X-Men – Apocalipse: Roteirista Simon Kinberg fala bastante sobre o próximo filme dos mutantes

Simon Kinberg: comentários sobre Apocalipse.

Simon Kinberg: comentários sobre Apocalipse.

Em entrevista ao Yahoo! Movies, o roteirista e produtor Simon Kinberg falou bastante sobre X-Men – Apocalipse, sequência de X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, terceiro filme da série que mostra as origens do supergrupo de heróis mutantes da Marvel Comics levado aos cinemas pela 20th Century Fox. O escritor deixa claro que o longametragem será o fechamento da Trilogia Primeira Classe, focada nas versões mais jovens de Xavier, Magneto e Mística. Por causa disso, ele sequer descarta realizar um X-Men 4 no futuro, retomando o velho elenco da Trilogia X-Men. Tudo claro vai depender dos desempenhos de bilheteria dos próximos filmes e do clamor público, porém, é fato que a Fox pretende agora investir mais em filmes dos heróis da Marvel, de modo que mais personagens mutantes chegarão às telonas, como o já confirmado Deadpool e Gambit.

Novamente, o escritor foi obrigado a dizer – mesmo que delicadamente – que Apocalipse trará de volta personagens como Ciclope, Jean Grey e Tempestade, estes serão vividos por outros atores, pois estamos falando de versões bem jovens deles: Apocalipse se passará em 1983, portanto, 17 anos antes do primeiríssimo filme da franquia.

Apocalipse realmente segue as histórias dos mutantes de Primeira Classe, então, nos futuros filmes dos X-Men, talvez [possamos trazer de volta os personagens da seção "futuro" de Dias de Um Futuro Esquecido]. Mas em Apocalipse é, de fato, com a geração mais jovem.

O velho elenco: Fox não descarta ainda fazer filmes do "presente" dos X-Men.

O velho elenco: Fox não descarta ainda fazer filmes do “presente” dos X-Men.

Falando em futuros filmes: teremos um X-Men 4 (continuando a Trilogia X-Men)?

Estou totalmente focado em Apocalipse agora e espero que seja o melhor filme da franquia, [mas] adoraria trabalhar com os atores originais de novo [da Trilogia X-Men]. Talvez, mas agora é tudo Apocalipse.

Sobre a família de Erik Lehnsherr, o Magneto, ser explorada em Apocalipse, já que seu filho Mercúrio apareceu em Dias de Um Futuro Esquecido:

É um relacionamento fascinante [entre Magneto e Mercúrio]. Erik cresceu sem uma família, isto é uma grande parte dele, de sua missão. Então, a ideia de explorar o que significa para Magneto ser um pai e se reconectar com esse filho tantos anos após o seu nascimento é fascinante e, certamente, algo que será interessante de explorar em futuros filmes.

Magneto continuará na tênue linha entre a vilania e o heroísmo.

Magneto continuará na tênue linha entre a vilania e o heroísmo.

Sobre o relacionamento entre Charles e Erik em Apocalipse:

No fim [de Dias de Um Futuro Esquecido], [Magneto] voa embora sem seu capacete [que o protege da telepatia de Charles], com a implicação de que ele irá seguir em frente e continuar a ser o Magneto de alguma forma, mas não ser mais hábil de se esconder de Charles, que será capaz de ler sua mente e rastreá-lo. Há algum tipo de trégua entre Charles e Magneto, mas uma parte de Magneto será sempre o Magneto que conhecemos dos quadrinhos.

O Yahoo! também perguntou sobre as implicações das revelações (e mudanças temporais) de Dias de Um Futuro Esquecido sobre a continuidade da franquia nos cinemas. Primeiro, se é Mística – e não Strycker – quem resgata Logan do fundo do rio, como é que Wolverine terminará tendo suas garras de adamantium no futuro?

Nós não vemos, porque ele não libera suas garras no fim do filme, [mas com os elementos da história] talvez como ele ganhou suas garras seja diferente [na nova linha temporal]. Mas ele termina na mesma destinação [ter as garras de adamantium].

Mercúrio terá sua relação com Magneto explorada no futuro.

Mercúrio terá sua relação com Magneto explorada no futuro.

Outro ponto que interessa ao público é o fato de que Mística é a mãe de Noturno (que apareceu em X-Men 2); e o pai é Azazel (que apareceu em Primeira Classe). Porém, Dias de Um Futuro Esquecido revela que Azazel está morto em 1973.

Já que Azazel está morto, isto quer dizer que Mística deu a luz ao Noturno no tempo entre Primeira Classe e DUFE? Tudo o que eu diria é que 10 anos se passaram entre Primeira Classe e DUFE, então, tudo é possível. Ela era uma mulher jovem em seus 20 anos indo para os 30… E eu deixaria aquilo lá.

Por fim, Kinberg revela que pensou seriamente em ter a personagem Psylocke em Dias de Um Futuro Esquecido e que a produção chegou até a testar atrizes para o papel, porque é uma heroína muito querida pelos fãs. Contudo, achou que não haveria espaço suficiente para ela no longa e resolveram, assim, guardá-la para um filme futuro. O mesmo vale para Cable, que também foi considerado a ser incluído no filme. Como é notória a relação entre Cable e Apocalipse, será que as viagens no tempo continuarão a ser um tema explorado em Apocalipse?

Para encerrar, só a curiosa constatação de que é Simon Kinberg quem continua sendo o portavoz da franquia dos X-Men nos cinemas, em vez do diretor Bryan Singer, que inclusive, já foi confirmado para o longametragem seguinte. Talvez, a Fox esteja esperando mesmo a poeira do processo judicial do diretor baixar, mesmo que o caso tenha sido arquivado. (Veja mais aqui).

X-Men – Apocalypse terá história de Bryan Singer e Simon Kinberg (de X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido); com roteiro de Kinberg, Dan Harris e Michael Dougherty (de X-Men 2 e Superman – O Retorno); e será dirigido por Bryan Singer. O filme será uma sequência de Dias de Um Futuro Esquecido e trará de volta de James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lehnsherr/ Magneto), Jennifer Lawrence (Raven/ Mística), Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Nicolas Hoult (Hank McCoy/ Fera), Evans Peters (Peter Maximoff/ Mercúrio). O lançamento será 27 de maio de 2016.

Os X-Men foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, mas só foram bem-sucedidos comercialmente nos anos 1970, a partir da reformulação idealizada pelo escritor Len Wein e tocada à frente por Chris Claremont, Dave Cockrum e John Byrne. Daí em diante, se tornaram uma das revistas de maior sucesso da Marvel Comics.

Batman v Superman: Filmagens revelam Mansão Wayne e protestos contra o homem de aço

A Ransom Gillis House é a nova Mansão Wayne?

A Ransom Gillis House é a nova Mansão Wayne?

Prosseguem na cidade de Detroit, no Estado de Michigan, nos EUA, as filmagens de Batman v. Superman – Dawn of Justice, sequência de Superman – O Homem de Aço, o reinício da franquia cinematográfica da Warner Bros. sobre o personagem da DC Comics, que colocará o homem-morcego contra o último filho de Krypton, resultando no primeiro encontro cinematográfico dos dois mais icônicos de todos os super-heróis. Esses dias, a vigilância intensa dos fãs ao redor da bem protegida área de gravações conseguiu revelar alguns detalhes interessantes do que está acontecendo por lá e que implicam em elementos da trama. Foi possível ver o que parece ser (parte) da Mansão Wayne e um protesto contra o Superman.

Quanto à Mansão Wayne (veja imagens ao lado, cortesia do site Batman-News), a primeira questão que vem à tona é o quanto ela é pequena. Afinal, estamos acostumados – seja nos quadrinhos, seja nos filmes – com construções bem mais suntuosas. Em termos práticos, o prédio usado pela equipe de filmagem é um velhíssimo sobrado chamado Ransom Gillis House, que existe na área do que hoje é um parque em Detroit. Parte da construção, inclusive, foi reconstruída para as gravações. Contudo, rumores antigos já falaram que, no filme, Bruce Wayne não viveria mais na Mansão Wayne, mas em um chalé à beira de um lago, dentro da propriedade da mansão, com a batcaverna ficando em baixo do chalé.

Sem sombra de dúvidas, a descrição bate com o que vemos no set de gravação, que conta até mesmo com uma pequena lancha ao lado da casa.

Por outro lado, também não é impossível que apenas elementos da construção, como a fachada e a porta, seja realmente usados no filme, sendo o restante da Mansão Wayne acrescentada com efeitos digitais posteriormente.

protestos contra o Superman: herói?

protestos contra o Superman: herói?

De qualquer modo, estão ocorrendo filmagens neste set atualmente, com seguidas noites de movimentação. Segundo informes de curiosos que frequentam o local (via Batman-News), os personagens Alfred Pennyworth e Lois Lane estão envolvidos nas cenas, juntamente a Bruce Wayne. Também foi gravada uma cena de um carro da polícia de Gotham City chegando acelerado na propriedade. A polícia atrás de Bruce Wayne?

Por fim, não menos importante, foi registrada a gravação de um protesto contra o Superman hoje em Detroit, disponibilizada no Twitter por um usuário e replicada no Site Comic Book Movie. Os cartazes criticam o homem de aço e o culpam pela destruição de Metrópolis na batalha do herói contra o General Zod no final de O Homem de Aço. É possível ler nos cartazes frases como “obrigado pela ‘ajuda’, vá embora!, super-morte” etc. Os curiosos falam que viram camisetas com os dizeres “sobreviventes do Superman”, como se fazem em relação aos tornados ou outras tragédias. Também há menções à invasão alienígena e até bonecos com rostos de ETs. Pelo o que dá a entender das imagens, também haverá um boneco representando o Superman que será queimado, no melhor estilo Judas.

Gravação da cena.

Gravação da cena.

Esta cena reforça os rumores de que haverá, no filme, uma parcela da população que é contrária ao homem de aço, odiando-o. Aparentemente, tanto Bruce Wayne quanto Lex Luthor pertencem a essa ala; enquanto existe outra facção da sociedade que reverencia o Superman como um herói, da qual com certeza Lois Lane deve ser a portavoz.

Em Batman v. Superman – Dawn of Justice, um Batman mais experiente irá se contrapor ao recém-surgido Superman, criando algum tipo de conflito entre ambos, mais ou menos nos parâmetros da minissérie Batman: O Cavaleiro das Trevas, escrita e desenhada por Frank Miller, em 1986. Segundo os informes até agora, será um “novo” Batman e não uma sequência da Trilogia Cavaleiro das Trevas, embora a premissa de um homem-morcego mais experiente seja justamente adequada a isso.

Mulher-Maravilha também terá uma (pequena?) participação no filme. Lex Luthor é o vilão principal, mas haverá outro antagonista, provavelmente, mais físico, que pode ser alguém como Doomsday (Apocalypse), Metallo ou Parasita. A cidade de Detroit será o modelo para Metrópolis e para Gotham City também. As filmagens principais estão ocorrendo no Estado de Michigan.

Batman v. Superman – Dawn of Justice  é produzido por Deborah Snyder, com história de David S. Goyer (dos filmes do Batman e O Homem de Aço), roteiro de Chris Terrio (de Argo) e dirigido por Zack Snyder (de 300 Watchmen), funcionando como uma sequência de Superman – O Homem de Aço. O elenco traz Henry Cavill (Superman/Clark Kent), Ben Affleck (Batman/Bruce Wayne), Amy Adams (Lois Lane),  Jesse Eisenberg (Lex Luthor), Gal Gadot (Diana Prince/ Mulher-Maravilha), Laurence Fishburne (Perry White), Diane Lane (Martha Kent), Jeremy Irons (Alfred Pennyworth), Tao Okamoto (Mercy Graves), além de Holly Hunter, Callan Mulvey e Scoot McNairy em papeis não revelados; e a participação especial de Jason Mamoa (Orin/ Aquaman). O lançamento será em 25 de março de 2016.

Superman foi criado por Jerry Siegel e Joe Shuster em 1938 e desde então é publicado pela DC Comics.

Batman foi criado pelo cartunista Bob Kane em 1939 e desde então é publicado pela DC Comics.

Quarteto Fantástico: Informes sobre o filme detalham origens do grupo e diferença racial entre Johnny e Sue Storm

O Quarteto Fantástico: pequenos detalhes do filme.

O Quarteto Fantástico: pequenos detalhes do filme.

Quarteto Fantástico, filme sobre o mais antigo supergrupo de heróis da Marvel Comics, levado aos cinemas pela 20th Century Fox, até já encerrou suas filmagens e mudou de data de lançamento, contudo, há até hoje pouquíssimas informações sobre o tom e a trama do longametragem. Este fim de semana, o site Schmoes Knowns finalmente conseguiu alguns poucos detalhes, que lançam luzes sobre as origens do grupo e sobre a diferença étnica entre os irmãos Johnny e Sue Storm.

