O Hulk de Peter David

Imagem recente de Peter David com a revista especial do casamento de Rick Jones, o melhor amigo de Bruce Banner.

O Incrível Hulk é um personagem icônico da Marvel Comics. Apesar de raramente ser um grande best seller nos quadrinhos, o gigante esmeralda é um dos mais conhecidos personagens da editora, talvez por causa de outras mídias e, particularmente, por causa do seriado da TV produzido na virada da década de 1970 para 1980.

O fato é que todos conhecem o Hulk e a expressão “ficar verde de raiva” em referência ao golias verde é corrente não somente em português.

Mas como personagem dos quadrinhos – não iremos falar aqui das adaptações para a TV ou cinema, pois isso renderia outro post – o Hulk é um caso complicado: um ser extremamente forte, mas pouco inteligente, raivoso, mas não maligno, e ainda, habitando o interior de um cientista franzino e bondoso chamado Bruce Banner.

O Hulk cinza de David e McFarlane causou alguma confusão no começo, mas mostrou-se uma ótima ideia.

Assim, trabalhá-lo como personagem não é fácil, mas alguns escritores fizeram isso bem: o cocriador Stan Lee, Roy Thomas, Len Wein, Roger Stern, Bill Mantlo… são alguns dos que o fizeram entre os anos 1960 e 1980. Mas nenhum deles produziu obra melhor do que Peter David, que escreveu a revista The Incredible Hulk entre 1987 e 1999.

David tem uma história curiosa como escritor: ele adveio do setor burocrático da Marvel, trabalhando no departamento de marketing, que tinha uma histórica rivalidade com o setor criativo. Mas queria ser escritor e apresentou uma proposta de história ao editor do Homem-Aranha, Jim Owsley, em 1985. Era tão boa que não apenas foi publicada – a histórica O Assassinato de Jean DeWolf como David terminou assumindo a revista Peter Parker: The Spectacular Spider-Man (o título secundário do Homem-Aranha) por dois anos. Nesse período, teve problemas com os editores e terminou sendo delocado para a revista do Hulk, que ninguém queria pegar.

E por quê? Porque o Hulk havia sido escrito e desenhado por John Byrne – a estrela sensação dos anos 1980 – mas este foi demitido do título por brigas com o editor Bob Harras. Então, o arte-finalista Al Milgrom assumiu os roteiros e os desenhos da revista The Incredible Hulk por um período, mas seu trabalho irregular fez do título um fiasco.

Peter David usou o Hulk como veículo para tratar de temas sensíveis, como a violência doméstica, no caso da esposa que apanha do marido policial.

As coisas estavam tão ruins que o Hulk nem mais verde era. Milgrom havia escrito uma história em que um experimento para tentar curar o Dr. Bruce Banner, terminou por mudar a cor do monstro. Agora, o Hulk era cinza, menor e menos forte, mas em compensação, era extremamente inteligente e selvagem. O que poderia ser uma má ideia, inicialmente, Peter David a transformaria na grande sacada de toda a história do personagem.

Peter David assumiu a revista no número 331, de 1987, com desenhos do iniciante Todd McFarlane. Começava, assim, uma aclamada fase do Hulk, feita por dois artistas novatos e desacreditados que transformaram o gigante (agora) cinza em um dos maiores sucessos da Marvel do fim dos anos 1980. As histórias de David e McFarlane mostravam o Hulk cinza como dono de uma personalidade própria: inteligente, sacana e selvagem. Essa personalidade forte cativou os leitores.

David aproveitou o conceito do Hulk original cinza estabelecido por John Byrne (que colocou que o monstro surgira primeiro cinza e, depois, tornara-se verde) e fez dele a estrela de sua série. Com isso, o golias cinza tornou-se muito mais interessante, pois passou a ser inteligente e malandro, travando uma batalha contra seu alter-ego, Bruce Banner, pelo controle do corpo que dividiam. Já que o objetivo do cientista era se livrar do monstro em que se tornou; o Hulk cinza inteligente agora revidava e buscava maneiras de sobrejulgar a personalidade de Banner.

"The Incredible Hulk 340" (por David e McFarlane) trouxe o mais famoso confronto entre o monstro e Wolverine.

