Dave Grohl, 45 anos.
Dave Grohl, 45 anos.

Hoje, o cantor, compositor e multiinstrumentista Dave Grohl faz 45 anos! É o aniversário daquele que é considerado “o cara mais bacana do rock” e, sem dúvida, um dos mais importantes músicos das últimas décadas tendo integrado duas das mais notórias bandas dos tempos atuais: Nirvana e Foo Fighters.

Sua trajetória também é um bom conto sobre as engrenagens do mundo da música atual.

Para comemorar, o HQRock traz a Discografia Completa do Foo Fighters, banda que lidera atualmente e uma das mais importantes do cenário hardcore dos EUA.

This is a Call

Dave Grohl e sua mãe, Virginia.
Dave Grohl e sua mãe, Virginia.

David Eric Grohl nasceu em 14 de janeiro de 1969 em Warren, no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, filho de James e Virginia Grohl. Sua família paterna era formada por descendentes de imigrantes eslováquios advindos do Império Áustro-Húngaro. Seu pai era um jornalista em ascensão, enquanto sua mãe era professora do primário. A carreira de James Grohl o levou a ir trabalhar na capital do país, em Washington, DC, em 1972. Com isso, Dave Grohl e a família se mudaram para Springfield, no Estado da Virginia, há apenas dez minutos de DC, mas um subúrbio mais tranquilo de classe média.

Sem muita vocação para a escola e hiperativo, Dave Grohl se apaixonou por música ainda cedo, herdando as coleções de discos de seus pais. James Grohl mudou de carreira, passando a escrever discursos e administrar carreiras e campanhas políticas no Congresso dos EUA; o que terminou afastando-o da esposa. O divórcio do casal, em 1975, levou à considerável diminuição de renda da família e Virginia Grohl passou a fazer trabalhos de meio período em lojas e empresas para sustentar Dave e sua irmã mais velha.

Roqueiro precoce.
Roqueiro precoce.

Como era esperado de uma criança que crescia nos anos 1970, Dave Grohl se apaixonou pelo rock da época, ouvindo Alice Cooper e Edgar Winter Group; mas encontrou uma paixão mais forte por meio de dois eventos televisivos que apresentaram grandes atrações à sua geração: o estouro do Kiss em 1976 e o sucesso do B-52’s em 1980. Essas influências musicais o motivaram a começar a aprender a tocar seu primeiro instrumento: um violão velho de apenas quatro cordas que seu pai deixou em sua casa.

Das primeiras bandas “de brincadeira” na escola, a música foi se tornando cada vez mais séria. Em reconhecimento ao gosto pela música (e procurando deixar o filho longe de encrencas), sua mãe lhe comprou um violão de verdade no Natal de 1981, juntamente às duas coletâneas dos Beatles: 1962-1966 e 1967-1970, além de um livro com todas as cifras daquela banda. Essa foi a bíblia musical de Dave Grohl e ouvia os discos e tocava o violão ao mesmo tempo, aperfeiçoando sua técnica.

No ensino médio: já montando bandas.
No ensino médio: já montando bandas.

Pouco tempo depois, começou a ter aulas de guitarra, mas preferiu continuar como autodidata e montar suas bandas.

Com a chegada da adolescência, no início dos anos 1980, Grohl foi cativado pelo movimento punk de Ramones e Sex Pistols, mas mais ainda pela cena hardcore dos EUA, por meio de bandas como Dead Kennedys e Black Flag. Por isso, já em 1983, estava profundamente envolvido com a forte cena hardcore de Washington, DC, capitaneada pelo selo Dischord e Ian MacKaye e as bandas Minor Threat, Bad Brains e Scream.

Learning to Fly

Dave Grohl na época do Mission Impossible.
Dave Grohl na época do Mission Impossible.

A primeira banda “de verdade” de Dave Grohl foi a Nameless, em 1984, formada com colegas da escola, uma banda que tocava clássicos do rock, como Rolling Stones e The Who. Isso é curioso como uma das marcas do restante da carreira do artista: apesar de ser essencialmente um punk, Grohl não se furtava a negar a influência do rock clássico em sua formação.

Grohl era guitarrista, o grupo durou pouco e, em seguida, fez um teste como guitarrista rítmico da banda Freak Baby. Contudo, após uma mudança na formação da banda, o músico terminou indo para a bateria e descobriu que tinha o talento nato para o instrumento. Desde criança, treinava bateria nos móveis de casa, ouvindo Rush e Led Zeppelin; agora, sentava em um instrumento de verdade.

O EP do Dain Bramage.
O EP do Dain Bramage.

Com isso, a Freak Baby mudou de nome para Mission Impossible e gravou suas primeiras canções em 1985, por meio pequenos selos independentes da região, além de aparecer em compilações de bandas alternativas. Porém, seria a banda seguinte que chamaria a atenção de um público maior: Dain Bramage, que lançou um EP em 1987 chamado I Scream Not Coming Down. A banda ficou conhecida no cenário de DC e a fama de Grohl como grande baterista começou a se espalhar.

