Eric Clapton: 50 anos de carreira.
Eric Clapton: 50 anos de carreira.

Em 1966, os muros de Londres foram invadidos por uma série de pichações que diziam: “Clapton é Deus!”. Era apenas o início do coroamento da carreira do jovem Eric Clapton, então, com 21 anos, guitarrista de blues que tocava em clubes da capital britânica. Logo em seguida, Clapton alçou o sucesso nacional (e internacional) a bordo da superbanda Cream e, desde então, é reconhecido como o maior guitarrista branco de blues e, em lembrança às pichações, carinhosamente chamado (mas não sem razão) de “O Deus da Guitarra“.

Nascido em Ripley, nos arredores de Londres, na Inglaterra, em 1945, Eric Clapton desde cedo se aproximou do blues acústico de Robert Johnson e do blues elétrico de Chicago de Muddy Waters, Bo Didley e B.B. King. Por isso, ganhou um violão e, mais tarde, uma guitarra elétrica dos avós que lhe criavam. (Um parêntese importante de sua biografia: Clapton descobriu aos 9 anos de idade que seus pais eram na verdade seus avós e que sua “irmã”, Patricia Clapton, era sua mãe, algo que o traumatizou profundamente).

Ao frequentar a forte cena de R&B de Londres, que deu origem aos Rolling Stones, Clapton logo começou a ter suas próprias experiências musicais. Após tocar em duas bandinhas amadoras, a primeira experiência profissional de Eric Clapton como músico foi ao entrar na já existente banda The Yardbirds, em outubro de 1963. Portanto, este mês se completam 50 anos de carreira de um dos maiores guitarristas da história do rock; padrinho fundamental do blues rock; pioneiro dos guitar heroes e um dos nomes mais influentes e populares da música do século XX.

O HQRock já publicou um extenso post sobre a carreira de Clapton – clique aqui para ler – portanto, agora, vamos dar destaque à discografia do artista, ou seja, à sua obra.

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Antes, apenas uma rápida contextualização. Para detalhes, leia o post citado.

Clapton (dir.) nos Yardbirds: banda lendária que incendiava os clubes londrinos.
Clapton (dir.) nos Yardbirds: banda lendária que incendiava os clubes londrinos.

Clapton ingressou nos Yardbirds e, imediatamente, a banda ganhou qualidade e fama no circuito de clubes de Londres e arredores justamente por causa dele, chegando logo às suas primeiras gravações. O primeiro registro da carreira de Clapton é uma versão de Boom boom (de Wilie Dixon, gravado por Muddy Waters) executada pelos Yardbirds como um demo, mas que terminou lançado como compacto mais tarde. A estreia oficial em disco foi com o compacto I wish you would dos Yardbirds, no início de 1964. Infelizmente, ao contrário dos colegas Rolling Stones e Animals, os Yardbirds não conseguiram sucesso imediato com seu R&B rascante.

Desesperados para “acontecer” a banda cedeu aos apelos comerciais mais pops, atingindo o sucesso, mas perdendo Clapton, que preferiu seguir tocando blues autêntico nos clubes, em 1965. Rapidamente, ele foi recrutado para a banda John Mayall’s Bluesbreakers, um dos melhores grupos de blues de Londres. O resultado não poderia ser outro: a banda estourou, lançou um álbum seminal – chamado não por acaso de The Bluesbreakers With Eric Clapton – e as pichações de “Clapton é Deus” começaram a aparecer.

Eric Clapton em 1968, na banda Cream.
Eric Clapton em 1968, na banda Cream.

Capitaneando o próprio sucesso, Clapton se uniu a Jack Bruce (baixo e voz) e Ginger Baker (bateria) para formar o Cream, banda que executava o blues, mas de um modo diferente: carregado de improvisações (herança do jazz), com muita distorção e peso. Clapton mudou seu estilo de tocar e se transformou neste solista extremamente habilidoso e sensitivo que todos conhecem hoje, com o talento sobrenatural para construir melodias que são, ao mesmo tempo, fortes e emotivas, com um som melancólico e triste.

O Cream passou como um cometa pelo mundo, entre 1966 e 1968, se tornando uma das bandas de maior sucesso do mundo, mas também se autodestruindo em uma batalha de egos impossíveis. Clapton largou a banda e passou um tempo tocando com amigos, como a Plastic Ono Band de John Lennon (dos Beatles) e o supergrupo norteamericano Delaney & Bonnie & Friends. No intermédio, Clapton se uniu ao superastro Steve Winwood – vindo dos sucessos de The Spencer Davis Group e Traffic – e formou o Blind Faith, que lançou um único disco, em 1969, que foi sucesso no mundo todo.

Escrito nos muros: "Clapton é deus", em 1966.
Escrito nos muros: “Clapton é deus”, em 1966.

Quando a banda Delaney & Bonnie se separou, Clapton se uniu a alguns remanescentes e foi gravar o álbum do grande amigo George Harrison (ex-Beatles), All Thing Must Past, em 1970, surgindo daí a ideia de formar uma nova banda com eles. Nascia o Derek and the Dominos, que tentava se afastar da própria fama de Clapton. O grupo registrou o que deveria ser o primeiro álbum solo de Clapton e, no mesmo ano, atingiu as paradas com o álbum Layla and Other Assort Love Songs, um grande clássico.

Patti Boyd: a musa seguiu o coração e se uniu a Clapton. Os dois viveram juntos de 1974 até o fim dos anos 1980.
Patti Boyd: a musa seguiu o coração e se uniu a Clapton. Os dois viveram juntos de 1974 até o fim dos anos 1980.

Mas Clapton estava afundando nas drogas por causa do tormento de ser apaixonado pela esposa do amigo George Harrison, a deslumbrante modelo Patti Boyd.  Isso levou ao fim dos Dominos e um período de hiato na carreira do guitarrista, que ficou trancado em casa sem fazer nada. Resgatado por uma série de tratamentos não-ortodoxos, inclusive, acupuntural, Clapton retomou a carreira em 1974, com o álbum 461 Ocean Boulevard, dando início a sua carreira solo de verdade.

Clapton em seu ambiente: no palco!
Clapton em seu ambiente: no palco!

Desde então, foram mais de 20 álbuns e várias fases de sucesso, marcadas por alegrias (ele se uniu a Patti Boyd em 1974, após ela se separar de George Harrison) e tragédias (a morte de seu filho Conor, de cinco anos, em 1991). Também foi uma carreira marcada pela luta contra as drogas (nos anos 1970) e o álcool (nos anos 1980), que culminaram em uma idade madura mais serena e autocentrada.

