Além de um dos personagens mais antigos dos quadrinhos ainda em atividade, o Batman é um daqueles que renderam algumas das melhores histórias já publicadas no gênero. Publicado pela DC Comics e criado por Bob Kane em 1939, o homem-morcego encanta fãs e assusta corações há mais de 70 anos.

O HQRock reúne uma lista das melhores histórias do Batman, principalmente dos últimos anos, além de algumas outras complementares. Confira e depois corra atrás para lê-las.

As Melhores Histórias do Batman

O Cavaleiro das Trevas, 1986.

01 – BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS

Nada haver com o filme homônimo (aliás, o título original da HQ é The Dark Knight Returns). Escrita e desenhada por Frank Miller, um dos maiores astros dos quadrinhos da época, e publicada em 1986, esta história apresentou a versão sombria, violenta e perturbadora do homem-morcego que predomina no imaginário das pessoas nos dias de hoje. Em um futuro distópico, Bruce Wayne tem 50 anos de idade a há uma década deixou de ser o Batman (fica implícito que o motivo teria sido a morte do Robin II, Jason Todd). Mas a violência crescente em Gotham City faz o empresário envelhecido reconsiderar a sua aposentadoria e voltar-se com ainda mais violência contra o novo crime.

Batman desce o braço no Superman: visões opostas.
Batman desce o braço no Superman: visões opostas.

Em paralelo, Miller faz uma crítica ácida aos anos 1980, particularmente à política conservadora e algo fascista de Ronald Reagan, o presidente dos EUA na época. O Superman também faz uma participação marcante, retratado como um “escoteiro” que cumpre as ordens do Governo, enquanto o homem-morcego é um fora da lei perseguido por todos.

Um dos destaques da mini é a narrativa em primeira pessoa (do próprio Batman), o uso das reportagens de TV como fio condutor da história e a linguagem cinematográfica dos desenhos de Miller (que deixa de lado o traço clássico que usara no Demolidor para adotar um tom mais expressivo e caricatural, que usaria em suas obras futuras).

A minissérie fez um sucesso estrondoso e deu origem a uma espécie de batmania que resultaria em várias outras boas histórias e no primeiro longametragem do personagem, nas mãos do diretor Tim Burton. Infelizmente, em 2003, Miller tentou escrever uma continuação, mas a nova história só serve para macular a primeira, pois é algo das piores coisas já escritas nos últimos tempos.

A Piada Mortal, 1987.

02- A PIADA MORTAL

O escritor britânico Alan Moore se tornou um fenômeno nos anos 1980 quando suas histórias adultas, complexas e algo maculas chamaram a atenção da crítica e do público, como V de Vingança e Watchmen. Felizmente, Moore também produziu bastante com os super-heróis tradicionais, produzindo verdadeiros clássicos imortais.

Barbara Gordon é baleada pelo Coringa. Arte de Brian Bolland.
Barbara Gordon é baleada pelo Coringa. Arte de Brian Bolland.

Com o Batman, seu maior destaque foi esta graphic novel em que o Coringa decide se voltar com toda a sua violência contra o Comissário Gordon para provar o seu ponto de vista: de que basta um “dia ruim” para alguém enlouquecer definitivamente, como ele próprio. O “dia ruim” de Gordon inclui ver sua filha, Barbara Gordon, ser baleada, torturada e supostamente estuprada pelo Coringa. Em paralelo, uma subtrama mostra o vilão ensandecido relembrando suas origens, dentro de um esquema que ele mesmo chama de “múltipla escolha” e o leitor fica sem saber exatamente o que aconteceu ou não. Belamente desenhada pelo também britânico Brian Bolland, esta história foi não apenas um grande sucesso, em 1987, como se tornou um grande marco cronológico do Batman, já que a personagem Barbara Gordon, a Batgirl, fica paralítica. Também serviu de inspiração para o filme Batman – O Cavaleiro das Trevas e seu retrato do Coringa.

03 – BATMAN: ANO UM

Ano Um: origem definitiva do Batman.
Ano Um: origem definitiva do Batman.

Quando a DC decidiu reformular sua cronologia em meados dos anos 1980, convidou grandes artistas para reescrever as origens de seus principais personagem. Por conta do enorme sucesso de sua minissérie futurista do homem-morcego, Frank Miller se tornou a escolha óbvia para fazer isso com o Batman e aceitou o desafio. Optando por apenas escrever o roteiro e passando os desenhos para o fantástico David Mazzucchelli (seu parceiro em A Queda de Murdock, sobre o Demolidor da Marvel), Miller criou uma história mais concisa, em apenas quatro capítulos, retratando o primeiro ano de Bruce Wayne como Batman.