Segundo as fontes do site, no filme, Susan Storm será adotada pela família de Johnny Storm, que ao contrário de sua versão nos quadrinhos é afrodescendente. Por isso, ela pode ser loira e caucasiana.

Além disso, a origem dos superpoderes da equipe terá relações com uma outra dimensão. Na trama, seria a abertura de um portal para uma outra dimensão que faria com que os futuros heróis ganhassem seus poderes fantásticos. Nas HQs, a mais famosa “outra dimensão” envolvendo os personagens chama-se Zona Negativa, lar do supervilão Aniquilador.

O que se sabe oficialmente é apenas que o filme terá uma releitura dos clássicos personagens e que eles serão bastante jovens, ao contrário de suas versões maduras das HQs, tendo em vista a idade baixa do elenco.

Quarteto Fantástico é dirigido por Josh Trank (de Poder Sem Limites). O roteiro passou por uma revisão final de Simon Kinberg (o mesmo da franquia dos filmes dos X-Men), depois de versões de Jeremy Slater,  Seth Grahame-Smith e T.S. Nowlin. A produção-executiva é de Matthew Vaughn (de X-Men – Primeira Classe). O elenco traz: Michael B. Jordan (Johnny Storm/ Tocha Humana), Kate Mara (Susan Storm/ Mulher-Invisível), Milles Teller (Reed Richards/ Sr. Fantástico), Jaime Bell (Ben Grimm/ O Coisa) e Tobby Kebbell (Victor Von Doom/ Dr. Destino). O lançamento será em 07 de agosto de 2015.

O Quarteto Fantástico foi criado por Stan Lee e Jack Kirby em Fantastic Four 01, de 1961, dando início à era moderna da Marvel Comics. Por isso, a equipe é apelidada de “a primeira família”. Maior sucesso dos anos iniciais da década de 1960, o grupo perdeu importância nas últimas décadas para outros – como Homem-Aranha, Vingadores, X-Men etc. – mas continua sendo uma parte essencial do Universo Marvel.

Jack Kirby: Familiares do artista encerram processo contra a Marvel Comics

Jack Kirby: grande criador visual do Universo Marvel.

Jack Kirby: grande criador visual do Universo Marvel.

A família do lendário artista Jack Kirby, o “rei dos quadrinhos” e cocriador do Universo Marvel ao lado de Stan Lee, encerrou o processo judicial que moviam há décadas contra a editora Marvel Comics. A família Kirby reivindicava direitos autorais de inúmeros personagens, como Hulk, Thor, Quarteto Fantástico e os X-Men. Segundo um comunicado oficial assinado pelos familiares e a Marvel, as duas partes assinaram um acordo amigável fora do tribunal, terminando a disputa.

Os termos do acordo, obviamente, não foram revelados.

Desde a morte de Jack Kirby, em 1994, a família vem movendo uma série de processos contra a editora. O atual processo foi aberto em 2009, após algumas mudanças na lei de “trabalho de aluguel” nos EUA, mas a Corte da Segunda Apelação deu ganho à Marvel no ano passado (leia mais aqui). A família Kirby foi representada pelo famoso (e polêmico) advogado Marc Toberoff, o mesmo que defendeu a família de Jerry Siegel, o criador do Superman, numa batalha contra a DC Comics, na qual a empresa  saiu vencedora – embora os herdeiros tenham ganho uma indenização em dinheiro e alguns direitos sobre a origem do personagem.  No Caso Kirby, a Corte Suprema tinha dado ganhos à Marvel, mas as apelações prosseguiram até o atual acordo.

O Caveira Vermelha versus Capitão América na arte de Jack Kirby.

O Caveira Vermelha versus Capitão América na arte de Jack Kirby.

Jack Kirby – leia aqui um post do HQRock sobre a trajetória do artista – foi um dos maiores desenhistas de super-heróis da história, tendo criado o Capitão América (ao lado de Joe Simon) para a Marvel em 1941, antes de sair para a DC Comics e fazer sucesso com histórias de guerra e faroeste. De volta à Marvel no fim dos anos 1950, Kirby fez parceria com Stan Lee e a dupla criou o núcleo central do Universo Marvel: Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Homem de Ferro, os Vingadores, X-Men e seus respectivos universos.

Além dos personagens principais, Kirby criou coadjuvantes que depois se tornaram personagens importantes, como Surfista Prateado, Pantera Negra, Feiticeira Escarlate, Mercúrio, Nick Fury, a SHIELD e muitos outros; além de vilões emblemáticos, como Magneto, Dr. Destino e Loki.

Thor, Asgard e a Bifrost por Jack Kirby.

Thor, Asgard e a Bifrost por Jack Kirby.

Kirby saiu da Marvel em 1970, após 102 edições do Quarteto Fantástico; 96 de Thor; e dezenas de outras em personagens variados; além de literalmente centenas de capas. Ele voltou à DC por alguns anos, até retornar outra vez a Marvel em 1975, onde trabalhou novamente com Capitão América, Pantera Negra e alguns outros personagens.

Ao longo da vida, o artista guardou rancor da Marvel (e de Stan Lee) por não ter recebido mérito suficiente por suas criações. Ele morreu em 1994, aos 76 anos. Desde então, sua família vem brigando na justiça pela propriedade das criações do artista, que foi o grande criador visual da Marvel em seus primeiros anos.

The Who: Banda revela canção nova para comemorar 50 anos

Townshend e Daltrey são os remanescentes do The Who.

Townshend e Daltrey são os remanescentes do The Who.

A banda britânica The Who, uma das mais importantes da história do rock, divulgou esses dias uma canção inédita: Be Lucky! A faixa é parte da coletânea The Who Hits 50, que comemorar os 50 anos de atividades do grupo, a serem comemorados em 2015.

Além da canção e do disco, Roger Daltrey e Pete Townshend, a dupla remanescente do conjunto, sairão em uma turnê comemorativa que tem datas marcadas no Reino Unido no mês de dezembro; mas deve incluir outros países no ano que vem.

Para iniciar a celebração, ouça Be Lucky!

Be Lucky traz Daltrey (vocais) e Townshend (guitarras) acompanhados por Pino Palladino (baixo), Mick Talbot (teclados) e Zak Starkey (bateria), com produção de Dave Eringa. Esta é a primeira canção inédita da banda em nove anos.

O The Who surgiu na periferia de Londres, formado pela união de Pete Townshend (guitarra), Roger Daltrey (vocais), John Entwistle (baixo) e Keith Moon (bateria). Após algumas tentativas frustradas, a banda alçou o sucesso em 1965, com canções como I can’t explain e My generation. O grupo foi um dos mais importantes dos anos 1960, atingindo seu melhor momento comercial em 1969, com a ópera-rock Tommy, tocando em seguida no Festival de Woodstock. Diminuindo a popularidade ao longo dos anos 1970, veio a morte do baterista Keith Moon, em 1978, por causa de uma overdose de medicamentos. O grupo lançou seu último álbum em 1982, encerrando as atividades oficialmente. Contudo, continuaram a se reunir ocasionalmente para shows e turnês. O baixista John Entwistle morreu de um ataque cardíaco ocasionado pelo uso de cocaína em 2002, mas a dupla remanescente Daltrey e Townshend lançou o álbum Endless Wire (o primeiro desde 1982!) em 2005. Permanecem fazendo shows constantemente.

Beatles: Álbum Abbey Road completa 45 anos

A capa de "Abbey Road" dos Beatles: melhor dos melhores.

A capa de “Abbey Road” dos Beatles: melhor dos melhores.

45 anos, os britânicos The Beatles, a mais importante banda de rock da história, lançavam aquele que muitos acreditam ser o seu melhor álbum: Abbey Road. E somente uma banda singular em termos históricos e artísticos como o quarteto de Liverpool para fazer de seu último disco o melhor de todos. Sim. Abbey Road foi a última vez que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr se reuniram em um estúdio e registraram suas canções, encerrando a gloriosa e curta carreira do grupo, mas legando clássicos imortais como Come together, Someting, Oh! Darling, Here comes the sun, Because, You never give me your money e The end.

Um leitor atento irá reparar que, após o lançamento de Abbey Road em 26 de setembro de 1969, os Beatles lançaram outro álbum: Let it Be saiu em maio de 1970 (oito meses depois), mas fora gravado antes de Abbey Road.

Então, para comemorar esse marco, do melhor disco da melhor banda, o HQRock traz um mergulho profundo na maravilhosa música de Abbey Road e dos coloridos e geniais anos 1960.

Pegue sua guitarra Epiphone, plugue numa caixa fender, ligue a válvula Leslie e mande brasa num som maneiro com a gente…

O Caminho Até Abbey Road

Beatles em 1969.

Beatles em 1969: Harrison, McCartney, Lennon e Starr.

Raramente, as bandas encerram suas atividades em meio a alegrias. E este definitivamente não foi o caso dos Beatles. Apesar da imagem cultivada de “banda de amigos” que tiveram no início da carreira, o quarteto de Liverpool passou seus últimos anos mergulhado em um inferno astral monumental, repleto de brigas, tensões, problemas com dinheiro, ciúmes, egos inflamados e drogas. Por isso, é quase inacreditável que em um ambiente desse tipo tenha sido gerado um álbum maravilhoso como Abbey Road.

Que bom que foi assim. Pelo menos, o grupo não viveu nenhum tipo de decadência e encerrou suas atividades no auge, entregando o seu melhor material dentre tantos outros.

O álbum se tornou muito famoso com o passar do tempo e serviu também para mitificar o estúdio em que foi gravado. Abbey Road (ou Estrada da Abadia) nada mais é do que o nome da rua em que estava localizado o prédio do EMI Studios, palco das gravações da maior gravadora de discos da Inglaterra. A fama do álbum terminou por batizar o recinto, que nos anos 1970 passou a ser oficialmente conhecido como Abbey Road Studios.

Os Estúdios Abbey Road em Londres.

Os Estúdios Abbey Road em Londres.

Famoso por sua acústica maravilhosa, o complexo de Abbey Road tem três estúdios: o Estúdio 1 é o maior de todos, um gigantesco templo usado para gravar orquestras inteiras. O Estúdio 2 era o favorito dos Beatles, marcado por uma sala de controle elevada, pela qual se acessa uma escada. Este era o lugar favorito da banda, o estúdio onde os Beatles gravaram a maioria absoluta de suas canções. E o Estúdio 3, que era bem menor e, geralmente, usado para gravar overdubs ou faixas que podiam se beneficiar de um espaço pequeno.

O Abbey Road Studios também serviu a muitos outros nomes do rock (Queen, Oasis), notadamente o Pink Floyd, que também trabalhou lá e gravou álbuns importantes, como The Piper at the Gates of Dawn, Darkside of the Moon e Wish You Were Here.

Atualmente, o estúdio é tombado pelo patrimônio público da Grã-Bretanha e está aberto à visitação do público. Também há um programa de TV britânico chamado Live in Abbey Road que registra performances ao vivo de artista no interior do estúdio.

Mas voltando ao álbum dos Beatles, visto em perspectiva, Abbey Road soa como uma sequência do álbum oficial anterior: chamado oficialmente apenas de The Beatles, mas popularmente conhecido como The White Album ou Álbum Branco no Brasil. Qualquer ouvinte leigo irá notar as semelhanças estilísticas e de direcionamento de ambas as bolachas (eram assim que se chamavam os LPs de vinil no passado). Contudo, enquanto o Álbum Branco se perde em excessos – é um disco duplo, com 30 canções, algumas dos quais simplesmente horríveis – Abbey Road é compacto, conciso e preciso. Isso faz dele melhor, claro.

Os Beatles tocam "Revolution" na TV em 1968.

Os Beatles tocam “Revolution” na TV em 1968.

Curiosamente, não houve uma passagem direta de Álbum Branco para Abbey Road, pois houve as sessões do Let it Be entre um e outro e este é um disco diferente dos outros dois. Não há como contar a história de Abbey Road sem passar por Let it Be antes. Então, vamos por partes.

Venha Junto

Os Beatles atingiram o apogeu de sucesso e aclamação em 1967, com o lançamento do álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (saiba mais aqui, em outro post do HQRock). Mas depois, veio uma maré de azar, com a morte do empresário Brian Epstein, os problemas de drogas de John Lennon e o crescimento da tensão interna dentro do grupo. Para piorar tudo, o conjunto abrira a própria companhia, a Apple Corps., e isso virou um pesadelo financeiro que levou a banda ainda mais para o buraco.