Clapton foi agraciado por poder viver o auge de sua carreira – pelo menos em termos comerciais – já como um senhor de idade, com uma nova família e livre do álcool e das drogas. Hoje, vive uma semi-aposentadoria, entre álbuns escassos e turnês pré-programadas entre a Grã-Bretanha e os EUA, raramente saindo disso. Mas ele merece. Até Deus precisa descansar de vez em quando.

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Vejamos agora a Discografia Completa de Eric Clapton, enfocando os álbuns e contemplando tanto suas bandas quanto sua carreira solo.

(With The Yardbirds)

five-live-yardbirds-cover 1965FIVE LIVE YARDBIRDS – 1964

Álbum de estreia da carreira de Eric Clapton, o primeiro disco da banda de R&B The Yardbirds é um álbum ao vivo matador! O grupo era um dos mais quentes de Londres e seguia de perto a primeira fase dos Rolling Stones, inclusive, substituindo estes nos clubes quando o grupo de Mick Jagger e Keith Richards ficou famoso. O disco dos Yardbirds foi gravado ao vivo no Marquee Club, em Londres, com o melhor do repertório deles, em faixas como Too much monkey bussness, Smokestake lightining, Louise, Got love if you want it, Five long years, I’m a man, Goodmorning little school girl e muito mais. Verdade seja dita, a guitarra de Eric Clapton (apesar de alguns momentos de destaque muito bons) não era a principal atração dos Yardbirds, marcados também pelo vocal e gaita de Keith Relf (um dos melhores gaitistas do rock nos anos 1960) e do bom baixista Paul Samwell-Smith. Mas é um disco que vale à pena mesmo, para quem gosta de R&B e blues.

yardbirds for-your-love-cover-1965FOR YOUR LOVE – 1965

Este álbum é na verdade uma coleção de gravações avulsas dos Yardbirds entre 1963 e 1965, entre compactos e sobras de estúdio, organizados para ser um “segundo álbum” da banda e lançá-lo nos Estados Unidos quando o compacto For you love chegou ao primeiro lugar das paradas de lá. Curiosamente, foi este single que fez Eric Clapton abandonar os Yardbirds, infeliz com o encaminhamento comercial que a banda estava tomando. Ainda assim, traz alguns trabalhos interessantes de Clapton, embora o álbum também traga gravações com o substituto de Clapton no grupo: Jeff Beck. Clapton está em sete das 11 faixas, incluindo, a faixa-título, A certain girl e a instrumental Got to hurry. Mas quem está na capa é Jeff Beck.

Live+At+The+Crawdaddy+Club+COVER21SONNY BOY WILLIAMSON & THE YARDBIRDS – 1965

Este álbum ao vivo reúne uma série de apresentações dos Yardbirds em início de carreira, servindo como banda de apoio do bluesman norteamericano Sonny Boy Williamson II. Apesar da qualidade de áudio não ser excelente, é um ótimo retrato do encontro entre os mestres originais do blues com seus discípulos brancos britânicos. Eric Clapton se esforça para adornar as obras de um de seus ídolos e isso resulta numa boa execução.

(With The Bluesbreakers)

clapton album-bluesbreakers-with-eric-clapton cover 1966JOHN MAYALL’S THE BLUESBREAKERS WITH ERIC CLAPTON – 1966

É neste disco que Eric Clapton se torna o deus da guitarra. Após sair dos Yardbirds, o músico vive um período de reclusão na qual investe obcecadamente no aprimoramento de sua técnica de guitarra. Desse modo, quando foi convidado pelo cantor e tecladista John Mayall para ingressar em seu conjunto de blues, Clapton emergiu no palco como uma celebridade no meio da cena R&B de Londres. Empunhando uma guitarra Gibson Les Paul (deixado para trás a Fender Telecaster que usava até então), Clapton virou um ídolo do circuito musical londrino e uma celebridade local de proporções épicas, ao ponto da frase “Clapton is God” aparecer nos muros da cidade. Não era pouca coisa: o único disco dos Bluesbreakers lançado com Clapton na guitarra chegou às paradas britânicas, sendo o primeiro disco de blues a conseguir isso. Ouvido retrospectivamente, vê-se que The Bluesbreakers with Eric Clapton é o marco inicial do blues rock, um subgênero do rock mais próximo de seu gênero-pai. O álbum é uma maravilha, com a guitarra cristalina e fabulosa de Clapton ecoando por faixas clássicas de blues e R&B, como All your love, Hideway, What’d I say; e composições originais de John Mayall, como Key to love e Little girl. Também há a estreia de Clapton nos vocais principais em Rambin’ on my mind, de Robert Johnson, já denunciando a aproximação do guitarrista com o amado bluesman dos anos 1930. O álbum é, então, um clássico absoluto. Primeira grande contribuição à música de um guitarrista lendário e genial.

(With Cream)

cream_fresh_creamFRESH CREAM – 1966

Quando a revista Melody Maker fez uma enquete com seus leitores sobre quem eram os três maiores instrumentistas da Inglaterra em 1966, a resposta foi Eric Clapton na guitarra; Jack Bruce no baixo e Ginger Baker na bateria. E qual não foi a surpresa de todos quando justamente esse trio se uniu em uma mesma banda? Por isso, o Cream já nasceu clássico. A banda ganhou a aprovação e uma legião de fãs antes mesmo de seu primeiro show. Desde o início, Clapton, Bruce e Baker brindaram o público com um som explosivo, marcado por longas passagens instrumentais inspiradas no jazz, uma combinação alucinógena de notas de guitarra e baixo com as mais variadas e loucas viradas e batidas de bateria. Mas o grupo também sabia baixar a bola e tocar canções quase pop, fazendo um blues rock psicodélico que mudou o cenário da música britânica para sempre. O primeiro disco da banda já traz um pouco disso. Jack Bruce faz o vocal principal e também assina boa parte do material original, ao lado do letrista Pete Brown, como NSU e I feel free; Ginger Baker assina Sweet wine com Janet Godfrey (esposa de Bruce), a banda toca clássicos do blues como I’m so glad e Rollin’ and tumblin’, que traz Clapton nos vocais principais.

