Os Rolling Stones ao vivo em 2006.

Em maio de 2012, a banda britânica The Rolling Stones completa 50 anos de atividades, mantendo-se como uma das mais importantes bandas de rock de toda a história. Começando as comemorações, o HQRock apresenta a Discografia Completa da banda, disco a disco, comentada.

Como há muita variação entre diferentes discografias, optamos por usar a oficial inglesa. Nos EUA, alguns discos foram lançados diferentemente, especialmente no início da carreira, e ambas as versões foram lançadas em CDs mais tarde. Também nos detemos somente aos álbuns de estúdio. Depois, publicaremos um dedicado apenas ao discos ao vivo.

THE ROLLING STONES – 1964

O primeiro álbum da banda não tinha título e nem o nome da banda aparecia na capa, apenas uma foto à meialuz seguindo o estilo estabelecido pelos Beatles e o fotógrafo Robert Freeman em With the Beatles. Este disco foi “produzido” por Andrew Loog Oldham, o empresário do grupo que não tinha nenhuma experiência com máquinas de gravação, o que ajuda a explicar o som sujo e embaralhado da primeira fase dos Rolling Stones. Quem pegou no pesado mesmo em termos de gravação foi o engenheiro de som Eric Easton. O disco exibe o que a banda fazia nos clubes na época, com canções de Chuck Berry (Carol) e alguns blues, especialmente Route 66 de Bobby Troup e I just want to make love to you de Willie Dixon. Como na época eram apenas intérpretes, a única canção autoral propriamente dita é Tell me, primeira balada assinada por Mick Jagger e Keith Richards, mas também há Little by little, parceria entre Jagger e o produtor e compositor Phil Spector, que participa do disco fazendo percussão, juntamente com seu “protegido” Gene Pitney. Na Ingletaterra, o álbum foi precedido de três compactos: Come on, I wanna be your man e Not fade way. Nos EUA, misturaram os compactos com faixas do disco que resultaram em The Rolling Stones: The Newest England’s Hits Makers. A formação original se define com Mick Jagger nos vocais, gaita e pandeiros, Keith Richards na guitarra principal, Brian Jones na segunda guitarra, mas brilhando também no slide guitar e na gaita, Bill Wyman no baixo e Charlie Watts na bateria.

THE ROLLING STONES No. 02 – 1965

O segundo álbum é ligeiramente melhor do que o anterior, especialmente em termos de som, pois foi gravado no Chess Studios de Chicago – o lugar onde Muddy Waters, John Lee Hooker e Chuck Berry faziam suas gravações e o compositor Willie Dixon trabalhava como baixista – com Ron Malo fazendo a engenharia de som e Andrew Loog Oldham na “produção”. No repertório, há mais duas composições de Jagger & Richards, mas o destaque ainda são os covers de Time is on my side, Everybody needs somebody to love, I can’t be satisfied, You can’t catch me e Suzie Q. Nos EUA, suas faixas foram distribuidas entre 12×5  e The Rolling Stones, Now. O álbum foi precedido dos compactos de Little Red Rooster, Heart of stone e The last time, a primeira um clássico de Willie Dixon, as duas últimas os primeiros sucessos autorais de Jagger & Richards, numa balada e num rock, respectivamente.

OUT OF OUR HEADS – 1965

Embora a maior parte do repertório seja de covers, como She said yeah! e Talkin’ about you, pela primeira vez, os reais destaques são mesmo os autorais, com Heart of Stone e I’m free. Este álbum representa a primeira virada na carreira da banda, quando firmam uma sonoridade própria a passam a se escoltar de suas próprias canções. Não à toa o compacto (I can’t get no) Satisfaction foi lançado na mesma época, seguido de Get off of my cloud e As tears go by. Nos EUA, este disco foi dividido em dois: um outro Out of Our Heads e December’s Children (and Everybody).

AFTERMATH – 1966

A banda nem chegou a completar o seu primeiro círculo e já fizeram outro: aqui, aderem ao Movimento Psicodélico e começam a brincar com referências sonoras clássicas, sons barrocos e efeitos sonoros. Com isso, Aftermath é o primeiro álbum inteiramente autoral dos Stones, com todas suas 14 faixas assinadas por Jagger e Richards. Sentido-se deslocado, Brian Jones termina se voltando para experimentações sonoras, contribuindo de maneira decisiva para a nova sonoridade da banda: no disco, o multiinstrumentista toca cítara, saltério, harpchords, sinos, marimba, além de piano, órgão, gaita. E deu certo é o primeiro dos álbuns a entrar na lista dos “melhores discos” da longa carreira do grupo. O repertório é de clássicos: Mother’s little helper, Lady Jane, Under my thumb, Out of time, I am waiting e Take it or leave it. Rendeu também alguns compactos que não estão no disco, como a psicodélica Paint it back e o rockão 19th nervous breakdown.

