Os Vingadores: A trajetória nos quadrinhos da principal equipe de super-heróis da Marvel Comics

Os Vingadores clássicos na arte de John Cassaday.

Os Vingadores clássicos na arte de John Cassaday.

Aproveitando o embalo do início das gravações do filme Os Vingadores, o HQRock faz um “pequeno” levantamento sobre a história da principal equipe da Marvel Comics nos quadrinhos. Aproveite!

Novos e ilustres heróis

Tudo começou, na verdade, com a Liga da Justiça da DC Comics. Após dar início à Era de Prata dos quadrinhos com a criação das novas versões de velhos personagens; a Distinta Concorrente decidiu reunir seus principais personagens em uma mesma equipe, fazendo atuar juntos. Assim, em 1960, surgiu a Liga e foi um enorme sucesso.

Avengers 01 cover by Jack Kirby 1963

Capa de Avengers 01 por Jack Kirby.

Na época, a Marvel Comics ainda era uma pequena editora publicando histórias de monstros, ficção científica e faoreste. Entretanto, ao saber do estrondoso sucesso da Liga da DC, o dono da empresa, Martin Goldman, encarregou o Editor-Chefe, Stan Lee, de criar uma equipe de super-heróis.

Como não tinha como reunir “heróis famosos”, já que não publicava nenhum, Lee se uniu a Jack Kirby e criaram uma equipe totalmente original: o Quarteto Fantástico, em 1961, que deu início ao Universo Marvel que conhecemos! O sucesso imediato logo trouxe uma série de outros personagem: Hulk, Thor, Homem-Aranha, Dr. Estranho, Homem de Ferro etc.

Em 1963, a Marvel já tinha um bom punhado de personagens e Stan Lee decidiu fazer uma equipe reunindo heróis já existentes. Em setembro daquele ano, Lee e Kirby lançaram a revista The Avengers 01, que trazia uma chamada de capa anunciando a união de Thor, Homem de Ferro, Hulk, Homem-Formiga e Vespa contra o deus da trapaça, Loki.

Cada um dos personagens tinha seu próprio sucesso e suas aventuras, embora fossem relativamente “jovens” em termos editoriais. Hulk era o mais antigo, publicado pouco depois da estreia do Quarteto Fantástico, onde estreou sua própria revista The Incredible Hulk 01, de 1962, por Stan Lee e Jack Kirby. A revista fez algum sucesso, mas só teve seis edições bimestrais publicadas, porque a Marvel era uma empresa pequena e só podia publicar um número restrito de revistas por mês, então, Stan Lee decidiu cancelá-la para publicar em seu lugar The Amazing Spider-Man 01, a revista do Homem-Aranha, em março de 1963.

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Thor versus Loki, na arte de Jack Kirby.

Thor estreou num conto na revista Journey Into Mystery 83, de 1962, por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby, numa coleção de histórias variáveis de mistério e fantasia. Seu sucesso o tornou uma atração fixa na revista – que continuou com histórias de outros personagens também publicadas por um tempo – até que em 1965, a revista mudou de nome para The Mighty Thor, mantendo a numeração original.

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Homem de Ferro na capa de Tales of Suspense 45.

Esquema similar foi o do Homem de Ferro, que estreou como um conto na revista Tales of Suspense 39, de 1963, criado por Stan Lee (conceito), Larry Lieber (texto), Jack Kirby (visual) e Don Heck (ilustrou a história); e continuou sendo publicado nas edições seguintes junto a outros personagens. Em 1965, conforme se verá adiante, a revista passou a ser dividida meio a meio entre ele o Capitão América.

Por fim, os menos conhecidos eram Homem-Formiga e Vespa. O primeiro era o cientista Hank Pym que criou um soro que lhe permitia diminuir de tamanho. Ele foi criado por Stan Lee e Jack Kirby num conto da revista Tales to Astonish 27, de 1962. Em edições futuras, Pym se converteu no herói Homem-Formiga, usando suas habilidades científicas para criar um uniforme com um comunicador que lhe fazia conversar (e comandar) as formigas. Depois, Tales to Astonish 44 apresentou a socialite e estilista Janet Van Dyne, que se enamora de Pym e termina virando a heroína Vespa, a partir das partículas especiais do cientista e da implantação de asas de vespa em seu corpo, que só apareciam quando ela diminuía de tamanho.

Surge a Lenda

Os heróis decidem unir suas forças!

Os heróis decidem unir suas forças!

O conto de origem é bem simples: Loki usa o Hulk para tentar destruir seu inimigo Thor, mas os outros heróis terminam se envolvendo na batalha. Isso ocorre porque o adolescente Rick Jones encaminha uma mensagem de rádio que é interceptada pelo deus do trovão. Jones fazia parte da Brigada Juvenil, um grupo de pirralhos que apareciam nas aventuras do Hulk e que usavam um equipamento de rádio amador para pedir ajuda e se comunicar com outros heróis. A partir de então, Rick Jones seria um coadjuvante frequente nas aventuras dos Vingadores, como o “elemento humano” ao lado da equipe, tal qual o também adolescente Snapp Carr era para a concorrente Liga da Justiça.

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Os Vingadores combatem Loki, por Lee e Kirby.

Na trama de Avengers 01, Loki usa seus poderes para criar uma série de embustes que incriminam o Hulk, causando uma onda de revolta contra o golias verde e a intensivação de sua busca pelo exército. Desconfiando que há algo errado (o Hulk não é mal), Rick Jones e a Brigada Juvenil solicitam ajuda do Quarteto Fantástico, mas Loki altera o percurso das ondas de rádio, de modo que a mensagem é captada pelo médico Dr. Donald Blake, que é a identidade civil que Thor usa na Terra para se disfarçar entre os humanos. Pensando que a mensagem era para ele, o deus do trovão sai no encalço do Hulk.

Porém, como eram ondas de rádio outros heróis ouvem a mensagem: o Homem de Ferro e a dupla Homem-Formiga e Vespa, que também respondem. O Hulk está escondido no interior dos EUA e é encontrado por Thor, que inicia uma batalha, que logo é incrementada pela aparição dos outros três. Mas o deus do trovão percebe que há algo errado e vai a Asgard atrás de respostas, descobrindo o plano louco de Loki, que é levado à Terra. Os heróis se unem e derrotam o deus da trapaça. Ao final, o quinteto decide permanecer unido para combater grandes ameaças que nenhum poderia fazer sozinho.

Assim, de maneira simples e eficaz, Lee e Kirby criaram uma lenda.

A Fase de Lee e Kirby

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Uma releitura dos Vingadores originais. Arte de Bruce Timm.

A dupla criadora publicou inicialmente os oito primeiros números de Avengers, (retornando pouco tempo depois para mais três edições até o número 16) mas foi o suficiente para lançar a base das aventuras da equipe. Inicialmente bimestral (a Marvel era uma empresa pequena), a revista se tornou mensal a partir da 7ª edição, em agosto de 1964.

Lee e Kirby não tinham nenhuma pretensão de que os Vingadores fossem uma equipe estável e amigável como os concorrentes da Liga da Justiça. Ao contrário, a tônica do time sempre foi o conflito interno entre seus membros. Afinal, o que aconteceria se reunissem cinco seres superpoderosos em uma mesma sala?

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Hulk deixa a equipe ressentido por ser rejeitado.

Assim já em Avengers 02, os Vingadores viram o Hulk se revoltar contra a própria equipe e ir embora. Os heróis combatem o Fantasma do Espaço, um ser alienígena que troca de lugar com outras pessoas (que são enviadas a outra dimensão) e mimetiza sua aparência e poderes. O vilão usa o Hulk como artimanha e o golias verde fica furioso com a facilidade com que a equipe julgou que ele era uma ameaça. Ressentido, resolve deixar o grupo, que fica como um quarteto.

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Vingador contra vingador.

Uma curiosidade da batalha é que o Fantasma do Espaço (desenhado à moda antiga de Kirby, quase como uma caricatura ambulante) informa que observa os Vingadores “há meses”, embora essa fosse apenas a segunda aventura do grupo. Também o Homem de Ferro diz que “mesmo quando não há missões, precisamos nos reunir para nos conhecer melhor”, quase como um indicativo de que houve outras aventuras que não vimos. Esses elementos levaram vários escritores posteriores a criar “contos perdidos” dos Vingadores originais, como se realmente tivessem tido aventuras não contadas entre a edição 01 e a 02.

A edição 02 também traz logo em sua primeira página a informação de que o empresário Tony Stark, que os outros heróis não sabiam ser o Homem de Ferro, havia doado sua mansão em Nova York (poucos números depois, estabelecida na 5ª Avenida) para que o grupo se reunisse, surgindo assim, o QG do grupo: a Mansão dos Vingadores.

Também nesta edição, Hank Pym já deixa de ser o Homem-Formiga e passa a ser o Gigante, invertendo o seu poder e passando a crescer em tamanho e aumentar sua força (refletindo as aventuras solo que tinha na revista Tales to Astonish).

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Avengers 03: Hulk e Namor versus os Vingadores.

Sempre em mente com a ideia de reviravoltas surpreendentes, Lee e Kirby fizeram Avengers 03, onde o Hulk se une a Namor, o Príncipe Submarino (um personagem da Marvel criado em 1939 e que foi trazido de volta na revista do Quarteto Fantástico como um inimigo da humanidade) contra a equipe. Outrora um dos heróis mais populares da Marvel (no fim da década de 1930 e início de 40), agora, Namor era retratado como um autêntico vilão, embora não maligno, porém, mobilizado pelo ódio contra a civilização da superfície, porque o reino submerso de Atlântida tinha sido destruído pelos homens em testes nucleares (eram os tempos da Guerra Fria, lembram?), conforme mostrado em Fantastic Four 03, de 1962. 

Aventuras posteriores mostraram Namor reencontrando seu povo, os Atlantes (da qual era Rei!) e, com isso, usando-os como exército contra o Quarteto Fantástico. Gladiar-se com os Vingadores aumentava o escopo de ação do Príncipe Submarino, criando um vínculo duradouro com a equipe em várias instâncias.

(A abordagem de Namor se tornou mais branda com o passar dos anos, na medida em que o personagem voltou a ter histórias solo dentro da revista Tales to Astonish (ironicamente, substituindo as aventuras de Gigante e Vespa, a partir de 1965), com ele sendo transformado em um anti-herói trágico, inclusive, com seu reino sendo usurpado e seu povo se voltando contra ele. Cada vez mais heroico, Namor terminaria como aliado e membro dos Vingadores no futuro distante, conforme será visto mais abaixo).

Avengers 03 mostra os Vingadores remanescentes indo atrás do Hulk, com medo que sozinho se transforme em uma ameaça. Novamente o golias verde sai em batalha com seus companheiros, mas consegue fugir e vai para o mar, onde se refugia em uma ilha isolada. Mas é contatado por Namor, que propõe uma aliança contra os Vingadores. A dupla emite uma mensagem desafiadora e confronta a equipe em Gibraltar, na Europa, mas inesperadamente, o Hulk converte de volta ao Dr. Bruce Banner e foge sem ser visto.

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Hulk versus Thor.

Mas claro, grande parte da graça da edição 03 é ver batalhas como Hulk versus Thor (pela primeira vez, se descontarmos o rápido lance do número anterior) – na qual descobrimos que o deus do trovão é o único que pode erguer o martelo Mjolnir (e não é uma questão de força, mas de honradez).

Por fim, outra curiosidade é que Avengers 03 trouxe pela primeira vez o Homem de Ferro usando sua versão esguia (e vermelho e dourado) de armadura, depois de duas edições vestindo o desajeitado segundo modelo da armadura do personagem.

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Os Vingadores encontram o Capitão América congelado por décadas. Arte de Jack Kirby.

A batalha fica inconclusa e, enquanto Hulk parte em sua jornada solitária, os Vingadores continuam no encalce de Namor, o que nos leva à superclássica Avengers 04, em que um enfurecido Namor termina, sem querer, arrancando um bloco de gelo no qual o Capitão América está preso.

Namor liberta (sem  saber) o Capitão América do congelamento em um bloco de gelo.

Namor liberta (sem saber) o Capitão América do congelamento em um bloco de gelo.

A reintrodução do Capitão América foi um dos eventos mais importantes da Marvel em seus primeiros anos. O personagem havia sido o maior sucesso da editora nos anos 1940, mas permanecia como uma lembrança distante. Trazê-lo de volta era uma estratégia comercial de manter a propriedade do personagem, mas também deu a Lee e Kirby a oportunidade de aperfeiçoar um herói que tinha grande apelo a ambos: Kirby era o cocriador do Capitão América (junto a Joe Simon, estreando em 1941); e Lee escreveu a maioria das histórias do personagem entre os anos de 1942 e 1949, bem como na tentativa frustrada de trazê-lo de volta em 1953 e 1954 (que não foi adiante por vendas baixas).

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A bela capa de “Avengers 04” de 1964 por Jack Kirby.

A Marvel havia criado uma nova versão do Tocha Humana (como parte do Quarteto Fantástico) e Namor tinha sido reintroduzido, portanto, dos principais personagens dos anos 1940 faltava apenas o Capitão América. E o melhor de tudo foi que Lee e Kirby fizeram isso de uma maneira original e muito criativa.

Em Avengers 04, Lee e Kirby definiram que o Capitão América havia desaparecido no final da II Guerra Mundial, em 1945, imediatamente antes da rendição alemã. Em uma cena de flashback vemos Capitão América e seu jovem ajudante Bucky se agarrarando a um avião experimental para impedi-lo de explodir sobre Londres, mas o avião termina explodindo antes, no Ártico, Bucky morre na explosão e o Capitão é arremessado nas águas gélidas e termina congelado.

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Namor combate os Vingadores na arte de Jack Kirby.

Décadas depois, enquanto seguem Namor em um submarino, os Vingadores encontram o corpo já descongelando sobre as águas e vêem o despertar de uma lenda, imediatamente integrado ao grupo.

O restante de Avengers 04 traz a aparição de um alienígena perdido na Terra e a retomada da batalha dos Vingadores contra Namor e os Atlantes, num frenesi de informações.

De maneira rápida e concisa, Lee e Kirby exploram o Capitão América como um “homem fora do tempo“, já que perdera décadas de história ao ficar congelado, despertando em um mundo estranho. Esta seria a principal característica do personagem dali em diante.

Desde o início, Stan Lee sabia que a função do Hulk no time era apenas causar discórdia, então, ele precisaria ser substituído. Não está claro se o escritor já tinha em mente desde o princípio que este deveria ser o Capitão América, mas a aparição de Namor em Fantastic Four 03, de 1962, sugere isso.

Entretanto, o texto original de Avengers 04 sugere que Capitão e Namor não se conheciam, mesmo que os personagens tenham se encontrado em um par de aventuras da década de 1940. Isso mostra que Stan Lee ainda estava incerto em como iria tratar o passado da Marvel, histórias posteriores, porém, ignoraram este deslize e passaram a considerar que os dois não apenas se conheciam, mas tinham lutado lado a lado na II Guerra Mundial, conforme será explorado adiante.

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Os Vingadores aparecem em Fantastic Four 25.

Curiosamente, a estreia oficial do Capitão América como membro dos Vingadores (depois da introdução na edição 04) se deu em outra revista: Fantastic Four 25, de 1964. Nesta revista especial, o Hulk chega a Nova York e o Quarteto Fantástico sai em seu encalço, com uma nova batalha furiosa entre o golias verde e o Coisa (os dois já haviam se encontrado em Fantastic Four 12, de um ano antes). A batalha colossal ganha a intromissão dos Vingadores e o Hulk foge outra vez. Era uma maneira de “apresentar” o Capitão América aqueles incautos leitores que porventura ainda não o tivessem visto, pois FF naqueles tempos ainda era a revista mais vendida da Marvel.

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A primeira formação dos Mestres do Terror, liderados pelo Barão Zemo.

Avengers 05 é uma sequência direta de FF 25, começando com os Vingadores reparando os estragos causados na Mansão, mas os oponentes são os Homens-Lava (criaturas que haviam aparecido nas histórias de Thor) e, novamente, contando com a participação especial do Hulk. Novamente, há uma rápida batalha com o golias verde, mas os Homens-Lava têm bem mais espaço.

Em Avengers 06, a equipe enfrenta a sua maior ameaça até então: um super-grupo de vilões chamados de Mestres do Terror (Masters of Evil, no original), liderados por um personagem novo: o Barão Zemo (revelado como o chefe nazista responsável pelo desaparecimento do Capitão América e a morte de Bucky) e o Cavaleiro Negro (inimigo de Gigante e Vespa), o Homem-Radioativo (inimigo de Thor) e o Derretedor (inimigo do Homem de Ferro).

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Capitão América vs. Barão Zemo na arte de Jack Kirby.

Na trama, Zemo vive exilado na Floresta Amazônica, na América do Sul, onde tem um pequeno reino informal. Brilhante cientista, Zemo é apresentado como uma das grandes mentes da Alemanha Nazista da época da II Guerra Mundial e que nutre um ódio mortal pelo Capitão América, cuja ação, décadas antes, fizera sua máscara ficar eternamente colada a seu rosto por causa de um superadesivo. Por sua vez, o Capitão América também odeia Zemo por causa da morte de Bucky, deixando o personagem irreconhecivelmente vingativo. Sedento de vingança, um anormalmente raivoso Capitão América sai com tudo na batalha, mas os vilões conseguem fugir.

Na edição 07, Barão Zemo está de volta, agora com uma nova formação dos Mestres do Terror: a dupla Encantor e Executor, inimigos de Thor.

Estas duas edições mudaram totalmente a dinâmica da revista Avengers. Afinal, Homem de Ferro, Thor, Gigante e Vespa tinham suas próprias aventuras, enquanto o Capitão América não. A revista do grupo não era conhecida, então, por aprofundar seus personagens, porque não havia tempo para isso. Assim, o que se via eram os heróis discutindo entre si e se unindo contra vilões, não raro, trocando chistes entre si. Por isso, a partir da entrada do Capitão América, o grupo começa a ser visto pela ótica dele e seu deslocamento diante os “novos tempos” passam a ser o fio condutor da parte dramática das histórias.

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O Primeiro encontro dos Vingadores e dos X-Men.

Seguindo a tradição que ele próprio criou, Stan Lee também tratou de divulgar a equipe em outras revistas, de modo que os Vingadores fizeram participação especial em X-Men 09, na qual as duas equipes ensaiam um confronto. Na verdade, o encontro é quase um embuste: enquanto os heróis mutantes estão no encalço de um vilão chamado Lúcifer, literalmente as duas equipes cruzam o caminho uma da outra e – no melhor “estilo Marvel” – saem brigando logo de cara. A batalha é bastante rápida, pois Charles Xavier se comunica telepaticamente com Thor e resolve a situação.

Kang, o conquistador.

Kang, o conquistador.

O último número seguido de Lee e Kirby foi Avengers 08, de 1964, que introduz o viajante no tempo chamado Kang, o Conquistador, que quer tomar o controle do século XX e se transformaria em um dos mais recorrentes e importantes oponentes da equipe. É uma grande aventura que exige toda a habilidade do grupo para derrotar um vilão tão poderoso. Também há uma ajuda essencial da Brigada Juvenil.

Na trama complexa criada por Lee e Kirby, Kang é revelado como um homem do século 30, que usou uma máquina do tempo para viajar ao passado e se tornar um Faraó no Egito Antigo, onde se chamou Rama-Tut. Este personagem, na verdade, já tinha aparecido numa aventura do Quarteto Fantástico (em Fantastic Four 19, de 1963), de modo que a revelação fundia os dois personagens. Depois, cansado daquela vida, tentou retornar ao seu tempo e terminou por um acidente parando no século 40, numa era de selvageria, em que a humanidade usava a tecnologia criada anteriormente para estar constantemente em guerra. Com esta tecnologia, decide vir ao nosso tempo e só é derrotado pela hábil ação da equipe. Kang retornaria muitas e muitas vezes, se transformando num de seus maiores inimigos.