Como que antevendo tudo isso, os Beatles partiram para um retiro espiritual na Índia em março de 1968, onde compuseram a maior parte das canções iriam preencher os últimos três álbuns da banda. Ao retornarem, iniciaram as gravações do Álbum Branco em maio, que se estenderam até outubro, numa maratona que destruiu as relações internas da banda. Em meio àquelas gravações, o baterista Ringo Starr chegou a pedir demissão e se afastou por duas semanas, até ser convencido a retornar.

O show no telhado da Apple, em 30 de janeiro de 1969.

O show no telhado da Apple, em 30 de janeiro de 1969.

Terminadas aquelas sessões, em vez da banda descansar, embarcaram quase que imediatamente em outro projeto: ensaiar um repertório inédito para um concerto ao vivo (coisa que os Beatles não faziam desde 1966) e filmar tudo para um documentário para a televisão. Chamado inicialmente de Get Back (“volte”, numa alusão ao retorno aos palcos da banda), o projeto iniciou rapidamente, em 02 de janeiro de 1969, com a banda começando a ensaiar um material totalmente novo e filmando tudo.

Foi um inferno ainda pior. As relações destruídas dentro da banda só pioraram com o quarteto confinado oito horas por dia em um estúdio de cinema, cercado de câmeras e equipe cinematográfica, além de fotógrafos, técnicos e iluminadores. Novamente, as tensões subiram à estratosfera e, dessa vez, foi o guitarrista George Harrison quem pediu para sair e passou duas semanas afastado até ser convencido a retornar.

Após essa pausa, o conjunto acertou terminar o filme sem fazer o tal concerto e rodou mais oito dias de ensaios para finalizar as canções e terminar o filme só como ensaios mesmo. A banda chegou até a subir no telhado da sua própria gravadora, a Apple Records, no centro de Londres, em 30 de janeiro, e realizou lá um concerto improvisado muito bom, no qual executaram cinco canções antes de serem impedidos pela polícia, devido ao barulho. Foi efetivamente o último show dos Beatles e a última aparição pública da banda em sua história.

Let it Be: lançado depois, mas gravado antes.

Let it Be: lançado depois, mas gravado antes.

A ideia, então, passou a lançar  o projeto Get Back – que depois mudaria o nome para Let it Be - como um filme para o cinema (foi dirigido por Michael Lindsey-Hog) e um álbum como trilha sonora, registrado a partir dos ensaios de janeiro. Com isso, se perderia a ideia do show (apesar de haver o telhado), mas se manteria o feeling de um disco gravado ao vivo no estúdio, sem intervenções posteriores e a pós-produção típica da obra da banda.

Assim, o engenheiro de som e produtor Glyn Johns – famoso por seu trabalho com Rolling Stones e The Who – que tinha acompanhado as sessões foi encarregado de selecionar, editar e montar o que seria o álbum Let it Be. Contudo, tendo em vista o péssimo clima das gravações, tal empreitada se mostrou um trabalho hercúleo e os Beatles negariam várias e várias versões produzidas ao longo do ano de 1969. É tanto que o disco só ficou pronto após o lançamento de Abbey Road – e ainda assim, quando a banda dispensou Johns e colocou o badalado produtor norteramericano Phil Spector no comando da missão.

Por isso, Let it Be seria o último disco lançado pela banda, já em maio de 1970.

Nesse meio tempo, enquanto Glyn Johns batalhava contra aqueles tapes, a banda decidiu gravar um “álbum de verdade“. Para isso, abandonou completamente todo o material finalizado para Let it Be e investiu em canções novas para compor um disco novo. E assim veio Abbey Road.

Você nunca me dá o meu dinheiro

A logomarca da Apple dos Beatles.

A logomarca da Apple dos Beatles.

A ideia da Apple Corps. parecia genial e totalmente afinada aos anos 1960: os Beatles teriam a sua própria gravadora, sem ter que se deixar explorar pelos capitalistas da EMI e, ainda, dar a oportunidade de lançar novos artistas sem a necessidade de gerar lucro. Lançada oficialmente em 1968, a empreitada até deu certo no começo: lançou sucessos seguidos, em nomes como Mary Hopkins, James Taylor, Jackie Lomax, Billy Preston e a banda Badfinger.

Porém, os Beatles não eram empresários e a inexperiência administrativa junto ao ideal hippie não foram uma boa combinação para manter um conglomerado empresarial. Como resultado, a Apple virou um vazamento insistente de dinheiro e levaria a banda à falência caso alguma medida não fosse tomada.

Sem um empresário oficial desde a morte de Brian Epstein – embora a função fosse exercida na prática por vários nomes, como o irmão daquele, Clive Epstein e a empresa NEMS, ligada aos Beatles; ou por Neil Aspinal, o ex-rodie da banda que virou o principal executivo da Apple – os Beatles decidiram contratar um nome para cuidar de seus negócios. E foi aí que veio a real ruptura da banda: John Lennon, George Harrison e Ringo Starr (após ampla pesquisa) decidiram fechar acordo com o poderoso Allen Klein, um dos mais famosos empresários artísticos de Nova York, responsável pela administração dos Rolling Stones nos EUA; enquanto Paul McCartney queria contratar Lee Eastman, seu novo sogro (o pai de Linda McCartney), que era um famoso advogado também de Nova York.

Selo do álbum Abbey Road com a logo da Apple.

Selo do álbum Abbey Road com a logo da Apple.

Lennon, Harrison e Starr acharam inadmissível que Eastman assumisse os negócios da banda, já que previam que o advogado iria sempre favorecer McCartney dentro das divisões internas. E provavelmente estavam certos, porque evidências mostram isso: em 1969, John Lennon, por exemplo, descobriu que, sob a orientação de Eastman, McCartney vinha comprando ações avulsas da companhia Northern Song, a editora musical que cuidava do catálogo das composições de Lennon-McCartney, cerca de 80% do repertório dos Beatles! Lennon ficou iradíssimo pelo o que considerou uma traição. Afinal, isso fazia McCartney ter mais propriedade sobre a empresa do que seu parceiro. E se os dois comprassem ações juntos poderiam ter mais poder de decisão sobre os negócios. O resultado terminou que tanto a Northern Song quanto a NEMS terminariam sendo vendidas, caindo nas mãos de acionistas anônimos sem nenhum contato com a banda e, na prática, tirando o controle dos Beatles sobre suas próprias canções.

Para piorar ainda mais, vindos da classe trabalhadora de Liverpool, no norte industrial da Inglaterra, Lennon, Harrison e Starr odiavam e viam com desdém o ar de “altíssima classe esnobe” da família Eastman. E tiveram – para eles – uma prova quando no momento de negociar um acerto com a banda Lee Eastman sequer se deu ao trabalho de cruzar o Atlântico para conversar com a banda mais famosa, rica e poderosa do mundo: enviou o filho John Eastman para tal. Este era visto pelos três como um “playboyzinho de merda” e melou totalmente qualquer possibilidade de acordo.

Allen Klein: ruptura definitiva dos Beatles.

Allen Klein: ruptura definitiva dos Beatles.

Por isso, preferiam as origens humildes, duvidosas e batalhadoras (mesmo que inescrupulosas – mas isso se voltava contra os ricos, terminava sendo uma vantagem) de Klein. Ou seja, tínhamos uma luta de classes partindo os Beatles ao meio.

Como resultado, houve uma cisão oficial entre os Beatles: Lennon, Harrison e Starr assinaram contrato com Klein; enquanto McCartney assinou outro com Eastman. Para se ter uma ideia, as gravações do álbum Abbey Road chegaram a ser suspensas no mês de maio de 1969 por causa disso e os Beatles quase acabaram ali mesmo. O grupo retornou às sessões um mês e meio depois, mas nunca mais seria o mesmo.

Carregando esse peso

Os Beatles nas sessões de Let it Be.

Os Beatles nas sessões de Let it Be.

O álbum foi gravado em três etapas. Primeiramente, uma rápida passagem no Trident Studios em 22 de fevereiro de 1969, onde os Beatles se uniram ao produtor Glyn Johns e ao tecladista de apoio Billy Preston para registrar a canção I want you, de John Lennon. Apenas essa canção foi registrada e não se sabe exatamente qual era o propósito da empreitada, afinal, ela nunca foi pensada como single e o álbum Abbey Road ainda não havia sido planejado.

Provavelmente, a intensão era registrar uma versão válida de I want you – que já havia sido ensaiada nas sessões de Let it Be, com o propósito de incluí-la naquele álbum, já que nesse mesmo período fora dada a missão a Glyn Johns montar aquele álbum. Nesse meio tempo, I want you ganharia outra chance em Abbey Road.

Os Beatles em abril de 1969, quando as gravações estavam no início.

Os Beatles em abril de 1969, quando as gravações estavam no início.

A segunda fase das gravações veio em abril de 1969, quando os Beatles decidiram gravar o tal “álbum de verdade” e nasceu a ideia de Abbey Road, embora o disco não tivesse nome ainda, claro. As sessões iniciaram no dia 14, agora com a produção de Chris Thomas, que ficaria famoso nos anos 1970, com seu trabalho com Elton John, Pink Floyd e Sex Pistols. As sessões começaram nos estúdios da EMI em Abbey Road, mas depois, houve algumas gravações no Olympic Sound Studios, antes de voltar àquele. O produtor George Martin, que trabalhara com eles em todos os seus outros discos, também voltou a se reunir ao grupo nesse período, que se encerrou no dia 09 de maio.

Entre as canções registradas nesse período, pérolas como Something de George Harrison; Oh! Darling eYou never give me your money de Paul McCartney; e Octopus’s garden de Ringo Starr. Também foram registradas nessas sessões as canções The ballad of John and Yoko e Old brown shoe, que terminaram lançadas como um single, em maio, chegando ao primeiro lugar das paradas.

A banda espera para fazer a capa do álbum.

A banda espera para fazer a capa do álbum.

Contudo, a tensão entre o conjunto permanecia alta e chegou rapidamente à ebulição. Como resultado, os Beatles decidiram interromper as gravações e tirarem um mês de férias para esfriarem a cabeça e pensar se deviam voltar ou não a trabalhar juntos.

O motivo imediato, como já escrito, foi o acordo com Allen Klein por Lennon, Harrison e Starr, que não foi aceito por McCartney.

Veio então, a terceira etapa das gravações: depois de um tempo e dezenas de ligações telefônicas, a banda decidiu finalizar o álbum e chamaram de volta o produtor George Martin. O retorno foi marcado para o dia 03 de julho de 1969 e os Beatles sabiam que iam enfrentar uma maratona de sessões se quisessem lançar o disco ainda naquele ano.

As gravações iniciaram, porém, sem a presença de John Lennon, que sofrera um grave acidente de carro na Escócia, durante suas férias e estava hospitalizado. Sem o parceiro, McCartney, Harrison e Starr trabalharam nas bases de algumas canções, como Here comes the sun e o medley Golden slumbers/ Carry that weight. Quando saiu do hospital, no dia 09, Lennon se reuniu aos colegas e começaram os trabalhos em Maxwell silver hammer. Mas Lennon e Harrison odiavam tanto essa canção que foi preciso outra parada estratégica, voltada aos overdubs (sobreposições), antes de retomar o registro de canções novas com Come together, alguns dias depois.

Beatles: sem alegrias no final.

Beatles: sem alegrias no final.

Em meio a tensões, a banda adotou um regime de trabalho diferenciado: faziam-se as gravações com quem estivesse presente, de modo que raramente o quarteto completo estava unido no estúdio. Dois ou três gravavam a base da canção e, se lhes apetecesse, os restantes acrescentavam suas partes em seguida. Por isso, os Beatles ocuparam todos os três estúdios do complexo da EMI em Abbey Road ao longo do fim do mês de julho e início de agosto.

Foi nesse momento, entre julho e agosto, que a banda – mais precisamente McCartney – teve a ideia de encher o Lado B do álbum com um grande medley que reunisse várias canções. Chamaram-no de Huge Melody e terminaria agregando as canções You never give me your money, Sun king, Mean Mr. Mostard, Polytheme Pam, She comes through the bathroom window, Golden slumbers, Carry that weight e The end.

A reta final das gravações começou no dia 25 de julho, a partir de quando começaram as sessões de Polytheme Pam, She came in through the bathroom window e Because, que foi a última canção a ser iniciada para o álbum. Também foi nessa etapa em que foram realizados os acabamentos em The End.