creamdisraeligears cover 1967DESRAELI GEARS – 1967

Se Fresh Cream era a obra de uma banda procurando seu lugar no mundo, Disraeli Gears é para muitos a grande obra do Cream. Aqui o grupo já sabe do que é capaz e o que quer. O resultado é um disco fantástico de ponta a ponta. Gravado nos Estados Unidos, em Nova York, nos estúdios da Atlantic Records, com o produtor Felix Pappalardi, o álbum dá ainda mais destaque à figura de Eric Clapton do que o anterior, com este emergindo como compositor de duas canções-chave do álbum, Strange Brew (com ajuda de Pappalardi e Gail Collins) e Tales of brave Ulisses (com letra de Martin Sharp), além de coassinar o megaclássico Sunshine of your love com Jack Bruce e Pete Brown, canção esta que virou a assinatura da banda. Além de cantar Tale of brave Ulisses e dividir os vocais com Bruce em Sunshine of your love, Clapton também leva os vocais de Outside woman blues, canção de Arthur Reynolds que ganha um arranjo de autoria do guitarrista. Por fim, o álbum ainda traz a dolorosa World of pain de autoria de Pappalardi e Collins com os vocais chorados maravilhosos de Jack Bruce, a famosa SWLABR e a agonizante We’re going wrong. Guitarras furiosas, arranjos malabaristas de baixo e uma bateria matadora transfiguram uma das mais psicodélicas experiências que fecham o ano de 1967. Um disco obrigatório em qualquer coleção.

cream wheelsoffireWHEELS OF FIRE – 1968

Os fãs mais viscerais do Cream preferem este álbum como seu favorito. Disco duplo na época, Wheels of Fire traz um disco normal gravado em estúdio e outro ao vivo com apenas quatro faixas, ou seja, duas em cada lado. O disco de estúdio não é tão psicodélico quanto Disraeli Gears, investindo mais na própria coesão da banda, com destaques para White room, As you said e Politician (todas de Jack Bruce e Pete Brown), além de Those were the days (de Ginger Baker e Mike Taylor) e os covers de Sitting at the top of the world e Born under a bad sign. No lado ao vivo, faixas já conhecidas como Spoonful e Toad ganham versões enormes e loucas (com mais de 16 minutos cada) e emerge outro superclássico imortal: Crossroad, de Robert Johnson, ganha uma versão furiosa, cantada por Eric Clapton. O guitarrista tem um destaque menor no álbum como um todo enquanto cantor ou compositor, mas em compensação, sua guitarra está à toda, abrilhantando tudo o que toca. Infelizmente, o disco também não disfarça a tensa situação da banda, combalida por disputas de egos tão grandes quanto seus talentos.

cream GoodbyeGOODBYE – 1969

Já sabendo que ia se separar e antes de uma turnê de despedida, o Cream se reuniu em estúdio para gravar seu último álbum que seria, apropriadamente, batizado de Goodbye. Contudo, a banda não conseguiu reunir material o suficiente para repetir a fórmula de Wheels of Fire de um disco ao vivo e outro em estúdio. Por isso, Goodbye saiu como um disco simples, com três faixas ao vivo (I’m so glad, Politician e Sitting on the top of the world, todas já presentes nos outros álbuns) e três faixas em estúdio, das quais a única que realmente se destaca é Badge, uma parceria de Eric Clapton com seu amigo (e ex-beatles) George Harrison, que toca guitarra na gravação. Esta foi lançada em single e fez sucesso, mas o álbum não é realmente bom, embora alguns críticos julguem as gravações ao vivo de Goodbye melhores do que as excessivas de Wheels of Fire.

cream LiveCreamLIVE CREAM – 1970 (póstumo) / LIVE CREAM II – 1972 (póstumo)

Pouca coisa se equipara ao Cream ao vivo nos anos 1960.  Ou nada. Nos discos, a banda já é uma das melhores da história do rock. Mas ao vivo, é outra coisa: o poder em pessoa, a competência instrumental travestida de power trio, uma coisa impressionante! Estes discos são póstumos, lançados para a gravadora ganhar em cima da marca da banda e do sucesso de Eric Clapton nas bandas que se seguiram (o volume 1) e para cobrir a ausência do músico no mercado (volume 2), mas ainda assim, é um deleite ouvi-los.

(With Blind Faith)

OLYMPUS DIGITAL CAMERABLIND FAITH – 1969

Terminado o Cream, Eric Clapton se envolveu em outro supergrupo: o Blind Faith, unindo forças com o superastro Steve Winwood (vindo do Spencer Davis Group e Traffic) nos vocais e teclados; Rich Grech (do Family) no baixo e Ginger Baker (do Cream) na bateria. O resultado é explosivo: a banda gravou este único álbum e fez uma turnê de grande sucesso, mas se separou menos de um ano depois. O álbum causou polêmica por causa de sua capa, mas traz uma música maravilhosa, combinando os melhores elementos de cada um dos músicos. Clapton demonstra um estilo de guitarra mais maduro e menos calcado em riffs do que na banda anterior. Destaque para Can’t find my way home, uma balada acústica levada por contrapontos de Clapton e Presence of the lord, de autoria do guitarrista, que combina sutileza esparramada nos versos, mas dá uma pausa brutal para um solo de guitarra enfurecido, um dos melhores de sua extensa carreira. Winwood canta em todas as faixas.

(With Derek and the Dominos)

ERIC CLAPTON – 1970eric_clapton 1970 (2)

Terminada a aventura do Blind Faith, Eric Clapton dedicou-se a acompanhar outros artistas as quais era amigo. Isso o levou a tocar na Plastic Ono Band, do ex-beatle John Lennon e, mais importante, a acompanhar uma turnê pela Inglaterra de Delaney, Bonnie & Friends, um grupo norteamericano que reunia por pura diversão diversos dos mais famosos músicos de estúdios dos EUA. Este álbum é gravado com o acompanhamento da Delaney & Bonnie & Friends no que deveria ser oficialmente o primeiro disco solo de Clapton. Contudo, como a base do DBF formaria, em seguida, o Derek and the Dominos, a próxima banda do guitarrista, em termos práticos, este pode ser considerado um disco do Derek and the Dominos. O diferencial é o timaço de músicos que os acompanha: do futuro Dominos, temos além de Clapton, Carl Randle (baixo), Bobby Withlock (teclados) e Jim Gordon (bateria); acompanhados pelo restante do DBF – Delaney Bramlett (guitarra), Bonnie Bramlett (backing vocais), Bob Keys (saxofone); mais um time de músicos convidados, como George Harrison, Stephen Stills e Dave Mason (guitarras e vocais), Leon Russel (teclados) e mais alguns outros. O resultado não poderia ser outro: um álbum explosivo, cheio de canções soberbas – Easy now, Lovin’ you lovin’ me, Blues power, Let it rain, After midnight – naquele que é, sem sombra alguma de dúvidas, o melhor álbum da carreira (inteira) de Eric Clapton. Outro deltalhe: é o primeiro mergulho intenso de Clapton nos vocais e nas composições. O tema das canções? Dores de amor: Clapton estava apaixonado pela mulher de George Harrison, Patti Boyd, que era seu melhor amigo.