A banda Dain Bramage com Grohl (dir.).
A banda Dain Bramage com Grohl (dir.).

Por isso, o músico teve a oportunidade de se unir à banda Scream, com dois álbuns lançados e um dos maiores nomes da cena hardcore de DC. Imediatamente estabelecendo uma grande amizade com os irmãos Pete (vocais) e Franz Stahl (guitarra), Grohl participou do terceiro disco do grupo: No More Censorship, de 1988, embarcando em uma turnê nacional pela primeira vez na vida. Rapidamente, o baterista descobriu que amava aquela vida nômade de rodar o país dentro de uma van.

O Scream com Grohl (ao fundo).
O Scream com Grohl (ao fundo).

O Scream conseguiu mais popularidade ainda com o álbum Live at Van Hall, em 1989, e Dave Grohl se tornou o mais celebrado baterista do rock alternativo dos EUA.

Ao mesmo tempo, outra cena musical no outro lado do país estava prestes a estourar e tragar Dave Grohl para dentro dela.

Times Like These

Nirvana: do cenário alternativo para o topo do mundo.
Nirvana: do cenário alternativo para o topo do mundo.

O rock alternativo, os filhos do movimento punk original, se espalhou em diversas cenas pelo imenso território dos EUA ao longo dos anos 1980. Além daquela cena ao redor da capital do país, outra que ganhou destaque foi a cena em torno das cidades de Seattle, Alberdeen e Olympia, no estado de Washington, na região conhecida como Nordeste do Pacífico, já bem próximo do Canadá. Foi lá que nasceu o movimento que, anos mais tarde, seria conhecido como grunge.

E foi lá que surgiu o Nirvana, em 1985, uma bandinha hardcore liderada pelo compositor, cantor e guitarrista Kurt Cobain ao lado do baixista Krist Novoselic. Desde o início, o grupo teve dificuldade em arranjar um baterista fixo até se firmar Chad Chaming, com quem a banda gravou o álbum Bleach, em 1989, lançamento da gravadora independente SubPop. O grupo causou boa impressão na cena alternativa dos EUA, mas foi com seus shows explosivos que começou a garantir fama.

Capa do Box-Set "With the Lights Out".
Capa do Box-Set “With the Lights Out”.

Novamente sem um baterista fixo em 1990, a banda precisava de um para ir a uma turnê na Europa. E eis que convidam aquele era o melhor baterista do rock alternativo dos EUA do momento: Dave Grohl, do Scream.

Grohl aceitou e sua entrada modificou a sonoridade do Nirvana, que ganhou mais classe e força para as composições dolorosas e enérgicas de Kurt Cobain.

A história do Nirvana é bem conhecida – leia aqui no HQRock – e o grupo se tornou um fenômeno mundial com o álbum Nevermind, lançado em 1991. Os problemas com as drogas e a fama, minaram a saúde de Cobain e piorou após o lançamento do álbum In Utero, em 1993.

Para dar força ao Nirvana ao vivo, o grupo contratou um segundo guitarrista, Pat Smear (ex-Germs) para a turnê daquele ano, mas a nova formação não durou muito: Cobain se suicidou em abril de 1994.

No Way Back

A formação original do Foo Fighters, em 1995.
A formação original do Foo Fighters, em 1995.

Dave Grohl ficou meio perdido após o fim do Nirvana e, para se manter ativo, resolveu reunir as canções que vinha compondo durante sua estada na banda e gravar uma demo. Em cinco dias e tocando todos os instrumentos (guitarra, baixo e bateria), terminou gravando 15 faixas, que começaram a circular entre amigos e a impressionar quem a escutava.

Já escolado pela experiência do Nirvana, Grohl consultou advogados e montou a própria gravadora, a Roswell Records, que se tornou a proprietária de todo o catálogo de seu novo projeto: a banda Foo Fighters.

O Foo Fighters em 1999: já no topo do mundo.
O Foo Fighters em 1999: já no topo do mundo.

Com o disco já gravado, Grohl decidiu montar uma banda para tocá-lo, reunindo o colega Pat Smear na segunda guitarra, Nate Mendel no baixo e William Goldsmith na bateria. O álbum Foo Figthers foi lançado em 1995 e bem recebido pela crítica. O resto é história…

O Foo Fighters hoje.
O Foo Fighters hoje.

Apesar de algumas mudanças de formação, o grupo se consolidou com Grohl, Mendel, Chris Schifflet na guitarra e Taylor Hawkins na bateria e lançando oito álbuns até agora, se consolidando como uma das melhores e mais famosas bandas de rock dos EUA da atualidade.

Além disso, Grohl se manteve bastante ativo na cena musical em geral, tocando bateria com a banda Queens of the Stone Age e formando o grupo paralelo Them Crooked Vultures, com ele na bateria, Josh Homme (do Queens of Stone Age) na guitarra e John Paul Jones (do Led Zeppelin) no baixo.