A partir do dia 07 de agosto, os Beatles passaram a se dedicar exclusivamente a um longo período de sessões de sobreposições de gravações, os chamados overdubs. Um processo quase obsessivo de regravações, com Lennon, McCartney e Harrison trabalhando, cada um, sozinho em suas próprias canções. Isso foi totalmente diferente dos outros álbuns, quando as canções iam sendo trabalhadas cada uma por vez. Até o dia 20 de agosto, quando encerraram as gravações, os Beatles ficaram apenas adornando suas próprias canções.

Starr, Harrison e Lennon nos estúdios de Abbey Road.

Starr, Harrison e Lennon nos estúdios de Abbey Road.

Também desta vez, as inserções orquestrais que o grupo sempre usou – arranjadas por George Martin – foram gravadas de uma só vez, em uma única grande sessão, no dia 15 de agosto.

As tensões continuaram, entretanto. Em uma ocasião, houve uma grande discussão e McCartney saiu chorando do estúdio. No dia seguinte, este não compareceu às gravações, o que resultou em John Lennon ir tentar trazê-lo à força, indo buscá-lo em casa (pois McCartney morava há dois quarteirões de Abbey Road). No fim das contas, McCartney não atendeu e Lennon pulou o muro, chutando a sua porta.

O mágico Estúdio 2 em Abbey Road, ligar favorito dos Beatles.

O mágico Estúdio 2 em Abbey Road, ligar favorito dos Beatles.

Quanto ao título, inicialmente a banda pensou por vários nomes – inclusive Huge Melody, por causa do medley – mas o que ganhou mais força foi Everest. Menos pela montanha e mais pela marca de cigarro que o engenheiro de som Geoff Emmerick fumava. Mas quando a banda percebeu que teria que ir até o Himalaia para fazer uma foto, desistiram da ideia rapidamente.

Por isso, decidiram chamá-lo pelo nome do estúdio onde trabalharam a maior parte das canções em sua carreira: Abbey Road. Na verdade, este é o nome da rua onde o estúdio está localizado, já que o nome oficial do lugar era apenas EMI Studios. Mas todo mundo sempre o chamou pelo nome da rua até que este virou seu título oficial.

Uma velhinha conversa com os Beatles na hora da foto.

Uma velhinha conversa com os Beatles na hora da foto.

Foi McCartney quem fez o design da capa, esboçado em uma folha de papel comum. A icônica foto registrada por Ian McMillan foi realizada no dia 08 de agosto, num intervalo entre as gravações. Não houve qualquer preparação especial. A banda pousou com as roupas que usavam naquele dia e foram até à faixa de pedestres localizada quase na entrada do estúdio e a atravessaram algumas vezes, com o fotógrafo postado em cima de uma pequena escada, um guarda de trânsito segurando os carros e nenhum tipo de iluminação especial, apenas o sol de verão.

Por sinal, estava muito quente naquele dia e McCartney usava sandálias, em vez de um sapato. Porém, em algumas das travessias ele terminou ficando descalço e é assim como aparece na versão final da capa. Mais tarde, esse pequeno gesto daria força ao boato bizarro de que o baixista havia morrido.

As gravações de Abbey Road finalizaram em 20 de agosto e, depois disso, nunca mais os quatro Beatles se reuniram em um estúdio musical.

Sonhos Dourados

Feita uma contextualização geral do álbum, vamos analisar rapidamente cada canção de Abbey Road.

COME TOGETHER

John Lennon nas sessões de Abbey Road: Come together.

John Lennon nas sessões de Abbey Road: Come together.

Abbey Road abre com a fantástica Come together, uma das melhores canções do repertório da banda, gravação favorita do produtor George Martin e já regravada por inúmeros artistas, que vão desde Aerosmith e Michael Jackson até Arctic Monkeys (que a tocou no encerramento das Olimpíadas de Londres 2012). Pontuada com um poderoso riff de contrabaixo e um bom trabalho de ton-tons na bateria, o compasso de marcha da canção é cativante, com uma execução interessantíssima da banda.

Em termos de composição, Come together tem uma história surpreendente: foi composta por John Lennon para ser o tema da campanha do psiquiatra Timothy Leary à presidência dos Estados Unidos, naquele ano de 1969. Leary era conhecido como “o papa do LSD“, pois fora expulso da Universidade de Harvard por suas experiências com aquela droga, depois se tornando o maior defensor do uso dela para “expandir a consciência”. Figura bastante polêmica nos anos 1960, terminou preso e foi impedido de manter sua candidatura. Mas a canção-tema de Lennon sobreviveu.

As gravações para a faixa começaram em 21 de julho e foi a primeira original de Lennon depois de seu acidente de carro. Foram feitos nove takes e o primeiro deles já é uma gravação sensacional (lançada em The Beatles Anthology III, em 1996). As bases foram feitas com Lennon apenas cantando, acompanhado por McCartney (baixo), Harrison (guitarra) e Starr (bateria). No dia seguinte, Lennon voltou sozinho ao estúdio e acrescentou o piano elétrico que marca a canção do meio para o fim. Também gravou uma marraca (para reforçar a batida típica da canção) e uma segunda guitarra para reforçar a parte final. Alguns especialistas em Beatles acham que a guitarra solo no final é tocada por Lennon, que teria substituído a guitarra original de Harrison. De fato, é o estilo dele.

duas curiosidades sobre a gravação de Come together: a primeira é que tanto os vocais principais quanto os backing vocals são de John Lennon. Todo mundo pensava que os backings eram de Paul McCartney, mas obras sobre as gravações dos Beatles terminaram por revelar que o autor é quem fez os dois registros. A segunda, é que Lennon diz a frase “shoot me” (atire em mim) no início do riff, mas a mixagem final de Geoff Emmerick sobrepôs a nota grave do baixo, de modo que não se ouve o “me”.

Come together foi lançada no Lado B do compacto  de Something que promoveu o álbum, e chegou ao primeiro lugar das paradas dos EUA. Desde sempre Come together se tornou um dos rocks mais famosos e apreciados dos Beatles. É a única canção da banda gravada por Lennon no disco ao vivo Live in New York City, de 1972 (lançado em 1985).

SOMETHING

George Harrison nas sessões de Abbey Road: sucesso com Something.

George Harrison nas sessões de Abbey Road: sucesso com Something.

O maior clássico de autoria de George Harrison nos Beatles é a segunda faixa do álbum e foi, também, o single que promoveu o disco. Foi o primeiro single da banda com uma composição de Harrison no Lado A. Come together foi o Lado B e o disco chegou ao primeiro lugar das paradas dos EUA. Harrison compôs Something ainda nas sessões do Álbum Branco e chegou a tocá-la ligeiramente nas sessões de Let it Be. Harrison gravou uma demo em 25 de fevereiro de 1969 (lançado no Anthology III) e a gravação terminou nas mãos do cantor Joe Cocker, que a gravou e lançou antes mesmo do que os Beatles.

A primeira vez que os Beatles a gravaram foi em 16 de abril, numa sessão em que John Lennon estava presente, mas por algum motivo, ficou na mesa de controle e não tocou. Foram feitos três takes instrumentais com Harrison (guitarra), McCartney (baixo), Starr (bateria) e George Martin (piano). Mas a gravação seria descartada em seguida.

As gravações recomeçaram do zero em 02 de maio, agora com produção de Chris Thomas, os Beatles completos (Lennon no piano, McCartney no baixo, Harrison na guitarra e Starr na bateria) mais o apoio de Billy Preston tocando órgão. Foram feitos 36 takes, do qual o último foi marcado como o melhor. Diferente da versão final, neste estágio, Something tinha mais de sete minutos de duração, pois ganhava uma longa coda instrumental liderada pelo piano de Lennon. Esta coda, aparentemente, é de autoria do próprio Lennon, inclusive, porque usa a frase melódica principal da canção Remember (lançada no álbum solo Plastic Ono Band), que já havia aparecido nas sessões do Let it Be.

No dia 05 de maio, começou uma longa temporada de overdubs, com McCartney refazendo seu baixo, Lennon fazendo uma guitarra base e Harrison acrescentando uma guitarra cheia de distorção (por meio da caixa Leslie) que terminaria não aproveitando. Em 11 de julho, Harrison gravou um novo vocal principal e comandou uma mixagem que reduziu a faixa para cinco minutos de duração (3 min. da canção e 2 min. da coda). Em 16 de julho, os vocais principais foram regravados de novo, mais os backing vocals e palmas.

Por fim, no dia 15 de agosto, foi gravada a orquestra que acompanha a canção e a versão definitiva do solo de guitarra de George Harrison no meio. Na mixagem que se seguiu, a coda foi eliminada definitivamente. E não somente isso, curiosamente, o piano da canção inteiro também foi apagado – para que desse espaço à orquestra nos 16 canais – restando em um único trecho: a parada antes do solo.

Something é uma das peças mais belas do repertório dos Beatles e é a segunda (atrás de Yesterday) canção mais regravada da banda.

MAXWELL’S SILVER HAMMER

Depois de duas faixas arrebatadoras, Abbey Road tropeça nesta faixa sem graça de Paul McCartney. No estilo cômico (embora agora com humor negro) de Ob-la-di, ob-la-da, esta faixa era odiada por Lennon e Harrison, que não disfarçaram sua posição nas gravações. Ainda assim, McCartney insistiu em gravá-la por vários dias seguidos, o que prejudicou o clima das sessões. A canção relata a história de um estudante de medicina chamado Maxwell, que mata suas vítimas com um martelo, mas é defendido por fãs no julgamento. O arranjo é infantil e canção se desenvolve de modo enfadonho.

A faixa chegou a ser ensaiada nas sessões de Let it Be – e inclusive pode ser vista no filme, com a banda tentando tocá-la – mas as gravações de Maxwell’s silver hammer começaram de verdade em 09 de julho de 1969, justamente o dia em que Lennon retornou à banda após seu acidente de carro. Foram feitos 21 takes, com piano (Lennon), baixo (McCartney), guitarra (Harrison) e bateria (Starr), mas houve um exaustivo processo de overdubs, começando no dia seguinte, com mais piano (McCartney), órgão (George Martin), guitarra com pedal leslie (Harrison) e uma bigorna (Starr) para fazer o efeito do martelo; além de backing vocals.  Continuando no dia 11, gravaram mais vocais e guitarras. Mas a canção ainda ganharia o overdub de um sintetizador mini moog em 06 de agosto, tocado por McCartney, que faz aquele teclado estranho no meio da faixa.

OH! DARLING

Paul McCartney suou para fazer os vocais de Oh! Darling.

Paul McCartney suou para fazer os vocais de Oh! Darling.

Outra canção que viu o nascer do dia nas sessões de Let it Be (há uma versão ensaio em Anthology III), Oh! Darling é um ótimo número de R&B dos Beatles, marcado por um vocal apaixonado de Paul McCartney e um toque de doo-woop nos backing vocals de fundo. O instrumental da canção não é soberbo – é algo irritante a imobilidade da guitarra ao longo de toda a faixa – mas é uma grande canção que recupera o prestígio de Abbey Road depois do ponto baixo de Maxwell’s silver hammer.

As gravações começaram em 20 de abril e, na verdade, consistiu em um grande ensaio: 26 takes foram realizados, pautados por várias e longas jam sessions intermediárias. A formação foi a seguinte: McCartney nos vocais e baixo, Lennon no piano, Harrison na guitarra com pedal leslie e Starr na bateria. A última tentativa foi a melhor e ficou como a master. Neste mesmo dia, após a sessão, Paul McCartney acrescentou um overdub de um órgão hammond, que terminaria não utilizado na versão final. Os vocais principais foram gravados no dia 26 daquele mês, mas McCartney depois ficaria insatisfeito.

Um dos grandes trunfos da faixa são justamente seus vocais. McCartney queria uma voz gritada e rouca – como um cantor de blues de Nova Orleans – para a faixa e procurou insistentemente pelo efeito, gravando dezenas de tentativas até encontrar uma satisfatória, ao longo dos dias 17, 18, 22 e 23 de julho. O último dia trouxe a gravação da versão final dos vocais de McCartney, realizados imediatamente antes da banda começar a gravar a faixa The End. Os backing vocals de fundo – McCartney, Lennon e Harrison – contudo, já haviam sido gravados no dia 11 de agosto.

OCTOPUS’S GARDEN

Ringo Starr tem seu momento de brilhar com Octopus's garden.

Ringo Starr tem seu momento de brilhar com Octopus’s garden.

Segunda de duas canções de autoria de Ringo Starr gravada pelos Beatles (a outra foi Don’t pass me by, do Álbum Branco), esta é a melhor delas. Não é uma pérola no repertório dos Beatles, mas o trabalho inspirado das guitarras, os efeitos sonoros e os bons backing vocals a tornam apta ao lugar ocupado no álbum. O baterista a compôs num violão a bordo de um cruzeiro para Nova York durante o período em que pediu demissão da banda no meio das gravações do Álbum Branco. Esta faixa também foi ensaiada nas sessões de Let it Be e no filme vemos Starr e Harrison tocá-la rapidamente.