Clapton - LaylaCoverLAYLA AND OTHER ASSORT LOVE SONGS – 1970

Patti Boyd continua a ser a inspiração neste álbum que é oficialmente o primeiro (e único) da banda Derek and the Dominos – Clapton (vocais e guitarra), Carl Randle (baixo), Bobby Withlock (teclados e vocais) e Jim Gordon (bateria). Patti é a Layla do título, uma canção devastadora sobre um amor não correspondido que une a potência das guitarras com a voz bluseira de Clapton e um instrumental arrasador. Na verdade, o disco inteiro é um arrasa-quarteirões instrumental, com a banda explodindo nas caixas de som. Produzido por Tom Dowd (que foi engenheiro de som do Cream), a gravação é límpida e permite cada instrumento brilhar (e estourar) nas caixas de som, numa qualidade incrível. Além de Clapton, há a participação do guitarrista Duane Allman (da banda norteamericana The Allman Brothers Band), que toca slide guitar em várias faixas. Além das cordas, o grande destaque é o baterista Jim Gordon, considerados por muitos como o maior baterista da história do rock. Ouça esse disco e saberá por quê. Gordon alisa nossos ouvidos em todas as faixas, é espetacular! E o baterista também co-assina Layla, sendo o responsável pela coda de piano que encerra a faixa em uma longa jam session instrumental. Outras faixas: I looked away, Bell bottom blues, Keep on growing, Nobody knows when you down and out, Anyway, Key to the highway e Have you ever loved a woman?. Ah, e não esqueça Little wing (de Jimi Hendrix), numa bela homenagem Clapton ao seu amigo, falecido na época das gravações. Um clássico absoluto!

Derek & The Dominos - in concertIN CONCERT – 1971

Como era de praxe, após lançar o álbum anterior, o Derek and the Dominos caiu na estrada… e se perdeu. Afogado pela dor da ausência de Patti Boyd, Clapton afundou nas drogas. O grupo até iniciou um novo álbum, mas as gravações nunca terminaram. Para preencher o vazio, a gravadora Polydor lançou este fantástico álbum ao vivo, que mostra o porque da banda ser tão boa. O repertório mistura algumas faixas do álbum anterior (Have you ever loved a woman?, Key to the highway) com algumas novidades, como interpretações do repertório anterior de Clapton (Blues power, Let it rain e Presence of the lord). Destaque para a versão lenta de Crossroad, que a transforma em outra faixa. Também atenção para Got to better it in a little while que, com certeza, seria o hit do disco seguinte da banda, se tivesse sido gravado.

Carreira Solo:

Eric Clapton rainbowconcert 1973THE RAINBOW CONCERT – 1973

Este concerto de Eric Clapton, em 1973, foi o primeiro grande passo para a recuperação do artista, após três anos afundado nas drogas. Organizado pelo amigo Pete Townshend (do The Who), o show reuniu uma série de estrelas do rock britânico para abrilhantar o retorno do deus da guitarra aos palcos. A base da banda é o Traffic – com Steve Winwood nos vocais e teclados, Rick Grech no baixo e Jim Capaldi na bateria – mais Townshend e Ron Wood (futuro membro dos Rolling Stones) nas guitarras. Clapton não está espetacular, mas foi um passo importante. O repertório traz Badge, Presence of the lord, After midnight e Little wing. Décadas depois, foi lançada uma versão estendida com mais material da época do Derek and the Dominos.

Eric Clapton 461OceanBoulevar 1974461 OCEAN BOOULEVARD – 1974

Recuperado das drogas, Eric Clapton enfim retomou a carreira de verdade, saindo à solo pela primeira vez. Reunindo uma banda de Tulsa, com o ex-Dominos Carl Randle (baixo) mais George Terry (guitarra), Dick Sims (teclados) e Jaime Oldaker (bateria). Gravado na Flórida, nos EUA, o disco reflete o calor e as praias e chamou bastante a atenção do público e da crítica. Clapton enfim conseguiu por em prática algo que sonhava desde 1968: produzir uma música mais calcada nos elementos básicos de composição e canto e menos dependente de suas grandes habilidades na guitarra. Algo distante do Cream e do Blind Faith, enfim. O grande destaque é a releitura de I shot the sheriff, de Bob Marley & the Wailers, então, uma banda jamaicana desconhecida do grande público. O sucesso da faixa transformou Marley em um ídolo mundial. Destaque ainda para a autoral Let it grow, que remete ao Led Zeppelin com seu crescendo acústico. Para os que gostam de blues, uma versão sensacional de Clapton e Randle para a tradicional Motherless children abre o disco, que traz ainda Steady rollin’ man (de Robert Johnson), Willie and the hand jive (de Johnny Otis) e I can’t hold out (de Elmore James). Não é o melhor álbum de Clapton, mas uma boa volta por cima: chegou ao 1º lugar das paradas dos EUA e ao terceiro das britânicas. Nada mal para quem passou três anos inteiros afundado nas drogas.

Eric Clapton TheresOneInEveryCrowd 1975…THERE’S ONE IN EVERY CROWD – 1975

Com mais canções de Clapton do que o anterior, este álbum não consegue repetir a magia do anterior, não sendo tão bem sucedido. Ficou para a posterioridade a tradicional Swing low, sweet carriot. talvez porque seria incluída em uma famosa coletânea. Há ainda The sky is crying (de Elmore James) e autoral Better making throught today. O título “há um em cada multidão” teria o prefixo “um grande guitarrista”, mas a gravadora achou que seria longo demais. Talvez o disco tivesse feito mais sucesso se Clapton tivesse incluído dentro dele o single Knockin’ on heaven doors, com uma versão reggae da famosa canção de Bob Dylan. A versão de Clapton ainda hoje é a versão mais conhecida da faixa.O álbum atingiu apenas a 21ª posição das paradas dos EUA e ao 16º do Reino Unido.

Eric Clapton ECwashere_coverE.C. WAS HERE – 1975 [ao vivo]

Para curar a ressaca do álbum anterior, Clapton lançou seu primeiro álbum solo ao vivo. Montado a partir de dois shows, o disco traz releituras de velhas conhecidas do repertório de palco do guitarrista, como Have you ever loved a woman? (de Billy Myles), que tocava desde os tempos dos Bluesbreakers, e Ramblin’ on my mind (de Robert Johnson). Também há sucessos de sua carreira pregressa, como Presence of the lord (de sua autoria) e Can’t find my way home (de Steve Winwood), ambas gravadas pelo Blind Faith. Chegou ao 20º lugar das paradas dos EUA e ao 14º do Reino Unido.

Eric Clapton No_Reason_to_CryNO REASON TO CRY – 1976

Este não é um álbum necessariamente melhor do que os anteriores, mas recuperou o prestígio comercial de Clapton. O maior destaque mesmo é o dueto com Bob Dylan em Sign linguage de autoria do bardo americano. Há também uma poderosa versão de Double trouble (de Otis Rush). Mas o single do disco foi Hello old friend, de autoria do próprio Clapton. O disco chegou à 15ª posição das paradas dos EUA e 08ª do Reino Unido.

