Os X-Men contemporâneos.

Aproveitando a estreia de X-Men – Primeira Classe, o quinto filme da franquia dos heróis mutantes da Marvel Comics, capitaneados pela produtora 20th Century Fox, o HQRock traz uma breve história dos X-Men nos quadrinhos para aqueles que não conhecem a equipe em profundidade poderem saber um pouco mais como o grupo evoluiu em sua cronologia; e para aqueles que conhecem relembrarem seus melhores momentos.

Direitos Civis

Os anos 1960, nos Estados Unidos, foram marcados pela emergência dos movimentos pelos direitos civis. Os afrodescendentes sofriam uma situação social de marginalidade que era instituicionalizada e gerou uma reação ainda na década anterior. Ao confrontar a sociedade “padrão” dos brancos, os negros sofreram grande resistência e reagiram. Para se ter uma ideia, o ambiente dos EUA na passagem da década de 1950 para a seguinte não era tão diferente do Aparthaid da África do Sul nos anos 1980, por exemplo. Nos EUA, os negros do Sul não podiam sentar nos assentos dos ônibus ou, se pudessem, tinham que ceder lugar para um branco caso ele estivesse em pé. As escolas eram segregadas e os espaços públicos também.

O visual “com farda” dos X-Men no início dos anos 1960.

Por isso, surgiram vários movimentos de resistência, alguns bem radicais. Havia uma ala mais “moderada” que pregava a convivência pacífica entre brancos e negros, liderada pelo pastor Martin Luther King Jr., que organizou a famosa Marcha pelos Direitos Civis em Washington, DC, em 1964; e, por outro lado, existia uma facção que pregava a violência e a supremacia dos negros perante os brancos, liderada por Malcoln X. Nenhum dos dois sobreviveu aos anos 1960, pois ambos foram assassinados.

Antes disso, porém, esse conflito de ideias influenciou os quadrinistas Stan Lee e Jack Kirby a escreverem sobre isso. Ambos vinham de famílias judias e entendiam de segregação. Como o tema era muito inflamado e os quadrinhos sofriam rigorosa fiscalização moral, a dupla criadora do Universo Marvel decidiu disfarçar um pouco a questão e criou o conceito de mutantes: seres humanos que nascem com habilidades especiais (superpoderes) que os diferem dos outros, normais. Isso leva a um ambiente de segregação e perseguição por parte da sociedade, nascendo a famosa frase de Lee: “heróis que são odiados pela humanidade que juraram defender”.

A capa de “Uncanny X-Men 01”, de 1963, por Jack Kirby.

Assim, o Professor Charles Xavier encarna o ideal de convivência pacífica de Martin Luther King, e funda os X-Men para proteger a humanidade e os mutantes (inclusive deles próprios); por outro lado, há o terrorista conhecido como Magneto, que reúne a Irmandade de Mutantes, encarnando o ideal violento de supremacia de Malcoln X.

Lee e Kirby dlinearam esse contexto complexo e de fundo político desde o primeiro número de The Uncanny X-Men 01, lançada em setembro de 1963.

Os Patinhos Feios da Marvel

Como se incorporassem o conceito no qual estavam inseridos, a revista dos X-Men nunca “decolou”, nunca fez sucesso como suas irmãs que traziam o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, os Vingadores, Homem de Ferro, Hulk, Thor etc., também produzidas por Lee, Kirby e outros colaboradores. Apesar disso, Lee – que também era o Editor-Chefe da Marvel – insistiu o máximo que pôde para que a revista ganhasse mais leitores, produzindo histórias muito interessantes.

Os primeiros números de Uncanny X-Men traziam justamente confrontos dos X-Men com a Irmandade de Mutantes de Magneto, procurando delinear bem as personalidades de cada um de seus membros e os ideias que perseguiam.

Magneto (ao centro) lidera a Irmandade de Mutantes na capa de “Uncanny X-Men 04”, de 1964, por Kirby.

A equipe original dos X-Men era formada por: Ciclope (Scott Summers), o líder de campo e capaz de disparar rajadas ópticas de grande intensidade; Garota Marvel (Jean Grey), uma telecinética, ou seja, podia mover objetos com o poder da mente; Fera (hank McCoy), um jovem brilhante que tem aparência meio animalesca (pés e mãos muito grandes, corpo arqueado) e força, velocidade e agilidade muito acima dos níveis normais, também o mais velho do grupo; Homem de Gelo (Bobby Drake), capaz de recobrir o corpo com uma rígida camada de gelo e manipular a umidade para formar peças de gelo como pontes, estacas e bolas, além de ser o caçula da equipe; e Anjo (Warren Worthington III), um jovem milionário dotado de asas que lhe permitiam voar. Todos eram adolescentes, na faixa dos 14 aos 17 anos.