Uma origem sombria. Arte de David Mazzucchelli.
Uma origem sombria. Arte de David Mazzucchelli.

O arco inicia em janeiro com a volta do jovem de 25 anos à Gotham City após anos de ausência (quando fez seu longo treinamento em várias partes do mundo) e termina em dezembro na iminência do primeiro confronto entre o Batman e o Coringa. Publicada na própria revista mensal do personagem, Batman, entre os números 404 e 407, a trama é marcada por violência e não muda essencialmente nada da origem criada por Bob Kane em 1939, apenas contextualiza o herói em uma grande metrópole suja, dominada pela corrupção da polícia, pelo poderio da máfia e disseminação do crime, o que dá um aspecto profundamente realista à história.

É a origem definitiva do Batman e base de toda a sua cronologia moderna. Também apresenta versões hardcore dos personagens secundários: Selina Kyle (a Mulher-Gato) aparece como uma prostituta (pretensamente lésbica), explorada por um cafetão que decide ser ladra; o ainda Tenente James Gordon é (um veterano e) um policial incorruptível transferido de Chicago que entra em choque com a corrupção (e é pelos olhos dele que vemos a história), mas enquanto sua mulher está grávida, se apaixona pela colega Sarah Essen; o mordomo Alfred Pennyworth é um misto de figura paterna e equilíbrio psicológico à alma atormentada de Bruce Wayne. Ano Um foi a inspiração direta para Batman Begins e algumas cenas e personagens da história estão no filme.

O Longo Dia das Bruxas, 1995.

04 – BATMAN: O LONGO DIA DAS BRUXAS

O escritor Jeph Loeb é famoso por altos e baixos por vezes extremos, mas acertou a mão nesta história. Funcionando como uma espécie de “Batman: Ano 2“, a maxissérie em 12 capítulos magistralmente desenhada por Tim Sale parte mais ou menos do ponto em que a origem de Frank Miller parou e desenvolve uma trama esperta em que a máfia reage à atuação do Batman, enquanto o homem-morcego estabelece uma aliança com o agora Capitão James Gordon e o Promotor Público Harvey Dent.

O traço marcante de Tim Sale é um dos destaque da obra.
O traço marcante de Tim Sale é um dos destaque da obra.

Ao mesmo tempo, um misterioso assassino serial apelidado de Feriado começa a eliminar os membros das famílias mafiosas e Gotham City é cada vez mais invadida por uma Horda de vilões fantasiados e malucos, como o Coringa, Pinguim, Espantalho e outros. A caracterização de alguns personagens é muito boa, particularmente dos secundários, como Gordon, Dent e a esposa deste, Gilda. Selina Kyle, a Mulher-Gato, também tem uma participação importante, e a dupla a define não apenas como uma das namoradas de Bruce Wayne, como insere uma possível ligação sanguínea dela com a máfia, o que foi algo original e funciona bem na história. O clima de mistério em torno da identidade do vilão é um dos charmes da história, atrapalhado pelo fato de hoje todo mundo saber quem ele é. Mas mesmo assim, o final ainda traz algumas surpresas. Os filmes de Christopher Nolan tomam emprestado muito da ambientação desta saga.

O Homem que Ri, 2005.

05 – O HOMEM QUE RI

Pouco conhecida, esta graphic novel lançada em 2005 é um clássico contemporâneo no qual o aclamado escritor Ed Brubaker e o desenhista Doug Mahnke recontam a história do primeiro confronto entre o Batman e o Coringa. O trunfo de Brubaker foi, em vez de criar uma história nova (tal qual foi feito diversas outras vezes por diversos outros escritores), simplesmente adaptar para os dias atuais a aterradora história original escrita por Bill Finger e desenhada por Bob Kane e Jerry Robinson, publicada em Batman 01 de 1940.

Modernizando a primeira história do Coringa.
Modernizando a primeira história do Coringa.

O clima de suspense, terror e escuridão do conto original continua funcionando muito bem hoje, enriquecido pela narrativa contemporânea de Brubaker, que respeita os cânones modernos do Batman e a situa em algum ponto entre Batman: Ano Um e O Longo Dia das Bruxas. Com sua narrativa e diálogos, Brubaker mostra porque é um dos maiores autores da contemporaneidade.

Silêncio, 2002.

06 – SILÊNCIO

Outro grande arco escrito em 12 capítulos por Jeph Loeb e desenhado pelo famosíssimo Jim Lee na própria revista mensal do personagem, Batman, entre os números 608 e 619, em 2002 e 2003. A importância deste arco se dá tanto pela introdução do novo vilão Silêncio (Hush, no original), das mudanças nos visuais da Mulher-Gato, Crocodilo e Caçadora; quanto como um evento em si, pela importância, fama e prestígio de seus autores.