Eric Clapton Slowhand 1977SLOWHAND – 1977

Vivendo o auge do amor com a velha musa Patti Boyd – que finalmente deixara o marido George Harrison para se juntar a Clapton – o guitarrista produziu um álbum bastante inspirado, que se transformou no seu maior êxito da década de 1970, causando um impacto ainda maior do que 460 Ocean Boulevard. Slowhand remete ao apelido que Clapton tinha na época dos Yardbirds e traz uma de suas canções mais famosas: Cocaine (de J.J. Cale), que se tornou um grande sucesso no mundo inteiro. O riff de Clapton ecoa um pouco Sunshine of your love (de 1967), mas como é o mesmo guitarrista quem o executa, é algo aceito. É também uma grande gravação, com um riff maravilhoso e uma guitarra afiada, que produz um enorme solo no meio. Canção obrigatória da maioria dos shows de Clapton dali em diante, mesmo que a letra (que fala dos efeitos da cocaína) lhe traga más lembranças. Além dela, o álbum ainda produziu outros dois hits: a balada Wonderful tonight (de Clapton), que se transformou em outras de suas canções mais famosas, com seu riff característico; e Lay down Sally (de Clapton, com a vocalista Marcy Levy e o guitarrista de apoio George Terry). Além dos compactos, o álbum chegou ao 2º lugar das paradas dos EUA.

Eric_Clapton_BacklessBACKLESS – 1978

Este álbum não trouxe faixas muito famosas, à exceção do single Promises, que fez um grande sucesso nos EUA, chegando ao 9º lugar das paradas de compactos. O álbum ficou uma posição abaixo, em 8º lugar. Infelizmente, este é o último álbum gravado com sua banda de Tulsa, com Carl Randle no baixo, George Terry na guitarra, Dick Sims nos teclados e Jaime Oldaker na bateria. O motivo foi comportamental: Clapton andava bebendo muito e se metendo em encrenca e o grupo o ajudava a ir mais fundo. Mas foi uma decisão difícil e traumática: Carl Randle morreria não muito tempo depois, por causa de abuso de álcool e drogas.

Eric Clapton Just_One_Night 1980JUST ONE NIGHT – 1980 [ao vivo]

Com o grande sucesso de seus dois álbuns anteriores, Clapton reuniu uma nova banda com Albert Lee (guitarra), Dave Markee (baixo), Chris Stainton (teclados) e Henri Spinetti (bateria). A turnê de dois anos rodou o mundo. O show do álbum foi gravado no Japão, em 1979, e traz poderosas versões de Cocaine, Wonderful tonight, Double trouble, Blues power e After midnight. O disco chegou ao 2º lugar das paradas dos EUA e ao do Reino Unido, ganhando certificado de disco de ouro.

Eric Clapton AnotherTicket 1981ANOTHER TICKET – 1981

Eric Clapton continuava em alta no início dos anos 1980. O álbum Another Ticket não trazia nem uma jóia em particular, mas ainda assim, chegou ao 7º lugar das paradas dos EUA. O single I can’t stand it, o maior destaque do disco, ficou em 10º lugar da parada geral de singles, mas em no ranking Mainstream Rock Tracks da Billboard. A banda que o acompanha é a mesma da turnê anterior, com a adesão do segundo tecladista Gary Brooker. Foi o último álbum do guitarrista pela gravadora Polydor, que lançara todos desde 1970.

Eric Clapton Money_and_Cigarettes 1983MONEY AND CIGARRETS – 1983

Apesar do sucesso as coisas não iam bem. Bebendo muito e tendo problemas na relação com Patti Boyd, Clapton passou boa parte do início dos anos 1980 entre bebedeiras e internações em uma clínica de reabilitação. Por sua sua ausência repentina do mercado foi preenchida pelo lançamento de várias coletâneas caça-niqueis. O álbum Money and Cigarrets é o primeiro lançamento do músico na sua nova gravadora, a Warner, e foi gravado justamente após o músico sair de uma clínica, o que explica o clima estranho que o acompanha. A banda mescla membros do anterior, com Albert Lee (guitarra), mais novos músicos, como Ry Cooder (guitarra) e Donald “Duck” Dunn (baixo). O resultado é desigual, mas o álbum ainda chegou ao 6º lugar das paradas dos EUA; a canção I’ve got a rock and roll heart (de Steve Diamond, Troy Seals e Eddie Setser) foi um grande sucesso nos EUA, chegando ao 18º lugar das paradas. No Reino Unido, contudo, o disco não foi percebido.

Eric Clapton  BehindTheSun 1985BEHIND THE SUN – 1985

Apesar de uma grave crise matrimonial de Clapton com Patti Boyd ser o estopim da maioria das canções, em termos musicais o músico estava em muito melhor forma do que nos álbuns imediatamente anteriores. Para comandar o novo projeto, Clapton convidou o baterista, compositor e cantor de sucesso Phil Collins, que já tinha uma sólida carreira de sucesso em duas frentes, na carreira solo e liderando a banda Genesis. Collins terminou trazendo uma série de jovens novos músicos para tocar e alguns deles se tornariam parceiros constantes de palco de Clapton dali em diante, como Nathan East (baixo), Greg Phillingraves (teclados), além do (futuro compositor de filmes) James Newton Howard (teclados) e dos já conhecidos Donald “Duck” Dunn (baixo) e Jaime Oldaker (bateria). Phil Collins toca teclados e bateria na maioria das faixas. O disco tem mais solos de guitarra do que a média de sua produção pós-1974 e a maioria das canções tem Clapton como autor ou coautor. A gravadora não gostou muito da primeira versão do disco e sugeriu a inclusão de canções do compositor texano Jerry Lynn Williams, que rendeu o maior sucesso do álbum: Forever man, que chegou ao 21º lugar das paradas gerais e ao 1º lugar da Mainstream Rock Tracks da Billboard. Outro single do disco, She’s waiting (de Clapton e Peter Robinson) chegou também ao 11º lugar das paradas dos EUA. Apesar do álbum só chegar ao 34º lugar das paradas dos EUA, no Reino Unido ficou em 8º, talvez devido ao seu som tipicamente inglês.

Eric Clapton  edge of darknessEDGE OF DARKNESS – 1985 [trilha sonora]

Lançado inicialmente apenas em fita cassete (e depois em CD de 3″), Edge of Darkness é a trilha sonora da série de TV britânica homônima, produzida e composta por Clapton (seu primeiro trabalho dessa natureza) ao lado do compositor erudito Michael Kamen. A trilha foi extremamente bem sucedida, ganhando o prêmio Ivor Novello e o BAFTA de melhor trilha. Clapton executa uma parte da obra no vídeo ao vivo 24 Nights.