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Jack Kirby desenha as aventuras solo do Capitão América a partir de 1965.

Àquela altura, Jack Kirby era o principal ilustrador da Marvel Comics e cuidava de inúmeras revistas ao mesmo tempo, como as histórias de Quarteto Fantástico, Thor, Hulk, X-Men e Capitão América (que passaria a ter em breve suas próprias aventuras paralelas), além de fazer a maioria das capas da editora. O tempo escarço o impedia de se dedicar a uma revista com tantos personagens e detalhes. Querendo mais tempo para se dedicar às histórias que realmente gostava – especialmente do Quarteto, de Thor e do Capitão América – Kirby terminou se afastando de Avengers, embora tenha continuado a fazer as capas por muito tempo. Kirby ainda voltaria à revista brevemente, nos números 14, 15 e 16, num momento crucial.

Só um parêntese importante: as aventuras solo do Capitão América começaram a ser publicadas (por Lee e Kirby) em Tales of Suspense 58, de 1965, a mesma revista que trazia as aventuras solo do Homem de Ferro. Os dois vingadores dividiram a revista por três anos até que, em 1968, quando a Marvel já era uma empresa grande e passou a distribuir as próprias revistas, ampliou seu leque de publicações, surgindo as revistas Captain America e The Invencible Iron-Man.

A Entrada de Don Heck

Quem substituiu Kirby em Avengers foi Don Heck, um veterano ilustrador que também era o responsável pelas aventuras do Homem de Ferro. Enquanto a arte de Kirby era cheia de ação e fúria, o traço de Heck era mais elegante e clássico, com o talento para figuras bastante bonitas, embora, também, poderia ser mais irregular em algumas circunstâncias. Stan Lee manteve a pegada de novas surpresas a cada edição, mas o alto grau de repetição de vilões parecia indicar que o escritor andava meio sem ideias ou muito ocupado (Lee escrevia praticamente todos personagens Marvel da época!).

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A estreia de Magnum

A estreia de Don Heck foi em Avengers 09, com mais uma investida dos Mestres do Terror:  novamente com Barão Zemo, Encantor e Executor. Dessa vez, o trio convencia o empresário corrupto Simon Williams a se submeter a um experimento a partir dos “raios iônicos” que o transformavam em alguém muito poderoso chamado Wonder-Man ou Magnum, como ficou conhecido no Brasil, alguém com super-força, invulnerabilidade e que voava a partir de minijatos embutidos no cinto.

A história mostrava o típico conto de traição: o plano de Zemo consistia em infiltrar Magnum nos Vingadores e destruí-los. O vilão garantia a obediência de Simon Williams por meio de uma chantagem mortal: os raios iônicos lhe davam força, mas também o matariam em uma semana e só Zemo podia lhe dar o antídoto. Os Mestres do Terror simulavam um assalto que era impedido pelos Vingadores e recebiam a ajuda de Magnum, que pedia para ingressar no grupo.

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Magnum na arte de Don Heck.

Homem de Ferro e Capitão América ficam bastante desconfiados da história toda, mas lhe dão um voto de confiança, que claro será quebrado: Magnum sequestra a Vespa e a leva para a base de Zemo na Floresta Amazônica, enquanto os Vingadores vão resgatá-la e mesmo com o reforço dos vilões, conseguem derrotá-los. Claro que, no final, Magnum vê a honradez dos Vingadores, se arrepende e ajuda o grupo a vencer, ganhando a morte como prêmio.

A capa de Avengers 09 dá grande destaque ao surgimento de Magnum e, aparentemente, Stan Lee tinha grandes planos para ele, pois décadas depois, manifestou ressentimento sobre um processo movido pela DC Comics para que o personagem fosse descontinuado, por causa de seu nome: uma versão masculina da Mulher-Maravilha no original. De qualquer modo, Magnum seria um personagem com grande envolvimento com os Vingadores no futuro distante, apesar dessa “morte”.

Avenger 10 traz a investida de Imortus (outro viajante no tempo, com similaridades com Kang, que acabara de estrear!). É uma história confusa, pois Imortus é apresentado como um ser místico, o senhor do Limbo, uma dimensão em que não há tempo nem espaço (e que tinha aparecido na edição 02). Senhor do Tempo, Imortus convence os Mestres do Terror (Zemo, Encantor e Executor) de que pode matar os Vingadores, e o faz usando figuras “históricas” que ele pode capturar na linha temporal e usar a seu favor, como o gigante Golias (morto por Davi na Bíblia); Átila, o Huno; o mago Merlin (dos tempos do Rei Artur) e o semideus grego Hércules. Esta é uma edição ruim, como foi o número 02, com uma trama meio sem propósito, o que é evidenciado no final, quando desiludida pela derrota, Encantor usa magia para fazer o tempo retroceder e fazer com que os eventos mostrados na aventura simplesmente não se repitam, de modo que nada valeu. Para piorar, Heck parecia estar muito ocupado fazendo as histórias do Homem de Ferro, pois seu desenho está irregular e sem criatividade, com o visual de alguns personagens beirando o risível, como o caso de Hércules.

Kang, o conquistador já está de volta na edição 11, dessa vez com um robô imitando o Homem-Aranha (de modo a envolver pelo menos de modo casual esses personagens tão populares). O robô-aranha quase derrota o grupo e o verdadeiro escalador de paredes aparece para ajudar. Um aspecto curioso deste número é que a arte é realizada por Bill Everrett, artista que criou Namor (em 1939) e que criou o Demolidor ao lado de Stan Lee em 1964. O artista faria alguns trabalhos pontuais na Marvel no período e, pouco mais tarde, se tornaria um dos artistas da casa.

Curiosamente, apesar de aparecer na capa, o Homem de Ferro não participa da aventura contra Kang e o Homem-Aranha, porque estava desaparecido em suas histórias próprias em Tales of Suspense, de modo que os Vingadores estão desfalcados. A edição 11 termina por ser importante por ser a primeira participação do cabeça de teia na revista.

O número 12 traz o grupo enfrentando dois vilões do Quarteto Fantástico: Topeira e o Fantasma Vermelho.

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A bela capa de Avengers 12, por Jack Kirby.

Avengers 13 traz o Conde Nefária, já em 1965. Este personagem também teria grande envolvimento com o grupo no futuro e vinha acompanhado da primeira aparição da organização criminosa Maggia, um tipo de versão Marvel da Máfia dos Estados Unidos. A história é interessante porque coloca os Vingadores combatendo o crime comum no início da trama, algo raro em suas revistas, logo cedendo ao aspecto fantasioso de Nefária, que usa um artifício para fazer o mundo pensar que os Vingadores se voltaram contra lei. Mas o grupo vence e prende o vilão.

A Vespa termina aquela edição mortalmente ferida por uma bala e os Vingadores precisam encontrar o único médico capaz de ajudá-la, em Avengers 14, uma jornada que termina levando-os ao contato com uma raça alienígena escondida. Esta edição é claramente um “número de férias”, ou seja, feito às pressas enquanto os artistas tiram seu merecido descanso. Talvez por isso, os créditos são inusitados: Stan Lee (argumento), Paul Laiken e Larry Lieber (textos), Jack Kirby (esboços/layouts) e Don Heck (desenhos).

 

Don Heck e a Quadrilha do Capitão

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Avengers 15: a batalha final com os Mestres do Terror.

Jack Kirby volta de verdade para a revista em Avengers 15, de 1965, onde se encerra o primeiro ciclo de aventuras dos Vingadores, com o confronto final com os Mestres do Terror, culminando na morte do Barão Zemo.

Na trama, o Barão Zemo ativa mais um plano para eliminar a equipe, que envolve libertar da cadeia o Cavaleiro Negro e o Derretedor, os velhos membros dos Mestres do Terror. Contudo, o Capitão América (e Rick Jones) vão à Floresta Amazônica pegar o vilão, enquanto os Vingadores combatem os outros membros do time de vilões em Nova York.

Capitão América e Zemo têm sua batalha derradeira e o vilão é morto ao usar um raio desintegrador que causa uma avalanche de pedras sobre si.

No outro front de batalha, Gigante (estreando um novo uniforme), Vespa, Homem de Ferro e Thor saem em confronto com Encantor, Executor, Cavaleiro Negro e Derretedor. A edição 15 também tem outra pequena importância: é a primeira aparição do mordomo Edwin Jarvis, que iria acompanhar a equipe dali em diante como cuidador da Mansão. O personagem já tinha sido introduzido nas aventuras do Homem de Ferro, mas agora migrava para ser

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O Capitão começa a dominar a revista dos Vingadores. Capa de Avengers 16.

A grande mudança ocorreu em Avengers 16, de maio de 1965 (novamente por Lee e Kirby): os quatro membros originais da equipe (Homem de Ferro, Thor, Gigante e Vespa) decidem sair do time e deixar o Capitão América para treinar uma nova formação, composta por três ex-criminosos: Gavião Arqueiro (que lutou contra o Homem de Ferro) e os irmãos gêmeos Feiticeira Escarlate e Mercúrio (ex-membros da Irmandade de Mutantes de Magneto, inimigos dos X-Men).

Os antigos membros estavam cansados de tantas batalhas na equipe, enquanto ainda tinham que lidar com suas próprias aventuras solo. Assim, numa reunião sem o Capitão América – que ainda estava tentando retornar da América do Sul após a batalha com Zemo – decidem todos darem um tempo. Mas ao mesmo tempo, o Gavião Arqueiro entra na Mansão e solicita ser integrado ao grupo. Isso dá ao Homem de Ferro a ideia de fazer uma nova formação dos Vingadores. Eles convidam Namor para compor o time, uma forma de fazê-lo abandonar o ódio contra a humanidade, mas o monarca da Atlântida nega. Quem se aproveita da oportunidade é a dupla Mércurio e Feiticeira Escarlate. Quando o Capitão América finalmente chega, já é incumbido de liderar o novo time, o que aceita relutantemente.

O Gavião Arqueiro tinha aparecido numa sequência de histórias do Homem de Ferro (começando em Tales of Suspense 57, de 1964) no qual, após viver como artista de circo por um tempo, se inspira no vingador dourado para se tornar um herói, explorando suas habilidades no arco e flecha, mas termina enganado pela (então vilã) Viúva Negra e se vê em meio a um plano de matar o herói e seu alter-ego secreto, Tony Stark.

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Gavião Arqueiro na arte de Jack Kirby em “Avengers 16”.

Contudo, a paixão entre Clint Barton e Natasha Romanoff contribui para que a Viúva Negra repense seus atos e termine se arrependendo de seus crimes e se convertendo em heroína num futuro breve. Ao mesmo tempo, o Gavião Arqueiro é perdoado de seus pequenos crimes e insiste para entrar nos Vingadores… e termina aceito!

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Releitura contemporânea do visual original de Feiticeira Escarlate e Mercúrio nos quadrinhos. Arte de David Finch.

Feiticeira Escarlate e Mercúrio são Wanda e Pietro Maximoff, irmãos gêmeos criados por ciganos na Europa Oriental, que apareceram pela primeira na revista X-Men 04, de 1964, como membros da Irmandade de Mutantes liderada pelo vilão Magneto. Aquela história deixava claro que a dupla tinha uma dívida de sangue com Magneto (que os salvou de serem mortos por seu próprio povo, que atribuíam seus poderes mutantes à bruxaria), mas não concordavam com as atitudes extremas deles (inclusive, secretamente salvando os X-Men no fim). Mesmo assim, ainda fizeram outras aparições ao lado do grupo de vilões e até enfrentaram Thor em sua revista.

Contudo, após um tempo, Wanda e Pietro tomaram coragem e fugiram de Magneto, conseguindo exílio político nos Estados Unidos e um convite para ingressarem nos Vingadores.

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Os novos Vingadores são apresentados: Capitão América, Feiticeira Escarlate, Mercúrio e Gavião Arqueiro.

Desse modo, Avengers 16 traz a primeira mudança radical de formação da equipe, marcando o início dessa outra tradição. Ao mesmo tempo, ao introduzir personagens como Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate e Mercúrio ao hall dos Vingadores também criava parte significativa do núcleo central de seus membros dali para todo o sempre. Não menos importante, deixar o Capitão América (recém-descongelado depois de décadas em animação suspensa) consolidava este como a peça central da equipe e o maior de todos os seus líderes.

Claro que a mudança da equipe era também uma jogada de Stan Lee para dar mais profundidade à revista. Se por um lado era espetacular ter membros como Homem de Ferro e Thor no time, por outro, não era possível ter uma abordagem mais dedicada a eles, pois isso era resguardado para suas próprias aventuras. Desse modo, Avengers 16 trazia a formação de uma equipe que, em grande parte, só tinha espaço nessa coleção, sem o atrapalho de aventuras paralelas, que eram muito difíceis de conciliar. O Capitão América já tinha começado a ter suas próprias aventuras em Tales of Suspense, mas naquele período, a maior parte delas narrava suas aventuras na II Guerra Mundial e demoraria alguns meses para que fossem abordadas aventuras no presente. A ausência de uma vida particular, inclusive, é um tema explorado nas edições 15 e 16, com o Capitão se queixando de ser a âncora de um grupo e não ter sua própria vida.

Após este evento especial, Don Heck retorna em definitivo como artista da revista, onde ficaria bastante tempo ao lado de Stan Lee. Apesar da nova formação ser um quarteto menos poderoso – Gavião Arqueiro nem tinha superpoderes – Lee e Heck souberam dosar a nova equipe, colocá-los contra inimigos formidáveis e, mais importante, trabalhar à exaustão a caracterização, enchendo o time de conflitos internos: o Gavião Arqueiro questiona a autoridade do Capitão o tempo todo e dá em cima descaradamente da Feiticeira Escarlate, o que o coloca em rivalidade com o ciumento Mercúrio. Lee e Heck também exploraram, nas tramas, certa rejeição do público à nova equipe, apelidada de A Quadrilha do Capitão.

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A estreia do Espadachim traz o quarteto em destaque na capa.

O batismo de fogo da nova formação é em Avengers 17, com outra batalha contra o Toupeira, que agora mobiliza um monstro chamado Minotauro. A ideia da história é responder à pergunta: a nova formação é menos eficiente do que a antiga? O Hulk faz uma participação especial, mas mal tem contato com o do grupo. Esta seria a última participação do Hulk na revista em um longo tempo. A partir de então, os caminhos do grupo e do golias verde iriam se cruzar cada vez menos.

Mas as coisas começam a funcionar mesmo a partir de Avengers 19, na qual estreia o Espadachim, um vilão que tem ligações com as origens do Gavião Arqueiro. Bastante habilidoso, o vilão consegue assustar o antigo pupilo e até derrotar (temporariamente) o Capitão América. Na edição 20, a batalha continua, agora, com o vilão Mandarim – o arquiinimigo do Homem de Ferro – auxiliando o Espadachim e lhe fornecendo uma espada especial, cheia de grandes artifícios. Essas duas edições também retomam o plot do Capitão buscando um sentido em sua vida além dos Vingadores, criando uma conexão com Nick Fury que seria explorada nas aventuras solo deste personagem (publicadas na revista Strange Tales) e que desembocariam também nas próprias aventuras solo do Capitão, que passariam a ser situadas no presente a partir de Tales of Suspense 72, de 1966.

Em sua longa temporada conjunta, Lee e Heck pavimentaram bastante o cânone dos Vingadores. Criaram diversos novos inimigos e consolidaram a ideia de um grupo que está em rotatividade constante de membros, com muita tensão interna, também, em tramas que quase sempre se dividiam em duas edições seguidas.

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Avengers 21 trouxe a estreia do vilão chamado Poderoso (Power-Man, no original), um personagem com longo futuro na Marvel, pois adotaria o nome de Golias (quando Hank Pym deixou de usá-lo) e virou um dos membros dos Thunderbolts nos anos 1990. Na trama, ele ganha seus poderes graças a Encantor. A edição 23 trazia a volta de Kang, o conquistador, mas dessa vez, os Vingadores iam ao futuro enfrentar o vilão e conheciam Ravonna, a bela mulher por quem o inimigo é apaixonado e quer casar. Contudo, no fim da batalha, no número 24, ela é baleada e fica à beira da morte enquanto os heróis retornam a nosso tempo.

O grupo cruza o caminho do Dr. Destino (o clássico vilão do Quarteto Fantástico) na edição 25 e, em seguida, engata uma batalha contra Attuma e os Atlantes em Avengers 26, que conta com a participação do vilão Besouro (que combateu o Demolidor). Na trama, enquanto fazem uma pesquisa no fundo do oceano, Hank Pym e Janet Van Dyne vêem os Atlantes se dirigindo ao ataque e a Vespa vai avisar os Vingadores, em sua primeira atuação com a equipe desde sua saída dez números antes.

Avengers 24 cover by Jack Kirby 1965

Capa de “Avengers 24”, de 1966, por Jack Kirby.

Era um sinal para que a dupla Gigante e Vespa voltasse à equipe, pois exatamente naquele momento, deixavam de ter suas aventuras solo em Tales to Astonish, que a partir da edição 70 os substituía pelas aventuras de Namor, o Príncipe Submarino. Assim, Avengers 28 traz Hank Pym de volta à equipe, agora com um novo (e mais bonito) uniforme e trocando a alcunha de Gigante por Golias. O grupo enfrenta o Colecionador, um dos Anciões do Universo, a raça mais antiga do cosmos, que tinha como hobby capturar exemplares vivos para sua coleção particular. O Colecionador seria um dos principais oponentes da equipe ao longo dos anos e um personagem de destaque no panorama cósmico da Marvel.

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A Viúva Negra ajuda os Vingadores, na arte de Don Heck.

Em Avengers 29, a Viúva Negra (que tinha se arrependido de seus crimes nas aventuras do Homem de Ferro e era apaixonada pelo Gavião Arqueiro) sobre uma lavagem cerebral do Regime Soviético e volta a ser uma vilã, recrutando o Espadachim e o Poderoso para atacarem os Vingadores. Contudo, em meio à batalha, Natasha Romanoff se lembra de sua paixão e termina recobrando a consciência. A partir de então, a Viúva Negra passaria os números imediatamente seguintes da revista como uma personagem coadjuvante, embora não fosse oficialmente admitida na equipe.

Uma trama mais relevante tem início em Avengers 32, com o surgimento do grupo de vilões Filhos da Serpente, um grupo racista. Foi uma maneira de Stan Lee trazer a questão do preconceito racial e os direitos civis à tona num momento em que o tema estava incendiando nos EUA. Não há toa, a edição introduz o cientista Bill Foster, um afrodescedente que se torna assistente de Hank Pym e um personagem coadjuvante recorrente por um tempo. No futuro, Foster se tornaria um herói com os mesmos poderes de Pym e chamado Golias Negro.

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Golias em Avengers 28 por Jack Kirby.

Essa trama também traz Nick Fury e a SHIELD pela primeira vez para a revista dos Vingadores. O personagem vinha fazendo bastante sucesso em suas aventuras solo em Strange Tales e logo ganharia revista própria, mas também era constantemente um coadjuvante nas novas aventuras solo do Capitão América, então publicadas por Lee e Jack Kirby em Tales of Suspense.

Stan Lee se despede da revista Avengers no número 34, onde introduz o vilão Laser Vivo. Até então, ele escrevia a maioria das revistas da Marvel, mas seu trabalho como Editor-Chefe numa editora que crescia a cada dia começava a tornar isso impossível. Assim, ele começou a treinar uma nova geração de escritores e desenhistas para substituí-lo e o principal deles era Roy Thomas.

O Início da Era Roy Thomas

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Avengers 35 traz a estreia de Roy Thomas. Arte de Don Heck. 

Em 1967, Stan Lee começou a se afastar de vários títulos da Marvel. Após testado em alguns títulos menores (inclusive, nos X-Men), o roteirista Roy Thomas “ganhou” a revista dos Vingadores, estreando no número 35.

Thomas tinha apenas 27 anos e àquela altura já era assistente de Stan Lee há dois anos. Treinado pelo mestre absorveu o que ele tinha de melhor e também adicionou jovialidade ao Universo Marvel, casando-o ainda mais com os tempos fervilhantes que eram os anos 1960.