O romance entre Batman e Mulher-Gato é um dos destaque da história. Arte de Jim Lee.
O romance entre Batman e Mulher-Gato é um dos destaque da história. Arte de Jim Lee.

Nessa combinação – juntamente a uma boa história – Silêncio se converteu em um grande sucesso. Em termos práticos, não é tão boa quanto a outra história de Loeb na lista, mas se mantém pela disseminação de algumas boas ideias, dentre as quais, a consolidação da relação entre Batman e a Mulher-Gato e o momento em que o homem-morcego diz para ela que é Bruce Wayne. Além disso, a semente da volta do Robin II, Jason Todd, também é plantada nesta história. De pontos negativos, Loeb tentou reproduzir o clima detetivesco sem grande sucesso e o mistério em torno da identidade do vilão simplesmente não funciona, de tão óbvio. Agora, a arte gráfica de Jim Lee encontra aqui o seu melhor momento com o personagem.

Morte em Família, 1988.

07 – MORTE EM FAMÍLIA

Outro arco de histórias publicado na revista mensal Batman, entre os números 426 e 429, em 1988. Escrita por Jim Starlin e desenhada por Jim Aparo, esta história tornou-se um clássico do Batman quase por acidente e virou um marco em sua cronologia. Os fatos: quando o Robin Dick Greyson uniu-se aos Novos Titãs escritos por Marv Wolfman e George Perez, logo mudou sua identidade para Asa Noturna. Daí, os editores do Batman tiveram a ideia de criar um segundo Robin, para manter a identificação dos leitores mais jovens. Então, surgiu Jason Todd, outro órfão acolhido por Bruce Wayne para treiná-lo no combate ao crime.

Mas a coisa simplesmente não funcionou, já que o personagem não tinha nenhum carisma. Depois da reformulação cronológica de Crise nas Infinitas Terras, os editores do Batman, entre eles o lendário Dennis O’Neil, decidiram mudar a personalidade de Jason Todd, transformando-o em um jovem impulsivo e raivoso, que constantemente sai de controle. Esperavam com isso agregar mais ao personagem, mas o tiro saiu pela culatra e a rejeição só aumentou.

A cena brutal na arte de Jim Aparo.
A cena brutal na arte de Jim Aparo.

Tomando embalo na popularidade crescente do Batman no fim dos anos 1980, a DC decidiu criar esta saga, na qual o Coringa ataca o menino prodígio, e deixou os fãs decidirem por meio de uma votação por telefone se o Robin morreria ou não. Por uma pequena diferença de votos, sua morte foi decretada e publicada em seguida, o que surpreendeu a própria editora. Independente desse causo, Morte em Família funciona sozinha. Starlin – famoso na Marvel por escrever sagas cósmicas como a de Thanos, Warlock e Capitão Marvel – cria uma trama envolvente na qual Jason Todd descobre que sua falecida mãe era apenas adotiva e que sua mãe biológica está viva em algum lugar. Na busca pela verdade, o jovem termina se envolvendo numa ramificação terrorista no Oriente Médio e numa jogada diplomática genial que quer transformar o Coringa em Embaixador do Irã na ONU. A trama é cheia de bons momentos e conta com participações da vilã Lady Shiva e do Superman, contando com a boa arte de Jim Aparo em seu melhor momento.

08 – BRUCE WAYNE: ASSASSINO?/ BRUCE WAYNE: FUGITIVO

Bruce Wayne: Assassino/ Fugitivo, 2000.
Bruce Wayne: Assassino/ Fugitivo, 2000.

Melhor momento da colaboração de Greg Rucka e Ed Brubaker à frente dos dois principais títulos do Batman, Detective Comics e Batman, respectivamente, este arco de histórias coloca o homem-morcego em uma situação inusual: a de suspeito de assassinato. A vítima em questão, sua ex-namorada, Vesper Fairthchild, que é morta à tiros na Mansão Wayne. Preso em flagrante, juntamente à sua guarda-costas Sasha Bourdeaux, Bruce Wayne vê a possibilidade séria de sua identidade secreta vir à público.

Enquanto Wayne é preso, cabe ao batsquad (Asa Noturna, Robin, Batgirl, Oráculo, Caçadora) procurar as pistas do verdadeiro assassino, mas o que fazer quando descobrem que o próprio Batman comprou a arma do crime? Os roteiros inteligentes e ágeis de Rucka e Brubaker deixam a trama complexa, auxiliadas pelos desenhos de uma equipe de artistas, dentre os quais Scott McDaniel, Rick Burchett e Steve Lieber, correndo entre Detective Comics 766 a 772 e Batman 599 a 605, além do especial Batman: The 10c Adventure, que dá início à saga, de 2002.