Lee e Kirby definiram que Xavier era não somente um telepata, mas “a mente mais poderosa do planeta” e financiava os X-Men com sua fortuna, transformando sua mansão na Escola para Jovens Superdotados do Professor Charles Xavier, uma fachada para treinar mutantes no uso pacífico de seus poderes. Além disso, havia certo drama nele pelo fato de uma mente tão poderosa ser confinada em um corpo paralítico, de modo que usava uma cadeira de rodas. Sua calvice total lhe dava uma imagem idosa, mas os autores terminaram mostrando que ele era mais jovem do que aparentava e que a ausência de cabelos era consequência de seus vastos poderes telepáticos, de modo que era calvo desde a adolescência. Como a equipe era adolescente e Xavier um “adulto”, seu papel era paternal com todas as vantagens e desvantagens inclusas: podia ser chato e controlador muitas vezes.

Já a Irmandade de Mutantes era formada por Magneto (seu nome Erik Lehnsherr só seria revelado décadas depois), dotado de poderosos poderes magnéticos que o permitiam manipular qualquer substância metálica; os outros membros eram mais voláteis: o velocista Mércurio (Pietro Maximoff) e sua irmã Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), capaz de manipular a realidade, eram mantidos na equipe quase como refens, porque Magneto havia lhes salvado a vida e não concordavam inteiramente com os métodos do vilão. Pouco depois, eles trairiam a confiança do líder e fugiriam; terminando se regenerando e entrando para equipe de heróis Os Vingadores. Eles não sabiam, mas Magneto era seu pai, o que só seria revelado muito tempo depois.

Os X-Men combatem os Sentinelas na arte de Jack Kirby.

Os outros membros da Irmandade eram meros coadjuvantes, como Groxo (dotado de agilidade), Mestre Mental (podia manipular mentes e criar ilusões) e Blob (um sujeito gordo que era invulnerável e impossível de ser removido de um lugar).

As tramas de Lee e Kirby investiam ainda na caracterização adolescente de seus protagonistas e seus problemas. Drake sofria por ser o caçula, “quase uma criança”, McCoy sofria por sua aparência; Worthington era arrogante e autoconfiante, “dando em cima” sem piedade da colega Jean Grey, que por sua vez, era apaixonada por Scott Summers que, entretanto, era muito tímido para declarar-se a ela. O líder, além da pressão de comandar os companheiros, também tinha que viver cercado de cuidados, porque suas rajadas ópticas eram incontroláveis, o que lhe obrigava a usar um óculos com lentes de quartzo de rubi vermelho que era a única substância conhecida capaz de contê-las. A vigilância tinha que ser constante, pois um simples tropeço que fizesse seus óculos caírem podiam causar uma tragédia ou matar alguém.

Os inimigos também eram constantes, como o teleportador Vanisher e o alienígena Lúcifer (responsável por deixar Xavier paralítico), o Conde Nefária e muitos outros.

O Fanático ataca os X-Men, texto de Stan Lee e arte de Jack Kirby.

As duas histórias mais famosas de Lee e Kirby com os X-Men também foram definidoras do futuro das personagens. Na primeira delas, os X-Men são atacados impediosamente pelo Fanático, que descobrem ser um irmão de criação de Xavier, chamado Cain Marko, que ganhou poderes místicos e agora é um ser de pura força bruta que não pode ser parado. Mesmo a união de suas habilidades em conjunto não é párea para o Fanático, de modo que os X-Men precisam usar a inteligência para vencer a batalha, nas edições 12 e 13 de Uncanny X-Men, em 1965.

Em seguida, enquanto a equipe ainda se recupera desses fatos, o cientista (ele é citado, também, como antropólogo) Bolivar Trask prevê um futuro em que a humanidade será escravizada pelos mutantes e cria uma celeuma e uma onda antimutante. [Só um parentese: décadas mais tarde, o escritor Kurt Busiek e o desenhista-pintor Alex Ross exploraram de modo brilhante os bastidores desta história no terceiro capítulo da minissérie Marvels, uma homenagem aos “anos clássicos” da editora]. Para proteger a humanidade, Trask cria uma série de robôs gigantes chamados Sentinelas, encarregados de caçar a aprisionar mutantes, no arco iniciado em Uncanny X-Men 14.

Ciclope enfrenta os Sentinelas por Lee e Kirby.
Capa da revista que trouxe a estreia de Banshee.

Postos em Segundo Plano

Como a revista Uncanny X-Men não aumentava as vendas, após o número 16, de 1965, o desenhista Jack Kirby abandonou o título para poder se dedicar a outros projetos, como as aventuras solo do Capitão América, enquanto ainda mantinha em paralelo a arte das revistas do Quarteto Fantástico e de Thor, além de dezenas de capas. Seu sucessor nos mutantes, Werner Roth, foi treinado por ele mesmo, inclusive para manter o estilo marcante de Kirby no traço.

Stan Lee continuou a escrever as histórias por pouco tempo e as repassou ao seu sucessor: o escritor Roy Thomas, que seria um dos maiores criadores da Marvel nos anos seguintes (e Editor-Chefe entre 1972 e 1974), mas inicialmente (como ele próprio afirmou em entrevistas) não entendeu o potencial dos X-Men, de modo que sua primeira passagem na equipe não foi nada marcante.

Os X-Men ganham uniformes personalizados nas mãos do fantástico Jim Steranko.