Porém, de início, Thomas apenas continuou a inércia do movimento anterior, dando prosseguimento às tramas e ao estilo de seu antecessor. No típico conto da época, Avengers 38 dava início à história em que o semideus grego Hércules (e não aquele que aparecera na edição 10) – que já tinha estreado na revista do Thor como um aliado – é enfeitiçado por Encantor e se atira contra a equipe. O mal é desfeito e ele se une ao grupo, bem como a Viúva Negra e vão derrotar os vilões.

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A capa de Avengers 38, com Hércules, desenhada por Gil Kane. 

Infelizmente para os fãs, a Viúva Negra aceita a proposta de Nick Fury de ser uma agente dupla da SHIELD e se infiltrar na União Soviética, em vez de se tornar uma vingadora. Mas Hércules ficaria um tempo agindo ao lado do grupo, servindo como um tipo de substituto de Thor.

Avengers Annual 01 cover by Don Heck

Capa de “Avengers Annual 01”, de 1967, por Don Heck.

Roy Thomas e Don Heck também produziram o superevento que foi o Avengers Annual 01, edição especial publicada em 1966, que trouxe uma revista com 45 páginas (quase o dobro do normal) em uma aventura que reunia pela primeira vez a equipe original (Homem de Ferro, Thor, Golias e Vespa – note a ausência do Hulk) e o quarteto de então (Capitão América, Gavião Arqueiro, Feiticeira Escarlate e Mercúrio). Não sem rusgas (senão não seria a Marvel ou Lee) o supertime precisa combater um punhado de seus principais inimigos, como Mandarim, Poderoso, Espadachim, Laser Vivo e a dupla Encantor e Executor. A edição também trazia uma série de extras, como pin-ups dos personagens, fichas descritivas e até o mapa da Mansão dos Vingadores.

O que os fãs não sabiam é que tudo aquilo era apenas uma fase de transição. Como editor, Stan Lee estava tramando a troca total da equipe criativa por trás dos Vingadores. Ele aprendera duramente com o Homem-Aranha (a troca do desenhista Steve Ditko por John Romita mais cedo naquele mesmo ano tinha causado a fúria dos leitores) a fazer transições brandas. Assim, pôs Thomas na revista primeiro, enquanto mantinha a arte clássica de Don Heck e seu ritmo que os fãs conheciam e gostavam. Após algumas poucas edições para o novo escritor se sentir confortável na cadeira, tirou Heck (que continuou trabalhando em outras revistas da Marvel) epôs o novato John Buscema em seu lugar.

A Fase  Roy Thomas e John Buscema

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Os Vingadores típicos da fase de Roy Thomas. Arte de John Buscema.

O fantástico John Buscema, estreou na edição 40, de 1967. Filho de imigrantes italianos e já trabalhando com desenhos desde os anos 1950, era dono de uma arte mais dinâmica, muito bonita. Ele sabia manusear os traços surreais criados por Kirby, por exemplo, mas acrescentava realismo.

Thomas e Buscema davam origem à segunda geração de autores da Marvel e sua fase foi muito profícua. Aliás, é importante dizer que foi Roy Thomas quem realmente estabeleceu os Vingadores como nós os conhecemos. Vista em retrospectiva, embora importante, toda a fase de Stan Lee (1963-1966) parece um ensaio, enquanto a longa fase de Thomas (1967-1973) é o show para valer! Algumas das mais importantes adesões ao cânone do grupo – e o próprio estabelecimento do cânone, se deu nos textos mais modernos, psicologizados e cheios de referências políticas de Thomas.

Contra o Super-Adaptóide. Repare em Hércules, à direita. Já com Thomas e Buscema.

Contra o Super-Adaptóide. Repare em Hércules, à direita. Já com Thomas e Buscema.

A dupla Thomas e Buscema inicialmente seguiu os passos estabelecidos por Stan Lee, colocando os Vingadores contra vilões como o Espadachim e o Super-Adaptóide (um ser artificial capaz de imitar as habilidades dos heróis), surgido nas aventuras do Capitão América, mas que teve uma memorável batalha com os Vingadores em Avengers 45, de 1967.

Contudo, logo em seguida, Roy Thomas desenvolveu um estilo mais próprio, marcado por referências psicológicas e políticas, e um estilo de narrativa que desenvolve subtramas lentamente, lançando pistas a cada edição, só que só farão sentido mais à frente. Em certo sentido, Thomas cria os Vingadores tal qual conhecemos.

Thomas e Buscema acrescentaram vários detalhes, dando vida ao mordomo Jarvis, que já havia aparecido, mas agora se tornava peça fundamental, enquanto o Gavião Arqueiro assume uma nova identidade: Golias, usando a fórmula de Hank Pym para crescer seu tamanho.

O Pantera Negra e os Vingadores na belíssima arte de John Buscema.

O Pantera Negra e os Vingadores na belíssima arte de John Buscema.

A dupla também seguiu a tradição de sempre colocar novos membros: o Pantera Negra (primeiro super-herói negro dos quadrinhos, criado por Lee e Kirby na revista do Quarteto Fantástico) e o Visão (um andróide dotado de consciência e homenagem a um velho personagem da Marvel criado em 1940 com o mesmo nome). Ao mesmo tempo, Capitão América, Thor e Homem de Ferro (então, já os “três grandes” dos Vingadores) são afastados do título, só aparecendo ocasionalmente. Era uma determinação do Editor-Chefe Stan Lee que proibia a aparição de um dos “três grandes” por mais do que três edições consecutivas. Isso abriu espaço para o desenvolvimento dos personagens novos, especialmente aqueles dois: Thomas explorou bastante a psiquê de computador do Visão, mostrando como um robô com sentimentos sofria em um mundo caótico como o nosso. Não menos importante, na ausência do Capitão América, o Pantera Negra se tornou o novo líder da equipe: o grupo não apenas tinha um membro afrodescendente, como este ainda era o chefe!

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Avengers 48 com o heroico Cavaleiro Negro.

O primeiro dos grandes personagens introduzidos pela dupla foi o novo Cavaleiro Negro. O antigo era o vilão que fez parte da primeira formação dos Mestres do Terror, mas acabou morrendo em decorrência de um confronto com o Homem de Ferro na revista Tales of Suspense 73, de 1966. Assim, Avengers 47 e 48, de 1967, trazem a estreia de Dane Whitman, um sobrinho do vilão, que decide retomar ao manto do Cavaleiro Negro – que pertence à sua família desde os tempos do Rei Artur – e limpar a honra do título. Whitman também empunha a Espada de Ébano que pertenceu ao seu primeiro antepassado, artefato místico que possuí também uma maldição. O Cavaleiro Negro se torna um aliado dos Vingadores e no futuro distante teria bastante importância.

O leque de vilões também foi aumentado. Em Avengers 52, de 1968, surgiu o Ceifador, vilão que era Eric Williams, irmão do falecido Magnum (Wonder-Man). Embora o Magnum tivesse morrido pela ação do Barão Zemo – lá em Avengers 09 – seu irmão culpava os Vingadores e queria vingança. O Ceifador seria um vilão importante nos anos seguintes.

Os novos Mestres do Terror, liderados por Ultron (que não aparece).

Os novos Mestres do Terror, liderados por Ultron (que não aparece).

Mas o maior destaque entre os vilões foi o robô Ultron, indestrutível e inteligente, criado por Hank Pym, que se volta contra seu “pai”. Sua primeira aparição foi em Avengers 54, de 1968. Na trama, um vilão misterioso chamado Manto Rubro reúne uma nova encarnação dos Mestres do Terror, para destruir os Vingadores, formada por Garra Sônica, Homem-Radioativo, Derretedor, Tufão e o Cavaleiro Negro.

A história deixa claro, desde o início, que o Cavaleiro Negro em questão é Dane Whiteman, que é um herói e só atende ao chamado de Manto Rubro com a intenção de traí-lo e avisar aos Vingadores.

Ultron no traço de seu criador visual: John Buscema.

Ultron no traço de seu criador visual: John Buscema.

Os novos Mestres do Terror conseguem cooptar o mordomo Edwin Jarvis, que ajuda os vilões a invadirem a Mansão dos Vingadores. Os vilões estranham porque o Manto Rubro não mata Jarvis, mas o final da edição explicava: um segundo Manto Rubro aparecia e desmascarava o outro que era apenas um robô, revelando ele mesmo como sendo o próprio Jarvis.

Claro, que era um embuste. A edição seguinte revela que Jarvis foi só cooptado mesmo e que o tal robô, que se apresenta como Ultron-5 é o verdadeiro Manto Rubro e a mente por trás de tudo. Não fica claro, porém, quem é o robô e porque quer se vingar dos Vingadores.

"Avengers 57" traz a estreia do Visão.

“Avengers 57” traz a estreia do Visão.

Em Avengers 57, a Vespa é atacada por outro robô: o Visão. Derrotado, este é levado à Mansão dos Vingadores, mas mostra-se arrependido e criando uma consciência própria contra seu criador: Ultron. Na edição seguinte, contudo, o Visão descobre que foi criado como um ser humano artificial (com todos os órgãos artificiais), algo que Hank Pym, o Golias, chama de sintozóide, e que sua inteligência artificial foi incrementada com os padrões cerebrais de Simon Williams, o Magnum. Pym guardava os padrões cerebrais de Williams em seu laboratório. Por causa disso, o Visão termina se voltando contra seu criador e se torna um aliado dos Vingadores, sendo admitido no grupo.

O Visão se une aos Vingadores para derrotar Ultron, enquanto o Golias descobre que foi ele próprio quem criou o robô, que o chama de “pai”, mas depois, tornou-se maligno, se voltou contra ele e apagou o feito de sua mente. Ultron se transformaria em um dos maiores vilões dos Vingadores e desde o início suas histórias renderam bastante.

O Visão chora de emoção ao ser aceito pela equipe.

O Visão chora de emoção ao ser aceito pela equipe.

Além disso, Roy Thomas passa a dar bastante importância ao Visão que, provavelmente, se torna seu personagem favorito na equipe. E já a edição 58, em que é aceito no grupo, já é explorada sua real capacidade de sentir emoções, como se fosse um ser humano verdadeiro.

Ficou famosa a frase dita pelo Gavião Arqueiro de que “os Vingadores originais tinham um deus imortal e um monstro de pele verde” para falar sobre humanidade. Ao fim, o Visão pede licença e chora de emoção. O título da história era Até um Androide pode chorar.

O Jaqueta Amarela tenta entrar para o grupo, mas ele é Hank Pym surtado.

O Jaqueta Amarela tenta entrar para o grupo, mas ele é Hank Pym surtado. Arte de John Buscema.

O seu arco de introdução também teve uma consequência interessante: o surgimento do Jaqueta Amarela, a nova identidade de Hank Pym. Na verdade, o Jaqueta Amarela aparece em Avengers 59 como se fosse um herói autônomo, que ataca os Vingadores e diz que matou Hank Pym. Depois, manda a equipe aceitá-lo como membro e sequestra a Vespa. De repente, a heroína “apaixona-se” pelo captor e marca o casamento com ele.

Toda a comunidade super-heróica fica surpreendida com o anúncio do casamento da Vespa com o desconhecido Jaqueta Amarela, mas só os Vingadores sabem sobre o “destino” de Hank Pym. Com toda a pomba, a cerimônia ocorre em Avengers 60, inclusive, com vários convidados especiais, como os X-Men, o Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Nick Fury, Dr. Estranho, Demolidor etc.

O casamento, claro, é alvo de vilões – no caso o Picadeiro do Crime – e, no final, na iminência de ver a Vespa ser ferida, as roupas do Jaqueta Amarela são rasgadas para dar lugar ao Golias, Hank Pym, crescendo e vencendo os vilões, para surpresa de todos.  A Vespa depois explica que percebeu que o Jaqueta Amarela era Hank Pym depois de beijá-lo (à força) pela primeira vez; enquanto Pym explica que sofreu um distúrbio psíquico por causa de gases experimentais que estava usando em seu laboratório.

O Gavião Arqueiro se torna o Golias. Arte de Gene Colan.

O Gavião Arqueiro se torna o Golias. Arte de Gene Colan.

Resolvido o problema, tudo fica paz. Hank Pym e Janet Van Dyne estão casados e ele adota para si a nova identidade de Jaqueta Amarela. Mas o Golias não ficaria desaparecido por muito tempo. A partir de Avengers 62, de 1969, Clint Barton, o Gavião Arqueiro, assume a identidade de Golias, usando a fórmula de crescimento criada por Pym, embora um novo uniforme.

Ultron: um dos maiores vilões da equipe.

Ultron: um dos maiores vilões da equipe.

Ultron retorna em Avengers 67, numa história em que Roy Thomas explora elementos da psicanálise: Ultron revela-se obcecado pela Vespa, que ele considera sua “mãe”, já que Hank Pym é seu “pai”. Um robô movido por um complexo de édipo! E Ultron consegue um novo corpo, com o metal Adamantium, o mais resistente metal do universo.

Esquadrão Sinistro: versão Marvel da Liga da Justiça.

Esquadrão Sinistro: versão Marvel da Liga da Justiça.

Em seguida, a dupla Thomas e Buscema também criou o Esquadrão Supremo, uma equipe de superseres de uma outra dimensão, que na verdade era uma “homenagem” à Liga da Justiça da DC, trazendo membros que refletiam os heróis da concorrente: Hyperion (Superman), Nighthawk (Batman), Dr. Spectrum (Lanterna Verde) e Whizzer (Flash). O encontro se dá em meio a uma trilogia de edições contra Kang, o Conquistador, entre Avengers 69 e 71, de 1969.

Na trama, há uma disputa entre Kang e o Grande Mestre e este coloca uma aposta: se o outro matar os Vingadores, ele curaria a amada de Kang, Ravonna, à beira da morte depois dos eventos da número 24.

Esta aventura não apenas trouxe os “três grandes” em ação, como também rendeu outra criação importante para o Universo Marvel como um todo: na edição 70, é citado pela primeira vez os Invasores, grupo de heróis da época da II Guerra Mundial, que incluía o Capitão América, Tocha Humana e Namor.

Como já comentamos, quando o Capitão América foi reintroduzido lá atrás em Avengers 04, o texto dava a entender que ele não conhecia Namor, embora os dois personagens adviessem do mesmo período: as revistas da Marvel dos anos 1940. Inclusive, uma história de 1946 mostrava Capitão, Namor e Tocha Humana unindo as forças como um supergrupo chamado Esquadrão Vitorioso. Roy Thomas era obcecado pelas histórias da Era de Ouro dos quadrinhos (anos 1930 a 50) e decidiu não ignorar essa história e corrigir o erro de Stan Lee. Assim, Avengers 70 define que nos tempos da II Guerra Mundial, realmente, os três heróis lutaram juntos em um grupo chamado Os Invasores. Dali em diante, Thomas continuaria a explorar esse passado, que se tornou canônico para a cronologia do Capitão América e da Marvel. Inclusive, nos anos 1970, o escritor produziria uma revista própria desse novo grupo para contar suas histórias.

O Zodíaco original.

O Zodíaco original. Arte de Sal Buscema.

Outra adesão importante ao cânone dos Vingadores por Roy Thomas foi a criação do supergrupo de vilões Zodíaco, que surgiu em Avengers 72, de 1970, quando a revista passa a ser desenhada pelo irmão caçula de John Buscema, o não menos fantástico Sal Buscema, que se tornaria um dos maiores ilustradores da Marvel nas décadas seguintes, com trabalhos memoráveis em personagens como Capitão América, Hulk, Homem-Aranha e os próprios Vingadores.

A primeira formação da Legião Letal.

A primeira formação da Legião Letal.

Outro supergrupo de vilões surge em Avengers 79, de 1970: Legião Letal, liderada pelo Ceifador e com Laser Vivo, Poderoso, Espadachim, Derretedor e Man-Ape

Por fim, Roy Thomas também criou uma subtrama bastante ousada que reverberaria bastante no início dos anos 1970: a curiosa e improvável relação amorosa entre a Feiticeira Escarlate (uma mutante) e o Visão (um andróide).

Após um tempo afastada da equipe, a Feiticeira Escarlate retorna aos Vingadores e conhece o Visão, com o escritor lentamente desenvolvendo um nítida atração entre eles.

A maravilhosa arte de Neal Adams na Guerra Kree-Skrull.

A maravilhosa arte de Neal Adams na Guerra Kree-Skrull.

O ponto mais alto da fase de Roy Thomas foi a clássica Guerra Kree-Skrull, uma épica batalha entre os dois mais famosos povos alienígenas da Marvel (ambos criados na revista do Quarteto Fantástico, por Lee e Kirby).

Os Vingadores descobrem que os impérios Kree e Skrull travam uma guerra milenar e que a Terra é uma posição estratégica dentro do campo de batalha.

Os Vingadores são derrotados e precisam da ajuda do Capitão Marvel (um novo personagem criado por Thomas, Gene Colan e Gil Kane).

Publicado entre Avengers 89 e 97, em 1971, este arco de histórias é talvez o mais famoso de todos da equipe (e provavelmente o seu melhor) e contou com as artes fenomenais de Sal Buscema e Neal Adams, um dos maiores ilustradores de seu tempo e já tinha trabalhado com Thor e os X-Men, mas ficaria famoso mesmo por sua arte no Batman, da concorrente DC Comics.

O Golias (Clint Barton) ataca na arte de Neal Adams.

O Golias (Clint Barton) ataca na arte de Neal Adams.

A arte dinâmica, realista e, por vezes, fotográfica de Adams fez muito bem aos Vingadores e mais ainda pela Guerra Kree-Skrull, aumentando a sua importância. Um deleite para os olhos.

A Guerra Kree-Skrull foi recentemente republicada no Brasil, no encadernado da Panini Os Maiores Clássicos dos Vingadores 01. Vale a pena!

Os Vingadores enfrentam um Sentinela em "Avengers 104". Arte de Rick Buckler.

Os Vingadores enfrentam um Sentinela em “Avengers 104”. Arte de Rick Buckler.

Pouco depois, Roy Thomas encerra sua passagem nos Vingadores com uma série de histórias (desenhadas por Rick Buckler) com os Sentinelas, os robôs gigantes caçadores de mutantes que surgiram nas histórias dos X-Men. Era uma maneira do autor fechar pontas que haviam ficado soltas na revista dos heróis mutantes que ele mesmo escreveu, mas haviam sido canceladas por causa das vendas baixas.

Nessa história, o Gavião Arqueiro (que voltou à identidade original após a saga cósmica anterior) decide sair da equipe – e só voltaria no fim da década de 1970. Já o motivo da saída de Thomas da revista é porque ele se tornou, em 1972, o Editor-Chefe da Marvel, substituindo Stan Lee, que foi promovido a Publisher. Com isso, Thomas teve que deixar várias das revistas em que estava, como por exemplo, a do Homem-Aranha. Mas tudo bem, seu substituto nos Vingadores não deixaria a peteca cair. Não mesmo!

Steve Englehart

Os Vingadores da época de Englehart.

Os Vingadores da época de Englehart: Homem de Ferro, Serpente da Lua, Feiticeira Escarlate, Jaqueta Amarela, Vespa, Visão, Felina, Thor, Capitão América e Fera.

Em 1972, Steve Englehart se tornou o escritor dos Vingadores e isso o tornou um dos maiores escritores dos quadrinhos nos anos 1970. Com apenas 25 anos, o escritor já vinha se destacando em histórias menores da Marvel. Assim como Roy Thomas, Englehart gostava de incluir referências psicológicas, filosóficas e políticas em suas histórias, porém, era muito mais ousado e radical. Por isso, era o nome ideal e foi escolhido pelo próprio Thomas, já como Editor-Chefe, para substituí-lo na revista dos Vingadores. O sucesso foi tanto que Englehart, em poucos anos, escreveria a maioria das principais revistas da Marvel, como Capitão América, Hulk, Thor e os Defensores. Este último era mais um supergrupo de heróis criado por Roy Thomas e Ross Andru, reunindo Dr. Estranho, Hulk e Namor; mas foi Englehart quem os lançou em revista própria e fez bastante sucesso, incluindo ainda membros como o Surfista Prateado e Valquíria, com desenhos de Sal Buscema.