BETWEEN THE BUTTONS – 1967

Depois do esplêndido disco anterior, a banda tropeça um pouco neste álbum. As experimentações continuam, Brian Jones toca cítara, saxofone, flauta, mellotron e qualquer coisa que coloquem na frente dele, mas as composições de Jagger e Richards simplesmente não chegam ao mesmo nível, embora haja destaques como Backstreet girl e Yesterday’s papers. Ainda assim, foi lançado um single com duplo Lado-A de muito sucesso com Ruby Tuesday e Let’s spend the night together; e outro com Have you seen your mother baby standing in the shadows?. Detalhe importante: foi a primeira vez que o cultuadíssimo pianista Nick Hopkins trabalhou com a banda, início de uma longa parceria.

THEIR SATANIC MAJESTIES REQUEST – 1967

Última peça psicodélica dos Stones, este álbum é praticamente renegado pela banda, pois escorregou numa tentativa frustrada de seguir os passos de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band dos Beatles, lançado mais cedo no mesmo ano. O álbum também é o momento de ruptura entre a banda e o empresário e “produtor” Andrew Loog Oldham, de modo que Jagger e Richards assinam a produção pela primeira vez. Novamente, Brian Jones se desdobra em inúmeros instrumentos: flautas, saxofones, órgãos, cítaras etc. No entanto, as composições não estão muito inspiradas e os maiores destaques são She’s a rainbow (com destaque ao mellotron de Jones, o piano de Nick Hopkins e o arranjo de cordas criado por John Paul Jones, futuro membro do Led Zeppelin) e 2000 years light from home. Fora do álbum, ainda saiu o compacto We love you, que tem como maior atrativo a participação especial de John Lennon e Paul McCartney nos vocais.

BEGGARS BANQUETT – 1968

Aqui, ocorre uma nova mudança na carreira da banda, a mais importante dentre todas: os Stones abandonam o clima psicodélico e se voltam às suas raízes, produzindo um disco de forte influência de folk blues. É neste álbum que começa a se desenvolver a sonoridade pela qual os Stones são reconhecidos hoje. E foi uma decisão acertadíssima: as composições de Jagger e Richards estão excelentes; Richards começa a desenvolver uma afinação pessoal para a guitarra e faz um ótimo trabalho; Nick Hopkins brilha no piano; e Brian Jones começa a sua despedida. Afogado em drogas, o guitarrista aparece apático na maior parte do tempo, embora agora volte a tocar guitarra depois de dois anos de sonoridades exóticas. Ainda assim, há tempo para um belo trabalho de guitarra slide em No expectation. Outros destaques são: Sympathy for the devil, Street fight men e Salt of the earth. Fora do álbum, foi lançado o compacto Jumpin’ Jack flash. Também é o início da parceria dos Stones com o produtor Jimmy Miller, que havia trabalhado com o Traffic.

LET IT BLEED – 1969

Embora seja um clássico, este álbum é estranho por ser resultado de três sessões distintas, realizadas com três guitarristas diferentes: a primeira leva de gravações vem de fins de 1968, ainda com Brian Jones na guitarra, mas sua apatia o levou a ser demitido do grupo; vieram sessões com o seu pretenso substituto, o norteamericano Ry Cooder; e outras com o jovem Mick Taylor, de 19 anos, que terminou sendo o escolhido para ficar na banda. Portanto, é ao mesmo tempo, o último álbum com Brian Jones e o primeiro com Mick Taylor. Contudo, Jones morreu antes do lançamento do disco, o que causou grande comoção. Além disso, o disco traz o primeiro solo vocal de Keith Richards, em You got the silver, uma das melhores faixas do álbum. Outros destaques são Gimmie shelter, Love in vain, Midnight rambler e a gospel  You can’t always get what you want. Fora do álbum, foi sucesso o compacto Country honk women, onde brilha a guitarra de Taylor. Este foi o primeiro álbum dos Stones a ser o n.º 01 nas paradas de álbuns da Inglaterra desde Aftermath.