Eric_Clapton_August 1986AUGUST – 1986

Enquanto o casamento com Patti Boyd degringolava, a boa fase musical de Clapton continuava. Novamente produzido por Phil Collins (que toca bateria, teclado e backing vocais), August traz grandes momentos, como It’s in the way that you use it (parceria de Clapton com Robbie Robertson, da The Band), que entrou na trilha sonora de A Cor do Dinheiro com Tom Cruise e Paul Newman, fazendo um grande sucesso e chegando ao 1º lugar das paradas. Também tem Tearing us apart (de Clapton e Greg Phillingraves) cantado em dueto com Tina Turner, que lançada em single, chegou ao 5º lugar das paradas. Miss you (de Clapton, Bobby Columby e Phillingraves) também saiu em compacto e chegou ao 9º lugar. Outra canção que chamou a atenção da crítica foi Behind the mask, advinda da oficina de Quincy Jones. A banda de Clapton se solidifica com Collins mais Nathan East (baixo) e Greg Phillingraves (teclados). O resultado foi um grande sucesso e um dos discos de Clapton de maior vendagem até hoje, chegando ao 3º lugar das paradas do Reino Unido, embora no concorrido mercado dos EUA só tenha atingido a 37ª colocação.

Eric Clapton CreamOfClapton cover 2nd versionTHE CREAM OF CLAPTON – 1987 [coletânea]

Enquanto excurciona pelo mundo levando seu sucesso aos quatro cantos do mundo, toca com Phil Collins e Dire Straits, Eric Clapton vê nascer seu primeiro filho, Conor,com uma apresentadora de TV italiana. É o corte final no casamento com Patti Boyd e, embora o novo relacionamento também não dê certo, Clapton resolve se tornar um homem mais responsável para honrar o filho que tem, internando-se novamente em uma clínica de reabilitação e desacelerando a vida. Como resultado, faltam canções novas no mercado. A Polydor dá um duplo golpe para capitanear em cima do grande sucesso comercial do artista. O primeiro deles é esta coletânea, que se tornou a sua mais famosa com o passar do tempo, reunindo canções do Cream, Blind Faith, Derek and the Dominos e da carreira solo. Lançada inicialmente no Reino Unido, Alemanha e Austrália, o disco ganharia uma versão nos EUA em 1995, com outra capa e um número menor de faixas. A versão dos EUA foi a que se difundiu pelo mundo e se tornou a padrão a partir de então.

Eric Clapton Crossroads boxset 1988CROSSROAD – 1988 [BOX SET]

Dona da maior parte do catálogo da carreira de Eric Clapton, a Polydor lançou esta que ainda é, até hoje, a melhor compilação do trabalho do artista: Crossroad é uma caixa colossal de seis LPs ou quatro CDs reunindo o melhor de sua obra desde o início, com Yardbirds, Bluesbreakers, Cream, Blind Faith, Dalaney & Bonnie & Friends, Derek and the Dominos e a carreira solo. Além das faixas mais conhecidas, também apresenta dúzias de material inédito, desde gravações de estúdio a novas versões ao vivo. Um material fenomenal, embelezado com textos de Anthony DeCurtis, fotos e desenhos de Ron Wood.

Eric_Clapton_JourneymanJOURNEYMAN – 1989

Após sair da clínica de reabilitação e encontrar a sobriedade pela primeira vez na vida, Clapton voltou aos estúdios e lançou esse poderoso álbum, que é um de seus favoritos e foi outro grande sucesso, sendo o primeiro do artista em carreira solo a ganhar um disco de platina duplo! Agora produzido por Russ Titelman, a sonoridade se baseia mais ainda no som dos anos 1980, contando com vários músicos novos, como o celebradíssimo baterista Jim Keltner mais os guitarristas Robert Cray (grande bluesman admirando por Clapton) e Phil Palmer, o também guitarrista e compositor Jerry Lynn Williams, o tecladista Alan Clark, mantendo Nathan East no baixo e contando com a participação especial de Phil Collins na bateria e vocais em algumas faixas. O ex-beatle (e ex-marido de Patti Boyd) George Harrison faz uma participação especial como compositor e guitarrista em Run so far. Os músicos, que sempre foram grandes amigos, agora se aproximavam mais novamente. A faixa Bad Love (de Clapton e Mick Jones, da banda Foreigner) foi o primeiro sucesso do disco, chegando ao 1º lugar das paradas; seguida por Preteding (de Jerry Lynn Williams), que também chegou ao 1º lugar das paradas. O blues Before Acuse me (de Elias Daniel) chegou ao 9º lugar; No alibis (de Jerry Lynn Williams) chegou ao e Run so far (de Harrison) chegou ao 40º. O álbum chegou ao 2º lugar das paradas do Reino Unido, mas no concorrido mercado dos EUA chegou apenas ao 16º. Bad love ganhou o Grammy de Melhor Performance Vocal de Rock daquele ano.

Eric Clapton  24_Nights 199124 NIGHTS – 1991 [ao vivo]

Para coroar a boa fase, Clapton adotou o Royal Albert Hall, a mais famosa casa de espetáculos de Londres, como a sua “nova casa” e realizou 42 concertos entre 1990 e 1991. Reunindo o material principal da turnê de 24 noites no Hall entre fevereiro e março de 1991, resultou nesse poderoso disco ao vivo (também lançado em vídeo), na qual quatro bandas diferentes executam os grande êxitos do guitarrista em sua carreira, como Badge, White room, Sunshine of your love, Bell bottom blues, Have you ever loved a woman?, Preteding, Bad love, Wonderful tonight e até Edge of Darkness, acompanhado de Michael Kamen e a Orquestra Filarmônica de Londres. Um resumo fenomenal da obra do guitarrista.

Eric Clapton Rush_soundtrack 1991RUSH – MUSIC FROM THE MOTION PICTURE – 1992 [trilha sonora]

Outra trilha sonora de Eric Clapton, para o filme Rush, foi muito bem recebida pela crítica e, além de trazer uma faixa cantada pelo ídolo Buddy Guy, o grandíssimo destaque do álbum é a canção Tears in Heaven, que compôs em homenagem ao filho Conor, que morrera no ano anterior, ao cair da janela do prédio onde vivia com sua mãe. O fato teve grande impacto na psiquê de Clapton e foi decisivo para sua biografia, pois o fato de não recair no álcool e nas drogas, serviu como mostra de que estava reestabelecido como homem sóbrio. Tears in heaven foi um grande sucesso. chegou ao 2º lugar das paradas como single e ganhou três prêmios Grammy: Canção do Ano, Melhor Gravação e Melhor Performance Vocal de Rock.