David fez de tudo até o Hulk beber uma loja inteira de bebidas alcoólicas para que, quando se transformasse em Banner de volta, ele estivesse tão bêbado que não pudesse fazer nada. David manteve o esquema em que a transformação entre Banner e Hulk se dava por meio do pôr e do nascer do sol, ao contrário da mais famosa alternância causada pelo estado emocional do cientista (tal qual era na série de TV e nos filmes do cinema).

O escritor também criou uma boa explicação para isso: uma seqüência genial mostrava uma conversa entre o Hulk cinza e o Líder (o mais tradicional oponente do monstro) na qual o vilão explicava a dinâmica das transformações e mudanças de personalidade do Hulk ao longo dos anos: os raios solares interagiam com a radiação gama e diminuíam sua ação; por isso, Banner só se transformava no Hulk cinza à noite e, ao contrário dos lobisomens, na lua cheia o Hulk era mais calmo, pois o satélite simplesmente reflete a luz solar. Por isso, era durante a lua nova que o Hulk tinha mais chances de se livrar da personade Banner, inclusive, chegando a influenciar as ações do cientista durante o dia.

O Hulk e Betty Ross fazem as "pases": texto de David e arte de McFarlane.

O Hulk com Clay Quaterman e Rick Jones: personagens coadjuvantes importantes. Arte de Todd McFarlane.

Ao mesmo tempo, David ia criando uma série de subtramas, que aprofundavam a psique de Betty Ross, a esposa de Banner, mostrando que ela teve outro casamento com um malandro chamado Ramon. Com isso, de acordo com a cronologia da Marvel, Bruce Banner seria o terceiro (!) marido dela (pois nos anos 1970, a moça esteve envolvida com o capitão Glen Talbot, que morreu em um confronto com o Hulk). Também era mostrado, casualmente, um calendário de parede no qual a Sra. Banner aparecia de biquíni em poses sensuais. Tudo isso era um esforço do escritor em dar um ar mais arrojado e moderno à caricata Betty Ross, que por anos desempenhou o típico papel de “mocinha” nos quadrinhos. Essa empreitada continuaria por anos.

Além da maior “bagagem” de Betty, Peter David também “forrou” outros coadjuvantes, como o sidekick (parceiro juvenil) Rick Jones, mostrando como laços de amizade e gratidão o uniam ao Dr. Banner – afinal, foi para salvá-lo que o cientista foi atingido pela explosão gama e virou o Hulk. Outro que ganhou mais importância foi o psiquiatra Dr. Leonard Samson (que tinha força aproximada a do Hulk) e descobriu como a fúria e a destruição do monstro deixavam marcas nas pessoas e construíam relações de ódio e obsessão, como a do militar Samuel LaRoquette, membro da equipe dos Caça-Hulks criada por Banner (nas histórias de John Byrne), que após uma série de tragédias nos confrontos com o monstro, vira um homem destruído, amargurado e com tendências malévolas.

David usou o personagem Dr. Leonard Samson, um psiquiatra, para explorar a psique de Bruce Banner.

O escritor também aproveitava as andanças do Hulk pelo país – o monstro estava sempre fugindo – para criar pequenos contos sensíveis e inteligentes. Mostrou a história de uma garota sonhadora que se via presa a um casamento com um policial durão e violento; a vida de uma pequena cidade do interior aterrorizada pela ação de um estuprador misterioso; e a criança violentada pelo pai que tenta reconstruir a vida com uma nova família. Nesta última, aproveitou para fazer um paralelo com o próprio Bruce Banner.

Aproveitando-se de histórias antigas de Bill Mantlo, Peter David estabeleceu que o pai de Banner, o também cientista Brian Banner era um homem louco e furioso que batia impediosamente na mulher, Rebbeca e no filho Bruce até matar a esposa. Brian foi preso, mas torturou o filho psicologicamente para que a criança o inocentasse no tribunal. A partir disso, David foi constuindo uma trama que mostrava que, na verdade, Bruce Banner sofria de transtorno de múltiplas personalidades e que cada “fase” do Hulk correspondia a uma delas: o próprio Banner era um homem frio quase não dotado de emoções; o Hulk verde correspondia à sua infância, um menino que só queria ficar sozinho e respondia estímulos violentamente; e o Hulk cinza era o Banner adolescente, um selvagem sacana em busca de emoções fortes.