Sua gravação oficial começa no dia 26 de abril, quando a banda fez 26 takes e marcou o último como “melhor”, com uma formação básica de guitarras (Lennon e Harrison), baixo (McCartney) e bateria (Starr, que também fez os vocais de guia). Os vocais para valer mesmo foram feitos no dia 29. A canção estava presumivelmente pronta até o meio de julho, quando ganhou uma nova onda de gravações: no dia 17 a banda acrescentou um piano (McCartney), os backing vocals e uma gama de efeitos sonoros, com sons de água para reverberar o tema submarino da faixa. No dia 18, as sessões continuaram, com a regravação do vocal principal de Starr, que também pôs uma percussão.

I WANT YOU (SHE’S SO HEAVY)

Lennon toca o sintetizador moog ao lado de McCartney (ao fundo) e Harrison (de costas).

Lennon toca o sintetizador moog ao lado de McCartney (ao fundo) e Harrison (de costas).

“Quando você está desesperado, não solicita: ‘por favor, senhor, poderia por obséquio ajudar-me, pois estou me afogando’. Você simplesmente grita!”. Foi mais ou menos nessas palavras que John Lennon defendeu a simplicidade latente de I want you. De fato, é uma canção desesperada – em letra e em som – pautada pela repetição insistente até o ponto em que o ouvinte se incomoda com isso e começa, também, a ficar angustiado. Genial!

A letra se resume ao apelo: “Eu te quero/ Eu te quero loucamente/ Isto está me deixando doido” que se repete sem parar, interrompido apenas pelo interlúdio: “Ela é tão pesada…”, gritado a plenos pulmões. O instrumental é exuberante, com camadas e camadas de guitarras repetindo uma série de arpejos e mudando de ritmo algumas vezes.

Após deixar também o ouvinte desesperado com tantas repetições, a faixa se encerra de maneira abrupta: simplesmente para de uma vez, como se tivesse acabado a energia no meio da gravação!

I want you foi a primeira canção a ser gravada para Abbey Road. Ela chegou a ser ensaiada nas sessões de Let it Be, mas ganhou uma gravação de verdade no dia 22 de fevereiro de 1969, quase um mês depois do fim daquele projeto e um mês antes do início do álbum propriamente dito.

A gravação de base consistiu de 35 takes (!) com a formação básica da banda: Lennon e Harrison nas guitarras, McCartney no baixo e Starr na bateria, mais o apoio de Billy Preston no órgão hammond. A produção foi de Glyn Johns. No dia seguinte, Lennon escolheu pedaços de três takes para compor a versão master, com o início vindo do take 9, o meio do take 12 e o final do take 26. Os vocais de Lennon foram gravados ao vivo durante a base e não foram refeitos, como normalmente o grupo fazia. O que só mostra sua grande habilidade vocal.

Quando decidiu resgatar a faixa para o novo álbum, Lennon se uniu a Harrison no dia 18 de abril (sob a produção de Chris Thomas) e a dupla gravou uma sobreposição das guitarras: Lennon faz àquela que segue os vocais, o solo e o arpejo principal; enquanto Harrison faz o contraponto em todas essas partes. Cada um gravou várias vezes a mesma melodia em várias guitarras diferentes (inclusive em modelos) de modo a compor uma grande camada sonora.

Na mixagem final, realizada bem mais tarde, Lennon optou por deixar essa grande camada de guitarras apenas em alguns trechos da faixa: na introdução; no trecho do vocal “she’s so heavy” e na coda instrumental final. Curiosamente, o solo do meio foi mantido em sua versão limpa, ao vivo, sem regravações, o que funciona maravilhosamente.

No dia 20 de abril, Lennon mexeu na canção de novo, acrescentando pequenos trechos de órgão hammond para dialogarem com aquele de Billy Preston. Nesta mesma sessão, Ringo Starr acrescentou uma percussão com congas, mas estas terminaria não usadas na versão final.

A canção parecia estar pronta, mas até o dia 08 de agosto não existia ainda o verso “she’s so heavy” (que terminou virando o subtítulo da canção). Até então havia apenas o arpejo instrumental. Lennon criou essa pequena variação e decidiu gravá-la naquele dia. Ele, McCartney e Harrison se uniram, então, em um mesmo microfone e cantaram o verso nas três vezes em que aparece na faixa, mudando-a radicalmente. Nesta ocasião foi a primeira vez em que o produtor George Martin trabalhou nela.

Houve por fim uma última adesão à faixa em 11 de agosto quando Lennon acrescentou um som de “ruído branco” (aquele que parece um vento no final da canção) por meio de um sintetizador mini-moog. O efeito de interrupção no fim da faixa foi criado na mixagem, a partir de um corte na fita. A intenção de Lennon era criar uma sensação de estranheza e ruptura mesmo. Além disso, já sabia que a canção iria encerrar o Lado A do álbum, achando uma maneira exótica de fazer isso (ao contrário do tradicional fade-out, aquele em que a música baixa o volume até desaparecer).

HERE COMES THE SUN

O Lado B do LP Abbey Road abria com esse folk rock de George Harrison, composto na casa do guitarrista Eric Clapton, amigo íntimo daquele. Harrison meio que “roubou” o título da canção de outra faixa que está no disco: Sun king, de John Lennon, que diz “here comes the sun king…”. Apesar disso, Here comes the sun é uma bela canção e uma das mais famosas de Harrison, que ganhou até uma versão em português nas mãos de Lulu Santos nos anos 1980.

A gravação começou em 07 de julho, nas sessões sem John Lennon, que estava hospitalizado. Harrison (violão), McCartney (baixo) e Starr (bateria) gravaram a base rapidamente. Harrison ficou meio obcecado em complementá-la com overdubs e gravou muitas outras partes instrumentais para finalizá-la. A maratona de sobreposições começou no dia 16 de julho, com o acréscimo de um teclado e das palmas na seção do meio da canção. Em 06 de agosto, Harrison acrescentou mais uma guitarra à faixa; no dia 15 foi gravada a orquestra; e no dia 19, finalmente a faixa foi finalizada com um toque do sintetizador minimoog.

Embora não tenha sido lançada em compacto na época, desde sempre Here comes the sun se transformou em uma das canções mais famosas e de sucesso do álbum, sendo uma grande campeã de execução nas rádios até hoje.

BECAUSE

Uma cena cada vez mais rara: McCartney e Lennon dividindo os microfones, durante alguma sessão de Abbey Road.

Uma cena cada vez mais rara: McCartney e Lennon dividindo os microfones, durante alguma sessão de Abbey Road.

Esta bela balada de John Lennon foi composta inspirada na Sonata ao Luar de Beethoven. Apesar do belo instrumental construído a partir de arpejos, o grande destaque da faixa são os vocais à três vozes de Lennon, McCartney e Harrison, compondo um intrincado arranjo vocal.

Because foi a última canção a começar a ser gravada para Abbey Road, em 05 de agosto. O instrumental foi gravado primeiro, com Lennon (guitarra), McCartney (baixo) e George Martin (espineta elétrica). Ringo Starr tocou bateria para servir de guia aos outros três, mas seu instrumento não foi gravado. George Harrison não participou dessa parte da sessão.

No dia seguinte, Lennon, McCartney e Harrison se uniram para gravar os vocais da faixa. Arranjados por George Martin, cada um compôs uma melodia a três vozes, de modo que, na versão final, temos 9 vozes no total. Essa gravação, apesar de sua doçura, foi extremamente trabalhosa, o que deixou o trio irritado algumas vezes.

Por fim, no dia 11 de agosto, supervisionado por Lennon, Harrison acrescentou algumas frases de teclado tocadas no sintetizador mini-moog, que aparecem perto do fim da canção em contraponto com o restante da instrumentação.

Falando nela, é delicioso ao ouvinte perceber a progressão da faixa: começa com a espineta no primeiro compasso, ganha a guitarra a partir do segundo, vindo em seguida os vocais e o baixo. Lindo. Um ótimo exemplo da harmonia instrumental e vocal dos Beatles.

YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY

Apesar da coesão musical, You never give me your money trata dos problemas internos do grupo.

Apesar da coesão musical, You never give me your money trata dos problemas internos do grupo.

Esta canção é uma das melhores faixas de Abbey Road, embora seja uma canção relativamente obscura dos Beatles. Uma faixa que passa por várias fases diferentes e termina como um rock rasgado levado por ótimos sons de guitarra. É também aquela que comenta – de modo não muito disfarçado – dos problemas financeiros do grupo e, especialmente, com Allen Klein, tendo em vista que é uma composição de McCartney.

Abrindo de modo melancólico no piano, a canção vai progressivamente se tornando mais pesada e termina com certa fúria, que é abrandada pelo verso carregado de ironia de “one, two, tree, four, five, six, seven/ All the goods children goes to the heaven”, que fica se repetindo sem parar, embora soterrado por um ótimo solo de guitarra e uma cacofonia de sons de grilos e sinos que servem de ponte para a faixa seguinte: Sun king.

Dessa forma, You never give me your money é também a abertura oficial da Huge Melody, a sequência praticamente ininterruptas de faixas que conduz o Lado B do LP original.

Enquanto gravação, é uma faixa que demonstra a incrível capacidade dos Beatles de produzir bom material mesmo em meio à pressão. Cada um dos quatro se dedicou com afinco em seu instrumento nesta canção, resultando em uma das melhores execuções instrumentais do disco, captadas à perfeição pelos oito canais que se distribuem nas caixas de som. McCartney faz o piano da abertura – que “desaparece” na mixagem em alguns trechos do fim – e o baixo, que realiza um som incrível, repleto de notas agudas. Lennon toca uma guitarra base distorcida que brilha em vários momentos da faixa, inclusive no solo, em que está com um nível de volume ligeiramente maior do que a guitarra solo propriamente dita. É Lennon também quem faz o arpejo dedilhado do final, sobre o qual a canção se desenvolve perto do fim.

George Harrison faz uma guitarra solo bastante grave, repleta de sons bem profundos que vão cortando a faixa em toda a sua extensão. O solo é meio desonante e serve como contraponto à guitarra mais alta de Lennon em um efeito ótimo. Há um segundo solo mais tradicional na parte final que é magnífico, embora dispute espaço com os arpejos e efeitos sonoros. Por fim, a bateria de Ringo Starr alisa os ouvidos com um bom uso dos tons-tons que dão uma singularidade ótima às viradas e à canção.

A canção teve uma longa história de gravação. Começou no fim da segunda etapa das sessões, no dia 06 de maio, no Olympic Sound Studios, com produção de George Martin. Foram realizados 36 takes da base da faixa, com McCartney no vocal-guia e piano, Lennon e Harrison nas guitarras (o primeiro com distorção; o segundo com uma pedal via Leslie) e Starr na bateria. A banda escolheu o take 30 como o melhor e, curiosamente, nessa fase, a canção não tinha o final com fade-in; mas terminava de modo brusco, como se fosse dar passagem a uma outra faixa em seguida. É por isso, que alguns estudiosos pensam que a ideia da Huge Melody, o grande medley que une várias canções no Lado B do álbum foi criado a partir de You never give me…

A terceira etapa das gravações do álbum iniciaram justamente com esta canção. No dia 1º de julho, quando John Lennon ainda jazia hospitalizado por causa de seu acidente de carro na Escócia; Paul McCartney foi sozinho ao estúdio Abbey Road e gravou os vocais principais de You never… A canção voltaria a ser trabalhada no dia 15, quando seriam gravados mais vocais e backing vocais por Lennon e McCartney. Outra gravação de vocais ocorreu duas semanas depois, em 30 de julho.

Nessa época foi realizada a mixagem que trocou o fim abrupto da canção por uma repetição dos riffs e solos de guitarra do fim, tirados de outros takes. Assim, se construiu o fade-in da canção, sobre o qual foram colocados os vocais do dia 15 (“one, two, tree…”). No dia 31 de julho, McCartney voltou sozinho ao estúdio e ignorou os acréscimos do dia anterior, gravando novas partes de baixo e piano para a versão final da canção. Por fim, as sessões na canção foram encerradas no dia 05 de agosto, quando foi adicionado o mix final dos ruídos, sons de grilos e sinos que servem de passagem da faixa para Sun King, no que dá início ao medley do Lado B de Abbey Road.

SUN KING

Momento de rara beleza instrumental com os quatro Beatles tocando a introdução de Sun king.