O principal problema deste arco é que ele se estende a outras revistas dos membros do batsquad, o que prejudica a qualidade e o ritmo, espalhando o arco por revistas como Batgirl (números 24 a 29), Nightwing (65 a 69), Batman: Gotham Knights (25 a 28) e Birds of Prey (40); e escritores diversos como Kelley Purchett, Chuck Dixon, Devin K. Greyson; e um número ainda maior de desenhistas: Damion Scott, Trevor McCarthy, Roger Robinson e outros.

Mas se for possível ao leitor acompanhar apenas as histórias de Rucka e Brubaker, pode ser brindado com uma trama muito interessante.

O Advogado do Diabo, 1996.

09 – O ADVOGADO DO DIABO

Na maior parte dos anos 1990, o Batman foi escrito fundamentalmente por Chuck Dixon, um escritor conhecido por ser simples e eficaz, sem grandes histórias, mas agradável. Esta graphic novel é o seu ponto máximo com o homem-morcego, apesar de também ter escrito a mais famosa A Queda do Morcego.

O Coringa inocente? Arte de Graham Nolan.
O Coringa inocente? Arte de Graham Nolan.

Auxiliado com o desenho claro, limpo e bonito de Graham Nolan, outro dos melhores artistas da época, Dixon cria uma trama incomum: há um assassinato em série por meio de selos envenenados e o Coringa é acusado. Preso pelo próprio Batman, o insano vilão vai a julgamento dessa vez, pois o juiz decide não interná-lo no Asilo de Arkham, mas levá-lo à cadeira elétrica. Em sua investigação particular, o Batman termina descobrindo que o Coringa não é o culpado e se vê diante de um dilema: ele deve salvar a vida do criminoso quando tem a oportunidade de se livrar dele para sempre?

Guerra ao Crime, 2005.

10 – GUERRA AO CRIME

Na segunda metade dos anos 1990, o ilustrador Alex Ross se tornou um dos nomes mais famosos dos quadrinhos com suas belas pinturas a óleo retratando os super-heróis. Após o sucesso de O Reino do Amanhã, a DC encomendou ao artista uma série de graphic novels de luxo com seus principais personagens. Os textos repousaram nas mãos de Paul Dini, famoso por ser o produtor dos bens sucedidos desenhos animados do Batman, Superman e Liga da Justiça no Cartoon Network. No volume dedicado ao Batman, Guerra ao Crime, a combinação do texto leve e esparso de Dini com as belas pinturas de Ross criam uma história que se pauta pela definição de quem o Batman é. É um ótimo material, acessível a qualquer um (especialmente quem nunca leu uma história do homem-morcego) e serve como “introdução ao Batman”.

Bônus 01: Menção Honrosa

(Histórias que poderiam estar na lista)

O Monge Louco, 2006.

Batman e o Monge Louco

Em 2006, a DC encomendou ao escritor e desenhista Matt Wagner uma série de histórias do Batman que faziam uma releitura dos contos originais do homem-morcego publicados em 1939 por Bob Kane e seus colaboradores, Bill Finger, Gardner Fox e Jerry Robinson. Wagner fez um bom trabalho e se destaca O Monge Louco no qual o homem-morcego precisa resgatar a sua própria namorada, Julie Madison, das mãos de uma seita malígna. O artista ainda se preocupou em inserir todos esses eventos dentro da cronologia padrão do Batman, situando essa história entre Batman: Ano Um e O Homem Que Ri, com referências explícitas. Inclusive, o final de Monge Louco mostra a pilha de cadáveres que aparece também em O Homem Que Ri. Mas a obra de Wagner se sustenta sozinha, criando um clima de terror e uma ótima ambientação dos primeiros anos do homem-morcego.

O Filho do Demônio, 1986.

O Filho do Demônio

Batman é obrigado a se aliar a Ra’s Al Ghul para derrotarem um inimigo comum. No processo, ele volta a se envolver com Tália e a garota termina engravidando. Mas como Batman muda seu comportamento, superprotegendo Tália e pondo a missão em perigo, ela e Ra’s simulam um aborto. Bruce Wayne volta desiludido para Gotham City, enquanto Tália dá a luz a um menino e o entrega à adoção. Essa história, publicada em 1987, escrita por Mike W. Barr e desenhada por Jerry Bingham, causou polêmica por trazer um filho do Batman, de modo que sua utilidade ou não para a cronologia foi variável com o tempo. Primeiramente, se considerava o conto parte da biografia oficial do personagem, depois, o editor Dennis O’Neil definiu, junto à cronologia pós-Crise nas Infinitas Terras, que ela não valia mais. Porém, em suas histórias, o escritor Grant Morrison recuperou esses elementos.