David trabalhou essa trama por anos e culminou mostrando que, em uma sessão de terapia com o Dr. Samson, Banner descobre que ele mesmo terminou por matar o próprio pai, em um acidente, após uma discussão diante do túmulo da mãe e, em seguida, “apagou” essa lembrança traumática.

Como ficou 12 anos na revista, David desenvolveu diversos arcos de histórias diferentes. Vamos aos principais:

O Hulk cinza e inteligente de David e McFarlane cativou os leitores.

Fugitivo:

Apesar de odiar a todos, o Hulk se vê obrigado a se aliar a Rick Jones e ao agente da Shield, Clay Quaterman, para descobrir onde o Governo dos EUA esconde um arsenal secreto de bombas gamas, como uma forma de impedir que outros hulks surjam por aí. Essa fase termina com um confronto com o Líder que explode uma bomba gama em uma pequena cidade, matando quase todos os seus habitantes e o próprio Hulk termina dado como morto. Neste arco, Banner descobre que Betty está grávida e – o pior – o filho pode ser do Hulk e não dele: em uma ocasião, o casal estava transando e Banner se transforma no Hulk durante a relação, o que mostra que o filho é tanto dele quanto do cientista. Desse modo, o monstro faz uma trégua com a esposa de seu alter-ego.

Esta fase foi desenhada por Todd McFarlane e se desenvolveu entre The Incredible Hulk 331 e 345, entre 1987 e 1988.

Sr. Tira-Teima:

O arco do "Sr. Tira-Teima" trouxe coisas interessantes, mas a arte feia e desejeitada de Jeff Purves atrapalhou bastante.

Enquanto o mundo pensa que ele está morto, descobrimos que o Hulk está vivo e trabalhando discretamente como leão de chácara em um cassino em Las Vegas, sob a identidade de Joe “Tira-Teima”. Mesmo sendo um monstro cinza, ele termina namorando uma garota chamada Marlo Chandler. E, talvez como efeito da radiação gama extra, o Hulk não se transforma mais em Banner. Contudo, após alguns meses, Banner retorna e põe a vida do Sr. Tira Teima de pernas para o ar. No fim das contas, o segredo vem à tona e o Hulk parte.

Essa fase durou dos números 346 até 361 e foi desenhada pelo horrível Jeff Purves.

Hulks em Conflito:

Banner e Hulk fazem um tipo de trégua em sua disputa e saem pelos EUA em busca de Betty Ross. Após algum tempo de procura, ficamos sabendo que ela sofreu um aborto do filho e que, agora, vive como freira em um convento. Quando a encontra, Banner começa a perceber que sua transformação no Hulk está ocorrendo de maneira diferente, e sua pele se rasga e não simplesmente muda. Além disso, em algumas ocasiões, em vez de se transformar no Hulk cinza, Banner termina virando o velho Hulk verde, forte e burro de antes. Convencido a procurar o Dr. Leonard Samson, este descobre que as múltiplas personalidades de Banner estão em conflito e faz um radical trabalho de terapia e hipnose visando estabilizá-lo. Como resultado, pela primeira vez, Bruce Banner emerge como uma única personalidade: ele agora é sempre o Hulk (em termos visuais – e verde), inteligente como Banner, forte como o Hulk verde, mas guarda resquícios da malícia e grosseria do Hulk cinza. Foi apelidado de “Professor Hulk“.

O "Professor Hulk" de Peter David e Dale Keown: todas as personalidades de Banner em uma só.

Esta fase culmina no número 377, de 1991, e marca a transição de Purves para o ótimo Dale Keown.

Panteão:

Este novo Hulk-Banner é contactado por uma organização secreta chamada Panteão, cujos membros superpoderosos utilizam os nomes dos heróis da Guerra de Tróia do escritor Homero: o líder Agamenon e seus “filhos” Aquiles, Heitor, Ulisses, Atalanta, Cassandra etc. Eles se apresentam como uma força de paz e querem que o Hulk os lidere. Querendo usar seus poderes e inteligência para um bem maior, o cientista-monstro aceita e, com isso, se envolve em uma série de missões secretas e até uma intervenção no Iraque (numa história com críticas ao real confronto que ocorria na época). No fim das contas, o Professor Hulk termina descobrindo uma trama secreta e maligna por parte de Agamenon para dominar o mundo. O Panteão se divide em duas facções – uma aliada ao Hulk outra a Agamenon – enquanto descobrem as raízes de seus poderes: Agamenon é um adolescente que fez um pacto com uma raça alienígena que fundiu seu DNA ao dos seres humanos. Como resultado, além das habilidades especiais, eles não envelhecem. Mas essa raça alienígena vem cobrar favores não cumpridos e resulta em uma guerra contra o Hulk e o Panteão. Ao fim do confronto, vários membros são mortos e o Hulk foge.