Englehart assumiu os Vingadores com uma equipe mais variável de desenhistas – John e principalmente Sal Buscema, Neal Adams, Don Heck, Rick Buckler, Bob Brown e outros se revezando – e a fase do autor é uma das melhores da equipe, senão a melhor!

Em "Avengers 111" a Viúva Negra entra para os Vingadores.

Em “Avengers 111” a Viúva Negra entra para os Vingadores.

O escritor também mexeu na formação da equipe, trazendo vários novos membros, como a Viúva Negra (que entrou em Avengers 111, de 1972) e o Espadachim (em Avengers 112).

A Viúva Negra até então era namorada do Demolidor (publicada na revista Daredevil), com a dupla tendo aventuras na cidade de São Francisco, na Califórnia. Mas a trama de Avengers 111 cria uma desculpa para a dupla cruzar o caminho dos Vingadores e, repensando o seu papel de apenas “namorada de herói”, Natasha Romanoff decide ingressar na equipe. (Vale lembrar que ela já tinha feito várias “participações especiais” na revista nos anos 1960, especialmente na fase de Lee e Heck).

Já o Espadachim era, até então, um vilão, mas Englehart criou uma história em que ele se regenera e passa a ajudar a equipe. Pouco tempo depois, acrescentaria Mantis, uma garota de origem vietnamita (percebem a política? Eram tempos de apogeu da Guerra do Vietnã), que era namorada daquele e também ingressou os Vingadores.

Mantis seria uma personagem central na fase de Englehart e o escritor, inclusive, criaria uma tensão sexual entre ela e o Visão (uma admiração de ambos um pelo outro), enquanto este namorava a Feiticeira Escarlate e o Espadachim passasse a namorar Mantis.

Adiantando um pouco, mas mantendo o tópico, podemos dizer que Englehart continuou ingressando personagens não-ortodoxos ao Vingadores. Pouco tempo depois, viriam o ex-X-Men Fera e a Serpente da Lua, que entraram para a equipe em Avengers 137, de 1975. A Serpente da Lua havia aparecido em aventuras anteriores do Homem de Ferro, Demolidor e Capitão Marvel, com sua origem ligada aos Titãs (alienígenas que habitam a lua de Europa, em Saturno) e com vastos poderes mentais. Por fim, Felina (Hellcat, no original) entrou em Avengers 144, de 1976.

Capa brasileira para a saga Vingadores vs. Defensores.

Capa brasileira para a saga Vingadores vs. Defensores.

Em termos de tramas, a Fase de Steve Englehart é uma das melhores e mais importantes dos Vingadores. Foi ele quem escreveu o fantástico crossover entre os Vingadores e os Defensores , disponível no Brasil em Os Maiores Clássicos dos Vingadores 04, da editora Panini. A saga foi publicada entre Avengers 115 e 118 e Defenders 08 a 11, em 1972, e traz a mais memorável das batalhas entre Thor e Hulk.

Capitão Marvel, Warlock e Thanos

Enquanto Englehart produzia sua fantástica fase nos Vingadores, outro artista genial também balançava as estruturas da Marvel: o escritor e desenhista Jim Starlin. A partir de histórias esparsas e secundárias, Starlin começou a construir um arco coeso e impressionante baseado no vilão Thanos.

O Capitão Marvel versus Thanos por Jim Starlin.

O Capitão Marvel versus Thanos por Jim Starlin.

Starlin começou sua saga na revista do Homem de Ferro, onde em Iron-Man 55, em 1973, fez surgir Thanos pela primeira vez: um alienígena de Titã, uma das luas de Saturno, que tem grandes planos de conquista. A edição também introduz um grande adversário do vilão: Drax, o Destruidor, criado especialmente por Mentor (também o pai de Thanos) unicamente para destruir o vilão.

Em seguida, Starlin assumiu a revista Captain Marvel, com as aventuras do Capitão Marvel, onde reformulou os poderes e motivações do personagem (um alienígena Kree que se encantou pela Terra e passou a defendê-la), tornando-o um protetor universal do cosmos. Por isso mesmo, a ele é dada a missão fundamental de deter Thanos.

Mais tarde, Starlin também assumiria a revista de Adam Warlock, um aventureiro espacial em aventuras repletas de referências místicas, cujo o destino também o lançou contra Thanos; aliado a Gamora, uma alienígena que fora criada como filha pelo titã louco, mas voltara-se contra ele em busca de redenção.

As histórias de Jim Starlin construíram toda a mitologia básica do lado cósmico da Marvel e são algumas das mais ousadas, surpreendentes, loucas e psicodélicas aventuras que a editora já publicou. E, como não poderia deixar de ser, conforme veremos a seguir, Capitão Marvel e Warlock precisaram de ajudas constantes dos Vingadores em suas batalhas contra Thanos.

Continuando com Steve Englehart

Os Vingadores combatem Thanos durante a temporada de Steve Englehart no título.

Os Vingadores combatem Thanos durante a temporada de Steve Englehart no título.

Como desdobramento da saga de Thanos na revista do Capitão Marvel, Steve Englehart colocou os Vingadores diretamente contra Thanos pela primeira vez. Na época, Thanos se tornava a maior ameaça do cosmos. Englehart fez uma parceria com Jim Starlin para mostrar uma grande aventura dos maiores heróis da Terra contra o Titã Louco! O confronto ocorre em Avengers 125, de 1974.

A história é um tipo de subproduto da revista do Capitão Marvel e mostra, na verdade, os Vingadores indo ao espaço combater uma enorme frota estrelar comandada por Thanos, que é apenas mencionada nas revistas daquele outro herói. Não há um confronto direto da equipe com o titã louco, algo que só acontece na própria revista Captain Marvel (especialmente com o Homem de Ferro) e num futuro próximo.

No mesmo período, o sucesso das histórias de Englehart motivou a Marvel a criar uma segunda revista para os Vingadores, nascendo Giant-Size Avengers, de periodicidade trimestral funcionando como uma publicação de “histórias especiais”.

Feiticeira Escarlate "descobre" quem é seu pai em Giant-Size Avengers 01.

Feiticeira Escarlate “descobre” quem é seu pai em Giant-Size Avengers 01.

Giant-Size Avengers 01, publicada no verão de 1974, teve roteiro de Roy Thomas e desenhos de Rich Buckler e trouxe como grande destaque a revelação de que a dupla de heróis Ciclone (Whizzer) e Miss America – que na cronologia da Marvel atuaram na II Guerra Mundial ao lado do Capitão América e do grupo de heróis chamados Invasores – eram os pais dos gêmeos Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

A trama da filiação da dupla seria recorrente e importante pela década seguinte de histórias.

Voltando à revista mensal e a Steve Englehart, em outra sequência de histórias, promove a maior de todas as batalhas clássicas contra Ultron, quando este ataca o casamento do ex-vingador Mercúrio com a membro dos Inumanos, Crystallis, em Avengers 127  ( história que continuaria em Fantastic Four 150).

Steve Englehart também criou dois dos mais famosos e melhores arcos de histórias dos Vingadores. Primeiramente, A Busca da Madona Celestial, na qual os Vingadores se envolvem em uma disputa entre Kang e Immortus na busca pela “Madona Celestial”, uma mulher que seria a geradora de uma criança que salvaria o universo.

Capa de "Giant Size Avengers 02", de 1974, por Ron Wilson e John Romita.

Capa de “Giant Size Avengers 02”, de 1974, por Ron Wilson e John Romita.

Entre as suspeitas, que incluíam a Feiticeira Escarlate e a Serpente da Lua, terminam por descobrir que aquela será Mantis. Esta aventura, além de grandiosas batalhas, traz muitos acontecimentos importantes, como a morte do Espadachim e a revelação de que Immortus, Kang e o faraó Rama-Tut são todos a mesma pessoa em períodos de tempos diferentes.

O duplo casamento (polêmico) em Giant-Size Avengers 04.

O duplo casamento (polêmico) em Giant-Size Avengers 04.

Os três personagens eram viajantes do tempo e foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em ocasiões diferentes, o que deu ao autor a ideia de uni-los. No final, Immortus (a versão mais velha e bondosa de Kang) termina por efetivar dois casamentos: Feiticeira Escarlate e Visão e Mantis e uma versão em espírito do Espadachim. Essa saga foi publicada entre Avengers 129-135 e a nova Giant-Size Avengers 02-04,entre 1974 e 1975.

O casamento em si ocorre neste último número. Um batalhão de desenhistas trabalhou na saga, como Sal Buscema, Dave Crockum e George Tuska, além de John Romita nas capas.

E como pode-se perceber, Englehart aumentou consideravelmente não apenas o time de heroínas nos Vingadores (Viúva Negra, Feiticeira Escarlate, Serpente da Lua, Mantis), mas também sua importância.

Império Secreto: clássico político.

Império Secreto: clássico político.

O Capitão América de Englehart

Steve Englehart foi um dos escritores mais importantes da Marvel nos anos 1970. Por isso, escreveu várias revistas da editora, além de Avengers, como Captain America, Dr. Strange, The Defenders, Hulk etc. Vale destacar, aqui, sua passagem pelo Capitão América, que foi uma das fases mais importantes desse personagem em todos os tempos.

Escrevendo entre 1972 e 1975, Englehart criou grandes sagas, como Herói ou Ameaça? (que introduziu o conceito do Capitão América dos anos 1950) e A Saga do Império Secreto (na qual o herói combate uma grande conspiração). Veja mais detalhes no dossiê próprio do personagem.

A Fase Final nos Vingadores

Os Vingadores em meio à Saga da Coroa da Serpente.

Os Vingadores em meio à Saga da Coroa da Serpente.

De volta aos Vingadores, outro arco memorável escrito por Steve Englehart foi A Saga da Coroa da Serpente, publicada entre Avengers 141 e 148, entre 1975 e 1976, na qual os Vingadores (agora com novos membros, como Hellcat [Felina no Brasil] e o ex-X-Men Fera) precisam buscar a Coroa da Serpente, um artefato místico de grande poder que tem origem nos Lemurianos, parentes dos Atlantes de Namor. Esta grande história também marcou o início da longa temporada de George Perez como desenhista da revista.

Jack Kirby traz um pouco dos velhos tempos às capas.

Jack Kirby traz um pouco dos velhos tempos às capas.

Outro ponto interessante sobre A Saga da Coroa da Serpente é que, na época, já entrando no ano de 1976, o desenhista Jack Kirby, cocriador dos Vingadores, estava de volta à Marvel, e passou a fazer as capas da revista Avengers durante praticamente um ano inteiro. A arte interna das revistas, contudo, permanecia com George Perez, um jovem desenhista que teria sua carreira bastante vinculada à equipe e seria o seu principal ilustrador ao longo de todo o restante da década.

O curioso é que apesar de Fera, Felina e Serpente da Lua estarem envolvidos ao longo de todo o arco, ainda são tratados como “convidados”.

Na complexa trama de Englehart, além do artefato místico criado pelos Lemurianos, temos a empresa Roxxon Oil interessada no uso da Coroa da Serpente e sua ligação com outra empresa, a Corporação Brand – que serve de mote para a entrada do Fera, que era cientista da empresa. Nos capítulos finais, outros atores entram na disputa pelo objeto: o Esquadrão Sinistro.

Esta é a melhor aventura dos Vingadores contra o Esquadrão Sinistro, tanto porque desta vez a equipe viaja até a dimensão onde os vilões vivem; quanto pelo fato de que desta vez a trama não faz nenhuma questão de esconder que os vilões são uma “cópia” (homenagem?) à Liga da Justiça da concorrente DC Comics. Assim, há um grande quebra pau dos heróis contra Hyperion (o Superman), que é o mais poderoso de todos! Outro brinde é ver as capas de Jack Kirby para o confronto.

O Esquadrão Supremo na arte de Jack Kirby.

O Esquadrão Supremo na arte de Jack Kirby.

A batalha entre as equipe eclode principalmente nas edições 147 e 148.

Após o fim do arco, em Avengers 148, Steve Englehart escreveu um arco menor comemorando o 150º número da revista. Inclusive, Avengers 150 trouxe uma grande retrospectiva da carreira da equipe, mostrando sua fundação e evolução, como parte de uma trama na qual a imprensa rememora a história dos heróis enquanto esses buscam uma renovação da equipe.

A renovação, claro, é puro marketing: Thor (que era o líder de então) decide sair; Felina aceita ser membro, mas decide sair para dar um jeito em sua vida pessoal; a Serpente da Lua também sai em busca de autoconhecimento; de modo que a equipe prossegue com Homem de Ferro (como novo líder – e o será pelo resto da década), Capitão América, Fera, Feiticeira Escarlate, Visão, Jaqueta Amarela e Vespa. Em Avengers 151, quando o time anuncia a “nova” formação, é atacada por Magnum (Wonder-Man), que estava “morto” desde Avengers 09, lá atrás em 1964.

Avengers 150 encerra uma era.

Avengers 150 encerra uma era.

É o fim da longa e riquíssima fase de Steve Englehart à frente dos Vingadores. Cansado do ritmo alucinante de escrever várias revistas em quadrinhos ao mesmo tempo, Englehart decidiu abandonar a indústria, se aposentar e sair da Marvel. Contudo, a concorrente DC Comics lhe fez uma proposta irrecusável financeiramente, ele passou mais um ano escrevendo histórias de Batman, Superman, Lanterna Verde e Liga da Justiça. E, novamente, não fez feio. Para muitos fãs e críticos, as histórias do homem-morcego que escreveu são as melhores entre todas àquelas existentes do personagem.

Englehart voltaria à Marvel apenas nos meados dos anos 1980.

Uma pausa para respirar

Bela capa de Jack Kirby para Avengers 156.

Bela capa de Jack Kirby para Avengers 156.

O lugar de Englehart nos Vingadores foi ocupado de modo breve por Gerry Conway (famoso escritor do Homem-Aranha). Infelizmente, a passagem de cerca de um ano de Conway pelos Vingadores não foi marcante. Em grande parte, o feito mais notável foi a introdução de Magnum como um membro da equipe, desenvolvendo a trama que criara em parceria (creditada) com Englehart em Avengers 151.

Na trama, o Magnum acusa o Visão de ter roubado a sua mente – afinal, o Visão foi construído pelo vilão Ultron para destruir os Vingadores e teve sua inteligência artificial incrementada com os padrões cerebrais de Simon Williams, o Magnum. Apesar desse conflito inicial, Magnum rapidamente se adequa à equipe e se torna um membro fixo. Outro personagem que ganha espaço é o velho herói Ciclone (Whizzer), que pensa ser o pai da Feiticeira Escarlate e de Mercúrio. O idoso não é membro dos Vingadores, claro, mas aparece várias vezes e chega a ajudá-los.

Magnum contra Visão em capa desenhada por Jack Kirby.

Magnum contra Visão em capa desenhada por Jack Kirby.

A temporada de Conway culmina em uma batalha contra o Dr. Destino. O interessante é que George Perez esteve ausente a maior parte da temporada, com Conway preferindo trabalhar com desenhistas mais veteranos, como John Buscema e Don Heck que desenham cerca de duas edições cada um. As capas continuavam na arte maravilhosa de Jack Kirby, que encerra o ciclo na edição 158, a primeira edição escrita pelo novo comandante da revista.

Por fim, um detalhe: Avengers 157 trouxe capa de Kirby com desenhos internos de Heck, como eram os Vingadores de 1965 e 1966!

A Fase de Jim Shooter

Os Vingadores dos anos 1970 na arte de George Perez: Fera, Miss Marvel, Jocasta, Homem de Ferro, Visão, Magnum e Capitão América.

Os Vingadores do fim dos anos 1970 na arte de George Perez: Fera, Miss Marvel, Jocasta, Homem de Ferro, Visão, Magnum e Capitão América.

Em Avengers 158, de 1977, dá-se início à cultuada fase de Jim Shooter à frente dos maiores heróis da Terra. De fato, após a “pausa” de Conway, a temporada de Shooter é uma fase dourada, uma das melhores, mais lembradas e importantes da equipe.

Shooter tinha apenas 25 anos, mas era um jovem bastante experiente que começou a vender roteiros para a DC aos 13 anos de idade, fazendo a Legião dos Super-Heróis um dos maiores sucessos do fim dos anos 1960 (a editora não sabia sua idade, pois recebia os textos pelo correio).

Shooter produziu uma série de clássicos com os Vingadores, como os arcos A Noiva de Ultron (que apresentou a personagem Jocasta) na qual o robô “filho” de Hank Pym e obcecado pela Vespa, cria uma companheira para si; A Trilogia de Nefária,na qual o velho vilão reúne uma nova Legião Letal e termina se tornando tão poderoso quanto Thor; e A Saga de Korvac. Para muitos, esta é uma das melhores históriasdos Vingadores em todos os tempos, uma grande aventura contra um inimigo de poderes quase infinitos e, portanto, invencível.

O Ceifador põe a questão : quem é o verdadeiro Simon Williams.

O Ceifador põe a questão : quem é o verdadeiro Simon Williams.

Shooter também trouxe a introdução de novos membros, como o ressuscitado Magnum; o parceiro do Capitão América Falcão (outro afrodescendente) e a Miss Marvel Carol Danvers, além de trazer de volta o Gavião Arqueiro, sumido há muitos anos. Também introduziu o irrascível Henry Peter Gyrich, o contato entre os Vingadores e o Governo dos EUA, personagem que se mostra quase um vilão.

A temporada começa em Avengers 158 e 159 com a introdução de um vilão menor, Graviton, contando com desenhos de Sal Buscema. A aventura serviu para trazer o Pantera Negra de volta à equipe, tornando-se um membro efetivo pela primeira vez desde muito tempo.

Em Avengers 160, George Perez está de volta aos desenhos (e fazendo as capas desta vez) e o melhor da festa pode começar. Primeiramente, Shooter transformou o Magnum em um personagem de verdade e um protagonista da série a partir de então. Ao saber da volta de seu irmão, o vilão Ceifador (Eric Williams) invade a Mansão dos Vingadores e derrota a equipe para promover um julgamento na qual o Pantera Negra terá que decidir quem é o verdadeiro Simon Williams: Magnum ou o Visão.

A revista aproveita para recontar detalhadamente as origens de cada um deles, mas o Visão é categórico em afirmar que, apesar de ter sua mente construída a partir da de Magnum, é um indivíduo à parte. No fim, o Pantera Negra concorda e o Ceifador tenta matar o Visão, no que é impedido pelo irmão Magnum. Esta história, porém, faz o Magnum refletir sobre a possibilidade da morte e, a partir de então, desenvolve um tipo de fobia pela morte, o que o torna um tipo de herói “covarde“, algo que Shooter vai explorar bastante nas próximas edições.

Avengers 162 traz A Noiva de Ultron.

Avengers 162 traz A Noiva de Ultron.

A seguir, veio o arco A Noiva de Ultron, entre Avengers 161 e 163, na qual o robô assassino está de volta, domina a mente de seu “pai” Hank Pym, lançando-o contra os Vingadores na identidade de Homem-Formiga. Ao mesmo tempo, Ultron repete o processo que o criou e constrói uma companheira para si, que chama de Jocasta em homenagem à personagem da mitologia grega que se apaixona pelo próprio filho. Mas no caso, Jocasta tem os padrões cerebrais de Janet Van Dyne, a Vespa, que é “mãe” de Ultron.

Contudo, repetindo a própria história do Visão, Jocasta termina se voltando contra Ultron e se alia aos Vingadores. Em breve, ela seria membro da equipe.

Thor versus Nefaria na bela arte de John Byrne.

Thor versus Nefaria na bela arte de John Byrne.