In Your Honor

Vejamos agora os álbuns do Foo Fighters

Foo_Fighters_-_Foo_Fighters_(álbum)FOO FIGHTERS – 1995

O álbum de estreia da banda, na verdade, não tem a banda, mas apenas Dave Grohl tocando todos os instrumentos em uma demo gravada em apenas cinco dias. Ainda assim, é um bom momento do rock dos anos 1990, em faixas como This is a call, I’ll stick around, Alone + easy target e Big me. A banda reunida para promovê-lo era formada por Dave Grohl (vocais e guitarra), Pat Smear (guitarra), Nate Mendel (baixo) e William Goldsmith (bateria).

Foo_Fighters_-_The_Colour_and_the_ShapeTHE COLOUR AND THE SHAPE – 1997

Primeiro álbum de verdade da banda Foo Fighters, ainda assim, enfrentou problemas, já que Grohl ficou insatisfeito com as partes de bateria gravadas por William Goldsmith e terminou por regravá-las ele mesmo. Isso, claro, levou à saída de Goldsmith da banda. Em termos  sonoros, é talvez o melhor trabalho do Foo Fighters, com clássicos como Monkey wrench, Hey Jonnhy Park, My hero, Everlong e Walking after you, que terminou na trilha sonora do filme Arquivo X. Após o lançamento do disco, o grupo conseguiu visibilidade mundial e ganhou o baterista Taylor Hawkins.

Foo_Fighters_-_There_Is_Nothing_Left_to_LoseTHERE IS NOTHING LEFT TO LOSE – 1999

Embalados no sucesso do anterior, o Foo Fighters mergulhou direto na gravação de seu terceiro álbum, novamente com problemas. Pat Smear decidiu deixar o grupo durante a turnê do anterior, cansado de tocar em uma banda famosa. Por isso, Grohl convidou seu velho amigo e parceiro do Scream, Franz Stahl, para a segunda guitarra. Porém, na hora de gravar o disco, a banda achou que Stahl não estava se encaixando e o músico foi demitido. Por isso, o álbum terminou sendo novamente gravado como um trio, agora, com Grohl, Mendel e Hawkins. Ainda assim, é outro dos melhores trabalhos do grupo, apesar de ter sido criticado por ser pop demais. Traz Learn to fly, Generator, Aurora, Headwires. Após a gravação, a banda fez uma seleção para um novo guitarrista, resultando na entrada de Chris Schifflet.

Foo_Fighters_-_One_by_OneONE BY ONE – 2002

Para muitos, este é o pior disco da banda, gravado numa época em que a banda não estava muito unida, quase se separando. É o primeiro disco gravado pela formação sólida de Grohl, Schifflet, Mendel e Hawkins, mas o resultado é desigual, com: All my life, Times like these, Tired of you e Come back como maiores destaques.

Foo_Fighters_-_In_Your_HonorIN YOUR HONOR – 2005

Decididos a fazer um álbum melhor e diferente, o Foo Fighters – novamente Grohl, Schifflet, Mendel e Hawkins – decide investir em um álbum duplo, com um lado elétrico e outro acústico. O resultado é novamente desigual, com destaques em In your honor, No way back, best of you, The last song na parte elétrica e Still, Friend of a friend, Virginia moon (com participação de Norah Jones nos vocais) na parte acústica. Apesar disso, o disco fez um sucesso enorme.

FFSkinBonesSKIN AND BONES – 2006 (ao vivo)

Animados pelo sucesso da empreitada anterior o Foo Fighters lança seu primeiro álbum ao vivo optando pelo formato acústico. Os velhos sucessos reaparecem em nova roupagem e a versão de Everlong fez bastante sucesso. Novamente a banda é Grohl, Schifflet, Mendel e Hawkins; mas o ex-membro Pat Smear faz uma participação especial como um terceiro violão.

Foo_Fighters_-_Echoes,_Silence,_Patience_&_GraceECHOES, SILENCE, PATIENCE & GRACE – 2007

A banda retorna à eletricidade com força, com um disco mais pesado do que o costume. Fez bastante sucesso e foi bem recebido pela crítica, consolidando o Foo Fighters como uma das principais bandas do novo século. Destaques: The pretender, Long road to ruin e Home.

Wasting Light: disco mais recente.
Wasting Light: disco mais recente.

WASTING LIGHT – 2011

Depois de toda a aclamação que a banda ganhou após o álbum anterior, o Foo Fighters retorna – agora como um quinteto com Grohl, Schifflet, Mendel, Hawkins e Pat Smear readmitido como terceiro guitarrista – destinado a cravar os dentes em sua reputação. E deu certo. Gravado em fita analógica com o produtor Butch Vig (o mesmo de Nevermind do Nirvana), o disco foi aclamado por público e crítica, ganhou o prêmio Grammy e foi o primeiro da banda a atingir o 1º lugar das paradas de sucesso dos EUA. O álbum continua a vertente mais pesada e tem realmente uma qualidade superior a muitas das obras da banda. Destaques para Bridge burning, White limo, Arlandria, These day e Walk.

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