Peter David usou a ação do Panteão para criticar a Guerra do Iraque. Arte de Dale Keown.

Durante a Saga do Panteão, David produziu uma das melhores histórias do Hulk em todos os tempos, no qual aborda a AIDS. Arte de Gary Frank.

Esta fase rendeu um famoso vídeo game chamado Hulk: The Pantheon Saga.

Além disso, nesta fase David reinseriu Rick Jones, agora como uma estrela do rock e afastado do mundo dos super-heróis. E o pior: ele estava namorando a mesma Marlo Chandler que tinha tido um caso com o Hulk. Com muito humor, o escritor explorou esse inconveniente; o casamento de ambos, reunindo vários heróis; a amizade improvável entre Betty e Marlo; e o passado da garota, inclusive, como atriz pornô. Com isso, David quebrava mais uma vez uma série de tabus sobre as personagens femininas nos quadrinhos. Os diálogos entre Betty e Marlo antecipavam coisas como Sex and the City.

Poster do casamento de Rick Jones e Marlo Chandler. Arte por Gary Frank. (A história do casamento foi desenhada pelo brasileiro Roger Cruz).

Ao contrário de Dale Keown, o Hulk de Gary Frank tinha traços mais humanos.

A saga seguiu até o número 424, de 1994 e, como foi longa, teve vários desenhistas, com destaque a Dale Keown e Gary Frank.

O Fim

O Gen. Ross de volta, por Peter David e Adam Kubert.

A última fase do Hulk escrita por Peter David foi marcada de algumas inconsistências, em parte causadas pela necessidade de adaptar as tramas aos acontecimentos gerais do Universo Marvel. O resultado foi que as vendas da revista caíram.

De uma maneira geral, o Hulk passa a viver escondido após os eventos do fim do Panteão até voltar a ser perseguido pelo General Thadeus Ross, o pai de sua esposa Betty Ross. Esta, termina descobrindo que está mortalmente envenenada pela radiação gama e termina morrendo.

Com sua morte, os editores da Marvel queriam a volta do velho Hulk raivoso e sem-cérebro dos anos 1970, o que David era contra. Assim, após 12 anos, o escritor deixou o título e partiu para outras aventuras.

A última edição de Peter David foi a de número 467, de 1998. Nos últimos anos, trabalharam desenhistas como Liam Sharp, o brasileiro Mike Deodato e o ótimo Adam Kubert.

Volta

Jennifer Connelly e Eric Bana como Betty Ross e Bruce Banner no filme "The Hulk", de 2003: forte influência da obra de Peter David.

Mais recentemente, Peter David voltou a escrever o gigante verde, entre os números 77 e 87 de  The Incredible Hulk (3th Volume), entre 2005 e 2006, mostrando como o vilão Pesadelo interferiu em vários momentos da história do Hulk e utiliza isso como uma maneira de explicar algumas incongruências cronológicas do personagem.

Com uma vinculação tão longa com o Hulk, Peter David é não somente aquele que mais histórias do personagem criou – sua primeira temporada rendeu 137 edições mensais – mas alguém que aprofundou como nenhum outro a psique do monstro, transformando-o em muito mais do que apenas uma criatura de fúria que destrói as coisas, mas a manifestação inconsciente de um cientista atormentado por um passado familiar complicadíssimo que resulta em problemas com multiplas personalidades.

Dá para notar a profunda influência do trabalho de Peter David nos dois longametragens com atores produzidos sobre o golias verde nos últimos anos: The Hulk (2003) de Ang Lee e The Incredible Hulk (2008) de Louis Leterrier.

Leia

O encadernado da Panini.

As aventuras do Hulk por Peter David, em sua primeira fase, foram publicadas no Brasil pela Editora Abril ao longo dos anos 1990. Começou na revista O Incrível Hulk 86 e foi até sua última edição, o número 165. Depois, seguiram as revistas Marvel 97, Marvel 98, Marvel 99, Marvel 2000 e a mudança para o formato premium, em 2000, na revista Grandes Heróis Marvel, onde sua saga se encerrou. Este material, infelizmente, só pode ser encontrado em sebos.

