Cartaz de Homem de Ferro 3: mais humano. E menos humano também.
Cartaz de Homem de Ferro 3: mais humano. E menos humano também.

Foi dada à largada da Fase 2 do Universo Marvel nos Cinemas, com a estreia de Homem de Ferro 3, fecho da primeira trilogia do “vingador dourado” publicado pela Marvel Comics, e levado aos cinemas pelo Marvel Studios. E o novo filme dá um novo clima particularmente a Tony Stark.

Homem de Ferro 3, em certo sentido, é ao mesmo tempo mais e menos humano. É mais humano no retrato de Tony Stark, exibindo um lado frágil do personagem que não tinha sido explorado até agora. O herói está estressado e assustado com as experiências que viveu no filme anterior – não o Homem de Ferro 2, mas Os Vingadores. Ter visto aliens, deuses nórdicos, um Hulk e uma lenda viva da II Guerra Mundial lutando ao seu lado e ter entrado em um buraco de minhoca em pleno céu de Nova York foi demais para ele. Stark não consegue dormir e sofre de crises de ansiedade.

Tony Stark tem um arco mais dramático dessa vez.
Tony Stark tem um arco mais dramático dessa vez.

Mas claro que ele ainda é Tony Stark: finge estar tudo bem, é arrogante, pedante e trata mal as pessoas. Inclusive, aqueles que querem ajudá-lo. A trama coloca o empresário para contracenar – e em certo sentido até a depender – de uma criança, o jovem Harley, vivido por Ty Simpkins (que está ótimo), e apesar do risco inerente, acerta, por ter que colocar o personagem numa posição de encarar a si mesmo de modo mais desarmado.

Além disso, rola uma identificação imediata entre ambos, com o jovem tão isolado e inteligente quanto o próprio Stark. E até cínico como ele, como se descobre em uma rápida cena.

Por outro lado, Homem de Ferro 3 também é menos humano. É o mais fantasioso dos filmes do latinha. Se Homem de Ferro 1 e 2 tentavam se pautar em certa dose de realismo e pseudociência para manter o herói com os pés do chão, o novo capítulo relaxa nesse sentido. Afinal, já houve Os Vingadores antes, não é? Talvez o filme tenha simplesmente adotado a máxima que o próprio vilão Mandarim diz em certo momento da trama: “Depois que o cara do martelo caiu dos céus, sobrou pouco espaço para sutilezas”, numa clara menção à aparição de Thor em seu próprio filme, em 2011.

Tony Stark e a armadura danificada: herói levado ao seu limite dessa vez.
Tony Stark e a armadura danificada: herói levado ao seu limite dessa vez.

É interessante que a citação consolida a noção cronológica do Universo Marvel nos cinemas: a aparição de Thor na Terra é o que desencadeia o processo de acirramento da comunidade superhumana do planeta. Em Os Vingadores, Nick Fury (Samuel L. Jackson) já havia dito que a aparição de Thor no Novo México havia motivado a SHIELD a investir nas pesquisas de armas a partir da energia do Tesseract (o Cubo Cósmico dos quadrinhos), que são alvo de discórdia naquele filme.

Homem de Ferro 3, então, também investe mais em elementos fantásticos: o vírus extremis é parte da trama e repete nas telas os mesmos efeitos que vimos na história em quadrinhos original que lhe deu origem.

No arco de histórias Extremisum vírus tecnorgânico transforma um bandido comum em um inimigo quase impossível de ser combatido. Extremis foi publicado em The Invencible Iron-Man (vol. 03) 01 a 06, em 2005, escrito por Warren Ellis e desenhado por Adi Granov, artista que também criou as armaduras do primeiro filme de Tony Stark.

No filme, seus usuários passam a ter habilidades sobrehumanas, com regeneração rápida (inclusive de membros inteiros), olhos vermelhos e até cuspir fogo pela boca! Assim, nada de vilões em armaduras – como o Monge de Ferro no 1 e o Whiplash no 2 – dessa vez. Tony Stark precisa lutar contra superhumanos pura e simplesmente.

O premiado Ben Kingsley vive o Mandarim no filme.
O premiado Ben Kingsley vive o Mandarim no filme.