Sem deixar o leitor respirar, Shooter emenda a Trilogia Nefaria, na qual o velho vilão Conde Nefária – surgido em Avengers 13 e desde então mais útil a personagens como X-Men e Homem de Ferro – reúne uma nova encarnação da Legião Letal, com Poderoso, Tufão e Laser Vivo. O trio quase vence os Vingadores, mas na verdade é enganado por Nefária, que descobre uma maneira de roubar os poderes deles. Assim, Nefária emerge como um ser de poder quase absoluto: superforte, rápido e capaz de voar. Alguém capaz de vencer Thor (que retorna à equipe para ajudá-los) e Magnum facilmente.

Novamente, Shooter explora a temática Vingadores versus Superman, mas desta vez com um personagem 100% Marvel. A equipe só vence o oponente mediante um ataque bem articulado explorando as habilidades da equipe (ou do Visão, da Feiticeira Escarlate e Thor, mais precisamente). A Trilogia Nefária, além de um grande quebra-pau como só os Vingadores dos anos 1970 eram capazes de fazer, é belamente ilustrada por John Byrne, que já então emergia como um dos principais desenhista da Marvel.

A Morte de Adam Warlock: pico da saga cósmica de Jim Starlin.

A Morte de Adam Warlock: pico da saga cósmica de Jim Starlin.

Enquanto saía este arco também chegou às bancas outra das mais famosas e melhores aventuras dos Vingadores: o arco A Morte de Adam Warlock, pelas habilidosas mãos do escritor e roteirista Jim Starlin, publicadas em Avengers Annual 07 e Marvel Two-in-One Annual 2, de 1977. Tendo em vista o cancelamento da revista de Adam Warlock – super-herói cósmico de aventuras alucinantes que não caiu no gosto do público – a Marvel deu considerável espaço para Starlin encerrar a história do personagem.

E Starlin merecia. Artista jovem, começou fazendo trabalhos pequenos na Marvel, mas logo assumiu os textos também e virou o principal nome da seção cósmica da editora, comandando os títulos de Warlock e do Capitão Marvel. Este já velho aliado dos Vingadores também exerce um papel fundamental na trama de A Morte de Adam Warlock. Na história, o supervilão Thanos armou-se de um verdadeiro exército para cumprir a mais sórdida das missões: matar o maior número de seres vivos possíveis para agradar sua amada, a entidade Morte em pessoa!

Adam Warlock versus o vilão Thanos, por Jim Starlin.

Adam Warlock versus o vilão Thanos, por Jim Starlin.

Para isso, Thanos comanda uma frota interestelar a bordo de uma nave gigantesca e sai de sistema solar em sistema solar explodindo os sóis e destruindo os planetas à sua volta. No caminho Thanos encurrala os aliados de Adam Warlock – então, seu maior oponente – e mata Gamora e Pip, o troll. Warlock vem à Terra e solicita a ajuda dos Vingadores, ao mesmo tempo em que o Capitão Marvel e a Serpente da Lua presentem um grande mal iminente.

Os Vingadores atacam a nave de Thanos, na arte de Jim Starlin.

Os Vingadores atacam a nave de Thanos, na arte de Jim Starlin.

No ataque a Thanos, Warlock é morto pelo vilão e os Vingadores são capturados. A equipe vai precisar de uma forcinha cósmica que leva a ajuda do Homem-Aranha e do Coisa (do Quarteto Fantástico); e com o reforço podem encarar Thanos. Texto ágil e a bela arte de Starlin no auge.

Um clássico atemporal!

Korvac: uma das melhores aventuras da equipe.

Korvac: uma das melhores aventuras da equipe.

De volta à revista de linha dos Vingadores, Jim Shooter começa a desenvolver uma trama bastante detalhada naquele estilo consagrado por Roy Thomas e Steve Englehart em que pequenas ações vão se somando e se conectando para formar uma tessitura mais complexa à frente.  Em Avengers 167, Shooter (e George Perez) dão início à Saga de Korvac, para muitos a melhor de todas as aventuras dos Vingadores!

Na trama, os Vingadores encontram os Guardiões da Galáxia, um grupo cósmico de heróis advindos do século 31 e que voltaram ao passado em busca do vilão Korvac, um humano que foi transformado em máquina pelos alienígenas Baldoon. O que eles não sabem (e o texto entrega logo para o leitor) é que Korvac invadiu uma nave pertencente a Galactus e ao se conectar nela terminou bombardeado de puro poder cósmico. Isso transformou Korvac em um ser tão poderoso quanto… Deus!

Os planos de Korvac, na verdade, nunca ficam inteiramente claros, mas ele vem à Terra e adota a identidade de alguém chamado Michael, passando a morar em uma bela mansão em Forrest Hills, subúrbio de Nova York, e até arranja uma esposa na figura da bela  Carina, uma ex-modelo.

Enquanto isso, Ultron faz um breve retorno – em Avengers 171 – tentando reaver Jocasta, que andava com os Vingadores, mas desta vez, o robô é uma ameaça menor porque seu criador, o Jaqueta Amarela, encontrou uma maneira de deixar os Vingadores imunes à energia do vilão. Ainda assim, a equipe conta com o reforço da Miss Marvel, que passa a integrar a equipe informalmente.

O Colecionador é desafiado pelo Gavião Arqueiro.

O Colecionador é desafiado pelo Gavião Arqueiro. Arte de David Wenzel.

É interessante como Jim Shooter encontrou uma forma de reunir a equipe mais numerosa de Vingadores em todos os tempos para atuar nessa saga, fazendo isso ser parte da trama. Percebendo que algo grandioso se aproxima, vários membros reservas vão surgindo e se agregando: o Pantera Negra retorna; Viúva Negra e Hércules haviam acabado de deixar os Campeões e retornam; o Gavião Arqueiro também retorna após um longo período.

Assim, a partir de Avengers 173, em 1978, os Vingadores contam o seguinte supertime: Homem de Ferro (ainda o líder), Capitão América, Thor, Hércules, Mercúrio, Jocasta, Visão, Feiticeira Escarlate, Miss Marvel, Serpente da Lua, Magnum, Vespa, Jaqueta Amarela, Pantera Negra e Gavião Arqueiro, contando ainda com a ajuda temporária de Two-Gun e Capitão Marvel. Mais alguém?

Korvac elimina os Vingadores um a um numa das maiores batalhas da equipe. Arte de David Wenzel.

Korvac elimina os Vingadores um a um numa das maiores batalhas da equipe. Arte de David Wenzel.

Os Vingadores localizam e confrontam o Colecionador, um velho vilão da Marvel, surgido lá atrás em Avengers 28. Um alienígena parte dos Anciões do Universo, a raça mais antiga do cosmos. Ele estava capturando vários heróis para sua coleção de espécimes formidáveis no cosmos. Após uma batalha, a equipe termina descobrindo que o Colecionador estava, na verdade, tentando ajudar os Vingadores a combater uma ameaça que podia rasgar o próximo tecido do cosmos e destruir a realidade. Porém, Korvac descobre que Carina é na verdade a filha do Colecionador e destrói o vilão apenas com um pensamento, antes que ele possa contar aos Vingadores quem é a ameaça.

Apesar de ver o pai morto pelo marido, Carina está apaixonada por Korvac e não consegue traí-lo, permanecendo ao seu lado.

Outro ponto interessante sobre Avengers 173 é que é a primeira edição na qual Jim Shooter assina como Editor-Chefe da Marvel, ocupando o mais alto cargo da redação da editora. Sua gestão duraria quase 10 anos e seria marcada pela polêmica, mas ainda assim, corresponde a uma das melhores fases da Marvel em sua história. A editoria da revista dos Vingadores é assumida por Roger Stern (que mais tarde seria um importante escritor também) e Shooter passou a ter menos tempo para se dedicar aos roteiros, de modo que passa a assinar em colaboração com outros escribas, como Bill Mantlo e, principalmente, David Michelinie, o roteirista da revista solo do Homem de Ferro, que se torna o seu grande parceiro.

Ao mesmo tempo, o desenhista George Perez começa a se desligar dos Vingadores – ele estava de mudança para a DC Comics, onde desenharia a Liga da Justiça e os Novos Titãs – e os desenhos começam a intercalar outros artistas, como Sal Buscema e David Wenzel. Ainda assim, todas as capas da Saga de Korvac são de autoria de Perez.

Rastreando o traço de energia que matou o Colecionador, os Vingadores terminam encontrando a casa de Michael e Carina em Forrest Hills. Mas eles parecem um casal normal. Ainda assim, 16 vingadores se deslocam ao endereço ladeados pelos Guardiões da Galáxia, na climática Avengers 176, por Shooter, Michelinie e Wenzel. Os heróis são quase enganados até o guardião Starhawk perceber que não enxerga o tal Michael – porque o havia encontrado antes e o vilão bloqueou sua mente para percebê-lo.

Tem início uma feroz batalha, mas Korvac é um deus e não pode ser detido. Todos os Guardiões da Galáxia são mortos, bem como alguns vingadores, como Mércurio, Jaqueta Amarela, Capitão Marvel, Pantera Negra, Vespa, Jocasta, Capitão América e Magnum. Isso mesmo, todo mundo morre!

O fim da batalha: só Thor e Serpente da Lua sobram.

O fim da batalha: só Thor e Serpente da Lua sobram.

Em meio a um ataque de Serpente da Lua, Starhawk, Homem de Ferro e Thor, Korvac simplesmente desiste de lutar – ao perceber o mal que estava fazendo – e morre. Carina fica enlouquecida e ainda mata Starhawk, Visão e o Homem de Ferro, antes de ser detida por Thor e Serpente da Lua, os dois únicos a ficarem de pé.

No fim, tudo acaba muito abruptamente e fica implícito de que ao morrerem, Korvac e Carina devolveram a vida aos heróis mortos – todos voltam – mas A Saga de Korvac termina com Thor voltando à identidade do médico Donald Blake para salvar os companheiros que jazem no chão. Parece suspense, mas a trama simplesmente não é mais retomada.

Ao longo da Saga de Korvac, o texto de Shooter já deixava claro alguns elementos messiânicos, e o final reforça isso, quando a Serpente da Lua percebe que Korvac poderia ter “salvo o universo”, o que faz Thor se questionar que Korvac era o mocinho e os Vingadores eram os vilões!

Infelizmente, esse é o maior defeito da Saga de Korvac: a história acaba “de uma vez”, abruptamente, sem desenvolver bem suas consequências e implicações. Uma pena!

Em Avengers 178 estão todos recuperados e bem; e se inicia um pequeno ciclo no qual vários escritores e desenhistas (Steve Gerber e Carmine Infantino, entre eles) desenham histórias “tapa-buracos” com os Vingadores antes da revista voltar de verdade. O que aconteceu, fica parecendo algum tipo de decisão editorial de bastidores.

Michelline e Byrne revelam que Mercúrio e Feiticeira Escarlate são filhos do vilão Magneto.

Fim dos anos 1970

Após Jim Shooter deixar a revista para ser o Editor-Chefe da Marvel, os Vingadores perdem um pouco o pique frenético que trouxeram nos últimos anos.

Embora possa ser tomada como um tipo de fase de transição, ainda assim, a temporada de David Michelinie como escritor da equipe tem momentos muito bons.

Aparentemente escrevendo sob a supervisão atenta de Shooter, Michelinie inicia com uma “limpeza” da equipe. Afinal, para deter Korvac, os Vingadores reuniram um time de 16 membros! Henry Peter Gyrich entra em cena e diz que, para os Vingadores retomarem suas credenciais especiais do Governo dos EUA, precisam se submeter a algumas regras: mais segurança na Mansão dos Vingadores e um time mais enxuto de heróis, com sete membros fixos, podendo-se recorrer a extras caso alguma missão exija.

Avengers 181 traz 16 Vingadores e os Guardiões da Galáxia: hora de uma faxina. Arte de John Byrne.

Avengers 181 traz 16 Vingadores e os Guardiões da Galáxia: hora de uma faxina. Arte de John Byrne.

Assim, Avengers 181, de 1978, novamente com desenhos do mestre John Byrne, faz emergir uma nova equipe oficial: Homem de Ferro (continuando como líder), Visão, Capitão América, Feiticeira Escarlate, Fera, Vespa e o Falcão. Este último era a grande novidade: Gyrich o colocava na equipe explicitamente como “cota étnica“, pois o Pantera Negra não estava disponível.

Apesar de o Homem de Ferro e o Capitão América questionarem a decisão – argumentando que os Vingadores já estavam cheios de minorias: mutantes, andróides e superhumanos – terminam cedendo. Quem não aceita de jeito nenhum é o Gavião Arqueiro, que queria estar na equipe de qualquer jeito.

Ainda assim, vai demorar algum tempo para o Falcão chegar ao grupo, de modo que o Gavião Arqueiro e Mercúrio se envolvem na aventura seguinte, que traz o feiticeiro Django Maximoff sequestrando a alma de Mercúrio e de sua irmã Feiticeira Escarlate. É o início do arco Cavaleiros de Wundagore, que vai explorar as origens da dupla de heróis.

Na trama, Django Maximoff não se mostra maligno, apenas alguém desesperado para retomar o contato com os filhos. Mas Wanda e Pietro pensam que são filhos dos heróis da II Guerra Mundial Ciclone (Whizzer) e Miss America (já falecida). Intrigados com a “revelação”, os dois irmãos decidem ir à Europa Oriental junto com Django para averiguar sua história.

Há uma pequena pausa em Avengers 183 e 184, na qual os Vingadores confrontam o Homem-Absorvente, contando com a ajuda de Miss Marvel e do Gavião Arqueiro, juntamente com a entrada oficial do Falcão.

A Feiticeira Escarlate é dominada e se volta contra a equipe. (Só a primeira vez...).

A Feiticeira Escarlate é dominada e se volta contra a equipe. (Só a primeira vez…).

A saga Noites de Wundagore prossegue em Avengers 185, quando vemos Feiticeira Escarlate e Mercúrio chegando ao fictício país da Trânsia indo em direção à Montanha de Wundagore, base do vilão Alto Evolucionário, velho personagem opositor ao Thor, um cientista que faz experimentos com a evolução humana. Mas a dupla é atacada pelo mago Mordred e pela entidade Chton, que se apossa da Feiticeira Escarlate, obrigando Mercúrio a chamar os Vingadores para ajudá-los.

Bova explica a nova origem de Feiticeira  Escarlate e Mercúrio.

Bova explica a nova origem de Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

Enquanto isso, Bova – uma vaca com inteligência, evoluída pelo Alto Evolucionário – conta a Pietro sua história: Robert e Madeline Frank, os heróis Ciclone e Miss Marvel, chegaram a Wundagore há muitos anos, com ela grávida de gêmeos, mas os bebês nasceram mortos. Miss America  morreu no parto e Ciclone não suportou a notícia. Ao mesmo tempo, uma mulher chamada Magda chegou à montanha, também com dois filhos gêmeos, os deixou lá e fugiu. Bova, então, entregou as crianças a Django Maximoff.

Não é revelado explicitamente que Feiticeira Escarlate e Mercúrio são filhos do vilão Magneto, mas os conhecedores do universo Marvel puderam ligar os pontos. A revelação oficial se daria mais tarde.

Este arco encerra uma fase na carreira dos Vingadores.

Um Fase de Transição

A partir de Avengers 189, de 1979, tem-se início uma longa fase de transição da equipe. Por praticamente dois anos, os Vingadores não tiveram um time criativo verdadeiramente fixo, o que impactou severamente na qualidade das histórias. Assim, depois de dois anos de aventuras excepcionais ininterruptas por Jim Shooter e David Michelinie, a bola caiu, mesmo que ambos ainda estivessem envolvidos.

Vários roteiristas passaram pela revista, como Steve Grant, Bill Mantlo, J.M. DeMatteis e Bob Layton, e até o desenhista George Perez contribuiu com textos. Entre os desenhistas, também um batalhão de nomes passou pela revista nos próximos meses, como John Byrne, Arwell Jones, Carmine Infantino, Sal Buscema, Bob Hall, o próprio George Perez, embora tenha sido o talentosíssimo Gene Colan quem fez uma passagem mais duradoura.

A polêmica história de Avengers 200, com Miss Marvel e e Marcus: revolta de fãs e escritores.

A polêmica história de Avengers 200, com Miss Marvel e e Marcus: revolta de fãs e escritores.

O feito mais notável foi Avengers 200, de 1980, que trouxe uma história escrita por Jim Shooter, George Perez, Bob Layton e David Michelinie, com desenhos de Perez, e uma trama assustadora. Miss Marvel simplesmente fica grávida de uma hora para outra, sem uma concepção, e passa por uma gestação de nove meses em apenas alguns dias. A criança nasce e vira um adulto em poucas horas. Sem nada dizer, a “criança” começa a construir uma máquina misteriosa na Mansão dos Vingadores. Supondo ser uma ameaça, a equipe o ataca e destrói o aparelho.

Só então a “criança” se apresenta como Marcus, filho de Immortus, o mestre do tempo, explicando que fez aquilo para escapar do Limbo. Mas a destruição da máquina o levaria de volta para aquela dimensão. Miss Marvel se sente atraída por Marcus e resolve segui-lo, sendo ambos tragados pelo Limbo.

Miss Marvel e Feiticeira Escarlate discutem os feitos polêmicos de Marcus.

Miss Marvel e Feiticeira Escarlate discutem os feitos polêmicos de Marcus.

A trama causou estranheza não apenas nos leitores, mas especialmente em alguns roteiristas também. Chris Claremont, por exemplo, que escreveu várias aventuras da revista solo da Miss Marvel, não aceitou a trama. Por isso, a ele foi dada a chance de reverter a história: Avengers Annual 10, de 1982, com textos de Claremont e desenhos de Michael Golden, iria mostrar mais tarde que Miss Marvel foi hipnotizada por Marcus e que não queria ir para o Limbo, ficando ainda bastante chateada porque os Vingadores simplesmente a deixaram ir e não lhe deram suficiente aparo após ficar grávida e dar a luz em poucos dias!

Esta mesma aventura também introduziu a vilã Vampira (Rogue), que rouba os poderes de Carol Danvers, a Miss Marvel. Como resultado, Danvers se transformaria em uma personagem coadjuvante da revista dos X-Men, que Claremont escrevia há época, e ganharia novos poderes cósmicos, passando a se chamar Binária. Anos depois, Vampira mudaria de lado e viraria uma das mais famosas membros dos X-Men.

Ultron outra vez.

Ultron outra vez.

Mas antes disso, a saga continua. Avengers 201 e 202 trazem Jim Shooter e George Perez brevemente de volta à revista com mais uma batalha contra Ultron, mas sem o brilho das anteriores. Mas este arco encerra a longa colaboração de Perez com os Vingadores, com o artista passando a brilhar nos Novos Titãs da DC Comics.

Quem quer entrar? Eu!

Quem quer entrar? Eu!

Shooter retornaria de novo, agora com desenhos de Gene Colan, para um pequeno arco que se inicia em Avengers 211 e traz a queda de Hank Pym. Naquela primeira edição, temos uma reformulação da equipe. Decidido a reformar o time, o Capitão América convoca novos integrantes, mas a Serpente da Lua resolve dominar a mente de vários heróis e colocá-los uns contra os outros na Mansão dos Vingadores, para “ajudar” na escolha. Essa ação abala a confiança nela. De qualquer modo, Cristal, Hércules, Viúva Negra, Cavaleiro da Lua, Tigresa e o ex-X-Men Anjo se apresentam. Já Magnum, Fera, Visão, Feiticeira Escarlate e Jocasta decidem se afastar, encerrando temporariamente seus vínculos com a equipe depois de muitos anos.

No caso específico de Visão e Feiticeira Escarlate, o casal vai viver no interior do Estado de Nova York, afastados de uma vida heróica.

No fim das contas, a nova equipe emerge com Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Vespa, Jaqueta Amarela e Tigresa.