Entre 1966 e 1968, Thomas escreveu as histórias dos mutantes, embora tenha se ausentado em pequenos períodos, substituído por outros como Arnold Drake, por exemplo. Os detaques desse período foram: as mudanças dos uniformes da equipe (criados pelo fantástico Jim Steranko, que desenhou alguns números), quando deixaram de usar uma farda e passaram a ter personalidades visuais mais definidas; a morte do professor X (ele voltaria depois); a inclusão de um novo membro temporário, o Mímico, que podia imitar a habilidade dos outros membros do grupo; e o surgimento de personagens que teriam importância nos anos seguintes, como Banshee e Solaris.

Além de Werner e Steranko, a revista também foi desenhada por Barry Windsor-Smith, que pouco depois faria sucesso desenhando o Conan.

Uma Pequena Fase Áurea

A bela arte de Neal Adams: um confronto com Sauron e sua origem ao mesmo tempo.

As coisas mudaram totalmente de figura em 1968. O editor Stan Lee ainda acreditava no potencial dos X-Men e decidiu que a equipe merecia uma renovada e entrar para o “primeiro time”. Para isso, solicitou histórias melhores de Thomas (que atendeu prontamente o pedido) e colocou o fabuloso desenhista Neal Adams no título. Além de mudar o uniforme do Anjo (um dos mais feios já criados), a arte realista e expressiva de Adams fez um bem danado aos mutantes.

A fase de Thomas e Adams é uma das melhores dos X-Men e mostra a equipe ganhando dois novos membros: Alex Summers, o irmão caçula de Scott, se torna o Destrutor e Lorna Dane, a Polaris, que também tem poderes magnéticos e pensa ser filha de Magneto (mas não é). Em uma sequência ininterrupta de ação, os mutantes enfrentam novos vilões como o Monolito Vivo, o sugador de energia vital Sauron, os Metamorfos da Terra Selvagem e seu líder, um novo opositor bastante poderoso que descobrem ser o velho Magneto de sempre. Coube a Adams criar o rosto do vilão que até então não havia sido mostrado.

Alex Summers se torna o Destrutor, com arte de Neal Adams e texto de Roy Thomas.

Contudo, sucesso e qualidade não andam sempre juntos e Uncanny X-Men continuava a vender pouco e teve que ser cancelada. A última edição foi a 66, de 1970, que trouxe uma história desenhada por Adams, mas escrita por Dennis O’Neil (que estava na DC escrevendo as revistas do Superman, Batman e Mulher-Maravilha), mostrando o retorno do Professor X, que explica que tinha se ausentado secretamente para ajudar o governo contra uma invasão alienígena. Esta história também apresenta a Garota Marvel como telepata, fato até então nunca explicitado.

Heróis sem Revista

Na verdade, a revista Uncanny X-Men continuou sendo publicada, só que trazendo apenas republicações de histórias antigas, no longo período de 1970 a 1974. Enquanto isso, os X-Men continuavam a aparecer casualmente em outras revistas da Marvel, particularmente em Marvel Team Up em pequenas aventuras ao lado do Homem-Aranha. Magneto também continuou aparecendo, particularmente como vilão dos Vingadores e, em uma determinada história, foi revertido à idade de uma criança, como maneira de contê-lo.

O Fera também sofreu uma modificação em um pequeno arco de histórias solo publicadas em Marvel Saga, na qual se afasta da equipe para trabalhar na Corporação Brand e, ao testar um soro, termina assumindo uma aparência ainda mais animalesca, com pêlos azuis. Pouco depois, ele ingressou nos Vingadores.

A capa de “Giant-Size X-Men 01”, de 1975, que trouxe a estreia da nova equipe. Arte de Gil Kane.

Os Novos X-Men

Em 1972, Stan Lee foi promovido a Publisher da Marvel e o cargo de Editor-Chefe foi ocupado por Roy Thomas. O escritor acreditava no potencial dos mutantes e começou a planejar um retorno triunfal da equipe. Sua ideia era tornar os X-Men uma equipe internacional, reunindo mutantes de várias nacionalidades, como um modo, inclusive, de aumentar seu potencial de vendas nos Estados Unidos (pelo exotismo) e no exterior (pela identificação).

Para a terefa de desenvolver o projeto, Thomas escalou Len Wein, que escrevia as histórias do Hulk na época. O primeiro personagem criado por Wein para a empreitada seria o primeiro super-herói canadense, país onde os quadrinhos da Marvel faziam muito sucesso. O escritor concebeu a personagem e o Diretor de Arte da Marvel, John Romita, criou o visual do novo herói: Wolverine. Wein decidiu testar o potencial de sua criação e antecipou sua estreia: ele combate o Hulk em The Incredible Hulk 180, 181 e 182, de 1974.

Com o bom resultado, Thomas e Wein contrataram o desenhista Dave Crockum para criar o restante da equipe. Além da arte sólida, Crockum tinha uma habilidade quase sobrenatural para criar uniformes, o que havia sido testado e aprovado na revista da Legião dos Super-Heróis, da DC, que possui literalmente dezenas de membros.

Os Novos X-Men: Tempestade, Colossus, Wolverine, Ciclope, Banshee, Pássaro Trovejante, Solaris e Noturno.