Momento de rara beleza instrumental com os quatro Beatles tocando a introdução de Sun king.

A introdução desta canção é uma das passagens instrumentais mais deliciosas da carreira dos Beatles. Duas guitarras, baixo e um teclado discreto criam melodias cruzadas que vão se complementando de uma forma muito bonita, completada com uma boa percussão, até parar e recomeçar com os vocais assumindo o primeiro plano. A letra é uma brincadeira irônica com a situação da expectativa em torno da presença de alguém poderoso e autoritário, já que diz: “aí vem o Rei Sol/ Estão todos felizes, estão todos rindo”; quando se sabe que o Rei Sol é Luís XIV da França, um senhor absolutista que disse a famosa frase “o Estado sou eu” e teve um reinado marcado por autoritarismo e luxo exacerbado.

O último estrofe da canção traz uma típica brincadeira linguística de John Lennon, o autor da canção: palavras de vários idiomas misturadas formando uma frase fictícia que não tem sentido algum. Aparecem palavras em espanhol, italiano, francês e até português. Genial!

Em termos de gravação, Sun King chegou tarde às sessões de Abbey Road, estando na última leva de faixas registradas pelos Beatles. Suas sessões iniciaram no dia 24 de julho e a linha melódica principal da guitarra de abertura se mostra claramente influenciada pelo hit instrumental da banda de blues rock Fleetwood Mac, Albatross. Desde os primeiros takes, Sun King já foi registrada como um tipo de abertura para Mean Mr. Mustard, o que mostra os Beatles já tinham desenhado a Huge Melody em suas cabeças e já estavam gravando pensando nela.

A gravação base de 24 de julho trouxe os Beatles tocando o instrumental com as duas guitarras (Lennon e Harrison), baixo (McCartney) e bateria (Starr), com todos os detalhes da melodia já presentes. No dia seguinte, a banda acrescentou alguns overdubs em uma sessão rápida, com os vocais a três vozes (Lennon, McCartney e Harrison), um piano (Lennon), um órgão (McCartney) e a percussão (Starr). Aparentemente, o resultado não agradou, porque a banda repetiu esta gravação extra no dia 29, finalizando a faixa.

Uma curiosidade: durante as gravações do primeiro dia, Lennon liderou a banda em uma sequência de improvisações que terminaram na execução completa de três canções de Gene Vincent (um dos velhos ídolos da banda nos anos 1950): Ain’t she sweet, Who’s slapped John? e Be-bop-a-lula. A primeira havia sido registrada pelos Beatles em 1961 durante as gravações que a banda fizera em Hamburgo (está em Anthology 1) e esta versão mais relaxada e lenta seria lançada depois no Anthology 3. Já Be-bop-a-lula – um dos principais números de Lennon pré-fama – seria registrada pelo cantor em sua carreira solo no álbum Rock and Roll de 1975.

MEAN MR. MUSTARD

Raro momento de união entre Harrison e McCartney.

Raro momento de união entre Harrison e McCartney.

Gravada em conjunto com Sun King, esta canção entra “nos finalmentes” das sessões de gravação do álbum. Apesar disso, a faixa já tinha mais de um ano de idade quando isso aconteceu, tendo sido composta durante o retiro espiritual da banda na Índia. Uma canção sobre um senhor mesquinho não é o que se esperaria sair de uma meditação, não é mesmo? De qualquer modo, a canção foi gravada durante a sessão de demos realizada em maio de 1968 na preparação do Álbum Branco (esta demo pode ser ouvida em Anthology 3), embora não tenha, obviamente, ficado na seleção final.

Embora tenha um arranjo até interessante, Mean Mr. Mustard não é uma canção muito séria e Lennon não se dedicou o suficiente na letra. O maior destaque é mesmo o baixo distorcido (fuzzz tone) usado por McCartney, que é usado como um contraponto. Foi a apenas a segunda vez que o músico fez isso na história da banda (sendo a anterior registrada quatro anos antes para a faixa Think for yourself, de George Harrison no álbum Rubber Soul).

A gravação de Mustard segue a história de Sun King nas mesmas sessões dos dias 24, 25 e 29 de julho.

POLYTHEME PAM

Lennon traz lembranças loucas de Liverpool em Polytheme Pam.

Lennon traz lembranças loucas de Liverpool em Polytheme Pam.

O último acorde de Mean Mr. Mustard se sobrepõe ao primeiro de Polytheme Pam, que é apresentada na letra da canção anterior como a irmã de Mustard. Pam é uma fetichista que adora usar roupas de poliéster na hora de fazer sexo. A letra suja e carregada propositadamente com o sotaque scouse típico de Liverpool dá um efeito quase cômico à canção. John Lennon baseou a canção em memórias de seus tempos de estudante de arte, onde parecia mesmo existir uma Polytheme Pam.

O grande destaque da canção são os acordes abertos feitos por Lennon em um violão de 12 cordas, o que dá um efeito muito forte, completados com uma guitarra de contraponto de George Harrison. O efeito é provavelmente inspirado em Pinball Wizard do The Who, que tinha acabado de ser lançada. A canção Polytheme Pam, contudo, é mais antiga, tendo sido criada no retiro espiritual dos Beatles na Índia em 1968 e chegou perto de entrar tanto no Álbum Branco quanto foi tentada nas sessões de Let it Be.

Polytheme Pam foi gravada já em conjunto com She came in through the bathroom window, como se fosse uma única canção. Isso exigiu à banda criar uma progressão de acordes em cinco notas, que permite a passagem do tom de uma para a da outra. As sessões começaram em 25 de julho e foram realizados 39 takes, um número bem alto. A gravação de base teve violão de 12 cordas (Lennon), guitarra (Harrison), baixo (McCartney) e bateria (Starr). Lennon não gostou do som da bateria. Depois de terem gravado a base, no fim da sessão Starr teve refazer toda a bateria da faixa, com uma outra afinação e tocando de modo mais agressivo. McCartney aproveitou e refez o baixo também.

A banda voltou ao estúdio no dia 28, quando realizaram uma maciça parede de overdubs: Lennon gravou um segundo violão para algumas partes e um piano; McCartney regravou o baixo, adicionou partes de guitarra elétrica (especialmente no segmento de She cames in through…) e um piano elétrico; Starr pôs uma percussão.

SHE CAME IN THROUGH THE BATHROOM WINDOW

Apesar de parecer meio louco, a história desta canção é baseada num fato real: realmente, alguma garota entrou pela janela do banheiro e roubou alguns objetos da casa de Paul McCartney, em St. Johns Wood, há poucos quarteirões de Abbey Road. Uma fã da banda pôs uma escada no muro, pulou e entrou pela janela do banheiro, levando consigo fotografias do pai de McCartney, outras realizadas por Linda McCartney e até pedaços do filme Let it Be. Isso chateou o compositor e o inspirou a fazer essa canção.

She cames in through… viu a luz do dia ainda nas sessões de Let it Be, quando foi ensaiada no dia 22 de janeiro, em uma versão bastante lenta de R&B. Para o álbum Abbey Road, a faixa foi retomada com uma pegada bem mais agressiva, de modo que encaixasse ao fim de Polytheme Pam. As duas canções foram gravadas como se fosse uma só, começando no dia 25 de julho e terminando no dia 28. Delas, She cames… foi a que exigiu mais overdubds, pois Ringo Starr adicionou uma percussão em estilo de Samba brasileiro para dar mais força à sessão rítmica. Lennon dobrou seu violão para criar um contraponto e McCartney, aparentemente, não gostou dos solos de George Harrison, sendo provavelmente o próprio McCartney quem faz a guitarra solo desta seção.

Para aqueles que gostam de dados precisos, Polytheme Pam/ She cames in through the bathroom window é a última faixa em que os quatro Beatles gravaram juntos em um estúdio. Houveram algumas outras gravações depois do dia 25 de julho, mas nunca mais com os quatro Beatles juntos, apenas partes da banda. As sessões de Abbey Road prosseguiram, mas a única faixa completa gravada depois dessa foi Because, não contou com participação de George Harrison na base e a bateria de Starr sequer foi gravada, apenas usada para guiar os outros músicos.

GOLDEN SLUMBERS

George Harrison faz o baixo de Golden Slumbers e Carry that weight.

George Harrison faz o baixo de Golden Slumbers e Carry that weight.

Após duas faixas frenéticas, a Huge Melody de Abbey Road dá uma pequena trégua: um pequeno intervalo para respirar e o reinício com uma canção mais calma: Golden Slumbers. Esta belíssima faixa é baseada em uma velha cantiga medieval que McCartney encontrou em um livro de partituras, mas como não sabia ler música pautada, criou tudo do zero. A gravação de Golden Slumbers foi a primeira do medley do Lado B e pode ter sido ela quem deu a ideia de unir as várias faixas seguintes. Por isso, desde o início, já foi gravada em conjunto com Carry that weight. As sessões começaram em 03 de julho, nas gravações das quais John Lennon não participou porque estava hospitalizado devido ao acidente de carro que sofrera. Assim, a base foi realizada apenas por McCartney (voz e piano), Harrison (baixo) e Starr (bateria).

A canção ganhou muitas camadas de overdubs depois, começando no próprio dia 04 de julho, quando McCartney e Harrison gravaram duas guitarras (base e solo, respectivamente) para Carry that weight. Também foram realizadas gravações dos vocais da faixa.

A orquestra discreta de Golden slumbers foi gravada – junto com todas as peças deste tipo no álbum – no dia 15 de agosto.

CARRY THAT WEIGHT

George e Ringo gravam vocais.

George e Ringo gravam vocais.

Desde o início, o Carry that weight era o “final” de Golden slumbers. A faixa é uma clara reclamação dos problemas financeiros da banda e o “peso” que era carregar a banda nesse clima. Apesar de ser uma faixa compacta, é bastante simpática. E mostrando que McCartney já pensava mesmo na interligação das faixas, esta canção repete no meio a melodia de You never give me your money, que aborda o mesmo tema.

Isto é interessante porque cria uma ligação não apenas musical ao Lado B do álbum, mas também temática.

As gravações seguem a história de Golden Slumbers, com McCartney, Harrison e Starr fazendo a base no dia 03 de julho, gravando overdubs no dia seguinte (as guitarras particularmente que aparecem praticamente apenas no solo do meio, tocadas por McCartney e Harrison) e uma primeira tentativa dos vocais no mesmo dia.

Mas o resultado vocal não deve ter agradado, porque no dia 30 de julho os quatro Beatles se reuniram novamente em torno dos microfones e gravaram o forte coro que diz Carry that weight. Foi um momento de união da banda já raro, ainda mais bem no fim das gravações do álbum. No dia 15 de agosto, foi gravada a orquestra, que dá ainda mais ênfase à seção de You never give me your money no meio, com um efeito muito bonito quando se ouve o álbum por inteiro.

THE END

A banda soa unida e entrosada em The End.

A banda soa unida e entrosada em The End.

Inicialmente, não havia ligação especial entre Carry that weight e The end, mas a banda criou uma edição brusca que interliga as duas faixas, dando uma ideia de união. Apesar de ser a última faixa do último álbum da banda, The end não traz nada de profético em sua criação, era apenas “o fim” para a Huge Melody, e não para a banda. Esta faixa era inteiramente instrumental em seu início e foi montada literalmente aos poucos: primeiramente como uma seção rítmica, depois com o solo de bateria e, por fim, com a ideia dos solos de guitarra alternados. A parte final com os vocais foi criada por último.

A canção teve uma longa história de gravação, criada inteiramente já na etapa final de produção do álbum. Tudo começou no dia 23 de julho, quando os quatro Beatles se reuniram no estúdio 3 de Abbey Road e gravaram uma peça totalmente instrumental de 1min20seg de duração em apenas sete takes. Havia uma base de guitarra e uma série de solos meio aleatórios, além de um solo de bateria no meio – o primeiro e único na carreira da banda, já que Ringo Starr era avesso aos solos e teve que ser convencido pelos colegas. O solo, inclusive, foi registrado em dois canais, a primeira vez que uma bateria era gravada em estéreo em um álbum do grupo.

Após a gravação da base, o grupo gravou uma série de overdubs na gravação original, com mais duas guitarras e um pandeiro, quase nada disto permanecendo na versão final. Já então a faixa era pensada para encerrar o longo medley do Lado B, por isso, seu título de trabalho era apenas Ending, mais tarde modificada para The End.

A faixa ganhou outra sessão de overdubs apenas no dia 05 de agosto, já bem na reta final das gravações, quando McCartney e Lennon gravaram os primeiros vocais da canção, aqueles que abrem a canção e seguem depois do solo de bateria gritando “love you”. Contudo, a banda queria algo mais agressivo para encerrar a canção.