Por isso, Homem de Ferro 3 é um filme diferente de seus antecessores. Tony Stark está mais frágil e humano e isso se reflete no fato de usar bem menos a armadura dessa vez. A trama força Stark a ter que lutar apenas com as mãos e mostrar suas habilidades (ou a falta dela, algumas vezes) para fazer isso. Por outro lado, isso lhe força a usar o intelecto e buscar nas coisas dos dia a dia maneiras de extrair armamentos poderosos.

Mas não se preocupe. Há tiros, explosões, muita ação e muito Homem de Ferro propriamente dito ao longo do filme, com cenas de ação acontecendo a cada dez minutos para o espectador não esquecer que está em um filme da Marvel.

Guy Pearce como Aldric Killian: papel ampliado na trama.
Guy Pearce como Aldric Killian: papel ampliado na trama.

Quem leu o arco de histórias Extremis vai identificar muitos de seus elementos na trama. Os personagens Maya Hansen e Aldrich Killian estão lá, ocupando os seus papeis. O filme é até certo ponto fiel à história, mas a amplia para um contexto bem mais amplo, envolvendo a IMA e a 10 Anéis, a organização secreta liderada pelo Mandarim. Falando nele…

O filme faz um retrato radical do Mandarim. Kevin Feige, o presidente do Marvel Studios, falou sério quando disse que tomaram algumas liberdades em relação ao personagem. A maneira como retrataram o vilão funciona perfeitamente dentro do contexto do filme – inclusive na ligação com os dois anteriores – mas não sei se irá agradar ao velhos fãs dos personagens. É uma polêmica até certo ponto arriscada que a Marvel decidiu correr.

A armadura Heartbreaker é uma das que tem destaque: poucos segundos de tela.
A armadura Heartbreaker é uma das que tem destaque: poucos segundos de tela.

Homem de Ferro 3 também mantém muito do humor que fez a fama da franquia. As piadas continuam boas. Inclusive aquela da cena pós-créditos. Nesse sentido, a mudança de direção de Jon Favreau para Shane Black não é tão sentida. E Favreau continua como Produtor Executivo e no papel de Happy Hogan, que desempenha uma ação importante na trama, ao contrário do que se esperava.

As dezenas de armaduras usadas na divulgação do filme também estão lá, mas o uso delas é apenas pontual. Na cena final, Stark usa todas as armaduras de uma vez. Assim, não há destaque algum a nenhuma delas. Algumas até ganham nomes – Igor, Heartbreaker, Stealth… – mas cada uma ocupa apenas alguns segundos de tela. Algumas, inclusive, têm a honra de serem usadas por Stark, que em determinado momento, fica pulando de uma para outra. Stealth, Centurião Prateado e Heartbreaker são algumas delas, mas novamente, cada uma só têm destaque por poucos segundos.

Pepper Potts tem mais drama e ação.
Pepper Potts tem mais drama e ação.

Quanto aos atores, Homem de Ferro 3 não tem do que se queixar. Robert Downey Jr. continua à vontade no papel e parece gostar do maior apelo dramático dado a Tony Stark neste capítulo. Gwylnet Paltrow também ganha mais espaço e drama e responde bem. Don Cheadle tem seu tempo de tela ligeiramente reduzido como o coronel James Rhodes, o Patriota de Ferro, mas também está bem em suas cenas. Jon Favreau faz humor com seu Happy Hogan e manda muito bem.

Entre os novatos, Ben Kingsley arrasa como o Mandarim. Guy Pearce também como Aldrich Killian. E Rebecca Hall sofre um pouco mais porque seu personagem, Maya Hansen, não é bem resolvido ao longo do longametragem. Mas ela tem potencial.

James Badge Dale: Ótimo como Eric Savin.
James Badge Dale: Ótimo como Eric Savin.

E vale uma nota de destaque a James Badge Dayle como Eric Savin (ou Coldblood), os músculos da organização 10 Anéis. Sua interpretação do sujeito maligno e despreocupado que consegue tudo o que quer está excelente, apesar das poucas falas. Seu desempenho é físico.

Por fim, para aqueles que perguntam pelos Vingadores: nenhum outro membro aparece durante o filme. No entanto, a equipe e os eventos do filme são citados o tempo todo. E até uma cena de Os Vingadores é repetida: aquela em que o Homem de Ferro entra no buraco de minhoca.