Os Novos X-Men estrearam em Giant-Size Uncanny X-Men 01, de 1975, parte da série “giant-size” de revistas anuais ou trimestrais da Marvel que tinham um formato maior, mais páginas e substituíam os antigos “anuais”. Na trama de Wein e Crockum, os X-Men originais são capturados por um poderoso inimigo secreto na Ilha de Krakoa e apenas Ciclope consegue escapar. Assim, ele e o Professor X saem pelo globo em busca de mutantes poderosos que possam resgatar a equipe e formar uma segunda geração de X-Men.

Quem atende ao pedido são os já conhecidos Banshee (Sean Cassady, irlandês), Solaris (japonês) e Wolverine (canadense); e os totalmente novos: Tempestade (Ororo Moroe, queniana), Colossus (Piort Rasputin, russo), Noturno (Curt Wagner, alemão) e Pássaro Trovejante (indígena norteamericano).

O sucesso da empreitada resultou na volta da revista Uncanny X-Men, retomando a numeração original a partir da edição 94. Porém, no meio do caminho, Roy Thomas deixou de ser o Editor-Chefe da Marvel para se dedicar apenas à escrita e o cargo foi ocupado justamente por Len Wein. Sem tempo, Wein apenas delineou as novas edições Uncanny X-Men 94 a 96, enquanto o texto final coube ao novato Chris Claremont. Crockum permanceu na arte.

Claremont e Crockum

Elementos antigos, como Magneto, foram mantidos. Arte de Dave Crockum.

Tem início uma das mais profícuas fases dos X-Men. A partir de Uncanny X-Men 94, a maioria dos membros originais decide sair da equipe e viver suas vidas, enquanto apenas Ciclope permanece para liderar a nova. Dentre os novatos, Solaris se recusa a permancer e vai embora. O Pássaro Trovejante não consegue se encaixar na equipe e termina morrendo na sua segunda missão, contra o Conde Nefária.

Ciclope, Tempestade, Wolverine, Colossus, Noturno e Banshee seguem como os Novos X-Men, agora, uma equipe mais velha, experiente, mas também, com muito mais ego do que os originais. Ciclope precisa se impor aos novatos para mostrar que é a melhor liderança, o que leva a confrontos constantes com Wolverine. Tempestade, Colossus e Noturno forjam uma grande amizade e quase um triângulo amoroso, mas a queniana parece meio fria. E Banshee se sente isolado por ser o membro mais velho.

Claremont e Crockum também diminuem a participação e influência de Xavier, inventando diversas desculpas para mantê-lo afastado dos demais. Além do Conde Nefária, os Novos X-Men combatem Eric Escarlate, a dupla Fanático e Black Tom Cassady, mas seu maior desafio, mesmo, é uma nova frota de Sentinelas criadas pelo cientista Stephen Lang.

Jean Grey (centro) se torna a Fênix em histórias eletrizantes de Claremont e Crockum, em 1976.

Na Uncanny X-Men 98, em plena noite de Natal, os Sentinelas sequestram os X-Men (inclusive Jean Grey que estava com Scott comemorando a data) e os levam a uma base na órbita terrestre para testá-los como cobaias. Ciclope escapa e monta uma estratégia de resgate. O grupo vence a batalha, mas precisa voltar à Terra em uma nave danificada. Jean Grey decide usar seus poderes telecinéticos para conter a radiação de uma tempestade solar que se aproxima e aprende a pilotar lendo a mente do piloto. Ela consegue pousar, mas ao custo de sua vida, pois é desintegrada pela tempestade solar. Contudo, Jean Grey emerge das águas da Baia Jamaica, em Nova York, onde a nave caiu, agora dotada de imensos poderes e chamando a si própria de Fênix.

Jean continua afastada da equipe, tentando entender seus novos poderes, mas quando os alienígenas Sh’iar sequestram o Professor X, ela se junta a equipe para combatê-los. Os Sh’iar estão em meio a uma guerra civil e a imperatrix Lilandra solicita ajuda de Xavier. O grupo combate a poderosa Guarda Imperial Sh’iar com os poderes da Fênix, que também salva o universo.

A Melhor Fase de Todas: Claremont e Byrne

Quando Crockum decidiu sair da revista, em 1977, seu substituto óbvio seria John Byrne. O canadense já havia trabalhado várias vezes com Claremont, em revistas como Marvel Team Up (com o Homem-Aranha) e Iron Fist (o Punho de Ferro). Byrne veio e trouxe uma série de mudanças. Em primeiro lugar, ele também era escritor e passou a dividir os créditos com Claremont. Em segundo, como era canadense, coube a Byrne redirecionar o papel de Wolverine dentro da equipe.

A primeira medida de John Byrne no título foi mudar o status de Wolverine e transformá-lo naquele que conhecemos.

Até então, Wolverine não tinha uma função definida na revista. Ele não era um dos membros principais – Ciclope e Noturno eram os protagonistas – e, por vezes, servia mais como alívio cômico (isso mesmo!). Byrne o quis explorar como um ser de passado misterioso (nem seu nome tinha sido revelado ainda!), atormentado no confronto com sua raiva e violência interior, mas por isso mesmo, alguém diferente dos outros, pois podia matar sem piedade seus inimigos.