Em Avengers 212, por Shooter e o desenhista Bob Hall, a equipe enfrenta a Elfqueen, uma feiticeira. No meio da batalha, o Capitão América percebe que ela não é uma vilã, apenas está mal orientada, e consegue acalmá-la. Contudo, o Jaqueta Amarela, aparentemente sem motivos, ataca a feiticeira e a batalha recomeça. Com tudo resolvido, depois, a edição seguinte traz os Vingadores realizando uma Corte-Marcial para julgar o comportamento de Hank Pym.

A Queda de Hank Pym, o Jaqueta Amarela.

A Queda de Hank Pym, o Jaqueta Amarela.

O herói se descontrola e ataca a equipe, sendo expulso. Nas edições seguintes, vemos o Jaqueta Amarela construindo um novo robô para atacar os Vingadores, de modo que só ele pudesse derrotá-lo e ganhar a simpatia da equipe. Vespa se nega a fazer parte disso e é agredida pelo marido. Com isso, o casamento dos dois chega ao fim!

Em Avengers 217, o Jaqueta Amarela termina se aliando ao seu velho vilão, o Cabeça de Ovo (Egghead) e ataca novamente a equipe, terminando com Hank Pym preso por roubo! Para superar os acontecimentos, a Vespa se propõe como a nova líder da equipe e é aceita.

Avengers 222, com Mulher-Hulk e Gavião Arqueiro.

Na edição 221, de 1982, o grupo sofre outra renovação com a saída de vários membros e uma nova formação com Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Vespa, Gavião Arqueiro e Mulher-Hulk. Um curiosidade é que vários outros personagens da Marvel são convidados na história, mas negam, como o Homem-Aranha e a mutante Cristal. Algumas edições à frente, o Cavaleiro Negro reforça o time. As tramas, continuam a explorar a queda de Hank Pym, numa trama muito interessante que explora as constantes mudanças de nome e uniforme de Hank Pym (Homem-Formiga, Gigante, Golias, Jaqueta Amarela). Fica evidente o problema de identidade de Pym, que se revela esquizofrênico.

Enfim, a revelação de que Magneto é o pai da Feiticeira Escarlate e de Mercúrio.

Enfim, a revelação de que Magneto é o pai da Feiticeira Escarlate e de Mercúrio.

Enquanto isso, a Marvel publicava a minissérie The Vision & The Scarlet Witch, em quatro capítulos escritos por Bill Mantlo e desenhados por Rick Leonardi, entre o fim de 1982 e o início de 1983. É no último capítulo desta história que finalmente Wanda e seu irmão Pietro descobrem que o vilão Magneto é seu verdadeiro pai. Magneto aparece para os filhos (por causa do nascimento de Luna, a filha de Mercúrio com a inumana Crystalis) e revela a verdade, citando o mistério acerca de Magda, a mãe deles conforme descobriram algum tempo antes, que era a primeira esposa do vilão.

A Fase de Roger Stern

O Visão e a Capitã Marvel na arte de Al Migron.

O Visão e a Capitã Marvel na arte de Al Migron.

Em 1983, a revista passou ao comando de Roger Stern, que também escrevia o Homem-Aranha e o Capitão América, e já tinha sido editor da revista nos tempos áureos de Jim Shooter. Stern produziu uma longa (e memorável) passagem. Coube a ele renovar e trazer de volta o brilho que a equipe perdera nos últimos anos. E fez isso de maneira espetacular. O único “senão” do início de sua temporada é o fato de trabalhar com o desenhista Al Migron, que tinha uma arte generalizada e sem graça.

Em primeiro lugar, o escritor criou uma trama para redimir um pouco Hank Pym, que enfrenta seu julgamento, entre Avengers 228 e 230, mas termina salvando toda a equipe de um ataque de um de seus velhos vilões Egghead (Cabeça de Ovo, no Brasil), que reúne uma nova versão dos Mestres do Terror, com Rocha Lunar, Homem-Radioativo, Tubarão Tigre e Besouro.

Stern também aproveitou o momento para incluir um novo membro: a Capitã Marvel, Monica Rambeau, uma afrodescendente capaz de se transformar em luz, personagem que ele mesmo havia criado anteriormente, numa aventura do Homem-Aranha. Ela seria uma importante integrante dos Vingadores pelo restante da década. Um outro membro viria logo em seguida: Starfox, o meio irmão de Thanos, que ingressa no time na edição 232.

As edições seguintes trazem o Visão e a Feiticeira Escarlate de volta à equipe, mas o sintozóide fica “em coma” após um ataque e só sua esposa permanece ativa. Inclusive, toda a biografia de Wanda Maximoff é contada a Capitã Marvel na edição 234, inclusive, a revelação de que ela e seu irmão, Mercúrio, são filhos de Magneto.

A semente para o primeiro grande arco de Roger Stern se inicia em Avengers 238, com Vision Unlimited, na qual o sintozoide sai parcialmente de seu coma e passa a se projetar como um holograma, ao mesmo tempo em que se funde com o computador alienígena de Titã, ISAAC, lar de Starfox. Este é o momento em que o Gavião Arqueiro apresenta à equipe sua noive, Harpia, que havia estrelado com ele a minissérie Hawkeye, algum tempo antes. Imediatamente, Harpia passa a agir ao lado do grupo, embora não como uma membro regular.

O Visão se torna líder dos Vingadores.

O Visão se torna líder dos Vingadores.

Em Avengers 242, de 1984, o Visão sai totalmente do coma e volta a andar e a equipe estranha seu comportamento agressivo e autoritário, mas é neste ponto em que os Vingadores vão investigar uma grande fonte de energia que apareceu no Central Park e terminam desaparecendo. É o gancho para Guerras Secretas, a maxissérie em 12 capítulos escrita por Jim Shooter e desenhada por Mike Zeck, na qual os principais heróis e vilões do Universo Marvel são levados para um outro planeta para lutarem uns contra os outros. A série já estava sendo publicada na época. A história em si não teve impacto imediato para os Vingadores e sim para outros: o Homem-Aranha adotou o uniforme negro e o Coisa deixou o Quarteto Fantástico, por exemplo. A série também introduziu o vilão Beyonder, um ser cósmico de poder incomensurável que estava por trás de tudo.

Apesar das 12 edições de Guerras Secretas, os Vingadores ausentes já retornam em Avengers 243, mas surpreendentemente, a Vespa acata a autoproclamação do Visão como líder da equipe e lhe passa o cargo. (O motivo é que ela havia sido morta em Guerras Secretas e estava relutante de sua carreira de heroína). As edições 242 e 243 também mostram que o Visão se tornaria capaz se conectar com todos os computadores da Terra. Tal ação causaria mal-estar do Governo dos EUA. A Mulher-Hulk deixa a equipe para substituir o Coisa no Quarteto Fantástico; enquanto o Visão sugere a criação de uma nova equipe de Vingadores, baseada na Costa Oeste, para combater a ameaça alienígena de Dire Wraiths.

A formação original dos Vingadores da Costa Oeste.

A formação original dos Vingadores da Costa Oeste.

Nasce assim os Vingadores da Costa Oeste (The West Coast Avengers), que estrearão em uma minissérie em quatro edições, publicada em 1984, em quatro capítulos, com textos de Roger Stern e desenhos de Bob Hall. O grupo é formado por Gavião Arqueiro (como líder), sua esposa Harpia, Tigresa, Magnum e o Homem de Ferro, que nesta ocasião não é Tony Stark, mas seu amigo James Rhodes em seu lugar. Na época, Stark vivia sua pior crise de alcoolismo e estava incapacitado a agir, cabendo a Rhodes ser o Homem de Ferro.

O arco Absolute Vision traz a queda do Visão.

O arco Absolute Vision traz a queda do Visão.

Avengers 246 a 248 mostra uma aventura dos Vingadores ao lado dos Eternos, grupo de seres superpoderosos criados por Jack Kirby nos anos 1970 e, desde então, meio esquecidos dentro do Universo Marvel. A feiticeira Sersi é o destaque da aventura, criando aqui um grande laço com a equipe. Essa aventura também coloca o semideus Hércules retornando à equipe, para uma estadia mais longa, após breves passagens nos anos 1960 e 1970.

Em seguida, Avengers 250, de 1984, traz o primeiro encontro entre a equipe principal e os Vingadores da Costa Oeste, contra o vilão Maelstrom.

A semente plantada lá atrás em Avengers 238 se desenvolve entre Avengers 251 e 254, o Arco Absolute Vision, por Roger Stern e tendo a estreia de Bob Hall como desenhista da revista, que mostra o Visão articulando com ISAAC tomar o controle de todos os computadores da Terra e construir um paraíso. Para tanto, ele envia os Vingadores para uma missão em busca de uma das velhas naves de Thanos, enquanto avança seu plano. O estopim é quando sua casa no interior é incendiada por causa de odiadores dos mutantes, a raça de sua esposa Wanda. Contudo, Dane Whiteman, o Cavaleiro Negro, chega à Mansão dos Vingadores e descobre os planos do sintozoide, avisando seus colegas, que invadem a base e derrotam o seu líder. O Visão remove a anomalia que causou seus distúrbios e sairia da equipe, junto com a esposa na edição seguinte.

John Buscema de volta

Aliança forçada com os Skrulls. Arte de John Buscema.

Aliança forçada com os Skrulls. Arte de John Buscema.

Avengers 255 dá início à longa temporada em que Roger Stern é acompanhado pelo célebre desenhista John Buscema, de volta à equipe mais uma vez. Dessa vez, Buscema ficaria outra temporada tão longa quanto àquela superclássica dos anos 1960. Coincidência ou não, esta edição dá início a uma fase mais “espacial” para equipe. A trama se divide em duas: enquanto a Capitã Marvel está no espaço investigando a velha nave de Thanos, o Santuário – ver lá atrás em Avengers Annual 07 – e se depara com um grupo de mercenários espaciais, o restante da equipe está na Terra lidando com as consequências das ações do Visão.

Enquanto o Visão e a Feiticeira Escarlate se afastam da equipe para viverem uma vida normal, o grupo se reestrutura com a efetivação de Hércules e do Cavaleiro Negro, que passam a compor o time principal juntamente a Vespa (novamente como líder), o Capitão América e Starfox. Esse novo time estreia enfrentando o gigantesco Terminus na Terra Selvagem, em Avengers 256 e 257. Esta última edição também traz a primeira aparição da vilã Nebula, que se revela a líder dos piratas espaciais espionados pela Capitã Marvel. Nebula afirmar ser neta de Thanos (na época, considerado morto) e se tornaria uma das maiores vilãs cósmicas da Marvel. Em seguida, os Vingadores presenciam o Homem-Aranha derrotar o Senhor do Fogo (ex-arauto de Galactus).

A arte de John Byrne brevemente de volta aos Vingadores.

A arte de John Byrne brevemente de volta aos Vingadores.

Tem início, então, em Avengers 259, uma interessante aventura em que os Vingadores, novamente reunidos com a Capitã Marvel, precisam se aliar aos Skrulls para confrontar Nebula, numa história que prossegue na edição 260 e conclui em Avengers Annual 14, uma edição especial, com o dobro de páginas, roteiro de Roger Stern e a maravilhosa arte de John Byrne. E ainda com a participação especial do Quarteto Fantástico. Em meio à batalha, os Skrulls perdem a capacidade de alterar suas formas. A história encerra a participação de Starfox na equipe, que fica no espaço para acompanhar o Senhor do Fogo na busca de lidar com as consequências das ações de Nebula.

Os Vingadores da Costa Oeste decolam

Os Vingadores da Costa Oeste em sua própria revista.

Os Vingadores da Costa Oeste em sua própria revista.

Apesar de terem estreado na minissérie de 1984, a “segunda unidade” dos Vingadores só ganhou novas histórias cerca de um ano depois. Em outubro de 1985 estreava a revista mensal The West Coast Avengers com as aventuras do time. A grande novidade do projeto era o retorno do celebrado escritor Steve Englehart a Marvel após quase uma década de ausência. Englehart havia comandado os Vingadores na primeira metade da década de 1970 e escrito grandes clássicos como A Madona Celestial e a Saga da Coroa da Serpente.

Contudo, esta segunda fase na Marvel, na segunda metade da década de 1980, não foi tão promissora quanto a anterior. No futuro próximo, além da segunda unidade, Englehart escreveria histórias do Quarteto Fantástico, Thor e Surfista Prateado, mas sem o mesmo glamour de eras passadas.

Além disso, The West Coast Avengers simplesmente não cativou os leitores. A revista começou a ser publicada – com desenhos de Al Migron (vindo da outra revista) – mas não emplacou, embora curiosamente, tenha continuado a ser publicada até o início dos anos 1990. Aparentemente, a Marvel também não se esforçou muito para divulgá-la ou promovê-la e o título ficou muito tempo isolado do resto do Universo da editora, inclusive, em relação à equipe principal. Por isso mesmo, quase nada desse material chegou às bancas brasileiras pela editora Abril no período e permanece inédito até hoje.

Na revista, a equipe mantinha-se praticamente a mesma da minissérie – Gavião Arqueiro, Harpia, Magnum, Tigresa e Homem de Ferro – com a diferença de que este último, ao contrário da mini, em que era o amigo James Rhodes, agora, era o titular Tony Stark, usando sua novíssima armadura prateada, conhecida como Centurião Prateado.

Um dos nossos: história de traição e união.

Um dos nossos: história de traição e união.

Englehart manteve em grande parte a equipe em contato com o universo clássico dos Vingadores, colocando os da Costa Oeste contra velhos inimigos, como Ultron, Graviton, o Zodíaco e Ceifador. Com o passar do tempo, criou uma trama para redimir mais ainda Hank Pym e acrescentou o Cavaleiro da Lua ao time – um típico herói secundário da Marvel – e trouxe até Mantis de volta.

O primeiro ponto de destaque de Englehart nos Vingadores da Costa Oeste foi a história Um dos Nossos, publicada no The West Coast Avengers Annual 01, de 1986, com desenhos de Mark D. Bright, que à época era o artista das revistas do Homem de Ferro. Esta aventura é uma sequência de Avengers Annual 15, na qual os Vingadores são atacados pela Força Federal (nada mais do que a velha Irmandade de Mutantes, vilões comandados por Mística) à mando do governo dos EUA. Ao fim desta, descobrem que foi um dos Vingadores quem traiu a equipe.

Assim, em Um dos Nossos, os Vingadores estão foragidos e se reúnem para discutir quem pode ser o traidor. Após combaterem uma nova versão do Zodíaco, o grupo termina descobrindo que o traidor é Mercúrio, maculando a reputação de um de seus membros mais antigos. Essa história gerou revolta de muitos fãs e também de escritores da própria Marvel, que não aceitavam a transformação de Mercúrio em um vilão. Essa situação seria resolvida dentro de alguns anos. De qualquer modo, apesar disso, é uma boa história, que recapitula a história dos Vingadores e seus principais membros.

Viagens no tempo e complexidade temática.

Viagens no tempo e complexidade temática.

O grande destaque da longa temporada de Steve Englehart e Al Migron à frente dos Vingadores da Costa Oeste foi o arco Perdidos no Tempo e no Espaço, publicado em The West Coast Avengers 17 a 24, em 1987, na qual a equipe é lançada em vários períodos de tempo diferentes e precisam, mesmo à distância (temporal) elaborar um plano de derrotarem o vilão Dominus e regressarem à época certa. É nesta aventura em que Flama impede Hank Pym de cometer suicídio – ainda atormentado por suas ações passadas – o que o envolve de novo com a equipe. Outro ponto muito polêmico da trama é o fato de Harpia ir parar no Velho Oeste e terminar sendo estuprada pelo Cavaleiro Fantasma – um velho personagem da Marvel, que inspirou o Motoqueiro Fantasma – e depois, em vingança, simplesmente deixá-lo morrer ao cair de um desfiladeiro. É realmente uma das melhores histórias escritas por Englehart – e olha que em se tratando dele, tem muita coisa boa aí – mas é um clássico perdido.

Esse “assassinato” terminaria com o casamento do Gavião Arqueiro e faria Harpia sair da equipe, juntamente ao Cavaleiro da Lua e Tigresa. Era um momento de mudança total, com o Homem de Ferro também expulso da equipe em consequência de suas ações questionáveis no arco Guerra das Armaduras, publicado em sua própria revista. Assim, Vespa, Visão e Feiticeira Escarlate entram para a equipe, juntamente com Mantis, além do auxílio de Hank Pym não como um herói uniformizado, mas um tipo de “ajudante científico”. Essa manobra, claro, tirou a especificidade desta equipe e os deixou muito parecido com o time dos anos 1970, o que não fez bem ao título.

Visão e FEiticeira Escarlate têm filhos: grandes consequências...

Visão e FEiticeira Escarlate têm filhos: grandes consequências…

Feiticeira Escarlate e Visão

Pouco antes do casal mais polêmico dos Vingadores adentrar na equipe dos Vingadores da Costa Oeste, ganharam uma segunda série The Vision and the Scarlet Witch. Dessa vez, foi uma maxissérie, com 12 capítulos, publicada entre 1985 e 1986, escrita por Steve Englehart e desenhada por Richard Howell, na qual a Feiticeira Escarlate usa seus poderes de alterar as probabilidades para gerar uma gravidez com o Visão, que não custa lembrar, era um sintozoide, um ser artificial. Ainda assim, o casal terá um par de gêmeos que terá grandes implicações para o futuro dos Vingadores.

O Apogeu de Roger Stern

Os Vingadores confrontam Kang e suas maquinações.

Os Vingadores confrontam Kang e suas maquinações.

De volta à revista principal, o final de 1985 traz o início do apogeu da fase do escritor Roger Stern à frente do título, ainda acompanhado pelo mestre John Buscema na arte. Temos o envolvimento da equipe com a saga Guerras Secretas II, na qual o Beyonder, a criatura de poder sem limites responsável pelo evento anterior, vem à Terra (Avengers 261), a entrada de Namor, o príncipe submarino para a equipe (Avengers 262), o grupo encontrando Jean Grey, a Fênix, ainda viva no fundo da Baia Jamaica em Nova York (Avengers 263), a conclusão de Guerras Secretas II (Avengers 265 e 266) e o arco O Tempo e o Tempo de Novo, na qual confrontam Kang, o conquistador (Avengers 267 a 269).

Sob Cerco: o ataque dos Mestres do Terror.

Sob Cerco: o ataque dos Mestres do Terror.

A mais célebre história de Roger Stern e John Buscema com os Vingadores vem em seguida: Sob Cerco (Under Siege), que transcorre entre Avengers 270 a 277, em 1986 e 1987, no qual uma nova encarnação dos Mestres do Terror, liderados pelo filho do Barão Zemo, surpreendem os Vingadores em um ataque surpresa, destroem a mansão e terminam por quase matar vários membros, inclusive o poderoso Hércules. O Ataque dos Mestres do Terror (que envolvem praticamente todos os vilões que já fizeram parte dessa equipe, como Rocha Lunar, Tubarão-Tigre, Tufão, Poderoso, Homem-Absorvente, Titânia, Mister Hyde e até a Gangue da Demolição inteira) consistem em uma das mais encarniçadas batalhas que a equipe já se envolveu.

Sob Cerco: violência e superação.

Sob Cerco: violência e superação.

O Barão Zemo cria uma estratégia simples e genial: pequenos grupos de vilões atacam os membros dos Vingadores separadamente, derrotando-os mais facilmente, para em seguida, invadir e destruir a Mansão dos Vingadores. Com Hércules praticamente morto, é preciso um reagrupamento e o Capitão América contar com o reforço de Thor (afastado da equipe há muitos anos) para uma retomada de sua base. Um grande clássico!

Enquanto a equipe ainda procura se reestruturar, com os membros que não ficaram muito feridos, vem War on Olympus(Guerra no Olímpio), no qual os deuses gregos querem se vingar dos Vingadores pelo o que aconteceu a Hércules.

A equipe da fase final de Stern: Dr. Druída, Thor, Mulher-Hulk, Capitã Marvel, Capitão América e Cavaleiro Negro.

A equipe da fase final de Stern: Dr. Druída, Thor, Mulher-Hulk, Capitã Marvel, Capitão América e Cavaleiro Negro.