Desta vez, nada de Nick Fury ou da Viúva Negra (como em Homem de Ferro 2), mas a SHIELD é citada pelo menos uma vez, quando Stark investiga seus bancos de dados.

Outras empresas do Universo Marvel dos quadrinhos também são citadas, como a Roxxon Oil e a Oracle, que nos quadrinhos já pertenceu a Namor, o príncipe submarino.

O Patriota de Ferro: destaque político.
O Patriota de Ferro: destaque político.

Homem de Ferro 3 também tem um quê de político. A política já havia aparecido no filme anterior – lembram da cena de Stark no Congresso e a criação do Máquina de Combate? – mas agora a política é o subtema principal. O presidente dos EUA e o vice são personagens da trama e a ação do Mandarim é claramente política. Mas é Rhodes, o Patriota de Ferro, quem representa a política e não o Homem de Ferro, já que Stark não tem a paciência necessária para isso.

Stark e Peppper Pots na armadura: Resgate?
Stark e Peppper Pots na armadura: Resgate?

E não é spoiler algum dizer que Pepper Potts usa mesmo a armadura do Homem de Ferro e faz jus ao codinome Resgate. É um alívio não termos outra “dama em perigo” em um filme de super-herói. As mulheres agradecem.

Para encerrar, a cena pós-créditos. Aqueles que esperam uma “grande revelação” ou “conexão” na cena pós-créditos vão ficar decepcionados. Não há ligação com os Guardiões da Galáxia como se comentava. (Quem sabe em Thor – O Mundo Sombrio?). A cena final é uma piada no bom sentido: uma cena engraçada, mas totalmente despretensiosa.

(Mas um detalhe importante: a estreia do filme seu deu antes dos EUA, onde só sai na semana que vem. Não me surpreenderia que o filme saísse lá com outra cena pós-créditos, mais reveladora. Os Vingadores estreou no Brasil antes dos EUA e não trouxe a cena da equipe comendo num restaurante depois da batalha).

Pra onde Tony Stark. irá agora?
Pra onde Tony Stark. irá agora?

Por fim, Homem de Ferro 3 não é “sombrio” como alguns alarmavam. É talvez um pouco mais dramático do que os anteriores, embora mantenha a ação e o humor. E apesar do Marvel Studios dizer que não é necessariamente o encerramento de uma trilogia, o filme funciona como isso sim, no sentido de “fechamento” que tem ao final. Contudo, à moda de James Bond, o estúdio deixa a mensagem no fim: “Tony Stark voltará“.

Serve até como uma mensagem a Robert Downey Jr. Afinal, o contrato do ator encerrou-se com Homem de Ferro 3. Sua volta para Os Vingadores 2 (em 2015) e um possível Homem de Ferro 4 (provavelmente em 2016 ou 17) depende agora de negociações e um altíssimo salário: ele ganhou US$ 50 milhões pelo filme da equipe.

Produzido pela Disney Company e pelo Marvel Studios, Homem de Ferro 3 foi escrito pelo britânico Drew Pearce (da série No Heroics) e é dirigido por Shane Black (Maquina MortíferaBeijos e Tiros). O elenco traz novamente Robert Downey Jr. (Tony Stark), Gwynelt Paltrow (Pepper Potts), Don Cheadle (James Rhodes/ Patriota de Ferro), Jon Favreau (Happy Hogan), Ben Kingsley (Mandarim), Guy Pearce (Aldrich Killian), Rebecca Hall (Maya Hansen), James Badge Dale (Eric Savin/Coldblood), William Sadler (Presidente Elis), Ty Simpkins (Harley), Stephanie Szostak (Ellen Brandt), Dale Dickey (Miss Davis), Ashley Hamilton (Jack Taggert), Wang Xueqi (Dr. Wu), Fan Bingbing (esposa do Dr. Wu).  A estreia no Brasil foi em 26 de abril e nos EUA será em 03 de maio de 2013. O longametragem funciona como uma sequência de Os Vingadores e dá início à Fase 2 do Universo Marvel nos Cinemas, que envolverá outros filmes e culminará em Os Vingadores 2 em 2015.

O Homem de Ferro foi criado por Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby e Don Heck em 1963, na revista Tales of Suspense 39, e desde então é publicado pela Marvel Comics. O personagem é membro fundador dos Vingadores.

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