STICKY FINGERS – 1971

Para muitos, este é o melhor álbum dos Rolling Stones, o primeiro realizado inteiramente com Mick Taylor na guitarra solo. Aqui, o ciclo iniciado em Beggars Banquett se completa e este disco já traz inteiramente a sonoridade típica dos Stones. As parcerias com Jimmy Miller na produção e Nick Hopkins no piano continuam rendendo momentos sublimes. E Billy Preston também participa nos teclados em Can’t hear me knocking. Outro que integra às fileiras da banda para parcerias duradouras é o saxofonista Bobby Keys, que se tornará um dos maiores amigos de Keith Richards. A lista de faixas é um rosário de clássicos: Brown sugar, Sway, Wild horses, Bitch, I got the blues, Sister morphine, Dead flowers e Moonlight mile. A ex-namorada de Mick Jagger, a cantora Marianne Faithfull ganha o crédito de coautora de Sister morphine (que parece ser sobre ela), canção gravada ainda com Ry Cooder no slide guitar. A capa do disco foi criada por Andy Warhol e, na sua versão em vinil, trazia um zíper de verdade, que quando aberto mostrava outra imagem com uma cueca por baixo da calça. Este disco foi o primeiro da banda gravado fora do acordo com a ABCKO, que manteve os direitos autorais sobre os álbuns anteriores, inaugurando o selo The Rolling Stones Record (RSR), além de ser o primeiro a trazer a logomarca da língua entre os lábios que virou um ícone. Por fim, este foi o primeiro álbum dos Stones a ser o primeiro lugar nas paradas tanto do Reino Unido quanto dos EUA.

EXILE ON MAIN STREET – 1972

A outra metade dos fãs acha que este é que é o melhor álbum dos Stones. Se não melhor que Sticky Fingers – porque não é tão coeso – Exile… guarda uma áura especial, tendo em vista seu contexto e sua gravação. A banda teve problemas com impostos na Inglaterra e decidiu se exilar para não pagá-los. Assim, montaram base no sul da França. Alugaram um casarão (que serviu de QG para os Nazistas no país durante a II Guerra Mundial) e usaram o porão como estúdio de gravação. As sessões foram regadas a muitas drogas de todos os envolvidos e o resultado é uma qualidade sonora oscilante, com ruido e sons embaralhados. Conduto, isso serve positivamente ao som sujo da banda e forma uma sonoridade única. O time dos Stones com Mick Taylor e a quadrilha de apoio com Jimmy Miller, Nick Hopkins, Bobby Keys etc. se mantém e o resultado é um disco memorável. Primeiro álbum duplo da banda, traz uma sucessão de clássicos: Rock off, Rip this joint, Tumbling dice, Sweet Virginia, Let it loose, All down the line, Shine a light e mais um solo vocal de Keith Richards (o seu melhor), Happy. Infelizmente, é o fim do ciclo clássico que iniciou com Beggars Banquett e constitui o apogeu fonográfico dos Stones.

GOATS HEAD SOUP – 1973

O que resta depois do apogeu? A queda! Infelizmente, esta é a sensação ao ouvir este disco. A banda está cansada e desencontrada, embora o mesmo time vencedor – Taylor, Miller, Hopkins, Keys etc. – esteja presente. O maior destaque mesmo é a balada Angie, que se tornou um enorme sucesso, e é levada no piano de Nick Hopkins. Foi o último disco da banda produzido por Jimmy Miller, que sucumbiu ao vício de drogas e foi demitido. Também foi o último a ser o primeiro lugar nas paradas da Inglaterra em um bom tempo.

IT’S ONLY ROCK’N’ROLL – 1974

Este disco é melhor do que o anterior, mas igualmente sem brilho. O único destaque de verdade é a faixa-título: It’s only rock’n’roll (but I like it) e, dizem os boatos, a autoria da canção foi o estopim da saída de Mick Taylor da banda, que reinvidicou seu nome nos créditos. Verdade ou não, Taylor saiu do grupo após as gravações. Sem Jimmy Miller, a produção agora passa ao cargo de Jagger e Richards mesmo.