Daí, voltaram no dia 07 de agosto, outra sessão de sobreposições, quando o histórico solo de guitarra foi gravado. No início da carreira dos Beatles – lá atrás em 1960 – a linha de frente era formada por Lennon, McCartney e Harrison, todos os três, tocando guitarras; enquanto Stuart Sutcliffe (quer permaneceu no grupo entre 1960 e 1961) fazia o baixo. Lembrando disso, o grupo teve a ideia de fazer algo que jamais fizeram em estúdio, mas esquentava as madrugadas dos shows nos inferninhos de Hamburgo, na Alemanha, na longa temporada que os Beatles passaram por lá: um longo solo de guitarra alternado entre os três músicos.

Imagem da última sessão fotográfica dos Beatles, em 22 de agosto de 1969.

Imagem da última sessão fotográfica dos Beatles, em 22 de agosto de 1969.

Assim, cada um dos três se reuniu no estúdio 3 portando uma guitarra diferente e criaram um longo solo alternado de guitarra: Paul McCartney abria a peça; George Harrison vinha em seguida com o meio; e John Lennon fazia o arremate final. O movimento foi repetido três vezes (cada qual com melodias distintas), resultando em um furioso e maravilhoso solo de guitarra que sequer parece ser tocado por três músicos. O ouvinte pode tentar distingui-los (e é fácil), percebendo como McCartney, Harrison e Lennon tocam cada um uma pequena melodia e a sequência se repete até a terceira vez.

McCartney toca de modo maravilhoso, com uma guitarra Epiphone e som muito forte, muito rock and roll; em seguida vem Harrison usando uma Gibson Les Paul tocando no estilo de seu amigo Eric Clapton, num som muito harmonioso; por fim, Lennon também usa uma Epiphone, mas evidenciando os tons graves, fazendo algo muito pesado e distorcido. Simplesmente mágico.

Também foi nessa sessão do dia 07 em que os três registraram o final da faixa, em que há uma parada após o último solo de Lennon e ocorre uma retomada para acabar em seguida. Neste mesmo dia, a retomada ganhou vocais com a célebre frase cantada por McCartney: “E no fim/ O amor que você recebe/ É igual ao que você dá”.

Ainda assim, esse fim só tinha guitarras, de modo que a banda voltou no dia seguinte (a mesma data em que fotografaram a capa do disco) para uma nova sessão de baixo e bateria, que preencheu o final da canção, quando há a  retomada.

Todas as orquestras do álbum foram registradas no dia 15 de agosto, inclusive de The End: apenas alguns segundos exatamente no fim da faixa. Apesar de pouco espaço, isso consumiu 30 músicos, com 12 violinos, quatro violas, quatro violoncelos, um baixo acústico, quatro cornetas, três trompetes, um trombone e um baixo-trombone (a mesma instrumentação usada em Golden Slumbers e Carry that weight). Mesmo com a orquestra já gravada, a faixa ainda não estava finalizada. No dia 18, Paul McCartney voltou ao estúdio e registrou os quatro segundos do piano que marca a retomada da faixa. Assim, as guitarras dessa parte foram removidas, ficando apenas o som claro do piano e a voz até o fim do verso, quando voltam todos os instrumentos e a orquestra para o fim.

Era o fim do disco.

Ou quase.

HER MAJESTY

Um dia antes da retomada oficial das gravações do álbum após as “férias forçadas” do meio do ano, no dia 02 de julho, Paul MCartney voltou aos estúdios de Abbey Road e registrou sozinho esta pequena canção com uma piada suja sobre a Rainha da Inglaterra. A ideia era fazer um demo, contudo, ao longo do desenvolvimento das sessões o músico jamais retornou à canção e, com a ideia do grande Medley no Lado B decidiu simplesmente usá-la do jeito que estava.

Inicialmente, Her Majesty seria parte da Huge Melody, ficando exatamente entre Mean Mr. Mustard e Polytheme Pam. Foi realizada uma mixagem prévia do medley no dia 30 de julho e a banda não gostou do resultado final, já que a pequena peça acústica tirava a força da peça, posicionada entre dois rocks de Lennon. Paul McCartney solicitou que a canção fosse simplesmente jogada fora, mas o segundo engenheiro de gravação John Kurlander já havia recebido a ordem de jamais, em hipótese alguma, jogar nenhuma gravação dos Beatles no lixo. Assim, Kurlander simplesmente cortou a fita e colou o pedaço de Her Majesty no fim do rolo, remendando Mean Mr. Mustard e Polytheme Pam.

Esta cópia do rolo era apenas uma mixagem prévia, sem grandes cuidados, por isso, o início de Her Majesty guardava o último acorde de Mean Mr. Mustard; enquanto a última nota era cortada, porque estava ligada ao primeiro acorde de Polytheme Pam. Mais tarde, o pedaço de Her Majesty terminou no fim do rolo de outra versão prévia do álbum, que os Beatles escutavam para avaliar o próprio trabalho.

Sensíveis a “acidentes” de percurso e efeitos curiosos, a banda terminou tendo a ideia de deixar Her Majesty no final do álbum, como um tipo de toque surpresa. A faixa sequer é creditada na versão original do LP, que lista The End como a última canção. Mas se o ouvinte deixasse o disco rolando na vitrola, 16 segundos após o fim daquela aparecia de surpresa o estrondo (com o final de Mean Mr. Mustard) e a pequena peça acústica de McCartney. A última nota permaneceu cortada – pois o músico decidiu não mexer na edição (poderia ter resgatado a gravação original e recompô-la, mas preferiu deixar a versão grosseira da mixagem prévia).

O fato da última nota ser cortada ainda criou uma sincronicidade curiosa com I want you (she’s so heavy), que encerra o Lado A também com uma nota cortada.

La Vem o Sol

Beatles: maior sucesso no fim da carreira.

Beatles: maior sucesso no fim da carreira.

A recepção de Abbey Road pelo público foi calorosa desde o início, embora os críticos tenham ficado confusos. Alguns adoraram o material no momento do lançamento, mas a maioria ficou incomodada com o excesso de pós-produção do disco, taxando-o de artificial. O longo medley do Lado B também não foi imediatamente entendido, apesar da banda estar adiantando o estilo do rock progressivo, em que se faziam discos como se fossem grandes suítes musicais.

De qualquer modo, o retorno em vendas foi absoluto. Em apenas quatro meses, Abbey Road vendeu mais de 4 milhões de unidades, sendo o álbum de maior sucesso dos Beatles em sua carreira até hoje! No Reino Unido, ele foi direto para o primeiro lugar das paradas, ficando por 11 semanas seguidas no número um até cair para a segunda colocação em favor do disco Let it Bleed dos Rolling Stones na segunda semana de dezembro. Porém, na semana seguinte – a do Natal – Abbey Road retornou ao número um por mais seis semanas, totalizando, assim, 17 semanas em primeiro lugar. Sua queda definitiva se deu para o disco Led Zeppelin II.

Nos EUA, o álbum ficou 12 semanas em primeiro lugar do ranking da revista Billboard; transformando-se no álbum mais vendido de 1969 e o quarto mais vendido de 1970. Segundo a rede CNN, Abbey Road foi o disco de vinil mais vendido de 2011!

Hoje, a faixa de pedestres é lugar de peregrinação de turistas do mundo todo que visitam Londres.

Hoje, a faixa de pedestres é lugar de peregrinação de turistas do mundo todo que visitam Londres.

O álbum também gerou toda uma mística em torno de si, com sua capa se transformando em uma das imagens mais icônicas do mercado de discos do mundo. E a faixa de pedestres em frente ao estúdio virou um lugar peregrinação dos fãs da banda. Todos os dias, centenas de fãs cruzam a faixa e tiram fotos mimetizando a capa do disco, para desespero dos motoristas do bairro de St. Johns Wood.

O sucesso do disco infelizmente coincidiu com o desmantelamento da banda. Nos meses seguintes ao seu lançamento, os Beatles simplesmente deixaram de existir.

O Fim

É claro que uma grande banda precisa ter um grande final. E foi isso o que os Beatles tiveram.

Apenas dois dias após o fim das gravações de Abbey Road, os Beatles se reuniram na casa de John Lennon, em 22 de agosto de 1969, para aquela que seria a última sessão de fotos da banda. Uma linda sequência de retratos foram realizados nos amplos jardins da propriedade e mostram o grupo carrancudo, refletindo o clima de então. Algumas dessas imagens seriam usadas na capa da coletânea The Beatles Again (também conhecida como Hey Jude) lançada nos EUA para as vendas de natal.

Harrison, Starr e Lennon no Festival da Ilha de Wight.

Harrison, Lennon e Starr (e esposas) no Festival da Ilha de Wight.

Um evento curioso que mostra como estava a dinâmica dos Beatles na época: em 25 de agosto de 1969 ocorria o Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra, que contou com uma apresentação de Bob Dylan, a primeira no país desde a polêmica turnê de três anos antes. John Lennon, George Harrison e Ringo Starr foram até lá e conferiram o show de Dylan na plateia. Paul McCartney não foi. Mais tarde, em um celeiro próximo, o trio se reuniu com Dylan e Eric Clapton e promoveram uma grande jam session. Na volta à Londres, Dylan ficou um tempo na casa de Lennon e só não participou da gravação de Cold Turkey – o segundo single solo de Lennon – porque teve que pegar o avião para casa.

Lennon anunciou sua saída dos Beatles em uma reunião.

Lennon anunciou sua saída dos Beatles em uma reunião.

Em 22 de setembro, os quatro Beatles se reuniram pela última vez, mas não num estúdio de gravação, mas em uma sala de reunião para renovar com o contrato com a gravadora EMI. Foi nesta ocasião em que Lennon comunicou aos demais membros que estava deixando a banda. Todos ficaram muito nervosos, mas o empresário Allen Klein convenceu Lennon a não se pronunciar publicamente para não atrapalhar o novo contrato. O músico concordou e se sentiu livre dos Beatles.

Lennon se apresenta com Eric Clapton em 1969.

Lennon se apresenta com Eric Clapton em 1969.

Tanto que três dias depois viajou para tocar no Live Peace Festival em Toronto no Canadá, fazendo a estreia ao vivo da Plastic Ono Band, acompanhado de Eric Clapton na guitarra, Klaus Voorman no baixo e Alan White na bateria. No concerto, mesclou alguns covers (como Blue suede shoes e Money), suas novas canções solo (Give peace a chance e Cold turkey) e até uma canção dos Beatles (Yer Blues).

Paralelamente, o staff da banda preparava o álbum Let it Be para o lançamento. Contudo, percebeu-se que havia apenas uma canção de George Harrison bem registrada: For your blue. A única outra canção de Harrison finalizada nos ensaios de janeiro de 1969 havia sido I me mine e, ainda assim, não havia nenhuma versão boa dela. Por isso, decidiu-se fazer uma gravação totalmente nova dela. A sessão foi marcada para 03 de janeiro de 1970, mas John Lennon não compareceu.

Uma das últimas fotos dos Beatles reunidos.

Uma das últimas fotos dos Beatles reunidos.

Lennon quis fazer valer sua decisão de cair fora e manteve-se firme. Ainda assim, Harrison, McCartney e Starr fizeram a última sessão oficial de gravação dos Beatles, como um trio, registrando I me mine para o Let it Be.

Em março, os Beatles ainda não gostaram do que ouviam nas versões prévias do álbum, por isso, Lennon e Harrison contrataram o produtor Phil Spector para criar a versão final de Let it Be. Spector selecionou os melhores takes, remixou tudo, acrescentou orquestras e coros e, por fim, o álbum foi lançado em maio de 1970.

Mas quando isso aconteceu, Paul McCartney já tinha declarado o fim dos Beatles em 10 de abril, quando do lançamento de seu primeiro álbum solo, McCartney, em que distribuiu uma entrevista comunicando que não tinha mais intenção de se reunir seus companheiros.

Embora Lennon tivesse se desligado da banda sete meses antes, McCartney usou o fim da banda para promover seu próprio disco.

Era o fim da maior banda de rock de todos os tempos. Nunca mais – em nenhuma ocasião – o quarteto se reuniu para tocar ou gravar. John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr prosseguiram em carreiras solo de sucesso.

E Abbey Road continuou sua carreira de encantar o mundo e vender como água.

 

 

 

 

Marvel Studios: Franquia no cinema é a segunda mais lucrativa da história

Vingadores: Marvel a caminho do topo da liderança mundial.

Vingadores: Marvel a caminho do topo da liderança mundial.