Eric_Clapton_Unplugged 1992UNPLUGGED – 1992 [ao vivo e acústico]

Ainda abatido pela morte do filho, Clapton resolveu aderir à (na época nova) moda das apresentações acústicas da MTV. Terminou por produzir um álbum clássico, mais pautado em releituras de blues – inclusive de seu próprio repertório – do que em composições próprias. Ainda assim, incluiu uma versão da recém-lançada Tears in heaven (que voltou a tocar nas rádios, competindo com suas versão original) e uma releitura lenta e cadenciada (em modo jazz) de Layla. Lançada como novo single, chegou ao 4º lugar das paradas. Também destaque para Running on faith (de Jerry Lynn Lewis, canção do álbum Journeyman), que também virou single e chegou ao 14º lugar. O álbum em si foi um grande sucesso de vendas, chegando ao 1º lugar das paradas dos EUA, no Reino Unido e em vários países do mundo. Vendeu mais de 10 milhões de cópias, certificado como platina quadruplo nos EUA! Um clássico e um dos melhores discos acústicos que a MTV produziu em toda a sua história. Clapton ganhou seis prêmios Grammy com o disco. A banda que acompanharia o músico pelos próximos 15 anos se consolida aqui, com Andy Fairweaver-low e Doyle Bramhall II nas guitarras, Nathan East no baixo, Chris Staiton nos teclados e Steve Gladd na bateria.

Eric Clapton From_the_Cradle 1994FROM THE CRADLE – 1994

Vivendo o auge de sua carreira comercial, Eric Clapton decidiu aproveitar para exibir ao público o seu lado mais íntimo. O guitarrista sempre foi identificado com o blues, mas embora sempre tenha gravado números de blues, nunca lançara um álbum solo somente de blues. Então, gravou From the Cradle, apenas com releituras de clássicos de blues, acompanhando por parte da banda de Unplugged e o baterista-celebridade JIm Keltner. Ao mesmo tempo, era uma maneira de se esquivar de ter que compor novas canções, ainda na esteira da depressão pós-morte de seu filho. Destaques para a forte versão de Blues before sunrise (de Leroy Carr, também gravada por Elmore James), o superclássico Hoochie coochie man (de Willie Dixon, famosa por Muddy Waters), Motherless child (de Robert Hicks) e It’s hurt me too (de Tampa Red). I’m tore down (de Sonny Thompson, famosa por Freddie King) foi lançada como compacto e chegou ao 5º lugar das paradas; enquanto Motherless child ficou em 23º. O álbum foi gravado ao vivo no estúdio e fez um grande sucesso entre os fãs de Clapton e o público em geral, chegando ao 1º lugar das paradas dos EUA e do Reino Unido.

Eric_Clapton_PilgrimPILGRIM – 1998

Este era o primeiro álbum autoral de Clapton desde Journeyman, de 1989, e o primeiro após a morte de Conor. O guitarrista queria, segundo afirma em sua autobiografia, que este fosse o disco mais triste já gravado. E chegou bem perto disso. Apesar de não ter uma sonoridade depressiva, o conteúdo das letras é arrasador de tão triste. A maior parte do material é de composições do próprio Clapton, em parcerias com o produtor Simon Climie e Greg Phillingraves. Os maiores destaques são My father’s eyes, River of tears, Pilgrim e Circus. My father’s eyes foi lançada em single e chegou ao 2º lugar das paradas dos EUA; enquanto o álbum ficou em 4º lugar nos EUA e 6º lugar no Reino Unido. Pouco antes do disco, havia sido lançada uma faixa que poderia ter sido incluída no álbum: Change the world, incluída na trilha sonora do filme Phenomenon, com John Travolta, cujo compacto chegou ao 5º lugar das paradas gerais dos EUA e ao 1º lugar da lista Adult Contemporary, permanecendo como uma das faixas mais famosas de Clapton na atualidade.

Eric Clapton TheBluesBLUES – 1999 [coletânea]

Como Eric Clapton vivia uma fase de enorme sucesso mundial, suas antigas gravadoras deitavam e rolavam no lançamento de coletâneas. Mas algumas realmente se destacavam. Não esqueça que, nessa época, The Cream of Clapton, da Polydor, havia sido relançada em CD e fazia sucesso nas paradas. A mesma gravadora reuniu outro copilação focada nas canções de blues do guitarrista, advindas dos anos 1970. Blues, então, reúne faixas dos discos solo de Clapton com algumas gravações dos Derek and the Dominos. Curiosamente, o disco duplo soa bastante coeso, mostrando como o blues rock é mesmo o DNA de Clapton. Atenção: algumas faixas eram inéditas, advindas de outtakes dos álbuns originais, o que só dá mais valor a este disco.

Eric_Clapton_ChroniclesCRONICLES – 1999 [coletânea]

É claro que a própria gravadora de então de Clapton, a Warner, não iria ficar de fora da farra das compilações do guitarrista em seu apogeu comercial. Cronicles resume os maiores sucessos de Clapton desde 1983 até 1998, trazendo ainda duas faixas inéditas. É uma reunião interessante para avaliar a evolução sonora de Clapton, desde o som afetado tipicamente da década de 1980 para a sofisticação popular de seus trabalhos mais recentes.

Eric Clapton BB King RidingwiththekingRIDING WITH THE KING – 2000 [com B.B. King]

Eric Clapton sempre foi generoso com seu sucesso e sempre tentou retribuir aqueles que lhe ajudaram a chegar lá, não apenas como parceiros, mas fundamentalmente, por seus ídolos. É o caso de B.B. King. Para dar ainda mais visibilidade ao mostro sagrado do blues gravou este disco para fazê-lo brilhar. A banda que os acompanha é a de Clapton e o repertório passeia por clássicos do blues, com Clapton cedendo mais espaço para King do que para si próprio. O álbum foi um grande sucesso e chegou ao 3º lugar das paradas gerais dos EUA e, claro, 1º lugar da parada de blues.

Eric_Clapton_Reptile_coverREPTILE – 2001

Parece que as coletâneas saturaram um pouco o mercado para Clapton, de modo que Reptile não foi tão bem recebido quanto seus álbuns imediatamente anteriores. É um bom disco que segue a linha de Pilgrim, mais calcado em composições de Clapton e seus parceiros, embora o grande sucesso do disco tenha sido I ain’t gonna stand for it (de Steve Wonder). Também chama a atenção a participação do tecladista-estrela Billy Preston, sempre afiado, e a banda vocal The Impressions nos vocais de apoio. As composições remetem ao passado, pois foi escrito no momento em que Clapton começava a rever seu passado para escrever sua autobiografia (que seria lançada em 2007) ao mesmo tempo em que encontrava um novo lugar no mundo com seu casamento e novos filhos. Reptile chegou ao 5º lugar das paradas dos EUA e ao das do Reino Unido.