Justiça Cega, 1989.

Justiça Cega

Pouco lembrada hoje em dia, esse arco de histórias publicado na revista Detective Comics 598 a 600 foi escrito por Sam Hamm, o roteirista de Batman – O Filme, de Tim Burton, e desenhado por Dennis Cowan. O autor faz uma história interessante, onde um cartel criminoso toma conta da Wayne Interprises e incrimina Bruce Wayne, utilizando-se do passado misterioso do empresário – os anos em que sumiu para treinar e se tornar o Batman – para levantar suspeitas sobre sua personalidade, acusando-o de ser um espião. Introduziu o personagem Henri Ducard que, mais tarde, teria papel fundamental no filme Batman Begins.

Bônus 02: Arcos Mensais de Destaque

(Histórias publicadas de maneira sequenciada que mereceriam uma olhada atenta)

O Batman na arte de Neal Adams: de volta ao tom sombrio.

Dennis O’Neil e Neal Adams: No fim dos anos 1960, a imagem do Batman estava destruída por causa da infame série de TV cômica do personagem. A DC Comics decidiu, então, revitalizar o personagem, trazendo-o de volta às suas origens, fazendo-o mais sombrio. Para empreitada, foram contratados dois jovens artistas: O’Neil e Adams, cujas carreiras estavam em ascensão. Entre 1970 e 1973, a dupla escreveu algumas das melhores fases do Batman, incluindo o arco que introduziu o vilão Ra’s Al Ghul e sua filha, Tália.

Batman encontra Silver St. Cloud na arte de Walt Simonson.

Steve Englehart, Walt Simonson e Marshall Rogers: Em meados dos anos 1970, a DC sofria com a concorrência da Marvel Comics e importou alguns de seus artistas para trabalhar na casa. O escritor Englehart havia sido um dos principais criadores da concorrente naquela década, trabalhando em Vingadores, Capitão América, Dr. Estranho, Defensores e outros. O autor fez um único arco de histórias de oito edições, mas que são lembradas até hoje como uma das melhores do Batman, na qual o homem-morcego é citado como um personagem dos pulps, cheio de mistério e situações sombrias, bem como a mais lunática (e malvada) versão do Coringa até então. Também é muito lembrada dessa curta fase a introdução de Silver St. Cloud, o interesse romântico de Bruce Wayne, e uma das personagens femininas mais amadas pelos leitores da “velha guarda”. Parte considerável do material de Englehart foi usado no roteiro de Batman – O Filme, de Tim Burton, em 1989. Já Simonson se revelaria, no futuro, também um escritor de grande qualidade em seu material com Thor, na Marvel.

A arte de Norm Breyfogle ilustrou histórias de excelente nivel.

Alan Grant e Norm Breyfogle: Curiosamente pouco lembrada, esta dupla produziu outras das melhores fases do Batman entre o fim dos anos 1980 e o início dos 90. Eram histórias com um retrato sombrio do homem-morcego e cheia de questões para a reflexão do leitor, como a situação política do Oriente Médio e um tratado sobre o lixo das grandes cidades. Também criaram as histórias que levaram Timothy Drake a se tornar o Robin III. Entre alguns de seus marcos, estão a criação de vilões como Anarquia e a dupla Ventríloco e Scarface.

Robin Tim Drake, Batman e Damian Wayne na arte de Andy Kubert.

Grant Morrison: Já aclamado como um dos principais escritores dos quadrinhos, Morrison assumiu as revistas de linha do Batman e virou seu mundo de cabeça para baixo, explorando aspectos esquecidos de sua cronologia, brincando com conceitos das Era de Ouro e de Prata e revelando o filho de Bruce Wayne com Tália, Damian Wayne. Morrison também “matou ” Bruce Wayne (deixando-o vagando pelo tempo) e pôs Dick Greyson (o Robin original) como o novo Batman. E quando Bruce Wayne “voltou”, tanto ele quanto Greyson continuaram agindo como Batman, de modo que a DC passou a ter dois Batmen por um tempo. Por fim, ele criou a Batman Inc., na qual Bruce Wayne revela que financia o Batman e monta uma empreitada internacional para financiar vigilantes em outras partes do mundo. Trabalhou com vários desenhistas, como Andy Kubert, Tony Daniel e Frank Quitely.

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