No meio do caminho, uma equipe diferente de Vingadores tomou forma, com as adesões do Dr. Druida e a manutenção de Capitão América, Thor, Capitã Marvel, Namor e Cavaleiro Negro.

Durante esse período, ainda, o Capitão América abandonou sua identidade original e passou a usar um uniforme negro e se chamando apenas de Capitão, porque em suas aventuras solo, o Governo dos EUA o proibiu de usar seu velho nome e uniforme, fazendo surgir um novo Capitão América em seu lugar.

Stern ainda iniciou o arco Heavy Metal, no qual um novo Super-Adaptóide quase consegue derrotar a equipe após imitar todos os seus poderes, o que levaria a união de vários outros vilões, mas uma série de mudanças editoriais na Marvel terminaram por fazer que o escritor se despedisse no meio do arco, em Avengers 287, de 1988. Ele foi para a DC Comics ser um dos escritores do Superman e um dos autores de A Morte do Superman, anos mais tarde.

Um Período de Transição

A mais estranha das formações dos Vingadores, em Avengers 300: Mulher-Invisível, Sr. Fantastico, Capitão, Thor e Gilgamesh (quem?).

O editor Ralph Macchio assumiu os roteiros a partir de Avengers 287, ainda com John Buscema na arte, dando continuidade a Heavy Metal. A partir de Avengers 291, tem-se início o arco do Conselhos de Kangs, agora com roteiros de Walt Simonson (famoso por seu trabalho em Thor) e novamente com Buscema. A trama mostra uma confusa saga na qual os Vingadores descobrem a existência de um Conselho de Kangs, com várias versões diferentes de Kang, alguns malignos outros não. Nem o próprio Kang, segundo a trama, sabia da existência disso! Entre os membros, uma versão feminina dele, a Kang-Nebula, se alia aos Vingadores. Mas tudo se mostra parte de um plano para destruí-los, ainda mais com a participação do traidor Dr. Druída, que termina a história com Nebula, perdidos no espaço-tempo.

No meio disso tudo, Marrina, a esposa de Namor, se transforma em um poderossímo monstro destruidor chamado Leviatã e, por fim, a mudança dos Vingadores de sua base da Mansão para a Hidrobase, uma ilha artificial que flutuava na Baía de Manhattan.

Em seguida, Mulher-Hulk, Cavaleiro Negro, Namor e Thor deixam os Vingadores, de modo que o único membro que sobra é o mordomo Jarvis. Isso mesmo! A partir de Avengers 297, começa uma saga, que conclui na edição comemorativa n.º 300, de 1989, com uma formação totalmente inusitada de Vingadores: Capitão (o ex-Capitão América), Thor, Sr. Fantástico e Mulher-Invisível (ambos do Quarteto Fantástico) e Gilgamesh, personagem mítico que aparece até na Bíblia. O novo grupo participa do crossover Inferno, uma saga dos X-Men na qual demônios invadem a Terra.

Após o número 300, vem uma curta fase de transição na qual há um revezamento de escritores, como Mark Gruenwald, Ralph Macchio e Danny Fingeroth para fechar as pontas e deixar espaço à saga fase seguinte.

Com John Byrne, os Vingadores da Costa Oeste chegam ao primeiro time.

John Byrne

Voltando à Marvel após algum tempo, o escritor e desenhista John Byrne assumiu as duas revistas dos Vingadores (Leste e Oeste) em 1989. Sua fase em que escreveu e desenhou os Vingadores da Costa Oeste é a fase mais relevante da equipe, em um arco muito interessante chamado Vision Quest (no Brasil, A Busca pelo Visão), que começa em Avengers West Coast 42 (isso mesmo, ele mudou o nome da revista), na qual o Visão é atacado e desmontado pelo Governo dos EUA em represália à sua tentativa de controlar os computadores, o que termina por destruir a sua consciência.

Esse ato tem um grande impacto em sua esposa, a Feiticeira Escarlate, que vai progressivamente enlouquecendo, ainda mais quando descobre que os filhos que teve com o androide, na verdade, não existem, eram apenas ilusões criadas por seus poderes instáveis. Para piorar, o Governo impõe o Agente Americano como membro e novo líder da equipe, destituindo a função que o Gavião Arqueiro desempenhava desde o início da equipe.

A Feiticeira Escarlate sed transforma em uma das mais poderosas vilãs. Por John Byrne.

A Feiticeira Escarlate sed transforma em uma das mais poderosas vilãs. Por John Byrne.

Com isso, no arco Darker Than Scarlet,  publicado em Avengers West Coast 51 a 62, de 1990, ela termina se transformando numa vilã que quase destrói a equipe, chegando (numa cena polêmica) a torturar o amigo Magnum porque sabia que ele era apaixonado por ela. O arco também teve relação com a megassaga Atos de Vingança, na qual Loki reúne um grupo de vilões para combater inimigos que nunca enfrentaram antes, de modo a derrotar os Vingadores.

Família reunida: Magneto, Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

Família reunida: Magneto, Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

E Byrne ainda promove uma “reunião de família“, ao colocar lado a lado a Feiticeira Escarlate com seu irmão Mercúrio e o pai deles, o vilão Magneto. Mas na verdade, Mercúrio estava fingindo, procurando proteger a irmã e ajudar aos Vingadores.

Isso claro era um maneira de John Byrne corrigir a história Um dos Nossos, de algum tempo antes, que colocava o velocista como um traidor da equipe.

Feiticeira Escarlate, Agente Americano e o novo Visão: mudanças.

Feiticeira Escarlate, Agente Americano e o novo Visão: mudanças.

Em meio a tudo isso, Byrne – escrevendo e desenhando – ainda acrescenta uma série de subtramas, como a instabilidade mental também do Agente Americano, a revolta do Gavião Arqueiro, o dilema moral de Magnum (afinal, a consciência do Visão foi construída em cima de seus padrões mentais, mas cedê-los de novo significaria perder a chance de seduzir a Feiticeira Escarlate, por quem sempre foi apaixonado) e uma espécie de metamorfose pela qual passa a Tigresa.

O Visão e o Tocha Humana original.

O Visão e o Tocha Humana original.

John Byrne também aproveitou para reativar o Tocha Humana original, um herói que (assim como o Visão) era um androide avançado, criado em 1939, e o primeiro personagem da Marvel Comics. O Tocha Humana se torna um membro da equipe por um tempo até ser novamente desativado pela Feiticeira Escarlate numa batalha contra ela.

Sua passagem também introduz de modo cômico os Vingadores Centrais (Great Lake Avengers), um grupo independente de heróis estranhos com poderes mais estranhos ainda.

Todos à disposição em Avengers 305.

Todos à disposição em Avengers 305.

Na revista principal, Avengers, Byrne (só escrevendo) e o desenhista Paul Ryan colocaram, a partir da edição 305, o Capitão América como único membro fixo, reunindo aliados na medida da necessidade de cada missão. Assim, vários personagens apareceram na revista, inclusive o Homem-Aranha que se tornou um vingador ativo pela primeira vez, embora por pouco tempo. Outros membros inusuais acrescentados por Byrne seriam Quasar (um herói cósmico criado por Mark Gruenwald para preencher o vazio deixado na Marvel pela ausência tanto do Capitão Marvel quanto do Nova) e Sersi, parte dos Eternos, grupo de seres superpoderosos criados por Jack Kirby nos anos 1970, que nas tramas são humanos que foram geneticamente alterados pelos alienígenas Krees no passado distante da Terra e, agora, são imortais.

Período de mudanças

Cabe a Fabian Nicieza terminar a saga de Nebula iniciada por John Byrne.

Cabe a Fabian Nicieza terminar a saga de Nebula iniciada por John Byrne.

Após a saída de John Byrne dos títulos, os Vingadores entram em uma longa fase em que são marcados por alguns experimentos quanto à sua formação, com escritores privilegiando membros menos conhecidos (o que diminui a participação de Capitão América, Thor e Homem de Ferro), enquanto os desenhistas buscam novos visuais para os heróis.

Isso inicia ainda em 1990: a partir de Avengers 316 e 317, em que se dá a passagem de Byrne para o escritor Fabian Nicieza (que escrevia vários títulos do universo dos X-Men), ainda com desenhos de Paul Ryan. A trama continua a saga cósmica que vinha se desenvolvendo – dos Vingadores contra Nebula e o Estranho, ao lado do Homem-Aranha. Mas logo em seguida, Nicieza consolida uma equipe em torno de nomes como Quasar, Sersi, Arraia e a nova versão do Visão, embora ainda liderados pelo Capitão América.

Quasar, Sersi e Arraia como Vingadores.

Quasar, Sersi e Arraia como Vingadores.

Os Vingadores entram nos anos 1990 propriamente ditos com a fase de Larry Hama, que se inicia em Avengers 326, ainda em 1990 e com desenhos de Paul Ryan. A trama apresenta um novo herói chamado Rage que tenta (e consegue) adentrar aos Vingadores reclamando que o grupo não tem nenhum membro afrodescendente. Mais tarde, o Capitão América descobriria que Rage era apenas um adolescente – embora aparentasse ser bem mais velho – e disse que ele não poderia continuar na equipe.

Em Avengers 329 e 330, de 1991, Hama e Ryan prometem uma formação nova da equipe, mas na verdade mantêm Capitão América, Thor, Quasar, Sersi, Mulher-Hulk e Visão e simplesmente acrescentam a Viúva Negra, reincorporada à equipe após muito tempo.

Thanos e a Manopla do Infinito

Thanos e a Manopla do Infinito nos quadrinhos, por Starlin e Perez.

Thanos e a Manopla do Infinito nos quadrinhos, por Starlin e Perez.

O escritor e desenhista Jim Starlin voltou à Marvel após um período na DC Comics (onde escreveu histórias do Batman) e assumiu a revista do Surfista Prateado. Com seu talento para sagas cósmicas, logo Starlin estava de novo chamando a atenção. Obviamente, Starlin (agora atuando apenas como escritor) tratou de trazer sua maior criação de volta: o vilão Thanos. O titã louco então deu início a sua mais famosa aventura.

No fim de 1991 foi publicada a minissérie em seis partes A Manopla do Infinito, no qual Thanos sai em busca das Joias do Infinito, seis gemas cósmicas de poder incomensurável quando reunidas, formando a manopla. Para agradar a sua amante, a Morte, Thanos quer simplesmente eliminar metade da vida no Universo. A ameaça é tão grande que Warlock sai do mundo espiritual onde se encontrava desde Avengers Annual 07, de 1977, e reúne um time para impedi-lo, que inclui Pip, Gamora e Drax, o destruidor.

Thanos destrói Nebula: acerto de contas.

Thanos destrói Nebula: acerto de contas.

Mas isso não é o suficiente e logo todos os maiores heróis da Terra são convocados para ajudar, no que, é claro, os Vingadores têm um papel protagonista, ao lado do Homem-Aranha e do Hulk. A minissérie também lida com o legado de Thanos com o Universo Marvel, colocando-o, por exemplo, contra Nebula, que alegava ser sua neta.

O grande sucesso de A Manopla do Infinito, com Jim Starlin no roteiro e desenhos de George Perez e Ron Lim, levou a duas sequências, ligeiramente menos interessantes: Guerra Infinita, em 1992, e Cruzada Infinita, em 1993.

A chamada Trilogia do Infinito serviu para consolidar o papel de Thanos como o maior de todos os vilões cósmicos da Marvel.

Fase de Bob Harras

Os Vingadores de Harras e Epting: Viúva Negra, Sersi, Visão (acima), Hércules, Cavaleiro Negro, Crystalis e as jaquetas, observados pela entidade chamada Vigia.

Os Vingadores de Harras e Epting: Viúva Negra, Sersi, Visão (acima), Hércules, Cavaleiro Negro, Crystalis e as jaquetas, observados pela entidade chamada Vigia.

Enquanto isso, na revista de linha dos Vingadores, Avengers 334 se inicia a longuíssima passagem do escritor Bob Harras à frente dos Vingadores. Apesar da primeira edição ser desenhada por Andy Kubert, logo em seguida, os desenhos passariam a Steve Epting, que seria o companheiro do escritor por muito tempo na revista. A  dupla investiu inicialmente em uma formação não-usual dos Vingadores, com Cavaleiro Negro, Viúva Negra, Crystalis, Sersi, Hércules, diminuindo a participação de membro mais tradicionais como o Capitão América e Thor.

Dentre os arcos que desenvolveram, destaque para a batalha contra o novo vilão chamado Proctor, um ser superpoderoso vindo de uma outra dimensão, surgindo na edição 344, de 1992. Após uma longa batalha, os Vingadores terminam descobrindo que o vilão é ninguém menos do que uma versão de Danny White, o Cavaleiro Negro.

Operação Tempestade Galática: cisão moral entre os Vingadores.

Porém, o mais importante foi o longo arco Operação: Tempestade Galática, no qual trabalham com um conflito aberto de éticas distintas em meio a equipe. Uma guerra entre os impérios alienígenas de Sh’iar (tradicionais aliados dos X-Men) e os velhos Krees coloca a Terra mais uma vez na mira.

Os Vingadores remontam um grande número de membros para combatê-los, mas ao final, parte deles percebe que só vencerão se matarem a Inteligência Suprema que comanda os Krees. Assim, uma facção liderada pelo Homem de Ferro decide matar aquele ser; enquanto outra, liderada pelo Capitão América é totalmente contra. O primeiro grupo cumpre sua missão e causa um “racha” nos Vingadores.

Este ponto é importante porque planta sementes criativas que irão germinar em outras discordâncias entre Capitão América e Homem de Ferro, como a saga Guerra Civil, dos anos 2000, que iremos abordar à frente.

Na revista dos Vingadores, Operação Tempestade Galáctica ocorre apenas nas edições 345 a 347, mas a história envolveu outras dezenas de revistas, como Avengers West Coast, Captain America, The Invicible Iron-Man, Quasar, Wonder-Man e The Mighty Thor. 

Em consequência, de volta à Terra, o Homem de Ferro vota pelo fim dos Vingadores da Costa Oeste (do qual faz parte) e reúne os ex-membros em uma nova equipe, chamada Força-Tarefa (Force Works, no original), que ganha aventuras próprias, repletas de violência, como era típico da época.

A arte de Mike Deodato a serviço dos Vingadores: Gavião Arqueiro e Feiticeira Escarlate.

Em Avengers 380, de 1994, os desenhos da revista são assumidos pelo brasileiro Mike Deodato Jr., que na época se tornava um dos maiores desenhistas da Marvel; enquanto Bob Harras continuava nos roteiros. O primeiro arco envolve um interessante confronto contra o Alto Evolucionário, mas infelizmente, logo em seguida, a qualidade dos roteiros começa a cair, em contraposição aos belos desenhos do brasileiro.

Na edição 390, por Harras e Deodato, inicia-se aquele que é o mais polêmico dos arcos de histórias da equipe: The Crossing. Em uma batalha contra Kang, os Vingadores recrutam um Tony Stark ainda adolescente para ajudá-los a vencer, quando descobrem que o Star do presente teve a mente dominada pelo vilão. Como resultado, o Stark atual morre e é substituído por sua versão mais jovem (apelidada de Teen Tony). É o ponto mais baixo da equipe.

A má qualidade dos roteiros começou a interferir nas vendas, então, a Marvel criou a saga Massacre (Onslaught), na qual um poderosíssimo vilão surge da união das mentes do Professor Charles Xavier e de Magneto, o que obriga aos Vingadores se matarem ao usar sua energia vital para derrotar o monstro. É o fim do volume 01 da revista Avengers, no número 402, de 1996, ainda por Harras e Deodato.

O Efeito Muscular

Os meados dos anos 1990 foram tomados por uma tendência estranha: histórias muito violentas, com roteiros vazios e desenhos exagerados, com muitos músculos, que se desenvolveu com sucesso na editora Image Comics, mas migrou para as outras. A Marvel aderiu ao Estilo Muscular de modo forte na megassaga Heróis Renascem, na qual criou um universo paralelo com versões naquele estilo de seus principais personagens.

A saga inicia em outubro de 1996 na nova Avengers (Vol. 2) 01 que trouxe roteiros de Rob Liefeld e arte de Jim Valentino, em histórias sem pé nem cabeça. Nem graça. O projeto não agradou e terminou após 13 edições.

Retomada

Os Vingadores de Busiek e Perez: retomando conceitos clássicos. Flama, Thor, Justiça, Gavião Arqueiro, Magnum (acima), Visão (acima), Capitão América, Feiticeira Escarlate, Homem de Ferro e Miss Marvel.

Em fevereiro de 1998, foi lançada Avengers (Vol. 3) 01 com uma nova (e muito boa) fase nas mãos do escritor Kurt Busiek e com a volta de George Perez aos desenhos. Após voltarem a nossa realidade, os Vingadores se reagrupam, com Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Gigante e Vespa se reunindo para escolher os novos membros. Após uma batalha contra a feiticeira Morgana, que reuniu praticamente todos os membros (vivos) da equipe, uma nova formação se cristalizou, liderada pelo Capitão América e com Feiticeira Escarlate (já recuperada), Gavião Arqueiro, Magnum e novos membros, como Justiça e Flama (Firestar, no original), dois ex-membros dos Novos Guerreiros, além de Triathlon.

A batalha máxima contra Ultron.

A fase é bastante apreciada por crítica e fãs e tem um marco na saga Ultron Ilimitado, publicada em Avengers 19 a 23, de 1999, em mais um clássico confronto com o robô maligno.

Busiek e Perez investiram no aspecto clássico dos Vingadores, que deu ao título certo ar nostálgico em embates contra Ultron, Ceifador, Conde Nefária e Kang. Paralelamente, Busiek também escreveu a maxissérie Avengers Forever, em 12 capítulos coescritos com Roger Stern e desenhados por Alan Davis, que mostram uma batalha contra Kang e viagens no tempo para explorar o passado da equipe e corrigir aspectos cronológicos.

Os Vingadores no início dos anos 2000.

Depois, o escritor Geoff Johns o substituiu, reforçando os laços da equipe com a ONU, e trazendo Jack of the Hearts e o Homem-Formiga II para a equipe; e o escritor Chuck Austen fez uma passagem rápida, incluindo um novo Capitão Britânia no grupo.

É uma fase mais morna da equipe, contando com uma mistura de membros clássicos (Capitão América, Thor) outros menos regulares (como o Falcão) e algumas estranhas adesões como as citadas acima.

Brian Michael Bendis

A Mansão dos Vingadores é definitivamente destruída em “Avengers Disassambled” de Bendis e Finch.

Com a chegada dos anos 2000, a Marvel decidiu tornar os Vingadores novamente o centro de seu universo. E a empreitada deu certo, liderada pelo escritor Brian Michael Bendis.

Primeiro, a editora encerrou o terceiro volume da revista no número 83, em 2004, retomando a numeração original por apenas três edições, dos números 500 a 503 e a edição especial Avengers Finale. Era o arco Avengers Disassambled ou Vingadores: A Queda, no Brasil, em que – desenhado por David Finch – os Vingadores sofrem um ataque mortal e descobrem ser liderado pela Feiticeira Escarlate, retomando elementos deixados lá trás por John Byrne.

Com mortes de alguns membros, como o Homem-Formiga II, e o desaparecimento de Gavião Arqueiro e da própria Feiticeira Escarlate. O trauma faz o Homem de Ferro e o Capitão América decidirem pelo fim da equipe.

Novos Vingadores

Os Novos Vingadores: Sentinela, Homem-Aranha, Homem de Ferro, Mulher-Aranha, Capitão América, Wolverine e Ronin.

Seis meses depois, uma fuga em massa da prisão de superseres A Balsa termina por unir uma série de heróis e faz sentir a necessidade dos Vingadores para o mundo. O Capitão América e o Homem de Ferro decidem, então, dar reinício à equipe, agora com algumas mudanças, sem o apoio oficial do governo ou da ONU e sem a Mansão dos Vingadores (destruída), e sim, a Torre Stark no centro de Manhattan. É o início da revista New Avengers, em 2005.