Sintomaticamente, a primeira história de John Byrne como desenhista e corroteirista, em Uncanny X-Men 108, foi justamente um conto quase solo de Wolverine, na qual para relaxar depois da aventura cósmica dos X-Men, ele resolve caçar (mas sem matar a presa, como ele deixa bem claro) nas proximidades da Mansão X e é atacado por alguém chamado Vindix, outro super-herói canadense que quer levá-lo de volta ao país natal, onde teria compromissos com o Governo por ter sido um agente secreto.

Claremont e Byrne continuaram explorando Wolverine, agora em primeiro plano, colocando-o em constante confronto com o líder Ciclope, embora este sempre se saísse melhor, é verdade. Em paralelo, a dupla também começou a delinear as consequências de Jean Grey ter se tornado a Fênix.

A Saga da Fênix Negra

Corrompida pelo próprio poder, Jean Grey se transforma na Fênix Negra e se volta contra os X-Men. Drama e ação por Claremont e John Byrne.

Em seguida a um grande confronto com Magneto, o Professor X, Fera e Fênix pensam que os outros X-Men morreram e ficam deprimidos. Enquanto isso, o restante da equipe (Ciclope, Tempestade, Noturno, Wolverine, Colossus e Banshee) vivem uma série de outras aventuras tentando voltar para casa. Da Terra Selvagem, na Antártica, seguem para o Japão e terminam enfrentando a Tropa Alfa pela primeira vez, um grupo de super-heróis canadense que quer sequestrar Wolverine, liderados por Vindix (agora chamado Gardião). No Japão, Wolverine conhece Mariko Yashida, a mulher que seria o seu grande amor e revela a ela seu nome, Logan, que aparece na revista pela primeira vez. Além disso, Banshee forçou tanto suas cordas vocais que perdeu seus poderes e saí da equipe, indo para a Ilha Muir ficar ao lado de Moira McTaggert, a geneticista apresentada como velha amiga de Xavier.

O passo seguinte foi Claremont e Byrne iniciarem a Saga da Fênix Negra, um longo arco de histórias centrado na escalada de poder de Jean Grey que vai fazê-la cada vez mais perder o controle e se tornar alguém maligna. A trama se inicia em Uncanny X-Men 129, de 1980. Enquanto sofre pela ausência de Scott, Jean começa a ter estranhas visões dela mesma no século XVIII, vivendo uma história de amor com o Lorde Jason Wyngard, achando que isso era algo relacionado aos novos poderes da Fênix, como talvez lembranças de uma vida passada.

A arte dinâmica de John Byrne: Ciclope coloca os X-Men para treinar…
… fazendo-os se voltarem contra ele…
… e mostrando o valor da tática sobre a força bruta.
Pin Up de John Byrne para a Fênix Negra e sua contraparte, a Rainha Negra do Círculo Interno do Clube do Inferno:abordagem profunda da psiquê de uma heroína em queda.

Contudo, a convivência com Wyngard cada vez mais despertava aspectos sombrios da mente de Jean até chegar ao ponto que ela se torna a Rainha Negra do Clube do Inferno, num ponto onde o passado e o presente se fundem. O Clube do Inferno é uma sociedade secreta formada por milionários poderosos, muitos dos quais são mutantes, como o Rei Negro Sebastian Shaw e a Rainha Branca Emma Frost, o primeiro capaz de absorver e redirecionar energia; ela uma poderosa telepata.

Com isso, Jean Grey se torna a Fênix Negra, que se volta contra os X-Men e planeja matá-los. A equipe é capturada pelo Clube do Inferno e cabe a Wolverine resgatá-los (em sua primeira aventura solo). Mesmo vencendo o Círculo Interno do Clube do Inferno e descobrindo que Jason Wungard é nada mais do que o Mestre Mental, ex-membro da Irmandade de Mutantes, os X-Men precisam enfrentar agora a toda poderosa Fênix Negra e, em meio à batalha, ela destrói todo um sistema solar como uma maneira de demonstrar seu potencial, matando bilhões de seres vivos. Mas os esforços do Fera e do Professor X conseguem derrotá-la psiquicamente e físicamente. Depois da batalha, Jean aparentemente perde seus poderes.

Claremont e Byrne também produziram o mais clássico confronto dos X-Men contra Magneto. Nem o poder da Fênix foi páreo para o vilão.

Ainda assim, Claremont e Byrne planejaram um último capítulo para a saga, prevista para encerrar em Uncanny X-Men 137, na qual os X-Men seriam perseguidos pela Guarda Imperial de S’hiar em vingança contra os atos da Fênix. Há aqui um pequeno problema editorial envolvendo a saga. John Byrne e o editor assistente Jim Saliscup começaram a achar que os poderes da Fênix, seguindo o texto de Claremont, tinham se tornado grandes demais, o que prejudicava a lógica das histórias. Assim, o desenhista fez lobby para que Jean Grey perdesse os poderes. Chris Claremont aceitou e ele e Bryne produziram a edição 137 com o encerramento da saga e Jean Grey perdendo seus poderes de Fênix.

A polêmica edição 137, que teve que ser reescrita.
A polêmica edição 137, que teve que ser reescrita.

