositor em seu repertório, como Maioridade e Que o deus venha.

Os álbuns

Vamos agora à Discografia Completa de Cazuza

Barão_Vermelho álbum capa 1982BARÃO VERMELHO – 1982

O primeiro álbum do Barão Vermelho foi gravado em apenas quatro dias de trabalho no estúdio, sem muita elaboração, o que se reflete no som simples. Mas é um disco de rock pesado e honesto, muito interessante. Ainda mais se levando em consideração a época em que foi feito. Traz canções que Cazuza havia composto ainda antes de entrar para a banda, como Down em mim; suas primeiras parcerias com Frejat, Todo amor que houver nessa vida eBilhetinho azul; além de parcerias com outros membros da banda, como Billy Negão (com Maurício Barros e Guto Goffi).

Barao-vermelho-vol-2 capa 1983BARÃO VERMELHO 2 – 1983

Gravado mais tranquilamente , 2 tem um som muito melhor e grande composições como Pro dia nascer feliz eCarente profissional (ambas com Frejat), além de Vem comigo (com Maurício Barros e Dé). Foi o disco que chamou a atenção do público e seu primeiro sucesso.

Barao vermelho maior abandonado capa 1984MAIOR ABANDONADO – 1984

É o grande disco de Cazuza com o Barão Vermelho, trazendo uma sequência de clássicos, como Maior abandonado eBete Balanço (ambas com Frejat) e Por que a gente é assim? (com Frejat e Ezequiel Neves). Fez grande sucesso, puxado pelo filme Bete Balanço, da qual fez parte da trilha sonora. São dessa mesma época – porém, não estão no disco – as faixas Subproduto do rock (com Frejat), lançada em Plunct, Plact, Zum; e Eu queria ter uma bomba (de autoria apenas de Cazuza) da trilha do filme Trop Clip.

barão vermelho ao vivo no rock in rio 1985BARÃO VERMELHO AO VIVO NO ROCK IN RIO I (ao vivo) – 1992

Lançado em disco apenas em 1992, este é o registro do Barão Vermelho no Rock In Rio em janeiro de 1985. Traz um apanhado da carreira da banda com Cazuza, com versões explosivas de Maior abandonado, Subproduto de rock, Todo amor que houver nessa vida, Bety balanço, Down em mim, Por que a gente é assim?, Um dia na vida (então inédita) e Pro dia nascer feliz. Boa amostra da força da banda em cima do palco.

Exagerado capa 1985CAZUZA/ EXAGERADO – 1985

Apesar de oficialmente chamado apenas Cazuza (como está na capa do álbum), este disco ficou para a posteridade com o título de sua canção mais famosa: Exagerado. A estreia solo de Cazuza é um disco forte, com letras ainda melhores e maior diversificação sonora, por causa da variedade de parceiros. Roberto Frejat continua contribuindo com o poeta em Só as mães são felizes eRock da descerebração; mas pesa as novidades, em Exagerado (com Ezequiel Neves e Leoni), Mal nenhum (com Lobão) e Codinome beija-flor (com Reinaldo Arias e Ezequiel Neves). A banda que acompanha Cazuza traz, dentre outros, Nico Resende nos teclados, Rogério Meandra na guitarra, Fernando Moraes na bateria. A produção é de Nico Resende e Ezequiel Neves. Um grande clássico dos anos 1980 que vendeu 750 mil cópias.

Cazuza So Se For A Dois capa 1987SÓ SE FOR A DOIS – 1987

O segundo disco não tem a força do primeiro, sendo um pouco mais diluído. Mas há destaque para O nosso amor a gente inventa (com João Rebouças e Rogério Meandra) e Solidão que nada (com George Israel e Nilo Romero). A abordagem é menos rock e mais direcionada à MPB. Ainda assim, vendeu 600 mil cópias, uma grande marca para a época. A banda, dessa vez, traz Rogério Meandra na guitarra, Nilo Romero no baixo e João Rebouças nos teclados e Fernando Moraes na bateria. A produção é de Ezequiel Neves e Jorge Guimarães.