A nova formação é mesmo inusual: Capitão América e Homem de Ferro (os líderes), Luke Cage, Homem-Aranha, Wolverine, Sentinela, Mulher-Aranha (a original), Eco e Ronin (a nova identidade do Gavião Arqueiro).

A nova equipe tem que lidar com uma facção escusa da Shield – agora não mais liderada por Nick Fury, que está foragido – e caçar os criminosos que fugiram da Balsa, além de uma série de ameaças, entre as quais, o próprio Sentinela, um ser misterioso e extremamente poderoso, mas também totalmente esquizofrênico.

Guerra Civil e Invasão Secreta

Guerra Civil: ex-aliados como inimigos. Homem de Ferro vs Capitão América por Millar e McNiven.

Uma minissérie muda os rumos da Marvel definitivamente. Escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven. Os Novos Guerreiros causam um acidente que resulta na morte de 600 pessoas (a maioria crianças de uma escola) e faz o governo votar rapidamente uma Lei de Registro de Superseres, obrigando a todo mundo que têm superpoderes ou habilidades especiais a se registrar, revelar sua identidade secreta e trabalhar para o Governo dos EUA.

Tony Stark, que agora é o Secretário de Defesa dos EUA, acata e apoia o Registro, enquanto a maioria de seus companheiros, como o Capitão América, Luke Cage e Wolverine, são contra. Infelizmente, o Homem de Ferro termina liderando um grupo de heróis a favor do Registro para perseguir a facção liderada pelo Capitão América, que se torna fora da lei, dando origem à Guerra Civil entre os super-heróis da Marvel.

Em consequência da Guerra Civil, o Capitão América é preso, mas termina baleado e morto nas escadas do tribunal. Por Brubaker e Epting.

Além de Stark, os favoráveis ao Registro incluem Reed Richards do Quarteto Fantástico e o ex-vingador Hank Pym, mas as ações deles excedem os limites quando criam uma prisão para prender os ex-colegas na Zona Negativa (uma outra dimensão) e tentar clonar Thor, que à época está desaparecido.

Após uma série de batalhas e traições – o Homem-Aranha apoiava o Registro, mas mudou de lado ao não concordar com os métodos antiéticos de Stark – a facção contra o Registro perde e o Capitão América é preso. Numa história publicada na revista Captain America 25, de 2007, por Ed Brubaker e Steve Epting, o Capitão América termina sendo baleado e morto às portas do tribunal, num golpe duro à comunidade de super-heróis.

No ano seguinte, o escritor Ed Brubaker (sempre muito elogiado por seu trabalho) e o desenhista brasileiro Luke Ross mostrariam uma saga na qual o ex-Soldado Invernal, Bucky Barnes, velho amigo e parceiro do Capitão América, assume o lugar do amigo como o novo Capitão América. E logo, ele estaria ao lado dos Novos Vingadores, perseguidos pelas autoridades (e Tony Stark).

Após a Guerra Civil, os Vingadores se separam em dois grupos. O legalizado liderado por Stark tem Magnum, Sentinela, Homem de Ferro, Miss Marvel, Viúba Negra e Ares (o deus da guerra). Arte de Frank Cho.

De volta aos textos de Brian Michael Bendis,Tony Stark e Hank Pym montam dois novos grupos de Vingadores que são “oficiais”. Um deles, coordenado pela Miss Marvel, para as ações mais perigosas; e o outro chamado “Projeto Iniciativa dos 50 Estados”, que visa treinar superseres para atuar ao lado do Governo dos EUA.

Enquanto isso, os Novos Vingadores se convertem em uma facção fora da lei, perseguidos pelo ex-aliado Tony Stark. Entre seus adversários, está a escalada do crime promovida pelo Tentáculo, organização terrorista agora liderada por Elektra, no Japão. Em combate, a ex-heroína é morta e se revela, na verdade, um Skrull disfarçado.

Os Novos Vingadores (Eco, Homem-Aranha, Luke Cage e Mulher-Aranha) descobrem que “Elektra” era na verdade um Skrull infiltrado. Arte de Leinil Francis Yu.

O que intriga os Novos Vingadores é que nem os sentidos aguçados de Wolverine e do Homem-Aranha os avisou de que era uma falsa Elektra. Surpreendentemente, a Mulher-Aranha rouba o corpo do Skrull e o leva para Tony Stark e Reed Richards, que descobrem que não têm como identificar as novas camuflagens dos Skrulls. Logo, decobrem que os Skrulls estão infiltrados na Shield, nos heróis e nos vilões.

É o megaevento Invasão Secreta, que se transfigura em uma minissérie escrita por Bendis e desenhada por Leinil Francis Yu em 2008. Em meio à paranóia e aos ataques dos Skrulls, que querem tomar a Terra, os Novos Vingadores descobrem que pessoas como Hank Pym e a Mulher-Aranha eram, na verdade, Skrulls disfarçados há meses. Na tentativa de conter um ataque em massa, todas as equipes de Vingadores se lançam contra os aliens e a Vespa é morta. Porém, na batalha final, quem consegue eliminar a Rainha Skrull é o vilão Norman Osborn – o velho Duende Verde, arquiinimigo do Homem-Aranha- que se transforma em herói nacional. Em uma louca decisão política, o Presidente dos EUA transforma Osborn no Diretor do Martelo, nova organização que substitui a Shield.

Reinado Sombrio e O Cerco

Norman Osborn (o Duende Verde) é agora o Patriota de Ferro e o homem mais poderoso dos EUA.

Com Norman Osborn no poder, Tony Stark se transforma em um foragido, pois a opinião pública o culpa tanto pela morte do Capitão América quanto pela invasão dos Skrulls. Com a atuação de Osborn como Diretor do Martelo, a continuação da vigência da Lei de Registro e a criação de um grupo de Vingadores “oficiais” liderados pelo próprio Osborn (que assume a identidade de Patriota de Ferro, utilizando a tecnologia de Stark), os Novos Vingadores se tornam ainda mais fora de lei e perseguidos do que antes. Os Dark Avengers de Osborn ganharam uma revista própria, também escrita por Bendis e desenhada pelo brasileiro Mike Deodato Jr., virando um dos maiores sucessos da Marvel.

Os “Vingadores Sombrios” (Dark Avengers) de Osborn: Marvel Boy, Sentinela, a falsa Miss Marvel (Rocha Lunar), Patriota de Ferro, Ares, o falso Wolverine (Daken), o falso Gavião Arqueiro (Mercenário) e o falso Homem-Aranha (Venom). Arte de Michael Deodato Jr.

Assumindo uma tática de guerrilha, os Novos Vingadores só conseguem enfraquecer Osborn lentamente até o criminoso se desesperar e tentar invadir o reino mítico de Asgard (lar dos deuses nórdicos e de Thor) para aumentar o seu poder.

Aproveitando-se do retorno do Capitão América original (resgatado do limbo do tempo onde se encontrava) e de Thor (que instalou a nova localização de Asgard na Terra), o Homem de Ferro volta a se unir aos velhos companheiros e os “três grandes” juntam uma superequipe para derrotar o Osborn antes que seja tarde demais.

Ainda foras da lei, os Novos Vingadores têm que combater Osborn: Mulher-Aranha, Ronin, o novo Capitão América, Homem-Aranha, Luke Cage, Miss Marvel e Jéssica Jones (voando), Harpia e Wolverine.

Nos últimos anos, os roteiros ousados de Brian Michael Bendis, e as colaborações ocasionais de Mark Millar e de Ed Brubaker, transformaram os Vingadores na franquia de maior sucesso da Marvel nos últimos anos. A revista New Avengers e suas correlatas estão sempre entre as 10 mais vendias do EUA e a revista Novos Vingadores no Brasil, publicada pela editora Panini, também se tornou uma das de maior sucesso.

A Era Heróica

Os Vingadores na Era Heróica.

Os Vingadores na Era Heróica.

Com o fim de O Cerco, veio a Era Heróica, em que há uma reformulação dos Vingadores. Steve Rogers não volta a ser o Capitão América, deixando Bucky Barnes continuando a usar a identidade. Rogers passa a ser o Supersoldado, usando um uniforme diferente e sendo o novo Diretor da SHIELD.

Nessa função, Rogers remota os Vingadores com uma equipe principal formada por Capitão América (Bucky Barnes), Thor, Homem de Ferro, Wolverine, Homem-Aranha e o Destruidor, um herói Kree.

Por outro lado, Rogers mantém os Novos Vingadores existindo, como uma equipe mais urbana, liderada por Luke Cage e contando com Harpia, Gavião Arqueiro, Homem-Aranha, Wolverine Mulher-Aranha e, após algum tempo, o Demolidor, ingressando na equipe pela primeira vez.

Para missões mais secretas e arriscadas, Rogers ainda cria os Vingadores Secretos, liderados por ele próprio e contando com Valquiria, Fera, Nova e outros.

A formação principal dos Vingadores, por John Romita Jr.

A formação principal dos Vingadores, por John Romita Jr.

No campo editorial, a Marvel estava aproveitando o ótimo momento para expandir a franquia e ganhar em cima disso. A revista Avengers, a principal, continuava escrita por Brian Michael Bendis e passou a contar com os desenhos de John Romita Jr. O primeiro arco trouxe uma grande história, uma das melhores dos Vingadores nos últimos anos, na qual a equipe recebe a visita de Kang, o conquistador, que vem do futuro solicitar ajuda para impedir que o robô Ultron destrua a humanidade em breve.

Um parte da equipe vai ao futuro e outra fica no presente e descobrimos que foi o próprio Kang quem deu início à guerra contra Ultron, sendo sumariamente derrotado e procurando desesperadamente reverter os fatos. No fim, os Vingadores vêm que Ultron se tornou tão poderoso que sequer cogitam enfrentá-lo: simplesmente tentam argumentar com ele e convencê-lo de que a guerra não o beneficia.

O segundo arco, também muito bom, mostra a volta do Capuz em busca das Joias do Infinito, os velhos artefatos que deram grande poder a Thanos no passado. Descobrimos que no passado recente, cada membro dos já extintos Iluminatti, tinha guardado uma das gemas cósmicas ultrapoderosas e Capuz sai recolhendo cada uma delas. Os Vingadores contam com a ajuda do Hulk Vermelho – o velho general Thadeus Ross, inimigo do Hulk que virou uma criatura similar – para derrotar o vilão, ajudados pela inexperiência do capuz em lidar com tanto poder.

A histórias dos Vingadores Secretos começaram a sair agora no Brasil, na nova revista "Capitão América e os Vingadores Secretos", da editora Panini.

A histórias dos Vingadores Secretos começaram a sair agora no Brasil, na nova revista “Capitão América e os Vingadores Secretos”, da editora Panini.

A revista The Secret Avengers também passou a fazer muito sucesso, com os Vingadores Secretos liderados por Steve Rogers, em tramas cheias de ação, suspense e clima de espionagem, escritas por Ed Brubaker (da revista solo do Capitão) e grandes desenhos do brasileiro Mike Deodato Jr. O sucesso foi tanto que no Brasil estreou a revista Capitão América e os Vingadores Secretos.

Wolverine vs. Capitão América: sucesso de vendas.

Wolverine vs. Capitão América: sucesso de vendas. Arte de John Romita Jr.

Essa fase conduziu ao mega evento Fears Itself (O Próprio Medo), que só serviu para mostrar que a fórmula dos eventos estava se esgotando. (Mas Steve Rogers voltou a ser o Capitão América).

Para sacudir um pouco as coisas, a Marvel criou o megaevento Vingadores versus X-Men, no qual as duas equipes saem em confronto. Na trama, a chegada da Força Fênix à Terra divide os X-Men e leva os Vingadores a confrontar o líder Ciclope. Segue-se então, uma grande carnificina entre as duas equipes. A minissérie principal, por Bendis e Romita Jr. foi outro grande sucesso.

Emerge, então, uma nova fase, a Marvel Now, na qual há uma grande interação entre as duas equipes.

No cinema

Vingadores: finalmente nos cinemas!

Vingadores: finalmente nos cinemas!

Enquanto isso, finalmente, os Vingadores chegaram ao cinema. O arriscado plano do Marvel Studios de criar um mesmo universo ficcional por meio de vários filmes e franquias diferentes (tal qual as revistas em quadrinhos) e depois uni-los em um único filme deu certo. Deu muito certo.

Os Vingadores: drama de personagens em meio a invasões alienígenas.

Os Vingadores: drama de personagens em meio a invasões alienígenas.

Tudo começou com Homem de Ferro, em 2008, que não apenas foi um grande sucesso, mas ao final, trouxe Nick Fury convidando Tony Stark para “A Iniciativa Vingadores“. No mesmo ano O Incrível Hulk não foi tão bem nas bilheterias, mas a cena final trazia o mesmo Tony Stark encontrando o general Ross para oferecer ajuda na caça ao Hulk. Além disso, no meio do filme, Ross comenta que o experimento que transformou Bruce Banner no Hulk era uma reativação do Projeto Supersoldado, que todo fã de quadrinhos sabe que é o nome do experimento que deu origem ao Capitão América na II Guerra Mundial. O sucesso da empreitada acelerou os planos.

Em 2010, Homem de Ferro 2 continuou as aventuras do herói e introduziu o Máquina de Combate e a Viúva Negra. Há uma menção ao Capitão América por meio de seu escudo. Em 2011, veio Capitão América – O Primeiro Vingador, que mostrou o surgimento do herói na II Guerra Mundial e o fato de que Howard Stark, o pai de Tony Stark, esteve envolvido nesses eventos. O herói luta contra o Caveira Vermelha, que está de posse do Cubo Cósmico, que no filme tem o nome de Tesseract. No fim, assim como nas HQs, o Capitão é congelado e desperto, décadas depois, em nosso tempo, encontrando Nick Fury.

O Homem de Ferro e o Capitão América em Os Vingadores: supersucesso de bilheteria.

O Homem de Ferro e o Capitão América em Os Vingadores: supersucesso de bilheteria.

2011 também viu o lançado de Thor, que mostra o herói sendo exilado na Terra por seu pai, Odin, para aprender uma lição sobre humildade; enquanto seu irmão Loki trama para matá-lo. No final, vemos que a SHIELD tem posse do Tesseract e que Loki está interessado nele.

Enfim, todas as peças se juntam em 2012, em Os Vingadores, escrito e dirigido por Joss Whedon, que vindo da televisão (criou Buffy – A Caça Vampiros, Angel e Firefly) era um roteirista tarimbado em Hollywood (responsável por Toy Story) e também tinha experiência nos quadrinhos (tendo escrita a ótima revista Astonishing X-Men). No filme, Loki vem à Terra e toma posse do Tesseract, para permitir a invasão de um ataque alienígena, em troca de ajuda para tomar Asgard. Isso força Nick Fury a ativar a Iniciativa Vingadores, reunindo Capitão América, Thor, Homem de Ferro, Hulk, Viúva Negra e Gavião Arqueiro.

Thanos em Os Vingadores.

Thanos em Os Vingadores.

O fim do filme ainda mostra rapidamente que o alienígena por trás do plano de Loki é na verdade Thanos, abrindo espaço para seu retorno no futuro.

O resultado? Um grande filme e um sucesso estrondoso de bilheteria: mais de US$ 1,4 bilhões, tornando-se o terceiro maior sucesso da história do cinema.

A Fase 2 do Universo Marvel nos cinemas já começou e resultará em Os Vingadores – A Era de Ultron em 2015.

Poster em comemoração aos 30 anos dos Vingadores em 1993, com George Perez desenhando todos os membros até então. Quem acertar todos os nomes ganha um brinde!

About hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Toca em bandas de vez em quando, mas está gravando um disco com suas composições.

Posted on 25/05/2011, in Capitão América, Desenhistas, Dossiês de Personagens, Escritores, Homem de Ferro, Homem-Aranha, Hulk, Jack Kirby, Marvel Comics, Marvel Studios, Panini Comics, Revistas, Stan Lee, Thor, Vingadores, Wolverine. Bookmark the permalink. 32 comentários.

  1. Bruno Brandão

    Excelente resumo da trajetória da equipe!
    SÓ UMA CORREÇÃO: A VESPA NÃO MORREU EM “A QUEDA”, FOI DEPOIS EM “INVASÃO SECRETA”

    Avante Vingadores!

  2. Isso mesmo, Bruno, você tem toda a razão, a Vespa só morreu na Invasão Secreta e não em A Queda.
    Já corrigi o pequeno deslize!
    Obrigado mesmo pela dica!
    Um grande abraço e apareça sempre!

  3. RiFe_fcp_pt

    continue o bom trabalho…obrigado

  4. Só tem artigo bom nesse site.Irei recomendar aos amigos.Continue com esse excelente trabalho.

  5. eu acho que é a melhor oisa que eu ja vi na minha vida mais esquecerao de muitos super erois aimais eu achei demais eu estou brincando É A COISA MAIS legau do universo achei a ultima imagen a mais legal de todas obrigado por lere eu adorei este saite é o melho saite de imagens do universo.

  6. Muito bom Exelente texto parabens!!
    vou divulgar o site de voces pros amigos !!!

    Abraços!

  7. Giovanni mundim

    Hostei muito do resumão, mas vai indo indo e acaba no mesmo ponto os primerios juntos de novo

  8. Rosa Rivero

    Gostei muito do resumo. Gostaria de ver um artigo relacionando toda essa evolução dos heróis Marvel à História real do seu tempo, ou seja, como os fatos históricos reais vigentes em cada período influenciaram os roteiristas e desenhistas dos comics.

  9. Muito bom resumo da evolução dos comics da Marvel, em especial Os Vingadores.

  10. Jefferson Azevedo

    O que Aconteceu com o Visão ???

  11. Outro excelente trabalho, é sempre bom achar um blog que propicie leituras prazerosas como esta, abraço.

  12. Excelente reportagem… Uma das melhores e mais completas que já li… Mas quero meu brinde:
    Homem Máquina
    Tocha Humana Original
    Vespa Janet Van Dyne (depois Pym) nas molduras em seus diversos uniformes
    Raio vivo (Human Lightining)
    Cavaleiro Negro Dane Withman
    Água Estelar – Guardiões da Galáxia Originais
    Jocasta
    Asa de Fogo
    Relâmpago Vivo
    Mulher Invisivel
    Senhor Fantástico
    Rick Jones
    Hulk
    Viúva Negra
    Cavaleiro da Lua
    Dr. Druida
    Gilgamesh
    Youndu Udonta – Guardiões da Galáxia Originais
    Namor
    Hércules
    Harpia
    Crystalis
    Mercúrio
    Charlie 27 – Guardiões da Galáxia Originais
    Hank Pym
    Feiticeira Escarlate
    Gavião Arqueiro
    Mantis
    Thunderstrike – Eric Masterson
    Asa Vermelha (pássaro do Falcão)
    Falcão
    Golias
    Homem de Ferro – Tony Stark
    Homem de Ferro – Jim (James) Rodhes
    Homem de Ferro – Jovem Tony Stark
    Espadachim Clássico
    Espadachim em sua volta aos Vingadores (participação especial – não é o espírito)
    Jaqueta Amarela
    Starfox – Eros
    Homem Areia
    Homem Formiga
    Visão
    Mortalha
    Homem Aranha
    Capitão América
    Gigante
    Máquina de Guerra
    Major Vitória – Vance Astro – Guardiões da Galáxia Originais
    Golias – Ben Foster
    Hellcat
    Tigresa
    Fera
    Nikky – Guardiões da Galáxia Originais
    Two Guns
    Agente Americano
    Capitão – Steve Rogers
    Mulher Hulk
    Coisa
    Thor
    Mulher Aranha
    Serpente da Lua
    Capitã Marvel
    Miss Marvel – Warbird
    Quasar
    Deathcry
    Martinex – Guardiões da Galáxia Originais
    Arraia
    Pantera Negra
    Triatlo
    Magnum
    Sersi na fase das “jaquetinhas”
    Falcão de Aço
    Jarvis
    No alto, os originais Hulk, Thor, Homem Formiga, Vespa e Homem de Ferro

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