Entretanto, ao ler a história pronta, o então Editor-Chefe da Marvel, Jim Shooter achou que seria moralmente inaceitável deixar Jean Grey impune após ter matado bilhões de seres vivos e exigiu uma mudança nos roteiros, de modo que Claremont e Byrne foram obrigados a reescrever o final matando Jean Grey.

Na história, mostrada em Uncanny X-Men 136 e 137, os X-Men são abduzidos pelo Império Sh’iar que estão determinados a matar a Fênix Negra, pois ela se revelou uma ameaça ainda maior do que Galactus, o devorador de planetas. Os X-Men enfrentam a Guarda Imperial na Área Azul da Lua, mas Jean Grey termina cometendo suicídio com um raio desintegrador, pois não consegue mais controlar a persona da Fênix.

Com isso, a saga ganhou um epílogo na edição 138, na qual vemos o líder Ciclope abandonar a equipe para tentar lidar com a perda de seu grande amor. Assim, Tempestade se torna a nova líder dos X-Men.

O clássico fim da Fênix.
O clássico fim da Fênix.

Do ponto de vista editorial, contudo, o desfecho final da Saga da Fênix Negra trouxe uma cisão crescente entre Chris Claremont e John Byrne, de modo que a gloriosa parceria começou a se desintegrar rapidamente.

Além disso, é importante informar que, ao longo da Saga da Fênix Negra, mais especificamente no arco do Clube do Inferno, surgiu Kitty Pryde, uma menina de 13 anos com poderes de atravessar paredes. Era uma criação de Byrne para que a adolescência voltasse aos X-Men e o nome Escola Para Jovens Superdotados fizesse algum sentido. Sua primeira aparição foi em Uncanny X-Men 129.

Dias de Um Futuro Esquecido e o Fim da Parceria Claremont-Byrne

As discordâncias sobre o que fazer com a Fênix criaram uma cisão entre Claremont e Byrne. Desse modo, os dois começaram a colaborar cada vez menos e terem muitas brigas e discussões. Ainda assim, conseguiram criar um último clássico dos X-Men, o arco de duas histórias Dias de um Futuro Esquecido.

Concepção de Kitty Pryde por John Byrne: a adolescência volta aos X-Men.

A principal consequência da morte de Jean Grey foi a saída de Ciclope dos X-Men. Arrasado pela perda da namorada, Scott Summers passa a a vagar pelos Estados Unidos em busca de algum sentido na vida. O Professor X passa a liderança dos X-Men para Tempestade e o Anjo volta à equipe como um modo de garantir pelo menos um membro da formação original em ação.

Outra consequêmcia: Wolverine adota um novo uniforme, mais sóbrio,com variações de marrom, criado por John Byrne.

Capa de “Uncanny X-Men 141”, por John Byrne, mostra o futuro desolador que aguarda os mutantes.

Em Dias de um Futuro Esquecido vemos um futuro desolador onde os Sentinelas controlam os Estados Unidos e estão prestes a sofrer um ataque nuclear da coalisão de forças dos países europeus para impedir que os robôs espalhem seu domínio para o resto do mundo. A maior parte dos mutantes foi exterminada e os poucos sobreviventes vivem em Campos de Concentração, ao mesmo tempo em que a maioria dos super-heróis também foi morta.

Entre os poucos sobreviventes, estão versões velhas de Wolverine, Tempestade e Colossus, que agem em conjunto com Kitty Pride, Franklin Richards (o filho de Reed Richards e Susan Storm) e sua namorada Rachel. O grupo organiza um ataque ao comando central dos Sentinelas, mas Wolverine e Tempestade são mortos. Como medida desesperada de reverter o quadro, colocam em prática um arriscado plano em que Rachel irá usar seus vastos poderes telepáticos e combiná-los aos poderes de Franklin para enviar a consciência de Kitty Pride a sua contraparte jovem nos dias atuais. Eles escolhem como ponto exato o momento que identificam como aquele que causou a onda de eventos que levou ao mundo em que vivem: o assassinato do Senador Robert Kelly pela nova Irmandade de Mutantes.

No futuro, os Sentinelas atacam os últimos membros da resistência mutante.

A mente da jovem Kitty, então, é dominada pela velha Kitty do futuro e ela consegue convencer os X-Men a ir a Washington-DC para impedir tal morte. Lá, os X-Men enfrentam a nova Irmandade de Mutantes, liderada pela transmorfa Mística e trazendo membros como Sina (capaz de prever o futuro), Pyro (controla as chamas), Avalanche (capaz de causar terremotos) e Blob, único membro da velha equipe.

Por muito pouco, os X-Men conseguem salvar a vida do Senador Kelly, mesmo ele sendo um ferreneo inimigo dos mutantes, pois propõe uma Lei de Registro de Mutantes no Congresso. Os mais atentos vão notar que parte dessa trama (sem os elementos da viagem no tempo) serviram justamente de base ao primeiro filme dos X-Men nos cinemas.