BLACK AND BLUE – 1976

Sem Mick Taylor, os Stones iniciaram uma dura busca por um substituto e o álbum foi gravado no meio do processo. Dessa forma, embora o escolhido Ron Wood esteja no disco, divide espaço entre as faixas com outros dois candidatos reprovados: os norteamericanos Harvey Mandel e Wayne Perkins. Ron Wood era um velho conhecido da banda, também britânico, que iniciou a carreira no The Jeff Beck Group, com Jeff Beck e Rod Stewart; e seguiu o vocalista na banda The Faces, que fez sucesso na primeira metade dos anos 1970 com uma sonoridade muito similar aos dos Stones. A entrada de Wood encerra a sonoridade da banda com duas guitarras distintas – marca do período de Taylor – e volta à unidade de dois guitarristas com estilos similares, que tinham com Brian Jones. Porém, os estilos de Richards e Woods são ainda mais parecidos, mas isso foi usado de maneira positiva pelo grupo. Já o álbum não é grande coisa, embora se destaquem Hot stuffs e Fool to cry, que foi um grande sucesso. No apoio, participações de Nick Hopkins e Billy Preston nos teclados.

SOME GIRLS – 1978

Apesar deste álbum ser melhor do que o anterior, é curioso notar que este tenha sido o álbum de maior sucesso dos Rolling Stones nos EUA, puxado pelo megahit Miss you. E o motivo é provavelmente mundano: a sonoridade disco da canção, numa época em que a discoteca e os Embalos de Sábado à Noite embalavam o mundo. Contudo, dá para arriscar que este é o melhor disco da banda desde Exile on Main Street, pois traz Respectable, Beast of burden, Shattered e um bom cover de Just my imagination (running away with me). Também é o primeiro álbum integral com Ron Wood. Os críticos supõem – e Keith Richards confirma em seu livro – que o salto de qualidade se deve à recuperação do Sr. Richards após seríssimos problemas com as drogas. Os críticos ainda apontam este como o início de uma trilogia de bons discos da banda. Apesar do grandíssimo sucesso nos EUA, na Inglaterra, este álbum chegou “apenas” à segunda colocação das paradas, assim como os dois discos anteriores.

EMOCIONAL RESCUE – 1980

Este álbum pode ser o elo mais fraco da “trilogia do retorno” ao sucesso (de crítica) dos Stones, mas foi o primeiro disco da banda a ser 1º lugar das paradas tanto da Inglaterra quanto dos EUA desde Goats Head Soup. No disco, destaque maior à faixa-título, mas vale nota She’s so cold, enquanto Dance (part 1) traz a primeira parceria Jagger-Richards-Wood.

TATOO YOU – 1981

Para os críticos, este é o ponto mais alto da “trilogia do retorno” e foi um grande sucesso, o segundo disco da banda mais vendido nos EUA. O grande megahit Star me up puxou o sucesso e é, de fato, uma canção emblemática da sonoridade da banda e presença certa em praticamente todos os seus concertos desde então. Mas também são destaques Hang fire, Worried about you, Heaven e Waiting for a friend, além de trazer duas parcerias Jagger-Richards-Wood: Black limousine e No use in crying. Além disso, este foi o último álbum gravado com a colaboração do pianista Nick Hopkins.

UNDERCOVER – 1983

Depois do sucesso de público e crítica com a “trilogia do retorno”, os Rolling Stones novamente descem a ladeira, desta vez, influenciados pela incapacidade de competir com as novas gerações e os graves problemas internos, particularmente entre Jagger e Richards. Era o início do que Richards chama em seu livro de “a III Guerra Mundial”. Nem a faixa-título Undercover on the night é um destaque e o resultado refletiu nas vendas: o disco ficou em 3º e 4º lugar das paradas dos EUA e Reino Unido. Com isso, se rompeu uma linha de oito álbuns consecutivos em primeiro lugar das paradas dos EUA pela banda, iniciado com Sticky Fingers. A produção é assinada por Jagger e Richards mais Chris Kimsey, velho engenheiro de som da banda. Aqui também se inicia a parceria com o tecladista Chuck Leavell.

DIRT WORK – 1986

Os problemas entre Jagger e Richards estavam ainda piores e o resultado é um disco senão pior, pelo menos no mesmo nível do anterior. Ainda assim, foi um pouco melhor sucedido nas críticas, mas não nas vendas. O ruído entre a dupla piorou com Mick Jagger iniciando uma carreira solo paralela ou insistindo para que a banda fosse apresentada como “Mick Jagger and the Rolling Stones”. No megaconcerto beneficente Live Aid, em 1985, Jagger se apresentou solo, enquanto Richards e Wood tocaram como apoio de Bob Dylan. Quanto ao disco, além do tecladista Chuck Leavell, a banda ainda conta com várias participações especiais, dentre os quais Tom Waits nos vocais de apoio e Jimmy Page tocando guitarra em One hit (to the body), outra canção assinada por Jagger-Richards-Wood. O baterista Charles Watts na época lutava contra o vício em álcool e cocaína e por isso é substituído por vários outros bateristas em algumas faixas, dentre eles o aclamado Steve Jordan. Até Ron Wood toca bateria em uma das faixas. O produtor do disco foi Steve Lillywhite, alguém que ficaria bastante famoso 20 anos depois. O cover de Harlem shuffle fez algum sucesso, mas este quase foi o fim dos Rolling Stones. O álbum foi dedicado a Ian Stewart, o roadie e pianista que acompanhou a banda desde o início e faleceu no ano anterior.