Cazuza Ideologia capa 1988IDEOLOGIA – 1988

Ideologia recupera o frescor de Cazuza e traz um outro grande álbum, outro clássico da década. O diferencial deste é o teor menos romântico e mais político que permeia as letras. Destaque para Ideologia, Vida fácil eBlues da piedade (todas com Frejat), Boas novas (só de Cazuza), Brasil (com George Israel e Nilo Romero), Um trem para as estrelas (com Gilberto Gil), Minha flor, meu bebê (com Dé) e Faz parte do meu show (com Renato Ladeira). A banda é a mesma do disco anterior, com Rogério Meandra na guitarra, Nilo Romero no baixo, João Rebouças nos teclados e Fernando Moraes na bateria. Houve uma grande polêmica em torno da capa, que traz vários símbolos da iconografia mundial, mas mistura na letra “o” a estrela de Davi e a suástica nazista. Mesmo assim, foi um grande sucesso, vendendo 2 milhões de cópias e ganhando o Prêmio Sharp de Melhor Álbum do Ano.

Cazuza O Tempo Nao Para capa 1989O TEMPO NÃO PÁRA – 1989 (ao vivo)

Álbum ao vivo, já gravado com a saúde debilitada, foi o maior sucesso de vendas de Cazuza em vida. Com show dirigido por Ney Matogrosso e gravado no Canecão em outubro de 1988, traz duas canções inéditas – Vida louca vida (de autoria de Lobão e Bernardo Vilhena) e O tempo não pára (de Cazuza e Arnaldo Brandão) – mais releituras definitivas de Ideologia, Todo amor que houver nessa vida, Codinome beija-flor, O nosso amor a gente inventa, Exagerado e Faz parte do meu show. A banda é ligeiramente diferente daquela que vinha acompanhando Cazuza, com Luciano Maurício e Ricardo Palmeira nas guitarras, Nilo Romero no baixo, João Rebouças nos teclados, Christiaan Oyens na bateria, Wildor Santiago no sax e Jussara e Jurema Lourenço nos backing vocais. A produção foi de Nilo Romero e Ezequiel Neves. Outro grande sucesso que vendeu mais de um milhão de cópias.

Cazuza Burguesia capa 1989BURGUESIA – 1989

Projeto final de Cazuza, um álbum duplo com um disco de rock e outro de MPB. Infelizmente, a pressa de gravá-lo – antes que o cantor literalmente morresse – não lhe fez bem. O excesso de canções o deixa diluído e o faz perder força, mas há algumas canções interessantes, como Burguesia (composta com George Israel e Ezequiel Neves), Perto do fogo (com Rita Lee), Cobaias de Deus (com Ângela Rôro) e Quando eu estiver cantando (com João Rebouças). Também há alguns covers, como Quase um segundo (de Herbert Vianna) e Cartão postal (de Rita Lee e Paulo Coelho). O público não reagiu tão bem ao disco: vendeu apenas 215 mil cópias na época. Quando da morte do artista, foram os dois álbuns anteriores quem dispararam nas vendas, não este.

Cazuza Por_Aí capa 1991POR AÍ – 1991

Álbum póstumo com as sobras de gravação de Burguesia. Mais disperso e diluído ainda, traz Hei rei! e Por aí (compostas com Frejat) e Andróide sem par (com George Israel e Nilo Romero), além de covers de Camila, Camila (do Nenhum de Nós) e Summertime (de George Gershwin). O caráter de colcha de retalhos e sobra não dá para ser desfarçado e o lançamento tardio também não pôde usufruir do clamor da morte do artista. Assim, Por Aí vendeu apenas 45 mil cópias na época, a menor vendagem de um disco do artista depois da fama.

***

Fica aí o legado do grande artista e compositor. O HQRock optou por não listar as inúmeras coletâneas que Cazuza ganhou após a morte, como das séries Millenium, Dois em Um e várias outras e que são encontradas à profusão até hoje nas (poucas) lojas de discos.

Mas para quem quer se aprofundar na obra de Cazuza, nada melhor do que ir direto à fonte em seus álbuns e descobrir pérolas escondidas.

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