Apenas os primeiros capítulos de sua longa fase foram republicados pela editora Panini Comics, em 2008, na carona do último filme do verdão. Com alguma sorte, ainda é possível encontrar nas livrarias Os Maiores Clássicos do Incrível Hulk – Volume 01, com histórias de David e McFarlane. Vale a pena!

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Sobre hqrock - Irapuan Peixoto

Doutor em Sociologia, professor universitário, músico e escritor amador. Nascido em 1979, já via quadrinhos antes de aprender a ler. Coleciona revistas desde 1990. É roqueiro de nascença. Já tocou em bandas, mas hoje só toca em casa.

Posted on 24/04/2011, in Desenhistas, Dossiês de Personagens, Escritores, Hulk, Marvel Comics, Panini Comics, Revistas. Bookmark the permalink. 12 Comentários.

  1. MUTO OBRIGADO ME AJUDOU A FAZER UM TRABALHO

  2. J Eduardo Dantas

    Irapuan, bem bacana seu post. Acompanhei boa parte da fase de Peter David à frente do Hulk e posso atestar que ela é realmente excelente, mesmo para quem não é fã do verdão. Parabéns por resgatar esse período tão interessante da Marvel e seria bem bacana se você fizesse o mesmo com os desenhistas da série. Por onde anda mesmo Dale Keown, por exemplo, que acompanhou David em célebres histórias nos anos 90? Abs,

    • Olá, Eduardo, obrigado pelos elogios. De fato, a fase do Peter David foi muito boa e Dale Keown fez um trabalho bem legal.
      Hoje, ele está na editora Top Cow cuidando da série Berserker.

      E fique atento que logo chegará um dossiê sobre a carreira do Hulk como um todo!

      Um abração!

  3. lucas cantino

    eu “apresentei” para uma amiga psicóloga o hulk e sua complexidade (falei dos abusos na infância) ela ficou encantada,até publicou no seu mural do face aquela “cena” dos dois hulks ,doutor banner e doc samson sentados em circulo , é incrivel como as HQs são ignoradas.O que podia ocorrer pra mim – que talvez até nem seria mutio etico da editora – era relançar as histórias de joe tira teima,pois aquela fase foi ótima ,so que Jeff Purves era muito limitado, o hulk foi meu primeiro personagem que me apaixonei e curioso que era justamente um personagem sem nenhuma moral

    na verdade a permanencia do hulk cinza foi um encanto do povo de jarela (é assim ? rss)

    ah, e volto a parabenizar esse blod é ducaralho

    parabens

  4. Acompanhei o Hulk do Peter David desde que ele começou, quando eu ainda era criança, e só terminei quando acabou mesmo.

    O Universo Marvel, como um todo, era um universo muito bem construído, com histórias bem dosadas dramaticamente. E, naquela época, por mais boas que tenham sido as histórias de Demolidor (Frank Miller), Vingadores (Stern), Homem Aranha (Stern), e por aí vai, o conceito mais interessante era o dos XMen, estabelecido pelo Claremont e Byrne. Se você for olhar, as histórias do Claremont, em determinado momento, nem eram mais grandes coisas, mas o conceito gerava muito interesse. Na época, era de longe o conceito mais interessante da Marvel. E isso bem antes de aparecer Watchmen, Cavaleiro das Trevas e quetais (as obras mais importantes da história da HQs, para quem nunca leu um gibi na vida).

    Me lembro que, no final da década de oitenta, na Marvel, esse trabalho do Peter David à frente do Hulk, principalmente no início da fase do Cinza, e depois, quando ele junta a personalidade fragmentada do Banner, fez do Hulk um conceito quase tão interessante quanto o dos XMen do Claremont. E acho que, quando vão elencar os autores que contribuíram para o ‘amadurecimento dos super heróis’, sempre se esquecem dele. Mas isso é pelo fato dele ter ficado tempo demais no personagem.

    Abraços

    • Puxa, muito interessante, Bruno. Concordo com você: o Peter David é um dos autores mais injustiçados das HQs. Basta olhar o que ele fez no Hulk, Homem Aranha, X Factor, Supergirl, Aquaman… Poucos autores souberam dosar drama e humor como ele.

      Um grande abraço!

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