Eric_Clapton on more car one more ride coverONE MORE CAR, ONE MORE RIDER – 2002 [ao vivo]

Para fechar o período mais popular de sua carreira, Clapton saiu em uma grande turnê mundial, entre 2000 e 2002, (que passou pelo Brasil) resultando nesta compilação ao vivo do que deveria ser sua última turnê mundial. Acompanhado pela mesma banda que tocava com ele desde o início da década anterior, e cada vez mais afiada, é um registro fenomenal da fase mais famosa do maior de todos os guitarristas, dando destaque às faixas mais recentes e ao material de Derek and the Dominos. O álbum-duplo não aconteceu nas paradas, mas rendeu um DVD que se tornou bastante popular.

Eric Clapton Me_and_Mr_JohnsonME AND MR. JOHNSON – 2004

Meio exaurido artisticamente, depois da efervescência de que foram os últimos 15 anos, Clapton resolveu realizar um grande sonho: gravar um álbum inteiramente com canções de seu ídolo-mor, o bluesman Robert Johnson, morto em 1937. O guitarrista já havia gravado boa parte delas ao longo da carreira – Johnson morreu jovem e gravou pouco – mas Clapton tenta fugir do óbvio em escolhas e versões que ganham interpretações maduras com sua já tradicional banda. Como para mostrar a força do guitarrista, o álbum ainda assim chegou ao 6º lugar das paradas gerais dos EUA e, claro, ao 1º lugar das paradas de blues.

SESSIONS FOR ROBERT J. – 2004

Este álbum é uma espécie de sequência do anterior, voltado apenas aos maiores fãs de Clapton ou de blues. Outras canções de Robert Johnson não apresentadas, juntamente a um DVD com imagens da banda executando-as.

Eric Clapton  Back_home_coverBACK HOME – 2005

De volta ao seu material original, Clapton lança um álbum na mesma linha de Reptile, com composições suas e de seus parceiros. Inclui também um tributo ao amigo George Harrison, o ex-beatle, morto após um câncer, em 2001, portanto após o lançamento de Reptile. Clapton regrava a canção Love comes to everyone, um pequeno clássico popular de Harrison, que fizera sucesso em 1979 (e no Brasil, ganhou uma versão em português por Zizi Possi). A canção é também um tipo de reminiscência do Concert For George, o tributo que Clapton organizou ao amigo em 2002. Desde então, canções de Harrison tem composto parte do material ao vivo de Clapton. Embora Love comes to everyone tenha tocado nas rádios, o álbum em si não chamou muito a atenção, embora ainda tenha chegado ao 13º lugar das paradas dos EUA e ao 19º das do Reino Unido.

Eric Clapton  JJ Cale The_Road_to_EscondidoROAD TO ESCONDIDO – 2006 [com J.J. Cale]

Da mesma forma que Ridding with the King, agora, Clapton homenageia um parceiro: J.J Cale, o compositor de hits como After midnight e Cocaine. O álbum é inteiramente composto por composições de Cale, interpretadas por Clapton e sua banda, mais outros músicos adicionais. O álbum não chamou muito a atenção, mas ainda chegou à 23ª colocação das paradas gerais dos EUA, embora tenha ficado em na lista de rock. No Reino Unido, o álbum chegou apenas à 50ª colocação nas paradas gerais. O álbum consiste, ainda, nas últimas gravações do tecladista-estrela Billy Preston, que faleceu logo depois.

Eric Clapton  Complete_clapton coverCOMPLETE CLAPTON – 2007 [coletânea]

Esta coletânea em termos gerais reúne o material de The Cream of Clapton (da Polydor) com Chronicles da Warner, mais um ou outra coisa. É uma renovação de mercado para aqueles que querem conhecer mais sobre a obra passada do maior de todos os guitarristas.

Eric Clapton Clapton&Winwood2009 coverLIVE FROM MADISON SQUARE GARDEN – 2009 [ao vivo com Steve Winwood]

Steve Winwood foi um dos maiores astros dos anos 1960, fazendo sucesso ainda aos 15 anos de idade à frente da banda de R&B The Spencer Davis Group, depois comandando o Traffic e o Blind Faith ao lado de Eric Clapton. Com sua grande voz, ótimas composições e habilidades nos teclados, Winwood se reúne novamente a Clapton para esse concerto fenomenal, fruto de uma série de shows em conjunto. A dupla revisita não apenas o repertório comum do Blind Faith, mas avança no restante da carreira de ambos. Um uma banda excepcional e os dois grandes talentos é um grande concerto! Também disponível em DVD.

Eric_Clapton_-_2010_Clapton_Album_ArtCLAPTON – 2010

Este álbum traz uma combinação de composições novas com alguns velhos covers de blues e R&B. Curiosamente, praticamente nada advém da própria caneta de Clapton. Ainda assim, o disco chegou ao 6º lugar das paradas dos EUA e ao da do Reino Unido.

Eric Clapton - Old SockOLD SOCK – 2012

Num estilo similar ao anterior, este disco reúne alguns blues com material de jazz e de standart da velha era das orquestras dos anos 1940. O álbum jamais mais a atenção pelas participações especiais de Paul McCartney e Steve Winwood e não aconteceu nas paradas.

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A simples leitura descritiva desses álbuns já dá uma boa ideia da importância de Eric Clapton para a música mundial e para o rock e o blues em particular. Maior guitarrista branco da história, o músico definiu um estilo de tocar guitarra, foi um dos pioneiros dos guitar heroes e revelou-se um ótimo compositor e excelente cantor.

Não é possível entender a música do século XX sem passar por Eric Clapton. São 50 anos de carreira até agora. Que venham mais!

Eric Clapton nasceu em Ripley, na Inglaterra, em 1945, e foi um dos pioneiros da cena de R&B no país. Ele estreou profissionalmente na banda The Yardbirds, em 1963, e ganhou uma áurea mitológica quando entrou para os The Bluesbreakers de John Mayall, em 1965, e pichações com frase de “Clapton is god (Clapton é deus)” apareceram nos muros de Londres. Em seguida, alçou fama internacional como guitarrista do Cream, uma das mais famosas e importantes bandas de rock dos anos 1960. O grupo encerrou as atividades já em 1969 e Clapton montou oBlind Faith que gravou apenas um único álbum, de grande sucesso. Ele ainda montou a Derek and the Dominos, que gravou o antológico álbum Layla and Other Assort Love Songs, em1970, e depois de um período de ostracismo causado pelo abuso de drogas, retomou a carreira – agora solo – em 1974, tornando-se de novo um dos maiores astros da música internacional.

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