Contudo, Uncanny X-Men 141 foi a última história que Claremont e Byrne fizeram juntos nos X-Men. O pomo da discórdia foi um pequeno detalhe: ao discordarem da resolução de uma cena, Claremont mandou o arte-finalista Terry Austin apagar a arte original de Byrne e fazer um novo quadro com a cena tal qual imaginou. Ao ver o resultado, o canadense resolveu abandonar o título.

Outro detalhe: a trama de Dias de um Futuro Esquecido é muito similar a do filme O Exterminador do Futuro de James Cameron. Mas a revista é de 1981 e o filme foi lançado em 1984. Cameron também é um conhecido fã de quadrinhos que, durante anos, tentou levar uma versão do Homem-Aranha aos cinemas.

Wolverine solo, Ninhada, o Passado de Ciclope e Dois Casamentos

Wolverine versus Lorde Shigen na minissérie escrita por Claremont e desenhada por Frank Miller.

Enquanto o título dos X-Men seguia, Chris Claremont teve a ideia de fazer uma minissérie solo de Wolverine, aproveitando o aumento na popularidade da personagem. Assim, em 1982, foi lançada Wolverine, com textos de Claremont e desenhos de Frank Miller, a nova estrela da Marvel que havia feito imenso sucesso na revista do Demolidor. Na trama, que ficou conhecida como A Saga do Japão ou Dívida de Honra, Wolverine vai ao Japão atrás de sua amada Mariko Yashida, mas descobre que ela é filha de Lorde Sigen, o maior gangster do país, líder do Tentáculo e dono de um império de crimes. Por ser ocidental, Logan precisa mostrar que é digno de desposar mulher tão ilustre, mas é vergonhosamente derrotado por Sigen em um combate não-letal. Assim, o mutante precisa se recuperar e provar sua honra. na batalha que se segue, Shigen é morto, mas isso torna Mariko sua herdeira no mundo do crime, o que impede o casal de ficar junto, pois ela tem suas responsabilidades para com o império do pai.

De grande sucesso, essa minissérie foi relançada várias vezes – no Brasil está disponível no encadernado Eu, Wolverine nas livrarias – e também serve de base para o próximo filme de Wolverine.

A capa de “Uncanny X-Men 166” com os aliens da Ninhada. Arte de Paul Smith.

Após a saída de Byrne, Dave Crockum retornou à revista por um curto período até Paul Smith assumir os desenhos, enquanto Claremont continuou escrevendo. Tem início uma fase de transição, na qual se exploram novos inimigos como a Ninhada, uma raça alienígena que usa seres vivos como receptáculos de seus ovos. (Isso não parece com Aliens? Você pergunta. Parece, é a resposta. A revista e o filme têm lançamentos próximos).

Duas consequências saíram dessa série de histórias: infectado pela Ninhada, Charles Xavier tem seu corpo clonado pelos Sh’iar, a pedido de Lilandra. O corpo clonado, claro, não tem o trauma físico das costas, além de ser mais jovem, de modo que o Professor X volta a andar. A outra é que os X-Men descobrem que o líder dos Piratas Siderais, um grupo de guerrilheiros galáticos que combatiam os Sh’iar quando estes eram comandados pelo irmão maligno de Lilandra, é um terráqueo e que se chama Christopher Summers, o pai de Scott Summers, o Ciclope, que pensava que ele estava morto. O ex-líder da equipe ensaia uma reaproximação com o grupo, participando de algumas aventuras.

Madelyne Pryor não reagiu muito bem ao ser perguntada se era uma reencarnação da Fênix.

Com a “descoberta” de Christopher Summers, Scott fica sabendo que seus avós ainda estão vivos e vivem no Alasca, onde possuem uma pequena empresa de aluguel de aeronaves de pequeno porte. Junto ao pai, ele passa um tempo lá e conhece uma das pilotos da companhia, uma ruiva chamada Madelyne Pryor, que guarda uma semelhança impressionante com a falecida Jean Grey. Os dois logo começam a namorar, mas Scott descobre que Madelyne foi a única sobrevivente de um grande acidente de avião, exatamente no mesmo dia e hora em que Jean Grey morreu na Lua, o que começa a fazê-lo suspeitar de que ela seja algum tipo de reencarnação da Fênix. Mas ela não tem poder nenhum.

Os X-Men na fase de Claremont e Smith: Xavier, Vampira, Tempestade, Ciclope, Colossus, Noturno, Ninfa (Kitty Pryde) e Wolverine.

Paralelamente, Logan e Mariko acertam suas diferenças e os X-Men são convidados a ir ao Japão para o casamento deles. Algumas mudanças estão em curso, como a entrada de Vampira no grupo: ela é uma ex-membro da Irmandade de Mutantes e filha adotiva de Mística, mas se arrependeu de seus crimes. Logan, contudo, não a aceita porque o ataque de Vampira aos Vingadores eliminou os poderes da Miss Marvel (Carol Danvers), uma amiga de Wolverine.

O novo visual punk de Tempestade, por Paul Smith.