O Marvel Studios, o braço cinematográfico da editora Marvel Comics, atingiu esta semana a marca de US$ 7 bilhões arrecadados nos cinemas do mundo. Com isso, a franquia que reúne personagens como Capitão América, Homem de Ferro, os Vingadores e o novo sucesso Guardiões da Galáxia, é a segunda mais lucrativa da história do cinema, atrás apenas da franquia Harry Potter, da Warner Bros., que detém um pouco mais: 7,7 bilhões.

Contudo, isso irá mudar em breve. Mesmo com a produção de alguns spin-offs (filmes derivados) de Harry Potter em breve, o lançamento de Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, em 2015, pode somar entre 1 e 2 bilhões ao conjunto da franquia Marvel, de modo a partir do ano que vem não tem para ninguém: nenhuma outra poderá bater de frente com ela.

Em terceiro lugar entre as franquias de cinema mais lucrativas da história está a de James Bond, o agente secreto 007, com US$ 6,2 bilhões.

Agent Carter: Série de heroína da Marvel contrata Shea Whigham e James D’Arcy

Shea Whigham será Roger Dooley.

Shea Whigham será Roger Dooley.

O ator Shea Whigham (de Broadwalk Empire) foi contratado para o elenco fixo de Agent Carter, série de TV produzida pela Marvel Television e exibida pela ABC, que narrará as aventuras da agente secreta dos quadrinhos da Marvel Comics, que estrelou o filme Capitão América – O Primeiro Vingador e o curtametragem Agent Carter; teve uma pequena participação em Capitão América 2 – O Soldado Invernal e também aparecerá em Os Vingadores 2 – A Era de Ultron. Ele viverá o personagem Roger Dooley, que na série será o chefe de Peggy Carter na SSR, a agência de espionagem que antecedeu a SHIELD no Universo Marvel.

Roger Dooley (loiro) na arte de John Byrne.

Roger Dooley (loiro) na arte de John Byrne.

O personagem Roger Dooley existe nos quadrinhos, mas ele é um agente corrupto da SHIELD que se torna um vilão e morre na edição especial Marvel Graphic Novel 18: She-Hulk, estrelada pela Mulher-Hulk, com roteiro e arte de John Byrne, em 1988. Tal caracterização pode ser usada na série, quem sabe, mostrando Dooley como um agente infiltrado da HIDRA, que como revela O Soldado Invernal, a organização terrorista esteve infiltrada na SHIELD desde o início.

Outra contratação da série, revelada estes dias foi o ator James D’Arcy, que interpretará um personagem descrito como auxiliar de Howard Stark, o pai do Homem de Ferro. Essa descrição casa precisamente com o personagem Erwin Jarvis, o mordomo de Stark que continua trabalhando para Tony Stark. Nos quadrinhos, Jarvis é auxiliar dos Vingadores. Porém, no Universo Cinematográfico da Marvel, aparentemente, Jarvis já está morto e, em sua homenagem, Tony Stark batiza seu programa de Inteligência Artificial de JARVIS.

James D'Arcy e o personagem Jarvis nos quadrinhos.

James D’Arcy e o personagem Jarvis nos quadrinhos.

As informações prévias de Os Vingadores 2 – A Era de Ultron asseguram que, de algum modo, o programa JARVIS irá evoluir para se tornar o herói Visão, membro dos Vingadores que é uma Inteligência Artificial incorporada a um corpo robótico avançadíssimo. No campo dos rumores, se fala que haverá uma cena de flashback neste filme que mostrará eventos da II Guerra Mundial envolvendo o Capitão América, Peggy Carter e o Jarvis humano – que no longametragem será vivido por Paul Bettany, que já fez a voz de JARVIS nos filmes do Homem de Ferro e em Os Vingadores, além de também interpretar o Visão, agora.

James D’Arcy, contudo, interpretará a versão humana e jovem de Jarvis em Agent Carter. As informações parecem sugerir que, mais do que um mero mordomo, Jarvis terá um passado relacionado ao exército e ao serviço secreto. Para dizer a verdade, em nenhum momento os filmes da Marvel afirmam que Jarvis foi um mordomo, então, ele pode ter outra ocupação no Universo dos filmes, tal qual um secretário (auxiliar) de Howard Stark.

Não está confirmado ainda se Dominic Cooper reprisará o papel de Howard Stark na série.

Peggy Carter em O Primeiro Vingador.

Peggy Carter em O Primeiro Vingador.

Aparentemente, além de contar as aventuras de Peggy Carter no pós-guerra (a série se passa em 1946, após os eventos mostrados em O Primeiro Vingador), a série deve contar as origens da SHIELD, na qual Carter tem papel preponderante.

Agent Carter tem produção executiva de Jeph Loeb (de Smallville, Supernatural e Lost) e até agora, o elenco traz Hayley Atwell (Peggy Carter), Shea Whigham (Roger Dooley), James D’Arcy (Erwin Jarvis), Chad Michael Murray (Agente Thompson) e Enver Gjokaj (agente Sousa). A estreia da série será no início de 2015, para uma temporada aparentemente de oito episódios.

Antes disso, Peggy Carter terá participações especiais em cenas de flashback na série Agents of SHIELD, que também é exibida na ABC, inclusive, no primeiro episódio da segunda temporada que estreia em breve.

Nos quadrinhos, Peggy Carter foi criada por Stan Lee e John Romita em Tales of Suspense 77, de 1966, como uma agente especial dos EUA que agia junto à Resistência Francesa na II Guerra Mundial e se torna o grande amor do passado de Steve Rogers, o Capitão América. Inicialmente, sua identidade foi mantida em segredo do leitor e somente em Captain America 161 e 162, de 1973, é que seu nome é revelado. Também é revelado que Peggy é a tia-avô de Sharon Carter, uma agente da SHIELD, que se tornou a namorada do Capitão América depois que ele despertou no presente. Com idade bastante avançada, Peggy Carter faleceu numa história mostrada em Captain America (vol. 06) 01, de 2011.

Foo Fighters: Confirmadas as quatro cidades do Brasil que verão os shows da banda

A formação atual do Foo Fighters: quatro shows no Brasil em 2015.

A formação atual do Foo Fighters: quatro shows no Brasil em 2015.

A produtora T4F confirmou ao site da revista Rolling Stone o itinerário da banda de hardcore norteamericana Foo Fighters, uma das mais importantes do cenário atual da música, no Brasil. Serão quatro capitais brasileiras que virão os shows do conjunto liderado por David Grohl em janeiro de 2015.

A turnê começa por Porto Alegre, no dia 21; prosseguindo em São Paulo no dia 23; no Rio de Janeiro, dia 25; e encerrando em Belo Horizonte, no dia 28.

Na verdade, se esperava que a banda fizesse cinco shows no Brasil nesta turnê, mas apenas estas foram confirmadas até agora. A procura pelos ingressos pode levar à criação de apresentações extras. A última vez que o grupo esteve no país foi em 2012 como atração principal do Festival Lollapalooza.

A turnê do Foo Fighters tem como objetivo promover seu oitavo álbum de estúdio, Sonic Highways, que chega às lojas em 10 de novembro próximo. Acompanhará o disco uma série de documentários para a TV que mostram como foram as gravações, que passaram por oito estúdios diferentes em oito cidades dos EUA.

O Foo Fighters é uma banda de hardcore dos EUA que se formou em 1995, capitaneada pelo cantor e compositor Dave Grohl, então, ex-baterista do Nirvana, que encerrara as atividades no ano anterior. Desde então, a banda é uma das principais do cenário roqueiro made in USA e sua popularidade vem crescendo a cada ano. Atualmente, a formação consiste em Dave Grohl (vocais e guitarra), Pat SmearChris Schifflet (guitarras), Nate Mendel (baixo) e Taylor Hawkins (bateria).

 

X-Men – Apocalipse: Bryan Singer como diretor, presença de Wolverine e alguns detalhes da trama são confirmados

O vilão Apocalypse: cenário apocalíptico para o próximo filme.

O vilão Apocalypse: cenário apocalíptico para o próximo filme.

Essas notícias não são exatamente grandes novidades, mas pelo menos são agora confirmadas: X-Men – Apocalipse, sequência de X-Men – Dias de um Futuro Esquecido, terceiro filme da série que mostra as origens do supergrupo de heróis mutantes da Marvel Comics levado aos cinemas pela 20th Century Fox, será mesmo dirigido por Bryan Singer, Wolverine estrelará o longametragem e mais alguns detalhes emergiram hoje em um conjunto de informações relatados por importantes sites, como Deadline Hollywood e Variety.

Embora todos esperassem que Bryan Singer fosse o diretor do terceiro filme da nova fase da franquia dos mutantes, sua presença no comando do barco não era 100% por causa da séria acusação que repousava sobre o cineasta na Corte do Havaí. Agora que o processo foi arquivado – leia mais aqui - Singer pode seguir em frente como o principal líder dos filmes dos X-Men.

Wolverine permanece à frente de tudo. Uma pena...

Wolverine permanece à frente de tudo. Uma pena…

Outro ponto que estava obscuro era a presença de Wolverine. Num sentido lógico, se Apocalipse seguisse a linha temporal da primeira Trilogia dos X-Men, Wolverine não deveria participar do filme, já que só entraria para a equipe bem mais tarde. Porém, como Dias de Um Futuro Esquecido alterou toda a linha temporal da franquia, lá vamos ter Logan na frente dos créditos de novo.

Com o sucesso de Dias de Um Futuro Esquecido e repleto de personagens e atores estrelares tarimbados no próximo filme, podia bem ser o momento em que a Fox poderia consolidar seu universo mutante para além de Wolverine. Mas quem disse que os executivos de Hollywood são afeitos a riscos? Lá vem Logan de novo. Mais uma vez. E depois, tem outro filme solo do mutante canadense. Mais uma vez.

Ciclope e Jean Grey estarão de volta em versões mais jovens.

Ciclope e Jean Grey estarão de volta em versões mais jovens.

Por fim, as notícias também dão conta da presença de versões jovens de Ciclope, Jean Grey e Tempestade, além de “outros” não revelados. Como o próprio Singer já disse em entrevistas, um dos objetivos de Apocalipse é mostrar a formação dos X-Men tal qual os conhecemos. Ou seja, veremos Charles Xavier e o Fera reunir Ciclope, Jean Grey e Tempestade. Como Wolverine irá se encaixar nisso é o que ninguém sabe ainda. Dentre os candidatos a “outros” na equação o mais cotado é que Gambit também apareça, vivido pelo ator Chaning Tatum.

Gambit pode aparecer em Apocalipse ou ganhar um filme solo. Ou ambos. Veremos.

Por fim, o Deadline revelou uma primeira sinopse do filme, que reúne todas essas informações:

Apocalipse se passa um década depois [1983] de Dias de Um Futuro Esquecido e mostra o próximo passo da história. A alteração do tempo libertou um novo e único inimigo poderoso. Charles (James McAvoy), Erik/ Magneto (Michael Fassbender), Raven/ Mística (Jennifer Lawrence), Wolverine (Hugh Jackman) e Hank/ Fera (Nicholas Hoult) serão unidos aos jovens Ciclope, Tempestade, Jean e outros quando os X-Men irão lutar contra o mais formidável inimigo já enfrentado: uma força ancestral irrefreável determinada a causar um apocalipse como nenhum outro na história da humanidade.

Fera e Xavier devem reunir os X-Men de verdade no filme.

Fera e Xavier devem reunir os X-Men de verdade no filme.

Além das informações já relatadas, a interessante sinopse revela que a ascensão do vilão Apocalipse em 1983 tem haver com a alteração do tempo ocorrida em Dias de Um Futuro Esquecido, o que faz sentido, tendo em vista que o próprio vilão é sempre relacionado a viagens no tempo nas HQs originais.

X-Men – Apocalypse terá história de Bryan Singer e Simon Kinberg (de X-Men – Dias de Um Futuro Esquecido); com roteiro de Kinberg, Dan Harris e Michael Dougherty (de X-Men 2 e Superman – O Retorno); e será dirigido por Bryan Singer. O filme será uma sequência de Dias de Um Futuro Esquecido e trará de volta de James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Erik Lehnsherr/ Magneto), Jennifer Lawrence (Raven/ Mística), Hugh Jackman (Logan/Wolverine), Nicolas Hoult (Hank McCoy/ Fera), Evans Peters (Peter Maximoff/ Mercúrio). O lançamento será 27 de maio de 2016.

Os X-Men foram criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby, mas só foram bem-sucedidos comercialmente nos anos 1970, a partir da reformulação idealizada pelo escritor Len Wein e tocada à frente por Chris Claremont, Dave Cockrum e John Byrne. Daí em diante, se tornaram uma das revistas de maior sucesso da Marvel Comics.

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