STEEL WHEELS – 1989

Mais um “retorno” dos Rolling Stones. A banda estava praticamente extinta, mas após três anos de hiato, Jagger e Richards conseguiram não apenas se conciliar, mas voltar a produzir canções furiosamente. O resultado é um disco muito superior aos dois anteriores e que rendeu um grande sucesso em duas faixas: a excelente Mixed emotions mais Rock and a hard place. A produção voltou às mãos de Chris Kimsey, juntamente com Jagger e Richards. O clima mais ameno também motivou o início da Era das Grandes Turnês Mundiais que se tornaram a marca da banda desde então. Este foi o primeiro disco digital dos Stones e também o último gravado com o baixista Bill Wyman, que deixou a banda após a turnê, em 1993.

VOODOO LOUNGE – 1994

Primeiro álbum gravado sem o baixista Bill Wyman, que não foi substituído: o baixo foi executado por um músico contratado, Darryl Jones, que se mantém com a banda até hoje. A partir daqui, os Stones são apenas um quarteto, com Jagger, Richards, Wood e Watts. Este disco foi um grande sucesso de público e crítica, chegando ao primeiro lugar das paradas da Inglaterra pela primeira vez desde 1980, embora nos EUA tenha ficado em segundo. Com produção de Don Was, o disco se volta para a sonoridade clássica dos Stones e resulta em seu melhor disco desde Tattoo You, de 1981. Entre suas faixas, estão algumas das melhores canções do período tardio da banda, como Love is strong, You got me rocking e Out of tears. Novamente se seguiu uma turnê mundial gigantesca, a maior e mais lucrativa até então.

BRIDGES TO BABYLON – 1998

Disco de menor qualidade do que o anterior, novamente produzido por Don Was, mas com o diferencial de mesclar o som clássico dos Stones com outras sonoridades, como grooves africanos e até toques eletrônicos. É o único disco da banda a ter três canções cantadas por Keith Richards. Entre os destaques do disco estão Out of control e Saint on me. Apesar de Darryl Jones continuar no baixo, outros seis músicos tocam o instrumento ao longo do disco, inclusive o produtor Don Was e o ex-Beach Boys Blondie Chaplin, que passou a integrar, ainda, a equipe de apoio da banda para os shows, fornecendo vocais de apoio e, ocasionalmente, violão. Seguiu-se outra grande turnê mundial.

A BIGGER BANG – 2005

Após um hiato de oito anos (e duas turnês mundiais: a de Bridges to Babylon e a Fourty Licks Tour, comemorando os 40 anos da banda, em 2002), os Stones voltam à ativa com um disco mais íntimo: poucos músicos tocam além da própria banda, com uma sonoridade que tenta soar mais moderna, e se saí bem! Além disso, é o primeiro álbum duplo da banda desde Exile on Main Street. No afã de serem apenas os Rolling Stones, o baixo é tocado por Mick Jagger (pela primeira vez em um álbum), Keith Richards e Ron Wood, alternadamente, embora Darryl Jones ainda apareça em algumas faixas. Outros parceiros mantidos, mas com parcimônia, são o tecladista Chuck Leavell e Blondie Chaplin nos vocais de apoio. Quem está mais ausente desta vez é Ron Wood, que toca apenas em 10 das 16 faixas, possivelmente por seus problemas com o alcoolismo. A produção cabe novamente a Don Was e o disco rende destaques em This place is empty e Oh no, not you again. Em termos de vendas, chegou ao segundo lugar da Inglaterra e ao terceiro dos EUA, além de ter sido escolhido como o segundo melhor disco do anos pela revista Rolling Stone.

Pronto, é “só” isso. Fica a expectativa da banda voltar a gravar para comemorar os seus 50 anos, ou então, fazer uma turnê comemorativa, o que é mais provável.

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