No Japão, Logan é obrigado a atuar junto a Vampira quando os X-Men se vêem em um ataque da Madame Hidra e do ninja-mutante Samurai de Prata, que por sinal é parente de Mariko. Ao mesmo tempo, Tempestade conhece a amiga de Wolverine chamada Yuriko, uma mercenária meio irresponsável e a amizade das duas tem fortes influências em Ororo, que muda de atitude e visual, passando a usar um corte de cabelo moicano. Em meio à batalha, Tempestade ainda vê o pássaro de fogo da Fênix e se questiona de onde veio e por quê.

O espirituoso convite de casamento de Logan e Mariko, na capa de “Uncanny X-Men 172”.

De volta aos EUA, Ciclope começa a suspeitar que Madelyne é capaz de ler mentes e as suspeitas de que ela seria a Fênix começam a aumentar. Pouco antes do casamento de Wolverine, por fim, Madelyne se transforma em Fênix e os X-Men têm que combatê-la, mas descobrem que na verdade, tudo isso é um truque de Jason Wyngard, o Mestre Mental, que vem manipulando a equipe há meses.

Mesmo assim, o vilão consegue manipular Mariko para que ela não aceite se casar com Wolverine e a cerimônia não ocorre.

Essas histórias, escritas por Claremont, desenhadas por Paul Smith e com o último capítulo marcando a entrada de John Romita Jr. na revista se transformaram em um grande sucesso e são uma das melhores da equipe mutante até hoje. Já o novo desenhista é filho do lendário Diretor de Arte da Marvel e vinha fazendo bastante sucesso nas histórias do Homem de Ferro. Sua passagem pelos X-Men foi marcante, porque impriu à equipe seu traço vigoroso.

Ciclope na vigorosa arte de John Romita Jr.

Nas histórias que se seguiram, resolvida questão da “Fênix”, Scott e Madelyne se casam e ela engravida. Os X-Men participam das Guerras Secretas (primeiro megaevento da Marvel, reunindo os seus principais personagens em uma grande batalha), na qual surgiu uma cisão entre as lideranças do Professor X, de Ciclope e de Tempestade; e também o fim do namoro de Colossus e Ninfa (Kitty Pryde).

Ao mesmo tempo, a telepata do futuro que apareceu em Dias de um Furuto Esquecido chega ao nosso tempo e se revela ser Rachel Summers, filha de Scott com Jean Grey, mas como esta estava morta há muito tempo, só podia significar que ela vinha de um futuro alternativo. Atormentada por ter sido orbigada a ser uma caçadora de mutantes em seu tempo, Rachel espera se redimir agora, usando seus vastos poderes. Mas ela e a equipe decidem esconder sua identidade de Scott, o que aumenta o abismo entre o ex-líder e os X-Men. Nessa época, Madelyne dá a luz ao filho de Scott, que se chama Nathan Christopher Summers.

Enquanto combatem os Espectros, ameaças alienígenas, os X-Men conhecem Forge, um mutante que é capaz de criar qualquer tipo de arma ou equipamento. Ele e Tempestade começam um flerte, mas a arma que ele projetou para enfrentar os inimigos termina atingindo Ororo, que perde seus poderes.

Rachel Summers, a Fênix II, vinda do futuro: dando início à dinastia Summers-Grey. Arte de Rick Leonardi.

Ainda assim, ela decide continuar na equipe, liderando-os. Para resolver quem deve liderar os X-Men, eles preparam uma batalha controlada entre Scott e Ororo na nova Sala do Perigo, que após um upgrade com tecnologia Sh’iar, cria ambientes virtuais interativos que simulam qualquer ambiente. Mas preocupado por Madelyne e seu filho, Ciclope se desconcentra e é derrotado. (Histórias posteriores também acrescetaram que o vilão Sr. Sinistro manipulou a luta, de modo afastá-lo da equipe).

Sem Ciclope, os X-Men agora atuam apenas com Tempestade, Wolverine, Noturno, Colossus, Ninfa, Fênix II e Vampira. Entre as ameaças que enfrentam está uma invasão dos deuses nórdicos à Terra, a nova estruturação do Clube do Inferno, a Irmandade de Mutantes de Mística agora transformada em uma equipe governamental chamada Força Federal e Nimrod, um super-Sentinela vindo do mesmo futuro que Rachel Summers. Além disso, os X-Men encontram os Morlocks, uma numerosa comunidade de mutantes deformados ou de aparência não-padrão que vivem secretamente numa complexa rede de túneis subterrâneos, embaixo de Nova York. Após um confronto com a líder deles, Calipso, Tempestade se transforma na chefe deles.

O julgamento de Magneto em “Uncanny X-Men 200”. Arte de John Romita Jr.

Além disso, Magneto se vê num caminho de arrempedimento de seus atos e é preso e julgado num Tribunal Internacional, mas o julgamento não termina após o ataque de um grupo terrorista. Desse modo, Charles Xavier acolhe o velho amigo e o convence a ajudá-lo com os X-Men. De forma inesperada, Magneto vira um poderoso aliado da equipe e quando Xavier decide partir para o espaço a ajudar Lilandra e os Sh’iar em uma série de problemas, Magneto fica em seu lugar.

O próximo arco de histórias dos X-Men mudaria por completo seu destino e o próprio estilo de se contar as histórias. Não perca a continuação deste post em breve!

[Atualização: Parte 02 e Parte 03]

Anúncios